quarta-feira, 10 de junho de 2015

A ÚLTIMA CEIA




A ÚLTIMA CEIA
Texto Áureo: I Co. 5.7  -  Leitura Bíblica em Classe: Lc. 22.7-20


Prof. Ev. José Roberto A. Barbosa
Twitter: @subsidioEBD

INTRODUÇÃO
A celebração da Santa Ceia sempre teve um lugar especial como memorial da morte e ressurreição do Senhor. Na lição de hoje estudaremos a respeito da instituição desse evento para a fé cristã. Inicialmente refletiremos a respeito das orientações de Jesus quando a essa celebração. Em seguida, nos voltaremos para as advertências paulinas, no contexto da igreja de Corinto. E finalmente, deixaremos instruções práticas quanto ao procedimento apropriado na celebração da Ceia do Senhor.

1. O ENSINAMENTO BÍBLICO DA CEIA DO SENHOR
A celebração da Ceia foi uma das ordenanças deixadas pelo Senhor (Mt. 26.26-30; I Co. 11.23-25). Os discípulos poderiam se envolver com outras atividades e esquecerem o principal, o valor da morte e ressurreição de Cristo. Por isso, para eles, bem como para nós hoje, a Ceia tem um significado rememorativo. Os elementos da Ceia – o pão e o cálice – são símbolos do sacrifício do Cordeiro de Deus para a nossa salvação (formas figuradas como em Jo. 15; 10.9; 6.35). O pão representa o Seu corpo (I Pe. 2.22-24) e o cálice simboliza o sangue do Senhor (Mc. 14.24). A Ceia deve ter observação contínua (Lc. 22.14-20) como o fizeram os primeiros discípulos (At. 2.42; 20.7; I Co. 11.26). Mas é preciso que haja atenção em relação ao significado dessa celebração, o descaso e a irrelevância dada à Ceia são pecados graves com consequências trágicas (I Co. 11.30). Recomendamos, por ocasião da Ceia do Senhor: 1) sinceridade na apreciação (Lc. 22.17-19); 2) autoexame em reconhecimento dos pecados (I Co. 11.27-29); 3) comunhão com os irmãos (I Co. 10.16-17); e 4) esperança quanto à manifestação do Senhor, no dia que Ele vier (I Co. 11.25,26). A Ceia do Senhor, por conseguinte, aponta para o passado – lembrança da morte e ressurreição de Cristo; o presente – todas as vezes que o fazemos demonstramos nossa identificação com Cristo; e futuro – antecipamos escatologicamente o dia em que celebraremos novamente, com Cristo. A celebração da Ceia remete aos tempos antigos, na instituição da páscoa judaica, o pasah ou “passar por cima”, episódio em que os israelitas foram salvos da mortandade no Egito (Ex. 12.13). Os israelitas continuaram celebrando a páscoa como um ritual (Dt. 16.1-4), como tipo do Cordeiro de Deus que haveria de vir para tirar o pecado do mundo (Jo. 1.29; I Co. 5.7).

2. A CELEBRAÇÃO DA CEIA EM CORINTO
Com base em I Co. 11.21, depreendemos que, em Corinto, a Ceia não era uma refeição simbólica apenas, como acontece em nosso meio nos dias atuais, mas uma refeição de verdade. Fica claro também pelo texto que cada um dos participantes levava uma porção de comida que era compartilhada uns com os outros. Mas em razão dos partidarismos na igreja, os grupinhos se formavam também para comer. Uns comiam primeiro, outros depois, tudo se fazia para evitar contatos. Paulo não tinha motivos para elogiar a igreja por essa desunião e falta de controle (v. 17), pois, além das divisões, havia aqueles que tinham mais condições (v, 18), levavam muita comida e bebida, exageravam, enquanto que outros ficavam com fome, numa nítida demonstração de segregação social e financeira. Comiam antes que os outros chegassem, principalmente os escravos que não podiam chegar mais cedo. Como consequência, o Apóstolo chama a atenção dos crentes de Corinto para que não se apropriem indignamente da ceia do Senhor. Essa indignidade, pelo contexto da passagem, não é prioritariamente moral, antes uma ausência de discernimento quanto ao significado do corpo e do sangue do Senhor (v. 27). Antes de se apropriar dos elementos da Ceia, é preciso que o crente examina-se, veja quais são suas reais intenções na participação do pão e do cálice (v. 28), e, principalmente, do seu lugar no Corpo de Cristo (v. 29), quando isso deixa de ser uma regra, o resultado é a morte tanto espiritual quanto física (v. 30-32), portanto, se tão somente para comer, que o faça em casa, pois a celebração da ceia não é apenas comida e bebida (v. 33,34).

3. ORIENTAÇÕES PRÁTICAS PARA A CEIA DO SENHOR
Algumas igrejas deixam de dar a Ceia do Senhor o valor devido. Como nos dias dos crentes de Corinto, testemunhamos uma banalização dessa ordenança. É preciso ter cuidado, pois por causa disso existem muitos fracos e doentes, e até alguns que dormem. Uma igreja genuinamente evangélica celebra a Ceia observando os seguintes princípios: 1) que a Ceia é uma ordenança do Senhor (24,25); 2) que se trata de um memorial divino (v. 24,25); 3) que anuncia, profeticamente, a vinda do Senhor (v. 26); 4) que deve ser precedida de um autoexame a fim de identificar a real motivação da celebração (I Co. 11.25); 5) para tanto, o cristão precisa discernir o valor espiritual da celebração da ceia (v. 29); 6) deva ser um momento de gratidão a Deus em reconhecimento pelo seu gracioso amor em Cristo (v. 24); 7) deve ser restrita aos discípulos de Cristo (Lc. 22.14); 8) trata-se de um momento de profunda devoção e solene louvor ao Senhor (Mt. 26.30). No ato da celebração da ceia os cristãos têm a oportunidade de refletir a respeito do significado da mensagem da cruz de Cristo. Não somos merecedores de participar desse evento, conforme lembrou Calvino, graças a Cristo nos tornamos dignos de nos aproximar da mesa. Não são nossas credenciais morais que nos fazem aptos para celebrar a ceia. Os coríntios pecavam na celebração porque não “discerniam” o corpo e o sangue do Senhor. Isso não apoia a doutrina da transubstanciação (os elementos se transformam no corpo e sangue de Cristo), muito menos da consubstanciação (os elementos unem-se às moléculas da carne e do sangue de Cristo), antes reforça a natureza simbólica (emblemática), e memorial dessa celebração. É importante ressaltar que existem muitos que tomam o pão e o cálice indevidamente, sem saber o que estão fazendo. Esses estão lançando Cristo ao vitupério, crucificando novamente Aquele que morreu pelos pecadores.  Durante a Ceia temos também a oportunidade de nos identificarmos com todos os cristãos, de todos os tempos e épocas. Com eles, assumimos que fomos redimidos pelo mesmo sangue, que foi derramado na mesma cruz, e pelo mesmo Cristo.  

CONCLUSÃO
Se atentarmos para I Co. 11.25,26, concluiremos que a celebração da Ceia do Senhor aponta tanto para o passado quanto para o presente e o futuro. Em relação ao passado, ela é um memorial da morte de Cristo na cruz do Calvário, para redimir os pecados dos crentes. No presente, é um ato de renovação da comunhão com Cristo, bem com os demais membros do Corpo (I Co. 10.16,17). Quanto ao futuro, anuncia o dia da manifestação do Senhor quando estaremos com Ele em corpos glorificados (Mt. 8.11; 22.1-14).

BIBLIOGRAFIA
MARSSHALL, I. H. Luke: historian and theologian. Downers Grove: IVP, 1998.
SANTOS, R. R. dos. A Santa Ceia. Rio de Janeiro: CPAD, 2004.

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