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sábado, 26 de maio de 2018

ÉTICA CRISTÃ E PLANEJAMENTO FAMILIAR

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Por José Roberto A Barbosa

ÉTICA CRISTÃ E PLANEJAMENTO FAMILIAR
Texto Áureo: Hb. Sl. 127.3   – Texto Bíblico: Gn. 1.24-31

INTRODUÇÃO
O planejamento familiar é um tema relevante, a ser discutido no meio evangélico, com base nos princípios bíblicos. Na aula de hoje, trataremos a respeito desse assunto, inicialmente definiremos o que é Planejamento Familiar, diferenciando-o do Controle de Natalidade. Em seguida, mostraremos a visão bíblica a respeito dos filhos, mostrando que existem diferenças na Antiga e Nova Aliança. Ao final, apresentaremos algumas recomendações cristãs, com vistas a um melhor planejamento familiar.

1. DEFINIÇÃO DE PLANEJAMENTO FAMILIAR
A expressão Planejamento Familiar é bastante ampla, e pode ser aplicada às diferentes partes da sua constituição. Comumente é usado para se referir ao total de filhos que um casal tem ou pretende ter. O Planejamento Familiar é diferente do Controle de Natalidade, que geralmente é imposto pelo Estado, ou mesmo por uma religião. O Planejamento Familiar, diferente daquele, é assunto do casal, que deve avaliar dentro das suas possibilidades, quantos filhos pretende ter. A ONU define-o como “o exercício da paternidade responsável, e a utilização voluntária e consciente por parte do casal, do instrumento necessário à planificação do número de filhos e espaçamentos entre uma gestação e outra”. Cabe, portanto, ao casal, a decisão pelo método contraceptivo mais apropriado, sempre consultando um profissional da área, que acompanhará a utilização de um método específico. Os cristãos devem atentar para alguns métodos disponíveis, pois alguns deles são de natureza abortiva, por isso não devem ser utilizados. Antes de fazer sua opção, o casal deve orientar-se com um método, e tirar as suas dúvidas a fim de não cometer agravo nesse sentido. E é importante deixar claro: aborto não é método contraceptivo, optar por seria descartar uma vida humana.

2. A VISÃO BÍBLICA SOBRE OS FILHOS NA ANTIGA E NOVA ALIANÇA
Reconhecemos que existem poucos versículos bíblicos que tratam especificamente a respeito do Planejamento Familiar. Na Antiga Aliança, essa prática não era incentivada, principalmente porque os israelitas viviam em uma cultura guerra, e de cultura campesina. Por esse motivo, ter muitos filhos era sinal de prosperidade, inclusive de bens materiais. Não faz muito tempo, os pais tinham muitos filhos no Brasil, principalmente na época em que a maioria das pessoas residiam no campo. Com o êxodo rural, muitos migraram para a cidade, e dependendo da condição socioeconômica, optam por ter mais ou menos filhos. A nível de escolaridade, ao que tudo indica, contribui significativamente para o Planejamento Familiar. A classe média costuma ter menos filhos, geralmente dois ou três. Enquanto que as classes com menor poder aquisitivo, costumam ter mais filhos. Na Antiga Aliança havia a esperança da mulher de ser a mãe do Salvador, por isso mesmo Maria foi agraciada (Lc. 1.28). Em todo caso, devemos reconhecer que, em geral, ter filhos é uma orientação divina, dada no princípio, ainda que, a ordenança para a procriação é geral, não é específica (Gn. 1.28).

3. O PLANEJAMENTO FAMILIAR NO CONTEXTO CRISTÃO
Os cristãos devem saber que podem apelar para os métodos contraceptivos, a fim de melhor planejarem a quantidade de filhos na família. A influência do catolicismo fez com que muitos evangélicos pensassem que o Planejamento Familiar fosse pecado. Mas devemos saber que o sexo não é apenas para a procriação, conforme estudamos anteriormente, é também para a recreação. E mais, a mulher ovula apenas uma vez ao mês, sendo assim, a utilização de métodos contraceptivos não abortivos é uma opção normal, que pode ser recorrida por qualquer casal cristão, considerando as orientações profissionais. É importante que os casais considerem suas possibilidades, e avaliem a partir dos princípios bíblicos, a quantidade de filhos que terá. Ter filhos é uma benção do Senhor (Sl. 127.3), mas é preciso criá-los com sabedoria, para que não se transformem em maldição. A base para o Planejamento Familiar não pode ser egocêntrica, muitos casais não querem ter filhos porque consideram custoso, ou no caso da mulher, porque “deformam” o corpo. A esse respeito, devemos considerar que fomos chamados para amar, e esse inevitavelmente implica em sacrifício. Deus enviou Seu Filho, que morreu pelos nossos pecados (Jo. 3.16), os pais também devem considerar o sacrifício como parte do relacionamento familiar.

CONCLUSÃO
O Planejamento Familiar é uma opção para o casal cristão, que pode decidir com sabedoria, e debaixo de oração, quanto filhos pretende ter. Tal planejamento deve ser orientado por um profissional da saúde, que dará os encaminhamentos necessários. É importante considerar as condições socioeconômicas, e também a disposição para o sacrifício. Pois o amor deve ser a premissa fundamental, e a entrega aos filhos que, na maioria dos casos, exige algum tipo de sacrifício.

BIBLIOGRAFIA
KAISER JR, W. C. O cristão e as questões éticas da atualidade. São Paulo: Vida Nova, 2015.
PLATT, D. Contracultura. São Paulo: Vida Nova, 2016.

terça-feira, 18 de outubro de 2016

A PROVISÃO DE DEUS NO MONTE DO SACRÍFICIO - Lições Bíblicas EBD/CPAD - Subsídio Teológico

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A PROVISÃO DE DEUS NO MONTE DO SACRIFÍCIO por Pr. Adaylton de Almeida Conceição

FÉ PARA SUBIR O MONTE DO SACRIFÍCIO

A história do quase-sacrifício de Isaque é uma das mais tocantes da Bíblia. Além da sua dimensão psicológica (o que se passava pela mente do pai, que vai sacrificar o filho, e do filho, que vai ser sacrificado), tem uma dimensão existencial profunda, com uma aguda contemporaneidade.

A cena se desenrola em função do monte Moriá, lugar em que, um milênio mais tarde o rei Davi compraria um sitio pertencente a Ornã para nele construir o templo de Jerusalém  (1 Crônicas 21.18). Foi neste monte onde Abraão esteve para oferecer Isaque que o rei Salomão construiu o templo que levou seu nome (2 Crônicas 3.1).

Esta é uma história de poucos diálogos narrados. Quase ninguém fala. Deus fala no início e no fim. No meio, está em silêncio. Abraão só fala o essencial. É assim mesmo: na provação, experimentamos o silêncio, tanto o silêncio de Deus, quanto o nosso próprio silêncio. Deus não deve dizer nada, para que a prova aconteça; nós ficamos em silêncio porque não temos o que dizer.

Abraão era um homem de muita fé em Deus! Era um homem que tinha uma vida íntima com Deus, ao ponto de ser chamado amigo de Deus (Isaías 41:8). Na maioria dos relatos acerca da vida de Abraão, é destacado por Moisés a fé e a obediência de Abraão para com Deus.

Apesar de toda fé e obediência de Abraão, ele não é a personagem mais importante neste relato. A personagem mais importante neste relato é o Grande e Poderoso Deus de Moisés, de Abraão e de Isaque. O Deus de cada um de nós.

Um pedido difícil

Por toda bíblia, encontramos indicações de que o mais grave pecado de todos era o sacrifício de crianças.

A Torah e os Profetas sempre se referiam com horror a este tipo de sacrifício. Era o que os antigos pagãos costumavam fazer em seus cultos de ocultismo e feitiçarias. O profeta  Jeremias profetizou sobre isso:

"Porque edificaram os altos de Baal, para queimarem seus filhos no fogo em holocaustos a Baal; o que nunca lhes ordenei, nem falei, nem me veio ao pensamentoJeremias 19:5.

De forma semelhante o profeta Miquéias também o fez:

"Darei o meu primogênito pela minha transgressão, o fruto do meu ventre pelo pecado da minha alma?Miquéias 6:7.

Sacrifício de crianças foi o feitiço que o rei de Moabe fez, para que os deuses o fizessem vencer uma batalha contra os Israelitas:

"Mas, vendo o rei dos moabitas que a peleja prevalecia contra ele, tomou consigo sete-centos homens que sacavam espada, para romperem contra o rei de Edom, porém não puderam. Então tomou a seu filho primogênito, que havia de reinar em seu lugar, e o ofereceu em holocausto sobre o muro; pelo que houve grande indignação em Israel; por isso retiraram-se dele, e voltaram para a sua terra.2 Reis 3:26-27.

Isso é o que os idólatras fazem. Assim, como pode a Torah chamar o sacrifício de Isaque de suprema realização, se Abraão estava por fazer o mesmo tipo de sacrifício que os piores pagãos idólatras fazem?

Contudo, em Gênesis 22:2, Deus ordenou a Abraão: Toma teu filho, teu único filho, Isaque, a quem amas, e vai-te à terra de Moriá; oferece-o ali em holocausto, sobre um dos montes, que eu te mostrarei. Gênesis 22:2. Isso parece estar em total contradição com o seu mandamento para não oferecer sacrifícios humanos.

O limite da capacidade humana

Abraão e Sara vinham esperando há décadas por um filho. Deus os tinha prometido repetida-mente que eles teriam muitos descendentes, tantos quantas fossem as estrelas do céu, ou o pó da terra, ou ainda os grãos de areia do mar. Mas o dia da provação é chegado.

A verdade nesta história é que Deus não quer que Abraão sacrifique seu filho. Deus não estava interessado em que Abraão viesse de fato a matar o seu filho, nem era esse o seu plano. O fato de o anjo do Senhor ter impedido que Abraão matasse Isaque (22:12) revela isso. O propósito de Deus foi provar a fé de Abraão, com o pedido de que entregasse completamente aquele seu único filho a Deus. O anjo do Senhor declarou que era a disposição de Abraão de entregar o seu filho, e não o ato de realmente matá-lo que satisfez as expectativas de Deus com respeito a Abraão. Deus disse explicitamente: “Não estendas a mão sobre o rapaz… pois agora sei que temes a Deus, porquanto não me negaste o filho, o teu único filho (Gn 22:12

O conceito de que somos propriedade do Senhor, começava a ganhar força a partir de então.

O texto é de poucas palavras. Trata-se de uma narrativa seca, sem explicações. A Bíblia não descreve o que se passa no interior de Abraão, nem de Isaque, parceiro (não sabemos se consciente ou inconsciente) daquela "loucura".

A PROVAÇÃO DO MONTE MORIÁ

Abraão tinha obedecido a Deus muitas vezes em sua caminhada com Ele, mas nenhum teste poderia ter sido mais severo do que o de Gênesis 22. Deus comandou: Toma agora o teu filho, o teu único filho, Isaque, a quem amas, e vai-te à terra de Moriá, e oferece-o ali em holocausto sobre uma das montanhas, que eu te direi (Gênesis 22:2). Esse foi um pedido impressionante porque Isaque era o seu filho da promessa. Como Abraão respondeu? Com obediência imediata; na manhã seguinte, Abraão recomeçou a sua jornada com dois servos, um jumento, seu amado filho Isaque e com a lenha para o holocausto. Sua obediência inquestionável ao comando aparentemente confuso de Deus deu a Deus a glória que Ele merece e nos deixou um exemplo de como devemos glorificá-lO. Quando obedecemos da mesma forma que Abraão, confiando que o plano de Deus é o melhor possível, nós elevamos Seus atributos e O louvamos por eles. A obediência de Abraão à face de um comando tão difícil exaltou o amor soberano de Deus, Sua bondade, o fato de que Ele é digno de confiança, e nos deixou um exemplo a seguir. Sua fé no Deus que ele passou a conhecer e amar colocou Abraão na lista de heróis da fé em Hebreus 11.

A história do Velho Testamento sobre Abraão é a base do ensino do Novo Testamento sobre a Expiação, a oferta do sacrifício do Senhor Jesus na cruz pelo pecado da humanidade. Jesus disse, muitos séculos depois: “Abraão, vosso pai, exultou por ver o meu dia, e viu-o, e alegrou-se (João 8:56).

A prova da fé

Deus não estava em dúvidas quanto à fé de Abraão quando o submeteu a prova!
O que Deus pretendia com a ‘provação’?
Com a provação Deus estava cuidando de Abraão! Como?
Pedro nos diz: “Essas provações são para que a prova da vossa fé, muito mais preciosa do que o ouro que perece, embora provado pelo fogo, redunde para louvor, glória e honra na revelação de Jesus Cristo” (1Pe 1:7 e 1Pe 4:12 -14).

OBEDECENDO A ORDEM DE DEUS

Levantou-se, pois, Abraão de madrugada e, tendo preparado o seu jumento, tomou consigo dois e a Isaque, seu filho; rachou lenha para o holocausto e foi para o lugar que Deus lhe havia indicado”. É muito provável que ainda não tivesse saído o primeiro raio de sol, e Abraão já estava pronto para cumprir a ordem do senhor Deus. Abraão tinha muita fé no Deus provedor. Em gálatas 3:6, 7 – Paulo escreve o seguinte: É o caso de Abraão que creu em Deus e isso lhe foi imputado para a justiça. Sabei, pois, que os da fé é que são filhos de Abraão”.

Abraão creu que Deus era sim capaz de trazer o seu filho à vida novamente. No versículo 5 lemos: Então, disse a seus servos: Esperai aqui, com o jumento; eu e o rapaz iremos até lá e, havendo adorado, voltaremos para junto de vós”.Este “voltaremos” que está no versículo 5, em conjunto com o que nos é dito em Hebreus 11:17-19 mostram, claramente, que Abraão, quando posto à prova, não duvidou que Deus podia fazer um milagre, restaurando seu filho à vida.

O momento decisivo da prova

Quando Abraão ergueu a sua mão com o fim de matar Isaque, o SENHOR interveio: Abraão! Abraão! Não estendas a mão sobre o rapaz e nada lhe faças”. Agora, para Abraão, já não era mais necessário sacrificar o seu filho amado. A sua fé já havia sido confirmada. Foi Deus mesmo quem falou: Pois agora sei que temes a Deus”. Esta fé tão grandiosa que Abraão tinha foi dada pelo próprio Deus. Deus providenciou esta fé tão magnífica ao seu servo Abraão. Deus não tinha interesse na morte de Isaque. Até porque o próprio Deus diz que não se agrada de sacrifício humano (Deuteronômio 12:31). Deus queria mesmo era confirmar a fé de Abraão.

Com relação ao versículo que diz: “Agora sei que temes a Deus, pois não me negaste o teu filho, o teu único filho (Gn 22:12), temos um caso típico de antropomorfismo, ou melhor, é um dos ‘modos’ de Deus se manifestar ou comunicar-se utilizando a forma, o modo, a características ou a linguagem humana.

Do mesmo modo, ao fazer referência a Deus, diz-se que Deus descansou, uma vez que o homem descansa. Porém, surgem as questões: sendo Deus onisciente, onipresente e onipotente Ele pensa? Faz considerações? Chega a conclusões? Precisa descansar segundo a concepção humana? ( Is 40:8 -31).

CONCLUSÃO

Finalmente, a informação mais importante diz respeito ao carneiro que Deus providenciou para morrer no lugar de Isaque. Esse episódio prenunciou um evento muito importante que ocorreria quase 2 mil anos depois, ou seja, a morte de Cristo, "o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo" (Jo 1.29). De fato, assim como o carneiro encontrado por Abraão no alto do monte, preso em um arbusto, substituiu Isaque morrendo em seu lugar (Gn 22.13), nosso Senhor também agonizou sobre um monte, preso ao lenho, ferido com espinhos, tudo a fim de morrer em nosso lugar.

Desse paralelo não se pode deixar de formular um convite à fé. Sim, pois um cordeiro morreu no Monte Moriá e Isaque escapou da morte. Da mesma forma, outro Cordeiro morreu no Monte Calvário e os que o recebem têm a vida eterna. Por que, então, continuar com medo? Creia nele e escape da morte também.

Pois também Cristo sofreu pelos pecados uma vez por todas, o justo pelos injustos, para conduzir-nos a Deus. Ele foi morto no corpo, mas vivificado pelo Espírito. (1Pe 3.18).

A pergunta de Isaque ecoa na história da humanidade:

- Onde está o cordeiro?

Abraão só pôde responder: "Deus proverá". Agora, no entanto, a resposta é outra. Jesus Cristo é o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo (João 1.29).

Nós somos Isaque, não o Isaque de Abraão, mas o Isaque de Deus. Deus proveu um Cordeiro para morrer em nosso lugar, para que, como Isaque, pudéssemos descer de Moriá. Ele ficou lá, para que não precisássemos ficar.

Pr. Adaylton Conceição de Almeida (Th.B.;Th.M.;Th.D.)

Ass. de Deus em Santos (Ministério do Belém) - São Paulo.
Email: adayl.alm@hotmail.com
Facebook: adayl manancial

BIBLIOGRAFIA
  • Edson Cavalcante – Porque Deus pediu que Abraão sacrificasse o seu filho Isaque.
  • Israel do Nascimento Silva - Abraão Oferece Isaque em Sacrifício.
  • Marcos Granconato – A grande prova de Abraão.

A PROVISÃO DE DEUS NO MONTE DO SACRIFÍCIO LIÇÃO - 4

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sábado, 2 de julho de 2016

O QUE É EVANGELIZAÇÃO LIÇÃO -1

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Prof. Ev. José Roberto A. Barbosa
Twitter: @subsidioEBD

INTRODUÇÃO
Ao longo deste trimestre estudaremos o desafio da evangelização, considerando ser essa uma das missões precípuas da igreja na terra. Nesta primeira aula definiremos os conceitos de evangelismo e evangelização. Em seguida, apresentaremos as motivações bíblicas para a evangelização. Ao final, destacaremos os desafios a serem enfrentados, na difícil tarefa de levar o evangelho a todas as pessoas.

1. EVANGELISMO E EVANGELIZAÇÃO
Evangelismo e evangelização, embora sejam termos inter-relacionados, não apresentam o mesmo significado. O sufixo “ismo”, na língua portuguesa, carrega o sentido de conjuntos de pressupostos, ou de conceitualização. Sendo assim, é mais apropriado conceber evangelismo como os fundamentos teológicos, mais precisamente, bíblicos para a evangelização, essa última diz respeito à prática propriamente dita. O evangelismo, enquanto doutrina da evangelização, é fundamental para a igreja, a fim de que essa possa seguir as determinações bíblicas em relação ao anúncio da mensagem evangélica. Existem excessos a esse respeito, alguns pregam o evangelho, preocupados apenas com a salvação da alma, esquecendo do corpo do pecador. Por outro lado, há outros que pregam o evangelho meramente social, desconsiderando a realidade do pecado, e a necessidade da vida eterna. No grego do Novo Testamento o verbo é euangelizo, e diz respeito ao ato de levar a mensagem, anunciar boas notícias (I Ts. 3.6; Ap. 10.7). Mais especificamente, tem a ver com o anúncio das boas novas da salvação, para os pecadores através de Jesus Cristo (Lc. 1.19,20; 9.6; 20.1; At. 5.42; 8.4,25,35; 10.36; 11.20; 13.32; 17.18; Gl. 1.6). João Batista foi um dos primeiros a evangelizar, conclamando os pecadores ao arrependimento (Lc. 3.18), em seguida, Jesus anunciou as boas novas aos pobres, demonstrando ser o Messias prometido (Mt. 11.5). A mensagem pregada por Jesus era a do Reino de Deus (Lc. 4.43; 8.1), também anunciada pelos apóstolos (At. 8.12). O objetivo central da evangelização é conduzir as pessoas para Deus (At. 14.15,21). Paulo, o apóstolo dos gentios, dedicou sua vida à evangelização (Rm. 1.15; 15.20; I Co. 1.17; 9.16; Ef. 3.8).

2. MOTIVAÇÕES PARA EVANGELIZAR
A evangelização é necessária, e uma das funções precípuas da igreja, porque Jesus veio buscar e salvar o que se havia perdido (Lc. 19.10). Na verdade, todo o ministério do Senhor foi dedicado a ganhar almas (Jo. 4.34), pois via as pessoas como ovelhas que não tem pastor (Mt. 9.36), como doentes que necessitavam de médicos (Mt. 9.35). O Seu amor pelas almas era imenso, de modo que assumiu a condição de servo (Fp. 2.8), a fim de entregar a Sua vida pelas almas perdidas (Ef. 1.7). A igreja também deve ser envolver nesse ministério da reconciliação, como embaixadores da parte de Cristo (II Co. 5.18-20). Para tanto, deve assumir o ministério da Grande Comissão, levando o evangelho a toda criatura (Mc. 16.15), fazendo discípulos em todas as nações (Mt. 28.19), a fim de que as pessoas venham a se arrepender (II Pe. 3.9), tenham o conhecimento da verdade (I Tm. 2.4). Todos os crentes receberam do Senhor essa incumbência, de modo que uma igreja somente é igreja na medida em que essa se envolve na evangelização (I Pe. 2.9; Mt. 10.8). Paulo sabia que essa era uma obrigação que lhe era imposta, de tal modo que disse “ai de mim se não anunciar o evangelho” (I Co. 9.16). Ciente da relevância dessa mensagem, admoestou Timóteo, seu filho na fé: “conjuro-te, pois, diante de Deus, e do Senhor Jesus... que pregues a Palavra” (II Tm. 4.1,2). Esse também é um privilégio, pois é maravilhoso saber que somos cooperadores com o Reino de Deus (Mc. 16.20). Outrora éramos pecadores perdidos (Rm. 3.23), estávamos destinados à condenação (Pv. 24.11,12), ao lago do fogo (Ap. 20.14,15). Mas Deus nos salvou, e nos deu talentos a serem desenvolvidos na obra de Deus (Lc. 19.12,13).

3. O DESAFIO DA EVANGELIZAÇÃO
Ganhar almas é um privilégio, também uma obrigação, mas deve ser feito com base nos fundamentos da Palavra de Deus. Inicialmente é preciso reconhecer que se trata de um desafio, e que não é uma tarefa fácil. Mas aqueles que se dedicam a essa tarefa sabem que se semearem com lágrimas segarão com alegria (Sl. 126.5,6). Mesmo assim vale a pena enfrentar os desafios, a fim de achar as ovelhas que estão desgarradas do rebanho (Mt. 18.12,13). Aqueles que superarem esse desafio serão vencedores, e desfrutarão grande gozo no céu (Lc. 15.5,6; Fp. 4.1). A evangelização é uma prática cristã, que não pode ser postergada, muito menos desconsiderada. Há pessoas que criticam os evangelistas, argumentando que estão fazendo proselitismo. Cada vez mais as leis humanas tentam restringir a atuação daqueles que propagam o evangelho. Mas apenas o proselitismo religioso costuma ser coibido, as pessoas que propagam valores contrários à Palavra de Deus, costumam ser ouvidas com naturalidade. Jesus enviou Sua igreja a pregar o evangelho, dependendo sempre do poder do Espírito Santo (At. 1.8). Por meio dEle que podemos anunciar com autoridade que o evangelho é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê (Rm. 1.6). Mas devemos ter cuidado para não confundir o evangelho com questões loucas, e genealogias e contendas, que são coisas inúteis (Tt. 3.9). O tema central da pregação do evangelista é Cristo, e este crucificado (I Co. 2.2). Aqueles que recebem essa mensagem terão vida eterna (II Tm. 1.10) e serão salvos (Ef. 1.13).

CONCLUSÃO
A missão primordial da igreja é fazer discípulos. Na verdade, na expressão grega, não é o ide que é imperativo, mas fazer seguidores do Mestre (Mt. 28.19,20). Jesus partiu do pressuposto que sua igreja iria, caso contrário não seria Sua igreja. Mas é preciso que essa não perca o foco de vista, deve saber que a missão envolve não apenas fazer com que pessoas levantem as mãos, em sinal de aceitação, mas também discipulá-las, ensinando-as a guardar a mensagem de Cristo.

BIBLIOGRAFIA
BARRS, J. The Heart of evangelism. Illinois: Crossway Books, 2001.
BÍCEGO, V. Manual de Evangelismo. Rio de Janeiro: CPAD, 2015.

LIÇÃO - 1 O QUE É EVANGELIZAÇÃO

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quinta-feira, 9 de junho de 2016

LIÇÃO - 11 - ROMANOS A TOLERÂNCIA CRISTÃ

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LIÇÃO - 11 A TOLERÂNCIA CRISTÃ



quarta-feira, 12 de agosto de 2015

EU SEI EM QUEM TENHO CRIDO

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EU SEI EM QUEM TENHO CRIDO

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EU SEI EM QUEM TENHO CRIDO

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EU SEI EM QUEM TENHO CRIDO
Texto Áureo II Tm. 1.12 – Leitura Bíblica  II Tm. 1.1-8; 2.1-4


 Prof. Ev. José Roberto A. Barbosa
Twitter: @subsidioEBD

INTRODUÇÃO
A Segunda Epístola de Paulo, ao contrário do que se costuma pensar, por se encontrar na Bíblia em sequência a Primeira, não foi a segunda epístola pastoral do Apóstolo, mas a última, quando estava preso em Roma, antes de ser martirizado. Depois de Primeira a Timóteo Paulo escreveu a Tito, que será estudada posteriormente. Na aula de hoje nos voltaremos para a primeira seção de II Timóteo, ressaltando a necessidade da intercessão pelos ministros, a importância da convicção do obreiro em relação à doutrina, e a realidade do sofrimento para aqueles que seguem piedosamente a Cristo.

1. INTERCESSÃO PELOS MINISTROS
Depois de identificar-se como “enviado de Cristo Jesus”, Paulo se dirige a Timóteo como “amado filho”, mostrando interesse pelo seu ministério. Os pastores devem ser acompanhados por outros pastores, é preciso reconhecer as agruras da obra, e a necessidade de ter um ombro amigo, alguém que realmente seja digno de confiança, para quem o ministro pode se dirigir, principalmente nos momentos mais difíceis. Sabemos que essa não é uma tarefa fácil nos dias atuais, marcados por tanta disputa eclesiástica. Muitos pastores carregam traumas e marcas na alma, porque não conseguem se abrir, e não confiam nas pessoas que, ao invés de ajudarem, almejam se apropriar dos seus cargos. O receio de perder a posição também está adoecendo muitos obreiros, que se apegam demasiadamente aos recursos materiais, e por isso se tornam escravos da condição na qual se encontram. É digna de destaque a identificação do Apóstolo com seu filho na fé. É gratificante quando testemunhamos casos de convivência saudável entre os ministros de Deus. De vez em quando é preciso que a igreja se preocupe com a realização de encontro entre os obreiros, simplesmente para desfrutar de momentos aprazíveis na presença do Senhor, para cultivar relacionamentos edificantes. Paulo destaca a fé de Timóteo, que diferentemente da dos falsos mestres de Éfeso, estava alicerçada na Palavra de Deus, que ele havia aprendido dos seus familiares, e também do próprio Apóstolo (II Tm. 1.5). A formação bíblica, inicialmente na família, é fundamental para o crescimento na fé, e contribui para o desenvolvimento do ministério. Alguns dos mais dedicados obreiros na casa de Deus tiverem seus primeiros ensinamentos em casa, junto aos pais e mães dedicados ao evangelho, que repassarem os fundamentos da verdade cristã.

2.  A CONVICÇÃO DO OBREIRO CRISTÃO
O ministro de Deus, diante das oposições pelas quais passa, pode vir a querer desfalecer em algum momento da vida. Paulo sabia que Timóteo, mesmo sendo um obreiro dedicado, corria esse tipo de risco, principalmente por causa da sua timidez (II Tm. 1.6-8). Por isso, o incentiva a despertar o dom de Deus que estava sobre ele, é provável que Paulo tenha sido informado que Timóteo estava tendo dificuldade para lidar com a oposição em Éfeso. Esse não era o caso, mas há ministros que fazem concessões do evangelho quando se veem ameaçados. Nos dias atuais, nos quais predomina o humanismo materialista, há obreiros querendo trocar o evangelho por ideologias humanas. A verdade das Escrituras está sendo substituída por pensamentos humanos, que nada têm de escriturísticos. Em contextos mais acadêmicos esse risco é maior ainda, principalmente quando queremos racionalizar o evangelho, ou mesmo dá-lhe uma conotação meramente social. Os ministros de Deus são chamados para permanecer naquilo que foram instruídos e inteirados, sabendo que o que aprenderam veio de Cristo, não de homens (II Tm. 3.16,17). Paulo dá exemplo assumindo que sabe em quem creu, e muito mais que isso, que Jesus dará, em tempo oportuno, o bom depósito espiritual, prometido a todos aqueles que forem fieis no ministério (II Tm. 1.12). Em outra oportunidade Paulo deixou claro que não se envergonhava do evangelho, isso porque era poder de Deus e salvação para todo o que crê (Rm. 1.16). A mensagem do evangelho é simples, e na maioria das vezes escandalizadora, e não se coaduna à lógica deste mundo. Por causa disso somos tentados, a todo instante, a negar a sua loucura. Os judeus sempre foram afeitos aos sinais, e os gregos à sabedoria, mas o evangelho de Jesus Cristo é crucificação (I Co. 1.18-25). Paulo admoesta Timóteo a não fazer concessão em relação ao evangelho. Os obreiros de Deus, em todos os tempos, não foram chamados para pregar uma mensagem agradável ao mundo. A contextualização na pregação da palavra é necessária, mas sem subverter os princípios eternos do evangelho de Jesus Cristo.

3. OS SOFRIMENTOS POR CAUSA DE CRISTO
Nesse trecho da Epístola Paulo ora pelo pastor-filho e amigo Timóteo. Sobretudo para que ele seja fortalecido na graça que há em Cristo Jesus, considerando que esse passava por momentos de adversidade e sofrimento (II Tm. 2.1). É sempre necessário lembrar, principalmente aos que tem aspiração ao ministério, que essa é uma obra de sacrifício (II Tm. 3.12). Na verdade, Cristo não prometeu que a vida cristã, especialmente a do ministro, estaria isenta de sofrimento (Jo. 16.33). Isso nos instiga a fazer os mesmo pelos pastores, principalmente nos dias atuais, marcados por tanto descaso e perseguição ao ministério. Muitos estão sofrendo o preconceito resultante dos excessos de líderes aproveitadores. Mas devemos reconhecer a seriedade daqueles que labutam na organização da igreja, e principalmente na palavra e na doutrina (I Tm. 5.17). Existem obreiros fiéis na seara do mestre, pastores que são dignos do nome que carregam, que realmente apascentam o rebanho. Muitos deles são esquecidos pela mídia, não estão nos programas de televisão, preferem viver em surdina, sacrificando-se pelo evangelho no anonimato. Esses se esmeram para dar o melhor para a edificação da casa de Deus, para a maturidade do Corpo de Cristo. Esses são soldados valorosos, alistados no exército de Cristo (II Tm. 2.3).  Como bons soldados do Senhor, não se embaraçam com as coisas terrenas, pois o alvo deles é conduzir os súditos do Reino ao céu. Muitos obreiros atuais não são soldados do exército divino, servem ao reino de Mamom, querem saber apenas do dinheiro dos crentes. Eles militam em prol dos seus interesses, não dos de Deus, fazem fortuna através do evangelho falacioso que pregam. Os pastores dedicados são como os agricultores, que plantam a semente da palavra no coração das pessoas, na esperança que ela germine, e produza frutos para a glória de Deus (II Tm. 2.6).

CONCLUSÃO
Essa Segunda Epístola de Paulo a Timóteo é uma advertência séria em relação à importância da fidelidade no ministério, sobretudo à Palavra de Deus. Como ministros precisamos permanecer cientes do nosso chamado, sobretudo do conteúdo daquilo que recebemos, não de homens, mas de Deus em Jesus Cristo. Os ministros precisam estar convictos do que creram, devem ser conhecedores da mensagem, e não se apartarem dela, ainda que não agrade aos padrões do mundo. Esses obreiros, que sabem em Quem têm crido, e são fiéis à mensagem de Cristo, receberão do Senhor o bom depósito, por ocasião da Sua vinda.

BIBLIOGRAFIA
CALVINO, J. Epístolas pastorais. São José dos Campos: Fiel, 2009.
ZEHR, P. 1 & 2 Timothy, Titus. Scottdale: Herold Press, 2010.

sexta-feira, 31 de julho de 2015

LIÇÃO 5 APOSTASIA, FIDELIDADE E DILIGÊNCIA NO MINISTÉRIO

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LIÇÃO - 5 APOSTASIA, FIDELIDADE E DILIGÊNCIA NO MINISTÉRIO

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APOSTASIA, FIDELIDADE E DILIGÊNCIA NO MINISTÉRIO

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APOSTASIA, FIDELIDADE E DILIGÊNCIA NO MINISTÉRIO
              Texto Áureo  I Tm. 4.1  – Leitura Bíblica  I Tm. 34.1-16


 Prof. Ev. José Roberto A. Barbosa
Twitter: @subsidioEBD

INTRODUÇÃO
Na aula de hoje estudaremos a partir dessa seção da I Epístola a Timóteo os perigos das heresias. Em seguida, exortaremos, com o apóstolo Paulo, quanto à importância de permanecer na sã doutrina. Ao final, com base nessa mesma Epístola, ressaltaremos a necessidade de manter-se fiel e diligente no ministério que o Senhor nos confiou. Atestaremos, após esseESTUDO, que a mensagem do Apóstolo se aplica aos dias atuais, marcados por heresias que comprometem a verdade do evangelho. 

1. A APOSTASIA DOS ÚLTIMOS DIAS
As falsas doutrinas costumam entrar sorrateiramente no seio da igreja cristã, e na maioria das vezes, deixam de ser percebidas. O fundamento das heresias geralmente é moral, não necessariamente teológico. A teologia ortodoxa tem sofrido por causa de muitas pessoas que advogando uma nova revelação, se afastam dos ensinamentos bíblicos, tão somente para respaldar seus desvios da Palavra. Os falsos mestres dos tempos de Paulo não temiam a Deus, por isso viviam em lassidão, deixaram de sentir os danos do pecado. A consciência deles estava cauterizada (gr. kauteriazo), isto é, perdeu a sensibilidade. Nenhum cristão convicto da sua fé deve ser acostumar com o pecado, antes devemos odiá-lo em nós mesmos, e buscar viver em santificação. Por outro lado, precisamos ter cautela para não entrar pelo caminho do ascetismo. A heresia que estava se espalhando em Éfeso proibia o que Deus havia criado para o ser humano, até mesmo o casamento. Em Gn. 1.28 e 9.3 atestamos que tanto o casamento quanto a alimentação foram criados por Deus, não apenas para a reprodução e nutrição, mas também para o prazer. O casamento, ao contrário do que postula aFILOSOFIA relativista, foi instituído por Deus, de acordo com Seus parâmetros (Gn. 2.18; 2.24; Mt. 19.3-12; I Co. 7.1-24). O próprio sexo dentro do casamento é legítimo, pois venerado é o leito sem mácula (Hb. 13.4). No que tange ao ascetismo, é preciso ter cuidado, pois muitos que proíbem demais, estão se firmando não na graça de Deus, mas em méritos legalistas (Cl. 2.8-11). O ascetismo exagerado pode se tornar um motivo de vaidade, e uma tentativa de deixar de depender da providência divina. Jesus ressaltou que todos os alimentos são puros (Mc. 7.14-23), isso também foi ensinado por Pedro (At. 10), e confirmado por Paulo (I Co. 10.23-33). O vegetarianismo, por exemplo, pode ser uma opção pessoal, mas sem qualquer valor espiritual (Rm. 14.1,2), é preciso, no entanto, ser ponderado, para não ferir a consciência dos mais fracos (Rm. 13.13-24).

2. A IMPORTÂNCIA DA SÃ DOUTRINA
Uma das melhores maneiras dos pastores evitarem a heresia é investir na formação bíblica da sua igreja, através doESTUDO e meditação, enfatizando a sã doutrina. Inicialmente faz-se necessário que esses se posicionem em relação aos ensinamentos falsos, e os denunciem perante a igreja. Há pastores que não fazem mais apologética, se acostumaram de tal maneira às falsas doutrinas que perderam o foco espiritual. Os ministros são verdadeiros servos (gr. diakonos) da igreja, servindo a mesa com o genuíno alimento espiritual. Mas para isso eles mesmos precisam investir no estudo bíblico, pois somente serão pastores-mestres se se tornarem alunos. O conhecimento da verdade é a única maneira de combater o erro, ninguém pode identificar o falso se antes não tiver contato com o verdadeiro. Algumas doutrinas estão sendo disseminadas nas igrejas evangélicas brasileiras que nada têm de bíblicas. Há líderes de renome nacional que disseminam suas ideias, sem que essas tenha respaldo bíblico. A teologia da ganância, normalmente denominada de prosperidade, é um equívoco. O acúmulo de riquezas nada tem a ver com espiritualidade, ninguém é mais ou menos crente pela quantia que tem ou deixa de ter. Por outro lado, alguns estão confundido marxismo com cristianismo, e adotando uma pauta ideológica que também não se fundamenta na Palavra. O evangelho de Cristo não está alicerçado no pensamento individualista e consumista da direita, e muito menos no pensamento materialista e coletivista da esquerda. O evangelho dá ao homem a responsabilidade de escolher, inclusive de decidir se distanciar de Deus, ainda que tenha que colher o fruto do que plantou (Gl. 6.7). De igual modo, devemos ter responsabilidade social, pois Cristo nos chamou para viver no mundo, e nos identificar com aqueles que passam por necessidade (Lc. 4.18; Mt. 11.5). Os cristão que se preocupam com as causas sociais, e que se respaldam na ortodoxia bíblica, devem ser respeitados sem que sejam rotulados de adeptos da esquerda.

3. FIDELIDADE E DILIGÊNCIA NO MINISTÉRIO
Espera-se que o pastor seja fiel aos seus líderes, o princípio da autoridade deve ser respeitado. No entanto, nenhum líder deve se submeter a doutrinas que não tenham fundamento bíblico. Há pastores que sob a justificativa de que são autoridade suprema querem inserir “fábulas profanas” dentro das igrejas. Há líderes que adoram as novidades, vivem buscando saber qual o movimento da moda, para não ficarem ultrapassados. Faz-se necessário identificar e refutar os contradizentes, isto é, os que não seguem o evangelho, e que estão indo após ensinamentos falsos (Tt. 1.14; II Tm. 4.4). A norma basilar de autoridade na igreja evangélica é a Palavra de Deus, todos estão submissos a ela, pastores e mestres. No catolicismo é a tradição que dita as regras da igreja, mas não na orientação protestante. Todos aqueles que assumem a tribuna devem fazê-lo com temor e tremor, cientes de que prestarão contas a Deus a respeito do que anunciam. Ao mesmo tempo, a fidelidade à liderança da igreja é um pressuposto, espera-se que um líder tenha outros líderes, a fim de prestar-lhe obediência. Mas essa deve se firmar nas Escrituras, pois elas são a norma de fé da igreja cristã. O pastor também deve ser um homem piedoso (gr. eusebeia), dedicado à vida espiritual. Isso quer dizer que o obreiro do Senhor deve ser reverente, por isso deve separar tempo para se dedicar à leitura da Bíblia e à oração. O cuidado com o corpo também é necessário, pois esse é templo do Espírito Santo (I Co. 6.19,20) e instrumento para o serviço (Rm. 12.1,2). O foco do pastor não está no culto ao corpo, mas em uma vida espiritual, na intimidade diária com Deus, pondo sua esperança no Deus Vivo (I Tm. 4.9-11). O pastor deve ser um exemplo para os fiéis na palavra, no procedimento, no amor, na fé, na pureza, e também no estilo de liderança, sem agir como dominador do rebanho (I Pe. 5.3). Os pastores jovens não devem ser desprezados pelos mais velhos (I Tm. 4.12), antes admoestados para que cresçam no ministério do Senhor.

CONCLUSÃO
Por fim, Paulo recomenda a Timóteo, e se aplica à liderança da igreja atual, que se dedique à leitura pública das Escrituras (I Tm. 4.13), tal como faziam os sacerdotes em Israel (Ne. 8.8). Isso tem a ver com a exposição bíblica, prática que está sendo abandonado nas igrejas evangélicas. Faz-se necessário ler, explicar e aplicar as Escrituras, essa é a base de sustentação da igreja. Devemos fazê-lo não apenas dependendo da meditação (I Tm. 4.15), mas também do poder (gr. carisma) do Espírito Santo (I Tm. 4.14). É fundamental ensinar e viver o que se ensina, é assim que se cuida de si mesmo e da doutrina (I Tm. 4.16).

BIBLIOGRAFIA
GOUD, D. 1 & 2 Timothy/Titus. Nashville: B & H, 1997.
LOPES, H. D. 1 Timóteo: o pastor sua vida e obra. São Paulo: Hagnos, 2014.

 

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