quarta-feira, 21 de agosto de 2013

Lição 8 – A suprema aspiração do crente

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Lições Bíblicas do 3º Trimestre de 2013 - CPAD - Jovens e Adultos
Tema: Filipenses - A Humildade de CRISTO como exemplo para a Igreja.
Comentário: Pr. Elienai Cabral
Consultor Doutrinário e Teológico da CPAD: Pr. Antonio Gilberto
Elaboração e pesquisa para a Escola Dominical da Igreja de Cristo no Brasil, Campina Grande-PB; Postagem no Blog AUXÍLIO AO MESTRE: Francisco A Barbosa.

Por Francisco A Barbosa
Lição 8 – A suprema aspiração do crente
25 de agosto de 2013

TEXTO ÁUREO
“Prossigo para o alvo, pelo prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus” (Fp 3.14). – “Paulo se acha qual um atleta numa corrida, esforçando-se e correndo o máximo, totalmente concentrado no que faz, a fim de não ficar aquém do alvo que Cristo estabeleceu para a sua vida. Esse alvo era a perfeita união entre Paulo e Cristo (vv. 8-10), sua salvação final e sua ressurreição dentre os mortos (v. 11). Era essa a motivação da vida de Paulo. Recebera um vislumbre da glória do céu (2Co 12.4) e resolvera que sua vida inteira, pela graça de Deus, estaria voltada para a resolução de avançar com toda determinação e finalmente chegar ao céu e ver Cristo face a face (2Tm 4.8; Ap 2.10; 22.4).”

VERDADE PRÁTICA
A maior aspiração do crente deve ser a conquista do prêmio da soberana vocação em Cristo Jesus.

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE
Filipenses 3.12-17.

OBJETIVOS

Após esta aula, o aluno deverá estar apto a:
            • Compreender qual era a verdadeira aspiração do apóstolo Paulo;
            • Analisar a maturidade espiritual dos filipenses, e
            • Conscientizar-se a respeito da verdadeira aspiração cristã.

PALAVRA-CHAVE
Aspiração: Desejo profundo de atingir uma meta espiritual; sonho, ambição.

COMENTÁRIO

introdução
Na lição de hoje, aprenderemos que o alvo da vida do apóstolo Paulo era somente um: conquistar a excelência do conhecimento de Jesus Cristo (Fp 3.8,10). [Na sequência dos estudos a respeito da carta de Paulo aos filipenses, estudaremos hoje a continuidade do capítulo terceiro, onde o apóstolo revela que sua aspiração é morar no céu. O termo “conhecimento” possui o sentido de “ato ou efeito de conhecer”, também “experiência”. Paulo recebe a graça de ser arrebatado ao terceiro céu e contemplar um vislumbre da glória celeste (2 Co 12.4), agora ele não possui outro alvo senão dedicar sua vida completamente ao Mestre que o alistou, seu objetivo está voltado para a resolução de avançar com toda determinação e finalmente chegar ao céu e ver Cristo face a face (2Tm 4.8; Ap 2.10; 22.4)]. Semelhante a um atleta, o apóstolo se esforçava para alcançar este objetivo, pois era consciente de que o exercício de aprender cada dia mais de Jesus exige labor e disposição para servir. Prosseguindo para “o alvo, pelo prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus”, Paulo convidou os filipenses a imitá-lo, despertando-os à esperança de um dia receberem a mesma recompensa (Fp 3.14-17). [Semelhante determinação é necessária a todos nós. No decurso da nossa vida, há todos os tipos de distrações e tentações, tais como os cuidados deste mundo, as riquezas e os desejos ímpios, que ameaçam sufocar nossa dedicação ao Senhor (Mc 4.19; Lc 8.14). Necessário é esquecer-se das "coisas que atrás ficam", isto é, o mundo iníquo e nossa velha vida de pecado (Gn 19.17,26; Lc 17.32), e avançar para as coisas que estão adiante, a salvação completa e final em Cristo]. Nos dias em que vivemos, muitos dos que cristãos se dizem ser não têm mais esta aspiração do apóstolo Paulo, preferindo as coisas desta vida. Tenham todos uma excelente e abençoada aula!

I. A ASPIRAÇÃO PAULINA
1. “Prossigo para o alvo”. [o apóstolo passa a “abrir seu coração” aos filipenses, revelando qual era o seu objetivo de vida, a sua razão de viver]. Para participar de uma maratona, o atleta tem de treinar muito. É preciso esforço, dedicação e trabalho para alcançar o prêmio final. Paulo utiliza neste texto a analogia do atletismo, a fim de mostrar aos filipenses que o crente em sua caminhada também precisa se esforçar para conhecer mais a Cristo, deixando de lado os embaraços dessa vida e o pecado, mantendo o foco em Jesus. Quando o crente deixa de olhar firmemente para o “Alvo”, corre o risco de tropeçar e cair, podendo até abandonar a fé. Vigiemos, pois, em todo o tempo, na dependência do Senhor. [A julgar pelo uso frequente de metáforas esportivas em seus escritos, o apóstolo Paulo deve ter sido um fã de esportes. Falando de seu desejo de ser eficaz em sua vida cristã, Paulo escreveu: "Eu combato de tal forma, não como batendo no ar" (1Co 9.26). Ele descreveu a vida cristã aos Efésios como uma luta "... não é contra carne e sangue, mas contra os principados, contra as potestades, contra as forças deste mundo tenebroso, contra as forças espirituais da maldade nas regiões celestes"(Ef 6.12). No que pode ser considerado o seu epitáfio, Paulo declarou, triunfante, "Combati o bom combate" (2Tm 4.7; 1Tm 6.12). Em uma alusão aos Jogos Ístmicos (realizada em Corinto e em segundo em importância perdendo apenas para os Jogos Olímpicos), ele lembrou aos Coríntios: "Todos os que competem nos jogos têm autocontrole em todas as coisas e se exercitam frequentemente. Eles o fazem para receber uma coroa corruptível, mas nós uma incorruptível"(1Co 9.25). A metáfora atlética favorita de Paulo é o de uma corrida. Ele declarou aos anciãos de Éfeso: "Mas eu não considero a minha vida de qualquer forma como preciosa para mim, para que eu possa terminar minha carreira e o ministério que recebi do Senhor Jesus, para dar testemunho do evangelho da graça de Deus"(At 20.24). Para os romanos, ele escreveu: "Assim, pois, não depende do que quer, ou do homem que corre, mas de Deus que tenha misericórdia" (Rm 9.16). Lembrando aos Coríntios dos atletas dedicados que competiram nos Jogos Ístmicos, o apóstolo escreveu: "Não sabeis que aqueles que correm no estádio, todos correm, mas só um ganha o prêmio? Correi de tal maneira que você possa ganhar .... Por isso eu corro de tal forma, não como sem objetivo"(1Co 9.24, 26). Em Gálatas 2.2 Paulo expressou seu "medo de que [ele] pudesse ser executado, ou tivesse corrido em vão", enquanto em Gálatas 5.7, lamentou aos Gálatas: "Vocês estavam correndo bem, quem vos impediu de obedecer a verdade?" No fim de sua vida, Paulo poderia declarar:"Eu terminei a carreira (ou corrida), eu guardei a fé" (2Tm 4.7). A metáfora da vida cristã é como uma corrida, "Eu prossigo para o alvo pelo prêmio da vocação celestial de Deus em Cristo Jesus", que é o tema de Filipenses 3.12-21. A passagem revela o interesse apaixonado de Paulo pelo crescimento espiritual. Semelhante determinação é necessária a todos nós. No decurso da nossa vida, há todos os tipos de distrações e tentações, tais como os cuidados deste mundo, as riquezas e os desejos ímpios, que ameaçam sufocar nossa dedicação ao Senhor (cf. Mc 4.19; Lc 8.14). Necessário é esquecer-se das "coisas que atrás ficam", isto é, o mundo iníquo e nossa velha vida de pecado (cf. Gn 19.17,26; Lc 17.32), e avançar para as coisas que estão adiante, a salvação completa e final em Cristo].
2. O sentimento de incompletude de Paulo. Paulo sabia que havia muita coisa ainda a ser conhecida. Por isso, nunca corria sem meta (1Co 9.26). Mesmo estando no cárcere, o apóstolo declara estar disposto a avançar para as coisas que estavam diante dele (Fp 3.13b). Paulo era um homem que confiava em Deus. E, assim, seguia confiante, pois no Senhor ainda teria grandes desafios em seu ministério. Sua força estava em Deus. Eis porque venceu grandes lutas e foi fiel até o fim. Para vencer, temos que igualmente olhar para frente e “esquecer das coisas que atrás ficam” (v.13). [Os crentes estão agora, em Cristo e o desfrutar do céu eternamente é propósito da graça de Deus para todos (1 Pe 1.4). Essa realidade espiritual e esta promessa não podem ser melhoradas, mas a virtude dos crentes na vida presente pode e deve ser. Sabendo que não somos agora o que deveríamos ser, e aquilo que um dia seremos na glória, não deve produzir a apatia e a indolência, mas um zelo que se move na direção do prêmio. Isso é obra do Espírito Santo em nós (2Co 3.18) e o anseio da alma regenerada. A consciência da necessidade de melhorar a condição espiritual de uma pessoa é um pré-requisito necessário à prossecução do prêmio de perfeição espiritual. Paulo tinha essa consciência, e expressou isso em duas palavras que começam o versículo 12. Ele ainda não tinha obtido (a partir de lambano; "para receber", "adquirir", ou "atingir") o prêmio que perseguia, ele ainda não tinha se tornado perfeito (de teleioo; "para atingir a perfeição", "alcançar um objetivo", ou "realizar"). A palavra repetida duas vezes já indica que Paulo era ainda imperfeito, quando ele escreveu esta epístola].
3. O engano da presunção espiritual. Paulo não se deixou enganar pela falsa ideia de ter alcançado a perfeição. Os mestres do gnosticismo afirmavam ter alcançado tal posição e, assim, reivindicavam ser iluminados e não terem mais nada a aprender ou que desenvolver. Paulo, contudo, refutou esse pensamento equivocado, demonstrando que a conquista da perfeição será para aquele que terminar a carreira e ganhar a vida eterna, pois o prêmio está no final da jornada e não em seu início ou meio (1Co 9.24; Gl 6.9). [Apesar de possuir a rica bênção de estar em Cristo, o apóstolo sabia que ele não era perfeito. Seu conhecimento de Cristo ainda estava incompleto (1Co 13.12). A justiça de Cristo tinha sido imputada a ele (2Co 5.21), mas ele ainda precisava "limpar de toda a imundícia da carne e do espírito, aperfeiçoando a santificação no temor de Deus" (2Co 7.1). Paulo tinha o poder de Cristo para trabalhar na obra de Deus (1Co 15.10; Cl 1.29), mas este poder ainda funcionava e crescia somente em sua fraqueza (2Co 12.9). A rica comunhão com Cristo que ele experimentou também era imperfeita, ele ainda não sabia como orar como deveria, e dependia do Espírito Santo para interceder por ele (Rm 8.26-27). Enquanto seu corpo era o templo do Espírito Santo que habitava gloriosamente nele (1Co 6.19), Paulo ansiava pelo dia em que Cristo "transformaria o corpo de sua humilhação, para ser conforme ao corpo da sua glória" (Fp 3.21). Obviamente, Paulo perseguia o prêmio da perfeição espiritual e se sentia insatisfeito com a sua atual condição espiritual. Aqueles que pensam que têm atingido a perfeição espiritual, não percebem a necessidade de buscar uma condição melhor. Por que eles deveriam perseguir algo que eles acreditam que já tem? Tais pessoas complacentes, satisfeitos estão em grave perigo de tornarem-se insensíveis a seu pecado e cegos para as suas fraquezas. Somente aqueles que são conscientes da sua miserável condição espiritual vêm a Cristo para a salvação (Mt 5.6). E somente aqueles que continuam a reconhecer a necessidade de eliminar o pecado e cultivar a santidade que vão progredir na vida cristã. Essa busca pelo poder santificador do Espírito produz uma frequente luta contra o pecado e uma busca cada vez maior pela santidade, o que torna cada vez mais odioso o pecado. O verdadeiramente maduro e piedoso crente tem a consciência mais sensível de seus pecados, e é humilde diante de Deus por causa disso].

SINOPSE DO TÓPICO (I)
O crente em sua caminhada precisa se esforçar para conhecer mais de Cristo, deixando de lado os embaraços dessa vida (o pecado), mantendo o foco em Jesus.

II. A MATURIDADE ESPIRITUAL DOS FILIPENSES (3.15,16)
1. Somos perfeitos (3.15)? O vocábulo “perfeito”, empregado por Paulo neste texto, tem um sentido especial, pois se refere à “maturidade espiritual”. Em termos de recebimento do benefício da obra perfeita de Cristo no Calvário, todos nós já alcançamos tal “perfeição”. Neste sentido, a nossa salvação é perfeita e completa. Segundo o Comentário Bíblico Beacon, quando a expressão paulina refere-se aos filipenses tratando-os de “perfeitos”, neste versículo, apresenta-os servindo a Deus no Espírito, isto é, não confiando na carne (3.3). [O termo ‘perfeito’ tem o sentido de: acabado, rematado, completo; sem defeito; magistral e primoroso. Quando Paulo teve uma visão de Cristo no caminho para Damasco, ficou convicto de que era um pecador e que a sua justiça própria não passava de trapos imundos (Is 64.6), insuficiente para vestir a alma diante do olhar de Deus, que a tudo perscruta. O Senhor, porém, lhe deu uma justiça que aguentaria o teste da eternidade — a justiça de Deus imputada à pessoa que realmente confia em Cristo para a salvação. Somos considerados justos porque o nosso Representante é justo].
2. O cristão deve andar conforme a maturidade alcançada (3.16). Quando Paulo diz, “andemos segundo a mesma regra”, não significa caminhar segundo os regulamentos da lei mosaica, tão requerida pelos judeus convertidos a Cristo. Trata-se de andar conforme a doutrina de Cristo, segundo aquilo que já recebemos do Senhor. Assim, esse “andemos segundo a mesma regra” denota modo de viver, atitudes, ações, obras, e comportamentos em geral, semelhantes aos do Senhor Jesus, que o crente deve seguir. Aprendemos com Paulo que não basta “corrermos”, pois se realmente desejamos progredir em nossa vida cristã, devemos conhecer e obedecer aos preceitos da Palavra de Deus até o Dia de Jesus Cristo (Fp 1.6).[Paulo não era perfeito. Ele ainda estava sujeito à tentação, ainda possuía sua carne não redimida, e ainda era um pecador (Rm 7.14-25; 1Tm 1.15). Longe de ter obtido a perfeição, ele estava perseguindo-a com toda a força. Como Pedro, Paulo compreendeu que a vida cristã é um processo de crescimento ao longo da vida - "crescer na graça e no conhecimento de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo" (2Pe 3.18; 1Pe 2.1-2). Paulo quando fala em “andemos segundo a mesma regra”, refere-se à doutrina recebida e ao conhecimento baseado na experiência com Cristo. Há uma grande diferença entre realmente conhecer a Cristo e meramente saber acerca dEle (conhecimento intelectual e conhecimento experiencial). Assim como se sabe o gosto da comida ao comê-la, assim também conhecemos a Cristo ao recebê-lo].
3. Exemplo a ser imitado (3.17). Paulo procurou em tudo imitar o Mestre, servindo apenas aos interesses da Igreja de Cristo (Fp 2.17). Dessa maneira, exortou os filipenses a que o imitassem assim como ele imitava ao Senhor (Fp 3.17). Como obreiro de Deus, Paulo tinha um caráter ilibado e os filipenses deveriam tê-lo como um exemplo a seguir. Se quisermos servir ao Senhor com inteireza de coração, precisamos seguir os passos de Jesus — o nosso modelo de homem perfeito (Hb 12.2). [“Sede também meus imitadores, irmãos, e tende cuidado, segundo o exemplo que tendes em nós” (1Co 11.1; Rm 16.17). O que deviam imitar? Nos versos 7-13, lemos que Paulo não tinha confiança no seu eu-próprio, que estava disposto a sacrificar todas as coisas por Cristo, que reconhecia a sua própria imperfeição e que estava grandemente desejoso para avançar rumo ao alvo - o Senhor. Sua advertência é necessária, porque há aqueles que tomam uma atitude diferente. São “inimigos da cruz de Cristo”, não por causa de qualquer hostilidade da parte deles, mas por causa das vidas que vivem. Interessam-se mais em satisfazer os seus apetites do que servir a Deus (“o deus deles é o ventre”) e jactam-se das liberdades que tomam na licenciosidade e vidas impuras (2Pe 2.19). “Só pensam nas coisas terrenas” - alegam estar no caminho do Céu, mas amam as coisas mundanas; “o destino deles é a destruição”.].

SINOPSE DO TÓPICO (II)
Não basta “corrermos”, pois se realmente desejamos progredir em nossa vida cristã, devemos conhecer e obedecer aos preceitos da Palavra de Deus até o Dia de Jesus Cristo (Fp 1.6).

III. A ASPIRAÇÃO CRISTÃ HOJE
1. A atualidade do desejo paulino. O propósito de Paulo em relação a si e aos filipenses deve servir-nos de instrução, pois as dificuldades, tentações e demais obstáculos que serviam de empecilhos à vida de comunhão naquela época continuam atuais e bem maiores. Mais do que nunca, devemos nos esforçar para vivermos uma vida de íntima comunhão com Deus (Fp 3.12).[A devoção enfoca o objetivo de intimidade com Deus. É “devotar a si mesmo” para conhecer Jesus Cristo. Uma medida de maturidade é o nível em que essa busca torna-se nosso foco e desejo de consumo. Em nenhuma outra parte o discípulo de Jesus é mais desafiado a tornar-se um homem ou mulher “segundo o coração de Deus” do que aqui].
2. O cristão deve almejar a maturidade espiritual. Seguindo o exemplo de Paulo, reconheçamos que ainda precisamos alcançar a perfeição. Sejamos sóbrios e vigilantes, reconhecendo também o quanto carecemos de maturidade espiritual e de um maior conhecimento acerca da pessoa de Nosso Senhor Jesus Cristo. [O conhecimento de Cristo que Paulo tinha não envolve simplesmente uma apreensão intelectual, mas sim um conhecimento empírico resultante de sua comunhão pessoal com Cristo. Em contraste com a vida que ele tem agora, seu antigo modo de viver era esterco, algo para ser atirado aos cães. Nossa herança como crentes pode ser completamente recebida se permanecermos no que Deus disse face à adversidade das circunstancias, algumas vezes até sofrendo e enfrentando a morte. Uma postura de fé elimina o medo e a preocupação e traz a liberdade de “regozijar ainda mais”.].
3. Rejeitando a fantasia da falsa vida cristã. Paulo era um sofredor consciente, um homem que sabia o quanto é difícil ser fiel a Deus. Ele, porém, suportava tudo por causa da obra de Deus (Fp 2.17) [O objetivo pelo qual Paulo se esforça promete um esplêndido troféu – salvação em toda sua plenitude (Fp 1.28; Rm 13.11). Deus chamou a Paulo, no início (Rm 8.30; Gl 1.15). É porque Paulo pode dizer “fui conquistado por Cristo Jesus” (v. 12) que ele prossegue para o alvo da vida na glória (v. 13)]. Quem quiser viver assim nos dias atuais, precisa reconhecer que padecerá as mesmas angústias (2Tm 3.12) [Paulo ensina que a salvação não se baseia no que o ser humano alcança obedecendo à lei, mas inteira e exclusivamente na “justiça que procede de Deus”, dada àqueles que estão unidos com Cristo (Rm 1.16,17; 3.21,26)]. Semelhante ao apóstolo Paulo, podemos ter certeza de que receberemos o “prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus” (Fp 3.14). [Ser como Deus é viver como ele nos disse para viver; isso envolve estudo e a aplicação das Escrituras. Aqueles que o fizerem se tornarão reprovação viva daqueles que não o fizerem e, sendo assim, se depararão frequentemente com a perseguição. Paulo mostra aos filipenses que a justiça que vem pela fé leva-nos a sofrer injustiças neste mundo, visto que devemos participar das aflições de Cristo, para que sejamos capazes de participar da Sua glória (Rm.8:17)].

SINOPSE DO TÓPICO (III)
Ainda não alcançamos a perfeição, por isso, precisamos ser sóbrios e vigilantes, reconhecendo o quanto carecemos de maturidade espiritual e de um maior conhecimento acerca da pessoa de Nosso Senhor Jesus Cristo.

CONCLUSÃO

Toda a vida de Paulo era centrada na pessoa de Jesus Cristo. Ele tudo fazia para agradá-lo. Sua grande aspiração era conhecer mais do Mestre da Galileia. Por isso, o apóstolo podia declarar: “Já estou crucificado com Cristo; e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim; e a vida que agora vivo na carne vivo-a na fé do Filho de Deus, o qual me amou e se entregou a si mesmo por mim” (Gl 2.20). [Na perícope de Fp 3.17-21, Paulo dá instruções específicas sobre como buscar o prêmio de perfeição espiritual, que é Cristo. Mais tarde, nessa mesma missiva, Paulo lembra aos crentes de Filipos que "a nossa pátria está nos céus, de onde também aguardamos um Salvador, o Senhor Jesus Cristo, que transformará o corpo da nossa humilhação, para ser conforme ao corpo da Sua glória, pelo exercício do poder que Ele tem de sujeitar todas as coisas a si mesmo "(Fp 3.20,21). O apóstolo João ecoa esse mesmo pensamento: "Amados, agora somos filhos de Deus, e o que seremos, ainda isso não foi manifesto. Sabemos que quando ele se manifestar, seremos semelhantes a Ele, porque nós vamos vê-Lo como Ele é"(1Jo 3.2). Semelhança de Cristo é o prêmio que deve ser perseguido, apesar de que o prêmio não será alcançado aqui, enquanto estivermos em carne. “Mas, naquilo a que já chegamos, andemos segundo a mesma regra e sintamos o mesmo”. Devemos andar na luz daqueles conhecimentos que já atingimos. “Se alguém quiser fazer a vontade dele, pela mesma doutrina, conhecerá se ela é de Deus” (Jo 7.17)].
NaquEle que me garante: "Pela graça sois salvos, por meio da fé, e isto não vem de vós, é dom de Deus" (Ef 2.8),

Graça e Paz a todos que estão em Cristo!

Francisco de Assis Barbosa
Cor mio tibi offero, Domine, prompte et sincere
Meu coração te ofereço, Senhor, pronto e sincero (Calvino)

Recife-PE
Agosto de 2013.

EXERCÍCIOS
1. Que analogia o apóstolo Paulo usa para ilustrar que o crente precisa se esforçar para conhecer mais a Jesus Cristo?
R. Paulo utiliza a analogia do atletismo.
2. O que reivindicavam os mestres do gnosticismo?
R. Os mestres do gnosticismo reivindicavam serem iluminados e não terem mais nada a aprender ou que desenvolver.
3. Qual o sentido do vocábulo “perfeito” empregado por Paulo?
R. O vocábulo “perfeito”, empregado por Paulo tem um sentido especial, pois se refere à “maturidade espiritual”.
4. O que significa a expressão “andemos segundo a mesma regra”?
R. Trata-se de andar conforme a doutrina de Cristo, segundo aquilo que já recebemos do Senhor. Assim, esse “andemos segundo a mesma regra” denota modo de viver, atitudes, ações, obras, e comportamentos em geral, semelhantes aos do Senhor Jesus, que o crente deve seguir.
5. Qual o alvo da sua vida?
R. Resposta pessoal.



NOTAS BIBLIOGRÁFICAS
OBRAS CONSULTADAS:
-. Lições Bíblicas do 3º Trimestre de 2013 - CPAD - Jovens e Adultos; Comentarista: Pr. Elienai Cabral; CPAD; -. Bíblia de Estudo Pentecostal – BEP (Digital);
-. Bíblia de Estudo Plenitude, Barueri, SP; SBB 2001, Dinâmica do Reino – Confissão de Fé; p. 1236;
-. RICHARDS, L. O. Comentário Histórico-Cultural do Novo Testamento. 1 ed., RJ: CPAD, 2007;
-. PEARLMAN, M. Epístolas Paulinas: Semeando as Doutrinas Cristãs. 1 ed., RJ: CPAD, 1998;
-. Filipenses - Epístolas Paulinas - E.P. myer pearlman - 
Autorizo a todos que quiserem fazer uso dos subsídios colocados neste Blog. Solicito, tão somente, que indiquem a fonte e não modifiquem o seu conteúdo. Agradeceria, igualmente, a gentileza de um e-mail indicando qual o texto que está utilizando e com que finalidade (estudo pessoal, na igreja, postagem em outro site, impressão, etc.).

terça-feira, 20 de agosto de 2013

Lição 08 - Lições Bíblicas - CPAD - 3º trimestre 2013

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segunda-feira, 19 de agosto de 2013

A SUPREMA ASPIRAÇÃO DO CRENTE

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A SUPREMA ASPIRAÇÃO DO CRENTE
Texto Áureo: Fp. 3.14 – Leitura Bíblica: Fp. 3.12-17

Prof. Ev. José Roberto A. Barbosa
Twitter: @subsidioEBD

INTRODUÇÃO
Após aconselhar os crentes filipenses em relação aos falsos mestres, Paulo orienta os irmãos filipenses a perseguirem o alvo, em busca da maturidade cristã, seguido seu exemplo. Esse será o assunto da lição de hoje, os cristãos não podem viver na mediocridade. Destacaremos a importância de ir sempre adiante, e a saber lidar com as situações difíceis, na presença ou ausência dos pastores.

1. EM BUSCA DO ALVO
Paulo recorre com frequência às figuras de linguagem em suas epístolas, a principal delas é a analogia, a partir da qual utiliza temas do cotidiano para se referir a verdades espirituais. Nesse trecho da Epístola, compara a vida cristã a uma competição, em que cada crente é um atleta, em busca de um prêmio. O próprio Apóstolo sabe que ainda não chegou ao nível que deseja, e que ainda não alcançou a perfeição. Ele continua na disputa, participando dessa corrida, com a intenção de ganhar seu prêmio. Mesmo assim, prossegue, não se dá por satisfeito, cônscio de que Deus tem muito mais a oferecer (Fp. 3.12). A palavra perfeição, no grego, é teleios, e nada tem a ver com ausência de pecado. Na verdade, Paulo tem consciência das suas limitações, e isso é justamente um sinal de maturidade. Muitos crentes acham que são perfeitos, e, às vezes, julgam os outros a partir do seu modelo de perfeição. Retornando à metáfora do atletismo, o Apóstolo está dizendo que ainda não recebeu o troféu de vencedor. Mas para não perder o foco, toma uma decisão, se esquece das coisas que atrás ficam e avança em direção as que estão diante dele. De igual modo, os cristãos não podem viver na mesmice, pois quem põe a mão no arado não pode olhar para trás (Lc. 9.62) Diferentemente dos judaizantes, Paulo não fia a sua fé na carne, no passado, em um ideal de perfeição baseado em legalismo, mas na completude que se dará no futuro, por ocasião da ressurreição (I Co. 15.52-57). Os competidores de Paulo olhavam para trás, mas o Apóstolo tem seus olhos fixos no futuro. O atleta que consegue ter vitória não olha para seus adversários, antes mira continuamente o ponto de chegada, o alvo. A palavra alvo, em grego, é skopos, é justamente a fita colocada na pista, que identifica o final da corrida. É essa determinação que deve mover a fé dos crentes, isso faz com que eles deixem todo embaraço para trás (Hb. 12.1,2).

2. PERSEGUINDO A MATURIDADE
Há crentes que não conseguem amadurecer por causa do saudosismo doentio. Eles não conseguem olhar para frente, ficam todo tempo lembrando os “tempos áureos”. Reconhecemos que vivemos um momento difícil no contexto evangélico brasileiro. Mas isso não deve ser motivo para desistir da jornada, antes devemos prosseguir “pelo prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus” (Fp. 3.14). Tem muita gente se distraindo com as coisas materiais, tal como a mulher de Ló, são capazes apenas de verem as riquezas de Sodoma (Gn. 19.26). A teologia da ganância está fazendo com que muitos cristãos, inclusive obreiros, percam o foco espiritual. Não poucos pentecostais, por desconsiderarem a Palavra, estão morrendo de inanição. O mero sentimentalismo está minando a fé de muitos crentes, que se abatem por qualquer situação adversa. Como não têm firmeza na Palavra, não conseguem amadurecer, continuam espiritualmente raquíticos. Paulo constatou essa realidade em relação aos crentes de Corinto (I Co. 3.1-4), tinham muitos dons espirituais, mas lhes faltava o fruto do Espírito, isto é, uma genuína espiritualidade (Gl. 5.22). Alguns em Filipos se achavam perfeitos, isto é, que não precisavam mais ir a lugar algum. Isso era extremamente perigoso, porque esses tais não se submetiam à autoridade apostólica. Nas igrejas também existem pessoas que não querem mais aprender. Acham-se sábias demais porque estudam bastante, leem seus compêndios de teologia, por isso não frequentam a Escola Dominical. Mas Deus está no comando, no tempo certo Ele revelará aqueles que de fato estão comprometidos com o evangelho (Fp. 3.16). É no momento da adversidade que os seguidores fiéis de Cristo se manifestam. Os mercenários querem apenas os benefícios do “apostolado”, não se arriscam em prol do Reino de Deus. A igreja evangélica, como o próprio nome o diz, deveria estar fundamentada no evangelho de Jesus Cristo (Tt. 1.1; 2.10; Gl. 1.6-10). Os crentes imaturos seguem apenas suas celebridades, os gurus que determinam o que devem ou não fazer. Isso é bastante cômodo para eles, não têm o mínimo interesse de que as pessoas conheçam as Escrituras, para continuarem ditando suas regras humanas.

3. SEGUINDO O EXEMPLO
Mas Paulo não age assim, Ele é um pastor, no sentido próprio do termo, um apascentador de ovelhas. Ele não apenas diz: “faça o que eu digo”, em sua prática de vida, acrescenta, “faça o que eu faço” (I Co. 9.1; Gl. 1.11,12; I Co. 11.1). O problema de alguns líderes, principalmente aqueles mais legalistas, é que colocam sobre as pessoas fardos pesados, que nem mesmo eles são capazes de carregar (Mt. 23.24). E, às vezes, quando conseguem obedecer alguns dos princípios que impõem sobre outros, pecam em relação aos mais gritantes, sem se aperceberem (Mt. 23.23). O Apóstolo conclama os crentes filipenses à obediência, não porque ele simplesmente é uma autoridade eclesiástica, mas porque é um homem espiritual, firmado no evangelho de Jesus Cristo. O verbo andar, em Fp. 3.16, é stochein, um termo militar, que diz significa “permanecer na linha”. Os cristãos foram chamados à ortodoxia, para uma doutrina correta. Essa doutrina não é outra senão a salvação por meio da fé, não pelas obras da lei, mas pela graça, de Cristo (Ef. 2.8,9). Essa mensagem é escândalo para alguns, tanto para judeus quanto para gregos. O judeu se mantem atado às suas tradições, depende de sinais, o grego, na filosofia, depende da razão (I Co. 1.22-24). Mas a palavra da cruz é loucura para os que perecem, mas para nós que somos salvos, é o poder de Deus (I Co. 1.18). Essa é a perfeição que adquirimos através de Cristo, não de nós mesmos, pois Ele mesmo, pelo Seu sacrifício, nos justificou (Rm. 5.1). É a partir dessa verdade que podemos, todos juntos, como irmãos, contribuir, em comunhão, para a maturidade mutua (Fp. 3.16). Especialmente a liderança cristã deve investir na maturidade espiritual da igreja, incentivar os crentes ao estudo da Palavra, para que esses não sejam sempre dependentes.

CONCLUSÃO
Ainda não alcançamos a perfeição, a plena completude, essa somente acontecerá no futuro, quando “o que é mortal se revestir da imortalidade” (I Co. 15.54). Enquanto isso não acontece, devemos prosseguir rumo ao alvo, o prêmio da soberana vocação em Cristo Jesus. Para tanto, esqueçamo-nos das coisas que ficaram para trás, investindo na maturidade espiritual. Não devemos mais nos fiar na religiosidade humana, antes confiarmos em Deus, que nos conduz, pelo Seu Espírito, à plenitude (II Co. 3.18), em conformidade ao caráter de Cristo (Ef. 4.13-15).

BIBLIOGRAFIA
BOICE, J. M. Philippians. Michigan: BakerBooks, 2000.
MOTYER, J. A. The message of Phillipians. Leicester: Inter-versity Press, 1984.

sexta-feira, 16 de agosto de 2013

A ATUALIDADE DOS CONSELHO PAULINOS

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A ATUALIDADE DOS CONSELHOS PAULINOS
Texto Áureo: Fp. 3.1 – Leitura Bíblica: Fp. 3.1-10

Prof. Ev. José Roberto A. Barbosa
Twitter: @subsidioEBD

INTRODUÇÃO
A seção da Epístola aos Filipenses 3.1-10 está repleta de conselhos. Paulo apresenta algumas considerações práticas aos crentes filipenses. Essas orientações são bastante pertinentes e atuais para a igreja da atualidade. Depois de admoestar os irmãos a que sejam alegres no Senhor (Fp. 3.1), faz algumas advertências em relação aos falsos mestres, e por último, caracteriza o genuíno evangelho de Jesus Cristo.

1. EM RELAÇÃO AOS FALSOS MESTRES
A igreja de Jesus Cristo sempre foi atacada por falsos ensinamentos, entre os filipenses os falsos mestres tentaram disseminar suas heresias entre os cristãos. Por isso Paulo os admoesta, por três vezes, a que esses tivessem cuidado. O verbo grego, no imperativo, é blepete, isto é, “acautelai-vos”, que tem o significado de manter os olhos abertos para que os falsos lobos não adentrem ao rebanho (AT. 20.29,30). Esses falsos mestres precisavam ser identificados, por isso Paulo os descreve como cães, falsos obreiros e falsa circuncisão. Trata-se de um grupo já conhecido entre os crentes da Galácia, que queriam incluir um falso evangelho no interior do verdadeiro evangelho (Gl. 1.1-9). A característica marcante desse outro evangelho era a defesa da circuncisão, isto é, da observância aos rituais judaicos como meio de justificação (At. 15.1). Esses judaizantes atacavam frontalmente a doutrina da salvação, contrariando a graça de Deus em Jesus Cristo. A preocupação do Apóstolo é denunciar esse ensinamento distanciado da verdade (II Co. 11.13). Esses maus obreiros seguiam Paulo em suas viagens missionárias, despregando aquilo que o Apóstolo havia pregado (I Co. 11.13). O perigo desse outro evangelho é a desconsideração da doutrina da salvação pela graça, por meio da fé, proveniente de Deus, não das obras humanas (Ef. 2.8,9). O ser humano, em sua religiosidade, sempre quis obter a salvação pelos seus méritos pessoais. A igreja evangélica não está imune a esse tipo de ensinamento, há quem pense que é salvo simplesmente pelas exterioridades formalistas que observam. As pessoas que entram por esse caminho transformam o que é principal em secundário, acabam supervalorizando os detalhes ao invés do que é mais valioso. Jesus repreendeu veementemente os fariseus do seu tempo por filtrarem um mosquito e engolirem um elefante, chamando-os de sepulcros caiados (Mt. 23.27-28.). A circuncisão pregada por esses religiosos não passava de mutilação, pois não tinha qualquer valor espiritual, diferentemente da circuncisão de Abraão (Gn. 17.9,10; Rm. 4.11-13).

2. EM RELAÇÃO À IGREJA DO SENHOR
A igreja do Senhor não pode ser confundida com uma mera religiosidade, ela apresenta características distintas do movimento dos judaizantes. A verdadeira igreja de Cristo passou por uma circuncisão espiritual, efetuada no coração, não por homens, mas pelo Espírito Santo (Fp. 3.3). A adoração a Deus não resultante de uma imposição humana, não é por força, muito menos por violência, mas uma disposição espiritual, não está fundamentada na carne. Fomos chamados para adorar, na verdade, Deus busca adoradores, mas que o façam em espírito e em verdade (Jo. 4.24). A adoração não pode ser realizada de qualquer modo, a religião humana, na busca por Deus, resulta na idolatria (Rm. 1.25-27). A adoração, revelada por Deus, está alicerçada na Verdade, que é Cristo, a Palavra (Jo. 1.1,18) , e no Espírito, que nos liga a Deus, reconhecendo-O como Pai (Rm. 8.15). Por isso, a fé do crente está depositada em Cristo, em Seu sacrifício na cruz do calvário, não na religião humana, que não passa de carnalidade. Ele é o nosso Alvo, Aquele no Qual nos gloriamos (I Co. 1.31; II Co. 10.17). Os falsos mestres, e os religiosos em geral, confiam naquilo que fazem, em seus méritos, na capacidade que acreditam ter em satisfazer a Deus. A igreja, diferentemente da religiosidade humana, sabe que a salvação veio de Deus, e que em nenhum outro nome há salvação, senão no de Cristo Jesus (Jo. 14.6; At. 4.12). Paulo esclarece que se a religião valesse alguma coisa ele mesmo teria motivos para se orgulhar. Com judeu ele tinha alguns privilégios, mas os abandonou por causa de Jesus Cristo. Ele era circuncidado ao oitavo dia, portanto nasceu judeu, sendo criado na tradição judaica (Fp. 3.4). Paulo fazia parte do povo eleito, o povo considerado privilegiado, mas não sustentava a sua fé nesse predicado. Mesmo sendo da tribo de Benjamim, sendo essa uma das mais importantes de Judá, não via nisso qualquer glória (Fp. 3.5). Como se isso não fosse o bastante, era hebreu de hebreus, ou seja, por nascimento, e que falava hebraico (At. 21.40). Em sua religiosidade fazia parte dos fariseus, a mais zelosa tradição judaica (Gl. 1.14), por isso tinha na mais alta consideração a Lei do Senhor (At. 23.6; 26.5). Por causa disso, tornou-se perseguidor da igreja, sua religião, como geralmente costuma acontecer, fez com que ele perseguisse os cristãos (At. 9.1,2; 22.1-5; 26.9-15; I Co. 15.9; Gl. 1.13). Aos olhos humanos Paulo era um homem de considerável reputação, considerado irrepreensível no tocante à guarda dos princípios legais. Mas faltava-lhe um em encontro com Cristo que o transformou de perseguidor em perseguido, que o fez considerar as pessoas não a partir de formalidades exteriores.

3. EM RELAÇÃO AO EVANGELHO DE CRISTO
O evangelho de Jesus Cristo não é uma mera circuncisão física, não se trata de uma formalidade. Como israelita influente é bem provável que Paulo tivesse privilégios no contexto religioso no qual estava inserido. Mas a tudo perdeu por amor a Cristo, no mínimo deixou de gloriar-se daquilo que fazia, passou a confiar no que Jesus fez. O evangelho é mais importante do que exterioridade religiosas. Por isso, ninguém deve achar que é salvo por que faz ou deixa de fazer algo. Não podemos incorrer no equívoco de pensar que nossa salvação depende de vestimenta, postura física, ou coisa parecida. Isso na verdade pode revelar ausência de uma espiritualidade genuína, carnalidade da qual os religiosos se gloriam (Cl. 2.21). O evangelho é mais que um conjunto de doutrinas, trata-se de um encontro real com uma pessoa, o próprio Jesus Cristo (Fp. 3.8). Muitas igrejas atuais estão sofrendo porque as pessoas estão alicerçadas nas atividades religiosas. Poucas pessoas têm um compromisso real com o Senhor, entregaram de fato suas vidas a Cristo. Esse encontro com o Jesus é algo marcante na vida de uma pessoa, e a modifica existencialmente. Isso porque seu fundamento é o amor, não as obrigações que são impostas por um grupo de religiosos. Isso fez com que Paulo considerasse tudo como refugo, skubala em grego, que pode ser traduzido como “excremento, esterco”. Aquilo que os judaizantes achavam que valia muito, Paulo considerava coisa de menor importância. Não podemos esquecer que as nossas obras, diante de Deus, não passam de trapos de imundície (Is. 64.6). A justificação, ansiosamente buscada pela religiosidade humana, somente pode ser obtida através de Cristo (Fp. 3.9). A obra de Cristo, não as nossas obras, nos conduzem ao céu, o sacrifício que Ele realizou na cruz (Jo. 7.1-4; 19.30; Hb. 10.11-14).

CONCLUSÃO
O evangelho de Cristo não pode ser confundido com a religiosidade humana. Isso porque ser cristão é um conhecimento, não apenas intelectual, mas um kinoskein em grego, ou yadá em hebraico. Isto é, uma entrega incondicional pela fé ao senhorio de Jesus, uma disposição para viver e morrer por Ele. Nesse contexto, sofrer por Cristo torna-se um privilégio, também uma identificação com Sua vida, morte e ressurreição, que nos antecipa a glória futura que em nós haverá de ser revelada (Rm. 8.18; Fp. 3.10).

BIBLIOGRAFIA
LOPES, H. D. Filipenses. São Paulo: Hagnos, 2007.
WIERSBE, W. W. Philippians: be joyfull. Colorado: David Cook, 2008.

Lição 7 – A Atualidade dos Conselhos Paulinos

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Lição 7 – A Atualidade dos Conselhos Paulinos


Lições Bíblicas do 3º Trimestre de 2013 - CPAD - Jovens e Adultos
Tema: Filipenses - A Humildade de CRISTO como exemplo para a Igreja.
Comentário: Pr. Elienai Cabral
Consultor Doutrinário e Teológico da CPAD: Pr. Antonio Gilberto
Elaboração e pesquisa para a Escola Dominical da Igreja de Cristo no Brasil, Campina Grande-PB; Postagem no Blog AUXÍLIO AO MESTRE: Francisco A Barbosa.

Por Francisco A Barbosa
Lição 7 – A atualidade dos conselhos paulinos
18 de agosto de 2013

TEXTO ÁUREO
“Finalmente, irmãos meus, que vos regozijeis no Senhor” (Fp 3.1a). – “Finalmente” (para loipon) é melhor traduzida como "além disso", "assim, então," ou "agora então." É uma palavra de transição, não é a conclusão, uma vez que metade dos Filipenses segue. O termo grego χαρά (chara) é o mesmo que encontramos na missiva aos Gálatas (Gl 5.22) com relação ao fruto do Espírito. O significado é alegria, gozo, regozijo,deleite, prazer. Portanto, o verbo, que é o que está sendo usado, significa regozijar, alegrar, estar contente. (Veja Sl 37.4).

VERDADE PRÁTICA
Para quem ama a Deus o mais importante é ter um coração renovado pela ação do Espírito Santo.

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE
Filipenses 3.1-10.

OBJETIVOS

Após esta aula, o aluno deverá estar apto a:
            • Dissertar a respeito da alegria do Senhor;
            • Explicar a tríplice advertência de Paulo contra os inimigos da fé, e
            • Compreender o significado da verdadeira circuncisão cristã.

PALAVRA-CHAVE
Conselho: Parecer, juízo, opinião. Advertência que emite; admoestação, aviso.

COMENTÁRIO

introdução
No capítulo três de sua carta aos Filipenses, Paulo continua revelando preocupação a respeito dos “maus obreiros”. Estes se aproveitavam de sua ausência para introduzir falsas doutrinas na igreja. A fim de precavê-la, por três vezes o apóstolo diz: “guardai-vos” (v.2). Nesta lição, veremos que Paulo também não deixou de exortar os filipenses a que, mesmo diante das adversidades, se alegrassem no Senhor (v.1), pois a alegria do Senhor é a nossa força (Ne 8.10). [Os adversários de Paulo aqui, sejam eles cristãos (como em Gálatas) ou não-cristãos, defendem a lei de Moisés e insistem na circuncisão como o emblema da salvação (At 15.1). Paulo adverte severamente os judaizantes, os quais asseveravam que, para a salvação, era necessária a observância à Lei e tentavam, incessantemente, sabotar seu evangelho de livre graça. A palavra circuncisão no versículo 2 é uma paródia. Os legalistas ensinaram a necessidade da circuncisão, mas, na verdade, um ritual físico sem justiça no coração não é nada mais do que uma mutilação na carne sem valor.] Tenham todos uma excelente e abençoada aula!

I. A ALEGRIA DO SENHOR
1. Regozijo espiritual. A expressão “resta, irmãos meus” (v.1), aparece no texto grego como to loipon, que é traduzido como “finalmente”. Ela sugere que Paulo estava concluindo sua carta, mas ainda havia algo importante a dizer aos irmãos da igreja em Filipos. O apóstolo ensina aos irmãos filipenses que a alegria do Senhor é a força que nos faz superar toda e qualquer adversidade. O contentamento que Jesus nos oferece é um reforço para a nossa fé em tempos de adversidade. [A alegria é um dos temas dominantes em Filipenses. A obediência a esse mandamento é sempre possível, mesmo em meio de conflito, adversidade e privação, porque a alegria não repousa em circunstancias favoráveis, mas no “Senhor”. Paulo recorre à repetição para enfatizar essa verdade. Os crentes são ordenados a regozijar sob todas as circunstancias, portanto, o crente pode ser internamente alegre quando tudo está monótono no exterior (Hb 3.17,18; 2Co 6.10)].
2. Exortação ao regozijo. A alegria do Senhor é produzida pelo Espírito Santo no coração do crente. Esta alegria independe das circunstâncias, pois é divina e faz com que o cristão supere as dificuldades. Paulo mostra aos filipenses que esse sentimento de felicidade, concedido pelo Senhor, é uma capacitação divina que fortalece a igreja a suportar as adversidades. Para o apóstolo, que se encontrava na prisão, a alegria do Senhor era como um precioso consolo, capaz de trazer descanso e quietude para a sua alma. [O termo grego chairõ, um verbo primário, significando ser alegre, isto é, claramente feliz ou confortável, afortunado; em sentido impessoal, especialmente como saudação, e por fim, regozije-se. Conhecer o poder da ressurreição de Cristo(v. 10), isto é, experimentar a renovação da vida espiritual, o livramento do poder do pecado (Rm 5.10; 6.4; Ef 2.5,6) e o poder do Espírito Santo é o caminho para regozijar!]
3. Alegria em meio às preocupações e aflição. Paulo percebeu que, em virtude do sofrimento, os irmãos de Filipos poderiam ser tomados pelo desânimo. Por isso, ele os exortou a se alegrarem em Deus, pois a alegria vinda da parte do Senhor nos fortalece (Ne 8.10). Triunfante por causa de sua confiança no Cristo ressurreto, o apóstolo sabe que somente aquele que conhece e confia no Senhor, e em sua Palavra, é capaz de regozijar-se diante das dificuldades, tal como ele e Silas o fizeram (At 16.24,25). Deus é o nosso conforto. Nele podemos confiar e regozijar-nos sempre (1Ts 5.16). [Alegria é um tema importante, tanto em Filipenses (cf. 1.4, 18, 25, 2.2, 17-18, 28-29; 4.1, 4, 10) e no resto do Novo Testamento, onde ela aparece em como substantivo e formas verbais cerca de 150 vezes. Aqui, como em 4.4, 10 (cf. Lucas 1.47), Paulo liga para alegrar um relacionamento, comandando os crentes a se alegrar no Senhor. A esfera em que a alegria existe é na sua relação com o Senhor Jesus Cristo. A alegria de que Paulo escreve não é o mesmo que a felicidade (a palavra relacionada ao "acaso" prazo), o sentimento de alegria associada com eventos favoráveis. Na verdade, a alegria persiste em face da fraqueza, dor, sofrimento, até mesmo a morte (cf. Tiago 1.2). Alegria bíblica produz uma profunda confiança no futuro que se baseia na confiança no propósito de Deus e poder. Isso resulta na ausência de qualquer medo final, uma vez que a relação em que se baseia é eterna e inabalável (Sl 16.11; João 16.22). Nem é uma emoção humana produzida; A ordem de Paulo mostra que alegria é um ato da vontade em escolher obedecer a Deus. O resultado é uma emoção produzida de forma sobrenatural, fruto de andar no Espírito (Rm 14.17; Gl 5.22). Assim, regozijar-se é a marca de verdadeiros crentes (cf. Sl 9.14; 13.5; 32.11; 33.1, 21; 35.9; 40.16; 51.12; 70.4, Lc 10.20; Jo 15.11; 17.13, Rm 15.13; 1Ts 5.16).].

SINOPSE DO TÓPICO (I)
A alegria do Senhor, a que Paulo se refere, se manifesta em meio às preocupações e as aflições da vida.

II. A TRÍPLICE ADVERTÊNCIA CONTRA OS INIMIGOS (3.2-4)
1. “Guardai-vos dos cães”. A hostilidade de Paulo contra os maus obreiros era forte e decisiva, pois eles causavam muitos males à igreja, em especial aos novos convertidos. Paulo chama os judaizantes de “cães”, pois estes acreditavam e ensinavam que os gentios deviam obedecer a todas as leis judaicas, um fardo legalista que nem mesmo os próprios judeus suportavam (Gl 2.14). Os judaizantes eram como “cães” que atacavam os novos convertidos durante a ausência de Paulo. O apóstolo repelia-os com veemência e orientava os filipenses a que deles se resguardassem. [O termo grego empregado para traduzir gentio, é ethnikõs, advérbio de ethnikos, (especial) um gentio: - (homem) pagão. Os judeus assim tratavam a todos os não judeus e de forma perjorativa, os chamavam de cães, veja por exemplo, Jesus em pregando o termo referindo-se à mulher cananéia: “não é bom pegar o pão dos filhos e deitá-los aos cachorrinhos” (Mt 15.26), e em Mt 7.6: “não deis aos cães as coisas santas...”. Trata-se de uma metáfora judaica e refere-se a convidar pagãos totalmente desinteressados a juntar-se às preces ao Senhor. Paulo emprega agora essa metáfora para descrever os crentes de origem judaica que distorciam o evangelho e pregavam a necessidade de cumprir rituais do Antigo Testamento. A maior provação de Paulo era a tristeza que sentia e experimentava por causa dos que distorciam o evangelho de Cristo. Seu amor a Cristo, à igreja e à verdade redentora, era tão forte que o levou a opor-se energicamente àqueles que pervertiam a doutrina pura, e a descrevê-los como "cães" e "maus obreiros" (ver 1.17; Gl 1.9; cf. Mt 23).]
2. “Guardai-vos dos maus obreiros”. Estes também são denominados por Paulo como “cães” e os da “circuncisão”. Eles espalhavam falsos ensinos, não se importando com a sã doutrina ensinada pelos apóstolos. Pregavam um falso evangelho (Gl 1.8,9)[Aqueles que exigem mais do que a fé em Jesus Cristo para salvação, ainda que suas credenciais sejam as melhores, distorcem completamente o evangelho. A salvação foi adquirida na cruz por Cristo e Sua justiça nos é imputada pela graça, por meio da fé; não exige nenhuma pré-disposição, ritual nem esforço algum. A única conditio sine qua non é a fé em Jesus Cristo (At 16.31; Rm 10.9). Aqueles que pregam e exigem mais do que isso são na verdade pregadores do falso evangelho e estão debaixo da condenação de Deus]. Afirmavam que para que os gentios se tornassem cristãos deveriam seguir a lei mosaica e, pior, as tradições judaicas. Todavia, no concílio da igreja em Jerusalém, conforme Atos 15, os apóstolos já haviam discutido sobre o papel da lei judaica em relação aos gentios. Segundo as deliberações do “concílio de Jerusalém” os gentios cristãos não deveriam comer alimentos oferecidos aos ídolos, carne com sangue e sufocada (Lv 17.14). Deveriam também evitar as práticas sexuais imorais. Não obstante, os “maus obreiros” faziam questão de discordar do ensino paulino, a fim de impor aos gentios as práticas judaicas. [Paulo adverte severamente os judaizantes, os quais ensinavam que para a salvação, era necessária a observância à Lei e tentavam, incessantemente, sabotar seu evangelho de livre graça. Não esqueçamos de que, ainda hoje, enfrentamos o legalismo em nosso meio; líderes legalistas que impõem cargas pesadíssimas ao rebanho com o pretexto de santidade e assegurar a salvação. Como detectar os legalistas de hoje? Ora, o legalismo sempre está acompanhado de medo e servidão; enquanto que, a mensagem da graça é “boa nova” e traz liberdade e alegria!]
3. “Guardai-vos da circuncisão”. Um dos costumes judaicos que aqueles “maus obreiros” queriam impor era a prática da “circuncisão”. Eles ensinavam, erroneamente, que a circuncisão tornaria os gentios verdadeiramente cristãos. Paulo então passa a ensinar aos filipenses que a verdadeira circuncisão é aquela operada no coração; logo não é algo da carne, mas do Espírito Santo. De acordo com o Comentário Bíblico Pentecostal, editado pela CPAD, “os cristãos filipenses não deveriam ter como motivo de orgulho quaisquer sinais físicos que demonstrassem sua condição de comunhão, porém, antes, deveriam orgulhar-se em Cristo e na sua obra”. [A palavra circuncisão empregada no versículo 2 é uma paródia. Os legalistas ensinaram a necessidade da circuncisão, mas na verdade, um ritual físico sem justiça no coração não é mais do que uma mutilação da carne sem valor. Circuncidar era um rito pelo qual se corta a extremidade do prepúcio. Entre os judeus tinha um valor altamente religioso. Era o sinal do antigo concerto (At 7.8; Rm 4.6-12) e obrigava a guardar toda a Lei mosaica (At 15.1-5,24; Gl 5.3). Na Nova Aliança não se faz necessário essa observância ritual, já que nessa Nova Aliança o acesso se dá por meio da fé em Jesus Cristo (At 11.1-18; 15.1-29; 1Co 7.19; Gl 5.1-6; 6.12-16). Em resposta aos judaizantes e sua ênfase equivocada no rito exterior e físico da circuncisão, Paulo afirma que os cristãos são a verdadeira circuncisão, isto é, o Israel espiritual (Gl 3.6-4.7)].
SINOPSE DO TÓPICO (II)
“Guardai-vos dos cães”, “guardai-vos dos maus obreiros”, “guardai-vos da circuncisão”; são advertências paulinas a que a igreja se cuidasse com os judaizantes.

III. A VERDADEIRA CIRCUNCISÃO CRISTÃ (3.3)
1. A circuncisão no Antigo Testamento. Sabemos que a circuncisão era um rito religioso com caráter moral e espiritual, consistindo em um sinal físico de que a pessoa pertencia ao povo com o qual Deus fez um pacto. Era também um sinal de obediência a Deus (Gn 17.11; At 7.8). Porém, os seguidores de Jesus não precisam da circuncisão para serem identificados como pertencentes a Ele. A circuncisão do cristão é espiritual e interior, operada pelo Espírito Santo, no coração, mediante a fé em Jesus Cristo (Rm 4.9-11).[A circuncisão não era prática incomum no antigo Oriente Próximo, porém Deus a escolheu como um sinal para identificar o povo do concerto abraâmico, pois esta literalmente tem a ver com os homens no seu aspecto de propagação da vida. O ato da circuncisão era exigido como um sinal do concerto previamente estabelecido com Abraão. Isto não constituía um novo concerto, porém um sinal externo que Abraão e os seus descendentes deviam praticar para mostrar que eles eram o povo escolhido de Deus. O fato desta cerimônia ser praticada no órgão reprodutor masculino possuía um significado duplo, pelo menos: 1) o ato de cortar o prepúcio falava em cortar a dependência carnal, e 2) a sua esperança pela posteridade e prosperidade futuras não deveria repousar sobre as suas próprias habilidades. A circuncisão era uma afirmação de que a confiança do fiel estava sendo depositada na promessa de Deus e na sua fidelidade, e não em sua própria natureza carnal (Gn 15.10; 22.13). Mais tarde, o orgulho fez da circuncisão um símbolo idólatra, assumido pelos hebreus como garantia do favor contínuo de Deus. Assim como o batismo cristão sem fé não tem sentido para a justificação, o mesmo vale para a mera circuncisão física (Rm 2.25-29)]
2. A verdadeira circuncisão não deixa marcas físicas. Paulo ensina aos colossenses que a verdadeira circuncisão em Cristo não é por intermédio de mãos humanas, mas “no despojo do corpo da carne” (Cl 2.11,12). É um ato espiritual, levado a efeito pelo Senhor Jesus que remove a nossa velha natureza e nos concede uma nova (2Co 5.17). É uma circuncisão do coração (Rm 2.29). [O termo grego "circuncisão", como é empregado por Paulo significa mutiladores do corpo e refere-se ao rito da circuncisão segundo o ensino dos falsos mestres judaizantes, afirmando que o sinal da circuncisão conforme a Lei mosaica era necessário à salvação. Paulo declara que a verdadeira circuncisão é uma obra do Espírito Santo realizada no coração do salvo, pela qual o pecado e o mal são cortados (v. 3; Rm 2.25-29; Cl 2.11). Contrária à falsa doutrina, a salvação não é alcançada mediante a observância ritual. Cristo é o cumprimento do que é tipificado nos ritos da Lei, libertando-nos da servidão do legalismo (Rm 2.25-29; 3.27-31; 10.4). Em sua identificação com Jesus, os crentes compartilham as experiências do Senhor. Eles não precisam de nada mais! Em Colossenses 2.11, dramaticamente, Paulo afirma que no batismo dos gentios em Cristo e em seu corpo, os mesmo já tinham sido circuncidados. Batismo é a circuncisão de Cristo e significa o lavar que remove o pecado, a renovação pessoal pelo Espírito Santo e a participação como membro do corpo de Cristo (At 2.38; Rm 6.4; 1Co 12.13; Tt 3.5; 1Pe 3.21). Com isso, não quero dizer que o batismo cristão seja idêntico à circuncisão, mas lhe corresponde em essência (Rm 4.11) e a substituiu como sinal da aliança.]
3. A verdadeira circuncisão não confia na carne (3.3-7). Os cristãos judaizantes que participavam da igreja em Filipos confiavam muito mais na carne e na circuncisão do que em Cristo. Por isso, Paulo narra a sua história como judeu. Ele declara ter sido circuncidado ao oitavo dia (v.5) e ter seguido todos os ritos da lei (v.6). Mas o apóstolo enfatiza que ao encontrar-se com Cristo, renunciou a tudo da velha religião para servir apenas a Cristo. Paulo declara: “Porque a circuncisão somos nós, que servimos a Deus no Espírito, e nos gloriamos em Jesus Cristo, e não confiamos na carne” (3.3). A salvação é somente pela fé em Jesus. Nenhum rito religioso é capaz de trazer salvação.[O texto de Fp 3.46 apresenta uma lista de sete características de linhagem que qualificavam a Paulo como um seguidor da Lei. Sua circuncisão foi conforme preconiza Gênesis 17.12; era da tribo de Benjamim e seu nome judeu, Saulo, foi-lhe dado em virtude do rei Saul, também de Benjamim (1Sm 9.1,2). Sua vida era de escrupulosa obediência à Lei mosaica, tanto à Torah quanto às tradições judaicas que lhe foram ensinadas (At 22.3; 26.5; Gl 1.14). Ele próprio afirma que viveu de forma irrepreensível, não com pretensa intenção de afirmar que era sem pecado (Rm 7.713), mas de ter vivido com fidelidade aos preceitos do Antigo Testamento. Quando ele entendeu o evangelho de Cristo, o apóstolo percebeu que todos essas credenciais, realizações, privilégios e direitos não valiam nada. Paulo não está dizendo que eles não são de nenhum valor social, cultural, educacional, ou histórico. Em vez disso, ele está dizendo que eles não são de nenhum valor salvífico, que não podiam salvá-lo ou a qualquer outra pessoa. A obediência de Paulo à lei era respeitável, mas seu consequente “confiar” era o pior dos pecados. Ele agora afirma que renuncia a tudo isso por causa de Cristo, considerando aquelas coisas como refugo – palavra grega empregada em sentido figurado; seu significado literal é lixo e já foi traduzida como esterco. Paulo joga fora, com aversão, qualquer coisa que possa interferir na “sublimidade do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor”. A salvação não se baseia no que o ser humano alcança obedecendo a Lei, mas inteira e exclusivamente na “justiça que procede de Deus”, dada àqueles que estão unidos com Cristo (Rm 1.16,17; 3.21-26).]

SINOPSE DO TÓPICO (III)
A verdadeira circuncisão não confia na carne nem deixa marcas físicas, pois ela é gerada pelo Espírito.

CONCLUSÃO

Paulo ensinou aos filipenses que a confiança em Cristo nos garante alegria. Tal felicidade independe das circunstâncias e faz-nos enfrentar todas as dificuldades comuns às demais pessoas com uma diferença: temos esperança! Paulo também mostrou aos filipenses que as leis do Antigo Testamento e seus ritos tinham sua importância, todavia, a obediência a tais leis e ritos não garantiam a salvação de ninguém. O que deve ser considerado pelo crente é o seu relacionamento com o Cristo ressurreto. [A salvação deve ser o motivo de nossa alegria independente das circunstancias. O maior anseio na vida de Paulo era conhecer a Cristo e experimentar de modo mais íntimo sua comunhão e presença. Os ritos da Lei cumpriram seu objetivo, já não cabem mais na nova aliança. A justiça do crente deve consistir, em primeiro lugar, em ser perdoado do pecado, justificado e aceito por Deus, mediante a fé (Rm 4.5). O Novo Testamento declara que nossa justiça é Cristo, o próprio Senhor Jesus, habitando em nosso coração (Fp 1.20,21; Rm 8.10; 1 Co 1.30; Gl 2.20; Ef 3.17; Cl 3.4). Nesta lição, fica claro que o fundamento da nossa alegria da salvação e nossa única esperança de justificação é a morte sacrificial de Cristo e seu sangue derramado no Calvário (Rm 3.24; 4.25; 5.9; 8.3,4; 1Co 15.3; Gl 1.4; 2.20; Ef 1.7; Hb 9.14; 1 Pe 1.18,19; 1 Jo 4.10) e sua vida ressurreta dentro do nosso coração (Rm 4.22; Rm 4.22,25; 5.9,10; 8.10,11; Gl 2.20; Cl 3.1-3). Não há nada que possamos acrescentar!]
NaquEle que me garante: "Pela graça sois salvos, por meio da fé, e isto não vem de vós, é dom de Deus" (Ef 2.8),

Graça e Paz a todos que estão em Cristo!

Francisco de Assis Barbosa
Cor mio tibi offero, Domine, prompte et sincere
Meu coração te ofereço, Senhor, pronto e sincero (Calvino)

Recife-PE
Agosto de 2013.

EXERCÍCIOS
1. Quem produz a verdadeira alegria em nossos corações?
R. O Espírito Santo.
2. Quem são os inimigos mencionados por Paulo em Filipenses 3.2?
R. Os judaizantes.
3. O que os judaizantes acreditavam e ensinavam aos cristãos gentios?
R. Eles acreditavam e ensinavam que os gentios deviam obedecer a todas as leis judaicas, um fardo legalista que nem mesmo os próprios judeus suportavam (Gl 2.14).
4. De acordo com a lição o que era a circuncisão no Antigo Testamento?
R. A circuncisão era um rito religioso com caráter moral e espiritual, consistindo em um sinal físico de que a pessoa pertencia ao povo com o qual Deus fez um pacto. Era também um sinal de obediência a Deus (Gn 17.11; At 7.8).
5. Defina a verdadeira circuncisão para o cristão.
R. A circuncisão do cristão é espiritual e interior, operada pelo Espírito Santo, no coração, mediante a fé em Jesus Cristo (Rm 4.9-11)


NOTAS BIBLIOGRÁFICAS
OBRAS CONSULTADAS:
-. Lições Bíblicas do 3º Trimestre de 2013 - CPAD - Jovens e Adultos; Comentarista: Pr. Elienai Cabral; CPAD; -. Bíblia de Estudo Pentecostal – BEP (Digital);
-. Bíblia de Estudo Plenitude, Barueri, SP; SBB 2001, Dinâmica do Reino – Confissão de Fé; p. 1236;
-. ARRINGTON, F. L.; STRONSTAD, R. (Eds.). Comentário Bíblico Pentecostal: Novo Testamento. 4 ed., Vol. 2, RJ: CPAD, 2009.
-. RICHARDS, L. O. Comentário Histórico-Cultural do Novo Testamento. 1 ed., RJ: CPAD, 2007.
Autorizo a todos que quiserem fazer uso dos subsídios colocados neste Blog. Solicito, tão somente, que indiquem a fonte e não modifiquem o seu conteúdo. Agradeceria, igualmente, a gentileza de um e-mail indicando qual o texto que está utilizando e com que finalidade (estudo pessoal, na igreja, postagem em outro site, impressão, etc.).
Francisco de Assis Barbosa

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

A FIDELIDADE DOS OBREIROS DO SENHOR

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A FIDELIDADE DOS OBREIROS DO SENHOR
Texto Áureo: Fp. 2.19 – Leitura Bíblica: Fp. 2.19-29

Prof. José Roberto A. Barbosa
Twitter: @subsidioEBD

INTRODUÇÃO
Estamos diante de uma crise ministerial no contexto evangélico, existem líderes empresariais nas igrejas, mas poucos com autoridade espiritual. Na aula de hoje destacaremos a atuação espiritual de três obreiros do Senhor: Paulo e o seu amor pela igreja, Timóteo e sua aprovação para a liderança, e por último, Epafrodito, sua dedicação aos servos de Deus. Todos esses apresentam, como principal característica ministerial, a fidelidade ao Senhor.

1. PAULO, UM OBREIRO AMOROSO
Paulo, conforme destacamos em Fp. 2.17, demonstrou ser um obreiro que estava disposto a sacrificar a própria vida em prol da obra de Deus. Lembramos que, para esse Apóstolo, o viver era Cristo, por conseguinte, ele não tinha a sua vida por preciosa (Fp. 1.21; At. 20.24). Diferentemente de muitos supostos pastores dos dias atuais, Paulo não buscava seus próprios interesses, antes punha Cristo em foco, e buscava o melhor para o rebanho. Ele sabia o real significado do pastorado, algo que tem sido esquecido pelas gerações modernas, que, no contexto bíblico, sempre esteve associado ao sacrifício (Jo. 10.11-16). Essa é justamente a prova maior do amor, a disposição para entregar a própria vida pelo outro. Por isso somente podem dizer “não vivo eu, mas Cristo vive em mim” (Gl. 2.10) aqueles que encarnam a condição sacrificial de Cristo, o desprendimento para carregar as marcas da cruz de Cristo. Se preciso fosse Paulo morreria por causa do evangelho de Jesus Cristo, ofereceria sua vida como libação a favor do serviço pelos outros (II Tm. 4.6). E mais ainda, assim o faria não por constrangimento, mas com alegria proveniente do alto, produzida pelo Espírito (Fp. 2.18). Enquanto muitos procuram felicidade nos livros de autoajuda, Paulo nos dá, para este tempo, uma instrução a fim de obtermos a verdadeira alegria. O cristão não é feliz, ele simplesmente é mais do que feliz, é bem-aventurado, independentemente das circunstâncias. A alegria que vem de cima, que parte de Deus, gerada pelo Espírito (Gl. 5.22), é contagiante. Ninguém gosta de estar perto de crentes que somente murmuram e provocam contendas. Paulo, ao invés de desanimar a igreja, estimula a alegria mútua, fundamentada no amor. Precisamos de obreiros com conhecimento bíblico, mas também com amorosos, para não incharem (I Co. 8.3).

2. TIMÓTEO, UM OBREIRO APROVADO
Timóteo, o jovem obreiro do Senhor, foi aprovado por Deus, e escolhido por Paulo. Sabemos, a partir de II Tm. 1.5, que sua mãe e avó eram crentes em Jesus. O próprio Timóteo era conhecedor das Escrituras, por isso não tinha do que se envergonhar, pois manejava bem a Palavra da Verdade (II Tm. 2.15). Mas Timóteo não apenas conhecida a Palavra de Deus, ele a exercitava, principalmente no que tange ao companheirismo ministerial. Timóteo se converteu na primeira viagem missionária de Paulo e uniu-se ao Apóstolo durante sua segunda viagem missionária (At. 16.1,2). Paulo destaca que Timóteo era seu filho na fé (I Tm. 1.2), cooperador na labuta (Rm. 16.21), mensageiro às igrejas (I Ts. 3.6; I Co. 4.17). A competitividade ministerial está distanciando cada vez mais os obreiros uns dos outros. A carência de “Timóteos” já é sentida no contexto pastoral, obreiros servos nos quais se possa confiar nos momentos de adversidade. A disputa por espaços, limitados no sistema eclesiástico institucionalizado, tem gerado desconforto, e até enfermidades entre os obreiros. É triste constatar que até mesmo subterfúgios mundanos estão sendo usados para descredenciar desafetos no ministério. Que Deus levante, nesta geração, verdadeiros “Timóteos”, obreiros simples, em alguns casos jovens (I Tm. 4.12), mesmo tímidos (II Tm. 1.7,8), alguns doentes (I Tm. 5.23), mas que sejam aprovados por Deus (Fp. 2.22), que cuidem dos interesses de Cristo (Fp. 2.21) e da Sua igreja (Fp. 2.20). Paulo elogia Timóteo, dizendo que não tem outra pessoa com “igual sentimento”, isopsychos em grego, isto é, alguém que pensava com Ele, e com Cristo (I Co. 12.15,16). A principal dificuldade dos obreiros do presente é a de encontrarem sucessores, pessoas para as quais eles possam “passar o bastão”. O apadrinhamento ministerial tem sido danoso para a igreja contemporânea. As pessoas estão sendo consagradas não por critérios espirituais, mas pela aproximação com alguma autoridade eclesiástica. Nos tempos de eleições convencionais o interesse por eleitores acaba sobrepujando a de obreiros aprovados, comprometidos com a seara do Senhor. Que Deus, nestes dias difíceis, desperte “Timóteos” para a Sua obra, homens que não busquem status, mas, sobretudo, disposição para servir (Fp. 2.22).

3. EPAFRODITO, UM OBREIRO DEDICADO
Esse valoroso obreiro do Senhor somente é citado na Epístola de Paulo aos Filipenses. Por pouco não se tornou um daqueles obreiros anônimos. Não podemos esquecer que a obra de Deus é feita também por aqueles que trabalham na surdina. Não são poucos aqueles que se gastam em prol do Reino de Deus, que não fazem promoção pessoal dos seus trabalhos. Eles são esquecidos pelas autoridades eclesiásticas, às vezes passam despercebidos na igreja local. Mas Deus, nos altos céus, acompanha a labuta de cada um deles, e em tempo oportuno, reconhecerá tal trabalho (Mt. 25.21). Epafrodito significa “amável” e seu caráter tem tudo a ver com esse nome, pois não media esforços para servir ao Senhor e aos Seus obreiros com amor. Ele foi o portador da Epístola de Paulo aos Filipenses, também levou uma oferta coletada pelos irmãos daquela igreja ao Apóstolo, e com a intensão de assisti-lo na prisão em Roma (Fp. 2.25, 30, 4.18). Paulo destaca algumas características desse obreiro dedicado: irmão, parece um atributo de menor importância, mas essa é a maior qualidade de um obreiro (Fp. 2.25), cooperador, alguém que se coloca à disposição para ajudar (Fp. 2.25), companheiro, alguém que não deixou Paulo sozinho na hora da luta (Fp. 2.25). Mas Epafrodito não era perfeito, tinha suas limitações, como todo obreiro do Senhor. Contrariando a teologia da saúde, que permeia alguns ciclos evangélicos, Epafrodito adoeceu. Não podemos condicionar a espiritualidade do crente à sua saúde física e/ou mental. O Deus da Bíblia é o mesmo, Ele ainda cura hoje, mas soberanamente, às vezes, decide não curar. Epafrodito não apenas adoeceu, ele quase morreu, trazendo preocupação a Paulo. A morte de Epafrodito não entristeceria a Paulo por causa da sua possível partida, mas pelo sacrifício daquele obreiro pela causa do Apóstolo, e da sua distância de casa. A doença de Epafrodito tem um aspecto mental, pois ele “tinha muitas saudades” e estava “muito angustiado” (Fp. 2.26,27). Qualquer obreiro do Senhor pode passar por adversidade, sofrer por motivo de enfermidade, seja ela física ou mental. No caso de Epafrodito, o Senhor restituiu Sua saúde, confortando o coração de Paulo, que o enviou de volta a Filipos. E mais interessante, orientando que Epafrodito não fosse recebido como um desertor, mas com alegria e honra, como um obreiro dedicado à obra do Senhor (Fp. 2.29).

CONCLUSÃO
Três obreiros, três características, que podem ser resumidas em uma palavra: fidelidade. As vidas de Paulo, Timóteo e Epafrodito servem de estímulo aos obreiros desta geração. Que os jovens obreiros possam aprender, a partir desses exemplos, e de tantos outros de obreiros fiéis, a discernir o real significado do ministério cristão. O legado desses obreiros fiéis do Senhor é o amor sacrifical, a aprovação pela Palavra e a dedicação ao serviço.

BIBLIOGRAFIA
BARTH, K. Epistle to the philippians. Louisville: Westminster John Knox Press, 2002.
WIERSBE, W. W. Philippians: be joyfull. Colorado: David Cook, 2008. 

 

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