terça-feira, 2 de junho de 2015

JESUS E O DINHEIRO




JESUS E O DINHEIRO
           Texto Áureo Lc. 18.24  – Leitura Bíblica  Lc. 18.28-24


Prof. Ev. José Roberto A. Barbosa
Twitter: @subsidioEBD

INTRODUÇÃO
O dinheiro ocupa papel primordial na sociedade contemporânea, mas nem sempre os cristãos estão atentos aos seus riscos. Por isso, na aula de hoje, estudaremos a respeito do dinheiro na cosmovisão de Jesus. É preciso ter cuidado, para não adotar pressupostos humanos, pensando que esses são cristãos. Inicialmente destacaremos o papel do dinheiro no contexto do consumismo capitalista. Em seguida, nos voltaremos para a percepção bíblica do dinheiro, com base no Novo Testamento. Ao final enfatizaremos um estilo de vida genuinamente cristão, alicerçado na doutrina do contentamento.

1. O DINHEIRO NO CONTEXTO DO CONSUMISMO
O homem moderno é produto da sociedade capitalista e tecnológica que o conduz ao consumismo. Nesse contexto, o ter acabou se tornando mais importante do que o ser, de modo que as pessoas são avaliadas não pelo que são, mas pelo que têm, e, às vezes, não pelo que possuem, mas pelo que aparentam que possuem. A propaganda é o meio que divulga os ideais consumistas, as pessoas são incitadas, a todo instante, a adquirem mercadorias que não precisam para satisfazerem não a si próprias, mas às exigências dos outros. Como resultando dessa lógica, muitos estão entrando pelo caminho do endividamento, indo além das suas capacidades de pagamento. O meio ambiente também está padecendo, tendo em vista que o mercado está disponibilizando cada vez mais produtos descartáveis, os quais, quando não são reciclados, demandam maior necessidade de matéria-prima, e, por sua vez, comprometem a saúde do planeta. A lógica consumista está moldando as atitudes do homem moderno de tal modo que o ser humano finda sendo reduzido à quantidade de quinquilharias que consegue acumular. A ética capitalista, conforme demonstrou Max Weber, tem fundo religioso, e mais especificamente, protestante. Ao invés de investirem no Reino de Deus, e mais especificamente, nos outros, os fiéis transformam o acúmulo em um fim em si mesmo, em alguns casos, como vemos nos dias atuais, sacramentalizam a riqueza e transformam a ostentação em benção divina. A Teologia da Ganância impera de tal modo em algumas igrejas que seus fiéis não buscam mais estar em conformidade com a vontade de Deus, mas a acumularem um patrimônio a respeito do qual possam se gloriar.

2. A VISÃO CRISTÃ EM RELAÇÃO AO DINHEIRO
O apóstolo Paulo alerta que aqueles que desejam obter riqueza caem em “muitos desejos descontrolados e nocivos” (I Tm. 6.9,10). Conforme destacou o Senhor Jesus, ser rico pode se tornar um empecilho para segui-LO, tendo em vista que é mais fácil um camelo passar pelo fundo de uma agulha que um rico entrar no Reino de Deus, o que espantou Seus discípulos, os quais, ao que tudo indica, pensavam de acordo com a teologia da benção material (Mt. 19.24,25). Os pobres, ao contrário do que acreditavam Seus discípulos, e os adeptos da famigerada Teologia da Ganância, são objeto do interesse divino (Mt. 5.1-12). Enquanto muitos buscam confiança nas riquezas, e tantos outros, fazem tudo para tê-las, utilizando até de meios escusos, Jesus chama a atenção para o “engano das riquezas” (Mt. 13.22). Aqueles que supervalorizam o dinheiro deveriam ler mais os evangelhos, pois Jesus é categórico ao reprovar o acúmulo de tesouros na terra (Mt. 6.19-21). O interesse do Senhor é que acumulemos tesouros no céu (Mt. 6.10), e que coloquemos em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça (Mt. 6.33). Os adeptos da teologia da ganância buscam aproximação com os ricos, justamente o contrário de Jesus que se aproximava dos pobres (Lc. 1.51-53; 14.12-14). Até mesmo a corrupção tem sido naturalizada em determinados arraiais, contrariando o ensinamento de Jesus, especialmente no que tange à coisa pública (Lc. 3.11-14). Zaqueu é um exemplo de alguém que lidava indevidamente com os bens públicos, mas que ao ouvir o evangelho de Jesus, decidiu mudar seu modo de vida (Lc. 19.8,9). A riqueza é perigosa porque o seu poder está relacionado a uma divindade, Mamom, que é rival de Deus (Mt. 16.33), aqueles que adoram a esse deus são chamados por Jesus de insensatos (Lc. 12.16-21). As palavras de Paulo, ao jovem pastor Timóteo, servem de alerta a todos os cristãos, em especial à liderança: “os que querem ficar ricos caem em tentação, em armadilhas e em muitos desejos descontrolados e nocivos, que levam os homens a mergulharem na ruína e na destruição” (I Tm. 6.9), por isso, o líder da igreja não deve ser “apegado ao dinheiro” (I Tm. 3.3) e os diáconos não podem ser amigos de “lucros desonestos” (I Tm. 3.8).

3. O DINHEIRO E O CONTENTAMENTO
A vida cristã não é orientada pelas circunstâncias, tendo em vista que somos desafiados, a todo o momento, a vivermos acima delas. Paulo nos ensina a viver contentes, a não nos deixarmos solapar pelas vicissitudes existenciais, a cultivar o contentamento. Mas esse não é algo que se consegue do dia para a noite, é resultado do fruto do Espírito (Gl. 5.22), uma alegria que não se deixa abalar mesmo quando tudo conspira contra nós. Diz o Apóstolo: “Não digo isto por causa de necessidade, porque já aprendi a contentar-me com as circunstâncias em que me encontre” (Fp. 4.11). O contentamento é resultado do aprendizado, e muitas vezes, com provas difíceis, e certamente, com notas baixas. Às vezes, é preciso perder bastante para aprender que é “grande fonte de lucro a piedade com o contentamento” (I Tm. 6.6). A palavra contentamento em grego é autarkes e diz respeito à suficiência, a convicção de ter o que é preciso, a certeza de que o Senhor é o nosso Pastor e que não sentiremos falta de coisa alguma (Sl. 23.1). A certeza de que Deus providencia o que necessitamos, uma satisfação por ter as carências básicas supridas pelo Senhor (I Tm. 6.8; Hb. 13.5). A declaração de Paulo “tudo posso” precisa ser compreendia nesse contexto, não como um amuleto, uma palavra mágica que pode ser utilizada para fazer coisas que estão além da vontade soberana de Deus. O Apóstolo sabia estar diante de Deus em toda e qualquer situação, tal como José que no Egito, na fartura ou necessidade, manteve sua confiança no Senhor (Gn. 45.5; 50.20). Algumas pessoas não sabem passar por necessidades, outras não conseguem lidar com a fartura, mas o cristão maduro, independentemente das circunstâncias, vive para Deus.

CONCLUSÃO
Tiago admoesta aos ricos para que lamentem pelo julgamento que sobrevirá sobre eles por utilizarem irresponsavelmente suas riquezas, para oprimir ao pobre e necessitado (Tg. 5.4-6). Para o mundo, ter dinheiro é sinal de status, e muitos vivem ostentando riqueza enquanto outros padecem necessidade. A igreja do Senhor precisa agir de modo diferenciado, não pode se esquecer dos pobres (Gl. 2.10), e deve estar ciente que a maior riqueza é espiritual. A igreja de Esmirna, que era pobre aos olhos do mundo, foi considerada rica por Jesus (Ap. 2.9). A piedade, e não a riqueza material, é a maior fonte de lucro para a igreja do Senhor (I Tm. 6.5).

BIBLIOGRAFIA
MARSSHALL, I. H. Luke: historian and theologian. Downers Grove: IVP, 1998.


PEARLMAN, M. Lucas: o evangelho do homem perfeito. Rio de Janeiro: CPAD, 2002.

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