sexta-feira, 13 de abril de 2012

ÉFESO, A IGREJA DO AMOR ESQUECIDO

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POR FRANCISCO A BARBOSA

Lições Bíblicas CPAD
Jovens e Adultos
2º Trimestre de 2012
Título: As Sete Cartas do Apocalipse — A mensagem final de Cristo à Igreja
Comentarista: Claudionor de Andrade
Subsídio: Francisco de Assis Barbosa, para o Blog Auxílio ao Mestre.
Lição 3 - Éfeso, a igreja do amor esquecido
15 de Abril de 2012
TEXTO ÁUREO
Lembra-te, pois, de onde caíste, e arrepende-te, e pratica as primeiras obras; quando não, brevemente a ti virei e tirarei do seu lugar o teu castiçal, se não te arrependeres” (Ap 2.5). - A ti virei é um tempo presente, referindo-se não à segunda vinda, mas a uma vinda espiritual em bênção ou em julgamento. Tirarei do seu lugar o castiçal: uma congregação pode continuar a existir sem ser a luz na escuridão. Cristo rejeitará toda congregação ou igreja que não se arrepender de sua falta de amor e obediência ao Senhor Jesus, e a removerá do seu reino.
VERDADE PRÁTICA
Se não voltarmos urgentemente ao primeiro amor, jamais viveremos o refrigério de um grande e poderoso avivamento.
LEITURA BÍBLICA EM CLASSE
Apocalipse 2.1-7.
OBJETIVOS
Após esta aula, o aluno deverá estar apto a:
· Identificar a singularidade da igreja de Éfeso;
· Compreender seu grave problema; e
· Conscientizar-se que devemos voltar ao primeiro amor.
Palavra Chave
Amor: Intenso afeto por outra pessoa; devoção e dedicação. (latim amor, -oris) Sentimento que induz a aproximar, a proteger ou a conservar a pessoa pela qual se sente afeição ou atração; grande afeição ou afinidade forte por outra pessoa (ex.: amor filial, amor materno). = AFETO= ÓDIO, REPULSA) (http://www.priberam.pt/dlpo/Default.aspx).
COMENTÁRIO
(I.Introdução)
Éfeso (Gr. Ἔφεσος; Lat. Ephesus), significa “desejável’’. Cidade greco-romana da Antiguidade situada na costa ocidental da Ásia Menor, província de Esmirna, atual Turquia. Foi por muitos anos a segunda maior cidade do Império Romano, com uma população estimada em cerca de 250 000 habitantes já no século I a.C., o que também fazia dela a segunda maior cidade do mundo na época. A cidade era célebre pelo Templo de Ártemis, a deusa do meio ambiente conhecida como Diana pelos romanos, a deusa da fertilidade, erguido em 550 a.C., uma das Sete Maravilhas do Mundo. Éfeso, juntamente com Mileto, também na Ásia Menor, foi berço da filosofia. Arqueólogos encontraram em suas ruínas um templo dedicado à adoração ao imperador. Ali havia uma estátua de Domiciano, o imperador que exilou o apóstolo João na ilha de Patmos e perseguiu os cristãos. Foi encontrado também uma inscrição em pedra (talvez erigida por ordem do imperador), que premiava Éfeso como a "mais ilustre de todas as cidades" da Ásia. É a igreja que começou bem, mas havia perdido o que lhe deu o conceito de desejável - o amor. Uma igreja sem amor é uma igreja em decadência total (1Co 13). A igreja de Éfeso foi muito bem estabelecida na doutrina apostólica. Em toda a Ásia Menor, não havia igreja mais obreira, dinâmica e ortodoxa do que a de Éfeso. O seu preparo teológico era tão sólido, que o seu pastor capacitara-se, inclusive, a confrontar os que se diziam apóstolos (Ap 2.2). Éfeso era a igreja apologética (Parte da Teologia que ensina a defender a religião contra os seus detratores) por excelência. Ela destacava-se também por seu testemunho, esforço e extenuante labor pela expansão do Reino de Deus. Paulo ensinou a Palavra de Deus ali, durante três anos (At 20.31). Todos os ensinos básicos lhe foram ministrados. “porque jamais deixei de vos anunciar todo o desígnio de Deus” (At 20.27). Pelo teor e conteúdo da Epístola de Paulo aos Efésios, observa-se que aquela igreja era espiritual. Mais saibamos que o juízo de Deus irá começar pela própria Casa de Deus (1Pe 4.17). Por isso Éfeso foi uma das igrejas que foram advertida pelo Senhor. Ela foi a igreja que João pastoreava quando foi desterrado para a solitária Ilha de Patmos, segundo a tradição Cristã dos primeiros séculos e de onde, talvez, tenha sido escrito o Evangelho de João.
(II.Desenvolvimento)
I. ÉFESO, UMA IGREJA SINGULAR
1. Paulo em Éfeso. O Evangelho chegou a Éfeso, a mais notável metrópole da Ásia Menor, durante a segunda viagem missionária de Paulo (At 18.19). Paulo já havia estado em Éfeso antes (At 18.21), quando ministrou lá pela primeira vez no inverno de 55 d.C. Nessa terceira visita às igrejas da Galácia, permaneceu ministrando em Éfeso por mais de dois anos (At 19.8-10), criando laços profundos com aquela igreja, fato esse percebido na mensagem de despedida a eles, uma das passagens mais emocionantes da Bíblia (At 20.17-38). Durante essa viajem, Paulo escreve 1Corintios em Éfeso, 2 Coríntios na Macedônia e Romanos em Corinto.
2. A solidez doutrinária de Éfeso. Paulo afirma que esteve durante três anos (At 20.31) admoestando a cada crente daquela igreja, ensinando que o objetivo magnífico está na publicação do compromisso de Jesus de construir uma igreja gloriosa, madura e de um ministério sem 'mácula, nem ruga' (Ef 5.27). Aqueles crentes receberam a revelação do 'mistério' da Igreja como nenhuma outra comunidade da época. Durante esse tempo, Paulo lhe expôs todo o conselho de Deus (At 20.27). Pode haver um curso bíblico mais completo? E a epístola que o apóstolo lhes enviou? (Ef 1.1-5). Aqueles cristãos doutoraram-se na Palavra de Deus.
3. Uma igreja de ministros excelentes. Além de Paulo, a igreja em Éfeso foi pastoreada, também, por Timóteo e Tíquico (um dos Setenta Discípulos, companheiro de Paulo em sua terceira viagem missionária).A função do Pastor é de instruir o povo na Palavra de Deus (I Tm 3; II Tm 2.15; Tt 1.6-9). Essa igreja, teve o privilegio de possuir obreiros do calibre de Paulo e Apolo, contou com cristãos ilustres como Priscila e Áquila (At 18.27). Seus primeiros anos foram caracterizados por milagres e um grande crescimento (At 19.11-20); ainda contou com Timóteo, Tíquico e João, o discípulo amado. Os obreiros que por lá passaram eram de comprovada excelência. Que exemplo de excelência doutrinaria! O pastor não deve falar ou ensinar suas próprias filosofias, mas sim ser fiel ao ensinamento da Palavra de Deus. Inferimos dessa liderança eclesiástica de Éfeso, o que esse mensageiro (pastor ou líder local) tem uma responsabilidade muito séria diante de Deus. Isso serve de alerta aos que lideram, mas não se esmeram em aprender a Palavra. Que Deus possa suprir a Igreja Brasileira com homens fiéis à Palavra como aqueles que lideraram Éfeso no principio.
SINOPSE DO TÓPICO (I)
A solidez doutrinária denotava a singularidade da igreja de Éfeso.
II. O PROBLEMA DE ÉFESO
1. Um grave problema. A queixa do Senhor contra essa igreja foi o abandono do primeiro amor. A vitalidade espiritual que surge do amor pelo Senhor que eles possuíam, degenerou para uma rotina ortodoxa. Eram poderosos nas Escrituras, mas atrofiados na prática do amor. Cristo exige de cada igreja devoção total e rejeita aqueles membros indiferentes e desanimados. A vida cristã exige comprometimento tanto emocional quanto intelectual com Cristo, o evitar a indiferença, e a exortação a manter o zelo pelo Senhor. É o que o próprio Jesus ensina-nos com o homem que edificou a sua casa na rocha (Mt 7.24), que devemos não apenas ouvir, mas também praticar a sua palavra. Este é o grande desafio da práxis cristã: ouvir, aprender e agir segundo as Escrituras. “Ortodoxia sem ortopraxia” é incompatível com o ensinamento das Escrituras.
2. O primeiro amor. “Não sejais vagarosos no cuidado; sede fervorosos no espírito, servindo ao Senhor” (Rm 12.11). Temos ouvido frases do tipo: “Esse irmão está no fogo do primeiro amor!” ou “Isso é coisa de quem está no primeiro amor”, e na maioria das vezes, não entendemos o que é esse primeiro amor. Pelo exemplo de Éfeso vemos que quem perdeu o primeiro amor, sua vida cristã está fora dos parâmetros de Deus; “O fogo, pois, sobre o altar arderá nele; não se apagará” (Lv 6.12). O crente deve ser constante em seu zelo pelo Senhor e seu reino. A devoção indiferente 'é desprezível (Ap 3.16). Aquele fogo do primeiro amor, do primeiro encontro com Deus tem que durar a vida inteira. O Pr Emílio Conde escreve em seu livro Igrejas sem Brilho: “A igreja deve ser um caudal de vibração e entusiasmo espiritual manifesto nas suas atividades evangelizadoras. Na igreja não deve faltar o fato altamente poderoso que impulsiona para o êxito todos os empreendimentos).
3. Amnésia do amor. Sendo o primeiro amor tão sublime e inefável, pode alguém vir a esquecê-lo? Lembremos que a cidade de Éfeso era como que 'o centro mundial' do paganismo. Ali havia uma das sete maravilhas do velho mundo — o templo da deusa Ártemis/Diana, local de intensa idolatria, onde floresciam a prostituição, as bebedeiras e as orgias. No templo, criminosos achavam asilo. Era um céu para o perverso. Com suas prostitutas, eunucos, dançarinas e cantores, era o esgoto da iniquidade. Não é fácil desempenhar uma missão nas portas do inferno. Para esta igreja, localizada em meio à tamanha idolatria e imoralidade, foi normal seu envolvimento com a ortodoxia, o zelo pelo conjunto de doutrinas provindas das Escrituras, e tidas como verdadeiras de conformidade com a ministração de lideranças comprometidas com a verdade. Também é fato que o exercício prático não pode ser esquecido, embora o ambiente fosse desfavorável, não poderiam permanecer atrofiados na prática do amor (intenso afeto por outra pessoa; devoção e dedicação). A vida cristã exige comprometimento para que o amor não se transforme em ódio, repulsa, por causa de praticas contrarias ao evangelho, mas o fervor espiritual deve continuar ardendo ate que todos sejam alcançados com a pregação da mensagem do Evangelho.
SINOPSE DO TÓPICO (II)
O grave problema de Éfeso era a amnésia do primeiro amor.
III. VOLTANDO AO PRIMEIRO AMOR
“E sede cumpridores da palavra e não somente ouvintes, enganando-vos a vós mesmos.”(Tg 1.22). A grande luta do Crente deve ser para manter-se firme no Senhor, mantendo sempre acesa a chama do primeiro amor por Cristo e sua igreja até o último instante de sua vida aqui na terra. O amor sem o qual os vários dons do Espírito Santo não atingem sua finalidade. O amor, a essência da natureza divina. O amor, a perfeição do caráter humano. O amor, a maior força do universo.
1. Rica em obras, pobre em amor. Aqueles irmãos tiveram um início glorioso em sua experiência com Deus. A epístola de Paulo aos Efésios dá a entender que aquela igreja não era problemática, como a de Corinto, por exemplo. No princípio, os efésios se destacavam pela elevada espiritualidade. Contudo, o tempo passou e algo mudou. Aparentemente, tudo estava como antes: as obras continuavam a todo vapor. Aquela comunidade era muito ativa e trabalhadora. Entretanto, a essência estava comprometida. Havia muito trabalho e pouco amor; muita atividade humana e pouca unção do Espírito. As boas obras são importantes, mas precisamos lembrar que elas não salvam (Ef 2.8-9).
2. Amar é a mais elevada das obras. Não há obra tão elevada como amar a Deus: “Amarás, pois, o SENHOR, teu Deus, de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu poder.” (Dt 6.5). O Que é o Primeiro Amor? (1Co 13.1-8). Amor profundo por Jesus, a Bíblia e a igreja; Desejo profundo de andar em intimidade com Deus; Desejo ardente de cultuar ao senhor; Amor e comunhão sincera com os irmãos; e Dedicação sincera a Cristo e à sua obra, prazer em servir, consagração total.
SINOPSE DO TÓPICO (III)
Embora rica em obras, a igreja de Éfeso se esqueceu de que amar é a mais elevada das obras.
IV. LEMBRANDO SE DO PRIMEIRO AMOR
Se o amor foi abandonado, perdeu-se aquela que deveria ser a principal motivação para as boas obras. O que resta é um trabalho frio, mecânico, automático e sem vida. Parece que os efésios se tornaram negligentes em relação aos princípios fundamentais do cristianismo. Estavam caminhando, mas algo se perdeu no meio do caminho: o primeiro amor, o fervor espiritual, a intimidade com Deus. Pecados foram cometidos e esquecidos sem serem perdoados. Por isso, o Senhor diz: “Lembra-te de onde caíste e arrepende-te”. Como voltar ao primeiro amor? A resposta vem do próprio Cristo: “Lembra-te, pois, de onde caíste, e arrepende-te, e pratica as primeiras obras; quando não, brevemente a ti virei e tirarei do seu lugar o teu castiçal, se não te arrependeres” (Ap 2.5).
1. Lembrar-se de onde caiu. A Bíblia exorta-nos a lembrar-nos de Deus, porque Ele jamais se esquece de nós (Ec 12.1; Is 44.21; 49.15). O cristão, infelizmente, corre o risco de esquecer-se daquEle que se esquece somente de nossos pecados (Hb 8.12). Nas cartas às sete igrejas da Ásia, fica claro que Jesus examina a sua igreja, mas cada um de nós precisa examinar a si mesmo, sob a luz da Palavra de Deus, para verificarmos a nossa real condição espiritual: “Lembra-te de onde caíste”. A igreja não se arrepende se cada membro não se arrepender, pois o resultado coletivo é fruto das iniciativas individuais.
2. Voltar à prática das primeiras obras. O Pr Ciro Sanches Zibordi comentando esta lição, escreve em seu BLOG: “Jesus tem o remédio para a perda do primeiro amor (v.5). a) “Lembra-te de onde caíste” — o filho pródigo também refletiu sobre sua vida e se lembrou da casa do pai (Lc 15.17); b) “arrepende-te” — arrependimento verdadeiro envolve intelecto, sentimento e vontade; o arrependimento de Judas foi apenas emocional (Mt 27.3-5); c) “pratica as primeiras obras” — muitos pensam em estratégias de crescimento inovadoras, mas o avivamento começa com a reconquista do que foi perdido (Lm 5.21; 2 Cr 29.25-30; Jr 6.16; Pv 24.21); d) “quando não, brevemente a ti virei e tirarei do seu lugar o teu castiçal, se não te arrependeres” — se permanecermos na condição de desobedientes a Deus, isso resultará na perda da nossa posição em Cristo”. [http://cirozibordi.blogspot.com.br/2012/03/cartas-as-igrejas-do-apocalipse-parte-1.html].
3. Amar a vinda de Cristo. Cremos que a Segunda vinda de Cristo é a bendita esperança da Igreja, o grande ponto culminante do evangelho. A vinda do Salvador será literal, pessoal, visível e universal. Quando Ele voltar, os justos falecidos serão ressuscitados e, juntamente com os justos que estiverem vivos, serão glorificados e levados para o Céu. Devemos amar a Sua vinda, esperando com fé e mantendo-nos vigilantes, pois o dia e a hora não se sabe, nem os anjos, e nem o próprio Senhor Jesus, mas somente o Pai (Mt 24:36). Na carta aos Efésios 2.19, Paulo diz aos irmãos que agora não somos mais estrangeiros, nem forasteiros, mas concidadãos dos santos e da família de Deus; nossa identidade é celestial, não temos identidade com este mundo. São muitos os que já não crêem ou não esperam ou não desejam a segunda vinda, acham que Jesus já fez tudo o que tinha que fazer, ensinando o evangelho de salvação, mostrando o caminho ao Pai, porém nós, como o seu corpo místico, almejamos por sua vinda: “Desde agora, a coroa da justiça me está guardada, a qual o Senhor, justo juiz, me dará naquele Dia; e não somente a mim, mas também a todos os que amarem a sua vinda” (2 Tm 4.8). Maranata!
SINOPSE DO TÓPICO (IV)
Lembrar-se de onde caiu é o primeiro passo para se voltar ao primeiro amor.
(III. Conclusão)
A essência da vida cristã está exatamente na experiência do primeiro amor. Quando este primeiro amor começa a se transformar em rotina diária, é um sinal de alerta de que a verdadeira experiência cristã está se esfriando. O segredo é fazer o efeito do primeiro amor permanecer em nossas vidas. O primeiro amoré o selo identificador de um relacionamento. Ele é o fruto de uma tomada de decisão, de uma entrega pessoal, de um envolvimento existencial. Promessa aos vencedores: “Ao que vencer dar-lhe-ei a comer da árvore da vida que está no meio do paraíso de Deus” (v.7). A nossa glorificação e o nosso galardão estão condicionados à perseverança em servir ao Senhor (Mt 24.13; 1 Co 15.1,2; Hb 3.14; Ap 2.10; 3.11; Rm 8.18). “Filhinhos, não amemos de palavra, nem de língua, mas de fato e de verdade." (1Jo 3.18)
N’Ele, que me garante:
"Pela graça sois salvos, por meio da fé, e isto não vem de vós, é dom de Deus” (Ef 2.8),
Campina Grande, PB
Abril de 2012,
Francisco de Assis Barbosa,
EXERCÍCIOS
1. Qual o problema enfrentado pela Igreja de Éfeso?
R. Não se lembrar do primeiro amor.
2. O que é o primeiro amor?
R. É a alegria da salvação. Uma alegria que nos impulsiona a declarar toda a nossa afeição a Deus.
3. O que acontece quando perdemos o primeiro amor?
R. A queda espiritual.
4. Quais as recomendações que o Senhor Jesus fez à igreja de Éfeso?
R. Lembrar-se de onde caiu, arrepender-se e voltar às primeiras obras.
5. Como devemos aguardar a vinda de Cristo?
R. Resposta pessoal, porém algumas sugestões: Lembrando-se do primeiro amor, em santidade, ansiosamente, etc.
NOTAS BIBLIOGRÁFICAS
TEXTOS UTILIZADOS:
-. Lições Bíblicas do 2º Trimestre de 2012, Jovens e Adultos, As Sete Cartas do Apocalipse — A mensagem final de Cristo à Igreja; Comentarista: Claudionor de Andrade; CPAD;

BIBLIOGRAFIA SUGERIDA:
-. ARRINGTON, F. L.; STRONSTAD, R. (Eds.). Comentário Bíblico Pentecostal do Novo Testamento. 1.ed., RJ: CPAD, 2003.

OBRAS CONSULTADAS:

-. Bíblia de Estudo Plenitude, Barueri, SP; SBB 2001;
-. Bíblia de Estudo Pentecostal, 1995 por Life Publishers, Deerfield, Flórida-EUA;
-. Bíblia de Estudo Genebra, São Paulo e Barueri, Cultura Cristã e Sociedade Bíblica do Brasil, 1999;
-. HORTON, S. M. Apocalipse: As coisas que brevemente devem acontecer. 2.ed., RJ: CPAD, 2001.
-. LAWSON, S. J. As Setes Igrejas do Apocalipse: O Alerta Final para o seu povo.
5.ed., RJ: CPAD, 2004, pp.73,74;
-. ARRINGTON, F. L.; STRONSTAD, R. (Eds.).
Comentário Bíblico Pentecostal do Novo Testamento. 1.ed., RJ: CPAD, 2003;
-. BLOMBERG, C. L. Questões Cruciais do Novo Testamento. 1.ed., RJ: CPAD, 2010.

LINKS CONSULTADOS:

-.
http://pt.wikipedia.org/wiki/%C3%89feso;-. http://www.cacp.org.br/estudos/artigo.aspx?lng=PT-R&article=875&menu=7&submenu=3;
-. http://pt.wikipedia.org/wiki/Sete_igrejas_do_Apocalipse;
-.
http://www.ipidocruzeiro.org.br/index.php?Itemid=43&id=91&option=com_content&task=view;
-.
http://cirozibordi.blogspot.com.br/2012/03/cartas-as-igrejas-do-apocalipse-parte-1.html
Os textos das referências bíblicas foram extraídos do site http://www.bibliaonline.com.br/, na versão Almeida Corrigida e Revisada Fiel, salvo indicação específica.

sexta-feira, 30 de março de 2012

EBD 2012 2º trimestre - Apocalípse revelação do Senhor Jesus Cristo

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Por Eliseu Antonio Gomes

A revista Lições Bíblicas da Casa Publicadora das Assembleias de Deus, destinadas para Jovens e Adultos, do 2º trimestre de 2012, é “As Sete Cartas do Apocalipse: A Mensagem Final de Cristo à Igreja”. O comentárista é Claudionor de Andrade.

O presente artigo é agora publicado com o objetivo de servir como subsídio em salas de aulas, que fazem uso do material pedagógico da CPAD. No entanto, o estudo é abrangente, sendo aproveitável também para quem não esteja vinculado ao estudo  bíblico sistemático da revista.

Assim como todo o Novo Testamento, o livro Apocalípse, palavra que significa "revelação", foi escrito em grego.

Apocalípse é uma revelação divina, transmitida aos homens comunicando coisas até então ocultas. O conteúdo do livro é esplendoroso. João usa metáforas, símbolos, imagens e alusões. O livro contém visões, louvores, mensagens impactantes e juízos.

Na introdução do livro, tomamos ciência que a revelação de Deus é passada para Cristo, de Cristo ao anjo e do anjo a João.  A revelação veio para João em forma de visão, quando ele estava em um domingo cultuando ao Senhor além da costa da Turquia,  numa colônia penal romana na ilha mediterrânea chamada Patmos, em condição de prisioneiro de Roma  fazendo trabalhos forçados  de escavações.

Acima de tudo, Apocalípse é um livro escrito a partir da realidade de sua geração, para sua geração e não para as futuras gerações. Entretanto, as informações contidas nele valem para todos os tempos.

No primeiro século, d.C., era período de grande crise (6.9-11) e de violenta perseguição (7.9-14), no qual muitos cristãos perderam a vida. As perseguições de Nero (64-68) e de Domiciano (81-96) provocaram sérias dúvidas nos cristãos a respeito da realidade do reino de Deus, sobre a relevância da morte e triunfo de Jesus sobre ela.

João, envolvido em tarefas duras e forçadas, tinha sua mente ligada em Cristo e nos irmãos que eram membros das igrejas situadas no continente, das quais ele era o líder. Para essas comunidades concretas, contemporâneas do escritor, o livro foi redigido. Em primeiro plano, Apocalípse foi escrito para cristãos que viviam na Turquia ocidental, pessoas que se tornaram  crentes em Jesus por intermédio do ministério do apóstolo Paulo. Já eram passados cinquenta anos e Paulo havia sido executado, haviam crentes em praticamente todas as cidades, muitos não se lembravam bem dos primeiros dias de fé e estavam assustados com a perseguição religiosa. Alguns deles eram presos dentro dos templos quando se recusavam a se juntar aos poetas seculares que tratavam o imperador Domiciliano como deus. Eles sofriam socialmente, muitos tinham relações comerciais difíceis, pois comerciantes não cristãos se recusavam a comprar ou vender para quem não oferecia sacrifícios pagãos. Com essa pressão, alguns crentes deturparam os cultos a Deus, com o objetivo de se verem livres do caos social e da tirania da religião estatal, que obrigava divinizar o imperador.

A mensagem de Apocalípse, denominada como profecia (1.3; 22.7, 10, 18-19) é um recado de vitória. Quando a Igreja estava mergulhada em tempo angustiante - que era o paganismo de Roma, a religião do governo - quando os cristãos fieis que se recusavam a fazer parte dos cerimoniais eram considerados inimigos do Estado e perseguidos até a morte, Jesus usa João como profeta (10.11; 22.9) para proclamar o Cristo ressuscitado (1.8), lembrar que Cristo é o Rei dos reis e Senhor dos senhores (19.16), o Verbo de Deus que vive para sempre (19.13; 1.17-18). E dizer que o Rei dos reis voltará brevemente e criará novos céus e nova terra, um novo período em que não haverá luto, choro e nem dor (22.6-7; 21.1; 20.11; 22.1-3; 21.4).

E.A.G.


Fonte Blog: BELVEREDE

terça-feira, 27 de março de 2012

APOCALIPSE, A REVELAÇÃO DE JESUS CRISTO

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APOCALIPSE, A REVELAÇÃO DE JESUS CRISTO
Texto Áureo: Ap. 1.3 – Leitura Bíblica: Ap. 1.1-8

Prof. José Roberto A. Barbosa
Twitter: @subsidioEBD

INTRODUÇÃO
Estamos iniciando mais um trimestre na Escola Bíblica Dominical. Desta feita, estudaremos, a partir das Lições Bíblicas – CPAD, As Sete Igrejas do Apocalipse. Trata-se de lições focadas na eclesiologia, ainda que tenha um fundo escatológico. A igreja evangélica se encontra em situação de crise, por esse motivo, o estudo eclesiológico é crucial, tendo por base a Palavra de Deus a fim de reencontramos o caminho perdido. Na lição de hoje estudaremos a respeito do livro da Revelação de Jesus Cristo, o Apocalipse, a fim de contextualizarmos as Sete Igrejas que serão estudadas nas próximas lições.

1. APOCALIPSE: AUTORIA, DATA E PROPÓSITO
Equivocadamente alguns cristãos se referem ao Apocalipse como de João, no entanto, se trata da “Revelação de Jesus Cristo, a qual (‘Deus lhe deu’). Cristo recebeu de Deus essa Revelação e a encaminhou através do Seu anjo (Ap. 22.16) a João, que se encontrava preso na ilha de Patmos (Ap. 1.9), situada a 80 quilômetros sudoeste de Éfeso, para que ele a transmitisse para a Igreja. O autor do livro se apresenta simplesmente como João (Ap. 1.1; 1.4; 21.2; 22.8). As igrejas da Ásia o conheciam a quem chama de irmão, com quem partilha as tribulações do reino e da perseverança (Ap. 1.9). A evidência externa aponta para a autoria de João, o autor do quarto evangelho. Já no ano 150 d.C., Justino Mártir aceitava a autoria joanina, o mesmo fez Irineu, por volta de 200 d. C. Alguns teólogos veem dificuldade para relacionar a autoria do Apocalipse com a do autor do quarto evangelho, isso porque a linguagem do Apocalipse, diferentemente da do Evangelho, é brusca e apresenta irregularidades gramaticais e sintáticas. Os estudiosos ortodoxos reconhecem, no entanto, que o Apocalipse teria sido escrito por um amanuense ou secretário, algo comum naqueles tempos (Rm. 16.22). Sendo assim, João, o discípulo amado que pertencia ao ciclo íntimo de Jesus (Jo. 21.10,24), teria ditado o evangelho a um discípulo, enquanto o Apocalipse está no seu grego comum de hebreu. A tradição eclesiástica atribui a possibilidade desse livro ter sido escrito entre os anos de 81 a 96 d. C, quando Domiciano era imperador de Roma. O gênero do livro é profético, já que o próprio termo “Apocalipse”, vem do grego apokalypsis, cujo significado é revelação, desvelamento e abertura. Essa revelação é dirigida às igrejas do primeiro século em sete cidades da província romana da Ásia (Ap. 1.4,11), que representam todas as igrejas, de todas as épocas (Ap. 2.7,23). Tais igrejas estavam sendo ameaçadas por falsos ensinamentos, tal como o dos nicolaítas (Ap. 2.5,15), pela perseguição (Ap. 2.10,13), pelo comprometimento com o paganismo, idolatria e imoralidade (Ap. 2.14,20,21) e pela complacência espiritual (Ap. 3.1-3,15-17).

2. APOCALIPSE: ESTRUTURA E TEMAS ABORDADOS
No livro do Apocalipse os cristãos são chamados à fidelidade em meio a uma guerra cósmica contra Satanás e o pecado, na medida em que aguardam a vinda de Jesus. A estrutura do livro é facilmente identificada, depois de um capítulo introdutório, encontramos quatro séries de sete: sete cartas (Ap. 2,3), sete selos (Ap. 5.1-8.1), sete trombetas (Ap. 8.2-11.19) e sete flagelos (Ap. 15.1-16.21). Essa quatro séries estão intercaladas com diversos interlúdios que interrompem o fluxo da narrativa e que não pertencem à sequência da série de setes. O livro é concluído com o julgamento final da Babilônia, a civilização apóstata, e a vitória final do Reino de Deus, por ocasião da descida da Jerusalém Celestial (Ap. 17-21). A estrutura do livro pode ainda ser demarcada por quatro visões, cada uma delas iniciada com o convite: “Vem e vê” (Ap. 1.9; 4.1; 17.1; 21.9). A primeira visão mostra Cristo, o Revelador Glorificado, em seguida, as sete cartas às sete igrejas: Éfeso, Esmirna, Pérgamo, Tiatira, Sardes, Filadélfia e Laodicéia. A segunda visão trata a respeito do Trono Celestial, os sete selos, o interlúdio das duas multidões, o sétimo selo, as sete trombetas, as seis trombetas, o interlúdio do anjo e o pequeno livro, a medição do templo e as duas testemunhas, em seguida, a sétima trombeta, com outro interlúdio, revelando o Dragão, a Mulher e seu Descendente, as Duas Bestas, as visões de consolo e os sete flagelos. A terceira visão apresenta o mistério da Babilônia, seu julgamento, o triunfo e a consumação final com as bodas do cordeiro, a vinda gloriosa de Cristo, a batalha entre Cristo e o Anticristo, a prisão final de Satanás e da Morte, e a Nova Criação. A quarta visão se dá com a manifestação da Jerusalém Celestial. O livro termina com um Epílogo, no qual traz um conjunto de exortações e afirmações, relacionadas, que dão credibilidade à profecia, asseguram a certeza da vinda de Cristo e solicita aos leitores para que guardem as palavras proféticas.

3. APOCALIPSE: ESCOLAS DE INTERPRETAÇÃO
A interpretação do livro do Apocalipse difere, dependendo da escola, isto é, dos elementos exegéticos adotas por um determinado grupo de estudiosos. Ao longo da história, destacamos o surgimento de quatro movimentos interpretativos em relação ao Apocalipse: 1) Historicismo – compreende a ordem literária das visões, principalmente as que se encontram entre os capítulos 4 a 20.6 do livro como símbolos da ordem cronológica de eventos históricos sucessivos desde a igreja apostólica até o retorno de Cristo, com a nova terra e céu. Tais capítulos se refeririam, assim, aos períodos patrístico, medieval, da Reforma, e às eras da igreja moderna, anterior ao milênio (Ap. 20.1-6) e a segunda vinda de Cristo (Ap. 20.7-22.5); 2) Futurismo – trata da ordem das visões em referência à ordem particular dos eventos históricos, associando os capítulos 4 a 22 a eventos que acontecerão no futuro, distante dos leitores de João e das Igrejas da Ásia. Para os futuristas, os eventos que acontecerão incluem um período de sete anos de tribulação intensa (Ap. 6-19), seguida de milênio literal (Ap. 20.1-6) no qual a Igreja reinará na terra com Cristo antes da ressureição geral e da inauguração do novo céu e da nova terra (Ap. 20.7-22.5); 3) Preterista  – argumenta que a maioria das visões do Apocalipse já aconteceu em um passado distante, por ocasião dos primeiros anos da igreja cristã. Para eles, Ap. 1 a 3 se referem às igrejas do primeiro século; 4 a 11 à queda de Jerusalém (70 d.C); 12 a 19 à queda de Roma no Século IV; o milênio seria o restante do período patrístico, a igreja medieval, a Reforma e as eras da igreja moderna; e 4) Idealismo – concordam com os historicistas que as visões do Apocalipse simbolizam conflitos entre Cristo e a Sua igreja de um lado, e Satanás e o Mal do outro, da era apostólica até a segunda vinda de Cristo. No entanto, os idealistas afirmam que a ordem dos eventos não se refere a uma sequência temporal (cronológica), antes encontram expressão das lutas da igreja em curso na perseverança da fé no presente. A narrativa de Ap. 4 a 19 diz respeito, para os idealistas, a cada época da igreja, todas elas experimentam os embates contra as forças que se opõem a Cristo, e que, por outro lado, incitam a igreja à perseverança.

CONCLUSÃO
João, o apóstolo autor do quarto evangelho escreveu o Apocalipse enquanto se encontrava preso na ilha de Patmos (Ap. 1.1), antes do ano 96 d. C., que recebeu, de Jesus, a revelação das coisas “que brevemente devem acontecer”. Neste livro temos uma previsão de como tudo termina e como será o futuro da igreja, daqueles que permaneceram fiéis diante das palavras encorajadoras reveladas por Jesus expressas por João ao longo do Apocalipse. Apesar de tudo, há esperança, pois o pecado não mais persistirá, o reino das trevas será vencido, teremos comunhão com Cristo na eternidade, e reinaremos com Ele para sempre (Ap. 22.5), mas todos aqueles que têm essa esperança devem se purificar assim como Ele é puro (I Jo. 3.3).

BIBLIOGRAFIA
LADD, G. Apocalipse: introdução e comentário. São Paulo: Vida Nova, 1980.
SILVA, S. P. Apocalipse: versículo por versículo. Rio de Janeiro: CPAD, 1995.

As Sete Cartas do Apocalipse — A mensagem final de Cristo à Igreja

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As Sete Cartas do Apocalipse — A mensagem final de Cristo à Igreja


Para o próximo trimestre, as Lições Bíblicas CPAD para jovens e adultos trazem lições temáticas sobre as cartas às Sete Igrejas da Ásia e tem como título: As Sete Cartas do Apocalipse — A mensagem Final de Cristo à Igreja.
Comentarista: Claudionor de Andrade
Sumário da revista:
1 - Apocalipse, a revelação de Jesus Cristo
2 - A visão do Cristo Glorificado
3 - Éfeso, a igreja do amor esquecido
4 - Esmirna, a igreja confessante e mártir
5 - Pérgamo, a igreja casada com o mundo
6 - Tiatira, a igreja tolerante
7 - Sardes, a igreja morta
8 - Filadélfia, a igreja do amor perfeito
9 - Laodiceia, uma igreja morna
10 - O governo do Anticristo
11 - O Evangelho do Reino no império do mal
12 - O Juízo Final
13 - A formosa Jerusalém

domingo, 4 de março de 2012

ASPECTO CRISTÃO TV - Programa 78 - 30.03.2012

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ASPECTO CRISTÃO TV - Programa 78 - 03.03.2012

ASPECTO CRISTÃO TV
Programa 78 - -03.03.2012
PALAVRA DE MULHER c/ Sarah Virgínia Silva
Tema: A BENÇÃO DE TER FILHOS
MENSAGEM c/ Pr. Gilberto Vítor
Tema: PODER QUE SALVA
Louvores com Ron Kenoly e Soraya Morais

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

DÍZIMOS E OFERTAS

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DÍZIMOS E OFERTAS
Texto Áureo: II Co. 9.7 – Leitura Bíblica: Ml. 3.10, 11; II Co. 9.6-8

Pb. José Roberto A. Barbosa
Twitter: @subsidioEBD

INTRODUÇÃO
Existe fundamento bíblico para o ensinamento dos dízimos e ofertas. Mas a Teologia da Ganância distorceu de tal modo essa doutrina que se faz necessário esclarecê-la a fim de evitar alguns abusos. Na aula de hoje estudaremos a respeito dos dízimos e ofertas, tanto no Antigo quanto no Novo Testamento, e, ao final, avaliaremos a aplicação dessa prática para a igreja, atentando para as orientações bíblicas.

1. DÍZIMOS E OFERTAS NO ANTIGO TESTAMENTO
No Antigo Testamento existem diferentes palavras que se referem a dízimo. Asar – dez ou décima parte – se encontra em Gn. 28.22; Dt. 14.22; 26.12; I Sm. 8.15,17; Ne. 10.37,38. Maaser – também significa décima parte – pode ser encontrada em Gn. 14.20; Lv. 27.30-32; Nm. 18.24, 26; Dt. 12.6,11,17. A análise histórica do termo e da prática remete a um costume antigo, anterior à cultura judaica, muito antes da lei mosaica (Gn. 14.17-20). Nesse texto, nos deparamos com Abrãao apresentando a décima parte dos despojos de guerra a Melquisedeque. Posteriormente, Jacó faz um voto ao Senhor, pedindo que o abençoe, e, em retorno, promete entregar o dízimo de tudo o que viesse a possuir (Gn. 28.20-22). No tempo da Lei, colheitas, frutas e animais do rebanho deveriam ser dizimados (Lv. 27.30-32). Os dízimos eram entregues aos levitas (Nm. 18.21), esses gerenciavam os recursos (Lv. 14.22-27), beneficiando também os estrangeiros, órfãos e viúvas (Lv. 14.28,29). Os dízimos deveriam ser conduzidos a Jerusalém (Dt. 12.5-17). Em algumas ocasiões o povo judeu deixou de atentar para essa prática, como após o cativeiro, deixando de levar os dízimos à casa do tesouro, por isso, o Senhor conclama o povo a retornar a esse aspecto do Pacto, fazendo prova dEle, que responderia com bênçãos de prosperidade agrícola, e repreendendo o devorador (Ml. 3.10,11). As ofertas tinham um caráter mais específico no Antigo Testamento, poderiam ser requisitadas, com vistas a algum serviço (Ex. 36.4-6). Mesmo assim, ninguém era obrigado a trazê-las, pois se tratava de atitudes voluntárias - nadabah em hebraico (Lv. 7.1; Ed. 1.1-6; 7.16). As ofertas de paz - neder em hebraico - eram entregues como agradecimento por algum feito do Senhor (Lv. 7.11-12), bem como a dos votos – neder em hebraico (I Sm. 1.11,24).

2. DÍZIMOS E OFERTAS NO NOVO TESTAMENTO
Os defensores da Teologia da Ganância impõem, através de passagens isoladas do Antigo Testamento, que o dízimo deva ser obrigatório e que as pessoas devam dar muito mais do que isso, mesmo contra as suas possibilidades, para tanto, citam Lc. 21.1-4. No Novo Testamento o dízimo, dekatóo (Hb. 7.6,9), - apodekatóo – Mt. 23.23; Lc. 11.42; Hb. 7.5) em grego, não é um mandamento, mas um princípio a ser observado, já que cada um deve dar de acordo com sua prosperidade (I Co. 6.1,2). O voto pessoal de Jacó, que se encontra em Gn. 28.20-22 não pode ser generalizado, muito menos aplicado diretamente à igreja. No Novo Testamento a lei maior é a da generosidade, pautada pelo amor (Rm. 13.8). Os dízimos e ofertas devem ser entregues não como barganha ou mandamento, mas com amor, sobretudo em gratidão pela providência de Deus. Dar com alegria é um critério fundamental (II Co. 9.6,7), para tanto é preciso exercitar a liberalidade (I Co. 16.2), reconhecendo que não passamos de mordomos e que Deus é o dono de todas as coisas (I Co. 4.1,2). A partir dessa percepção bíblica, não é errado dizimar, tendo em vista que esse é um princípio orientado pelo Senhor, antes da Lei (Gn. 14.20), na Lei (Lv. 27.30), nos livros históricos (Ne. 12.44), poéticos (Pv. 3.9,10) e proféticos (Ml. 3.8-11). Lembremos que Jesus não se opôs à observância dos dízimos dos fariseus, mas sua mera exterioridade, sem levar em conta a justiça, misericórdia, fé e amor (Mt. 23.23; Lc. 11.32) Não precisamos mais fazer prova de Deus hoje, pois Ele já provou Seu amor para conosco (Rm. 5.8), por isso, em gratidão, devemos levar nossos dízimos e ofertas à igreja, certos de que ceifaremos bênçãos para a eternidade (II Co. 9.6; Lc. 6.38)

3. DÍZIMOS E OFERTAS NA IGREJA DE HOJE
A Teologia da Ganância tem deturpado a doutrina bíblica dos dízimos e ofertas. Seus mentores, interessados em fazer fortuna com o dinheiro dos fiéis, estão incentivando a barganha, utilizando indevidamente passagens bíblicas para justificarem a ostentação. Alguns deles não pedem apenas os dízimos, mas que as pessoas entreguem tudo o que têm, se aproveitando da ignorância das pessoas. Diferentemente do que esses propõem, a igreja deve instruir aos irmãos a serem generosos, a trazerem os dízimos e ofertas ao Senhor, não por medo de serem amaldiçoados ou rotulando de ladrões aqueles que não o fazem, mas a o fazerem com alegria e gratidão ao Senhor, reconhecendo Sua providência. Em uma sociedade que colocou o dinheiro acima de todos os valores, governada por Mamom (Mt. 6.24), muitos crentes se deixaram contaminar pela ideia de acumularem o máximo que podem. O maior investimento, no entanto, não é a bolsa de valores, mas o Reino de Deus, ganhando almas para Cristo (Lc. 16.9) e suprindo as necessidades dos domésticos na fé (Gl. 6.10). Os líderes da igreja precisam dar exemplo na administração dos dízimos e ofertas para não acontecer como nos tempos de Neemias (Ne. 12.1-5) e para servir de estímulo à contribuição (Ne. 12.44). Investir em pessoas, não apenas em coisas, deve ser o alvo primordial de toda igreja séria. De nada adianta ter templos vultosos, enquanto a maioria dos fiéis padecem necessidade. A igreja de Jerusalém nos deu exemplo ao demonstrar sensibilidade em relação aos mais pobres (At. 2.42). Os crentes também precisam estar atentar às carências pastorais, lembrando sempre que digno é o obreiro do seu salário (Mt. 10.10; Lc. 10.7; I Co. 9.7-14; I Tm. 5.17,18).

CONCLUSÃO
A doutrina dos dízimos e ofertas precisa ser sabiamente aplicada na igreja, evitando extremos, de um lado daqueles que se opõem totalmente a essa prática, do outro, os que extorquem os fiéis. O ensinamento sobre os dízimos e ofertas deve ser orientado à luz das Escrituras, sem coerção, avaliando os contextos das passagens do Antigo e do Novo Testamento. As aplicações devem considerar o principio bíblico da gratidão, que resulta em generosidade e liberalidade.

BIBLIOGRAFIA
KELLY, R. E. Should the church teach tithing? New York: WCP, 2000.
LIMA, P. C. Dizimista, eu? Rio de Janeiro: CPAD, 2001.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

TUDO POSSO NAQUELE QUE ME FORTALECE

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TUDO POSSO NAQUELE QUE ME FORTALECE
Texto Áureo: Fp. 4.13 – Leitura Bíblica: Fp. 4.10-19

Pb. José Roberto A. Barbosa
Twitter: @subsidioEBD

INTRODUÇÃO
Um dos principais problemas da Teologia da Ganância está na ausência de princípios sólidos para a interpretação da Escritura. Seus adeptos utilizam textos isolados e descontextualizados para justificar pontos de vistas antibíblicos. Filipenses 4.13 é um exemplo desse tipo de equívoco, não poucos citam esse texto para argumentar que podem fazer qualquer coisa. Na lição de hoje, estudaremos essa passagem atentando para o contexto, que nos conduzirá a uma percepção mais madura da fé, que nos orienta a confiar em Deus, independentemente das circunstâncias.

1. PRESO, MAS ALEGRE E CONFIANTE
A Epístola ao Filipenses foi escrita por Paulo, por volta de 63 d. C., pouco tempo depois desse mesmo Apóstolo ter plantado uma igreja naquela cidade, situada na Macedônia oriental, a 16 km do Mar Egeu (At. 16.9-40). Ao longo da Epístola, percebemos o forte laço de amizade entre os irmãos filipenses e Paulo, tendo esses enviado ajuda financeira ao Apóstolo várias vezes (II Co. 11.9; Fp. 4.15,16). Ao que tudo indica, Paulo teria visitado essa igreja duas vezes durante sua terceira viagem missionária (At. 20.1-6). A Epístola ao Filipenses é uma daquelas Cartas da Prisão (Fp. 1.7, 13, 14), quando o Apóstolo estava encarcerado em Roma (At. 28.16-31). Um dos objetivos dessa Epístola é agradecer a generosidade dos irmãos, em razão da oferta providenciada por eles (Fp. 4.14-19). Mesmo preso em Roma, Paulo revela sua confiança em Deus, e roga aos irmãos para que não fiquem desanimados por causa da sua condição (Fp. 1.12-26). Ele aproveita a oportunidade para orientar os crentes para que estejam alegres – uma palavra chave na Epístola aos Filipenses, chara em grego – em todas as circunstâncias da vida (Fp. 1.4, 12; 2.17,18; 4.4, 11-13). Ao contrário do que defendem os adeptos do pseudopentecostalismo, propondo um modelo triunfalista de cristianismo, Paulo instiga à humildade e ao serviço cristão, ressaltando o exemplo de Cristo, que mesmo sendo Deus, tomou forma humana, como servo (Fp. 2.1-16).

2. TUDO PODEMOS, INDEPENDENTEMENTE DAS CIRCUNSTÂNCIAS
A vida cristã não é orientada pelas circunstâncias, tendo em vista que somos desafiados, a todo o momento, a vivermos acima delas. Paulo nos ensina, nessa Epístola, a vivermos contentes, a não nos deixarmos solapar pelas vicissitudes existenciais. Mas o contentamento não é algo que se consegue do dia para a noite, é resultado do fruto do Espírito (Gl. 5.22), trata-se de uma alegria que não se deixa abalar, mesmo quando tudo parece não se ajustar ao nossos bem estar. A esse respeito diz o Apóstolo: “Não digo isto por causa de necessidade, porque já aprendi a contentar-me com as circunstâncias em que me encontre” (Fp. 4.11). O contentamento é resultado de aprendizado, e muitas vezes, com provas difíceis, e certamente, com notas baixas. Às vezes, é preciso perder bastante para aprender que é “grande fonte de lucro a piedade com o contentamento” (I Tm. 6.6). A palavra contentamento em grego é autarkes e diz respeito à suficiência, a convicção de ter o que é preciso, a certeza de que o Senhor é o nosso Pastor e de que nada nos fará falta (Sl. 23.1). É a certeza de que Deus providencia o que necessitamos, uma satisfação por ter as carências básicas supridas pelo Senhor (I Tm. 6.8; Hb. 13.5). A declaração de Paulo “tudo posso” precisa ser compreendia nesse contexto, não como uma palavra mágica que pode ser utilizada para fazer coisas que estão além da vontade soberana de Deus. O Apóstolo sabia estar diante de Deus em toda e qualquer situação, tal como José que demonstrou ser fiel tanto na fartura quanto na necessidade (Gn. 45.5; 50.20). Algumas pessoas não sabem passar por necessidades, outras não conseguem lidar com a fartura, mas o cristão maduro, pode, independentemente das circunstâncias, viver para Deus (II Co. 6.16-18).

3. NAQUELE QUE FORTALECE
A prosperidade material, amplamente almejada nesses dias, tem causado mais malefícios do que bênçãos. Muitas igrejas estão esquecendo de buscar ao Senhor, investiram demasiadamente em construções, mas deixaram de dar o o devido valor à edificação espiritual (Ap. 3.17). Cristo é o Mestre que nos ensina a não vivermos ansiosos, a não estamos demasiadamente preocupados com as necessidades da vida e a não depositar a nossa confiança nas riquezas (Mt. 6.25-34). A fonte da qual recebemos contentamento, satisfação plena, é Cristo, pois sem Ele nada podemos fazer (Jo. 15.5). Paulo não estava desprezando a oferta generosa dos irmãos filipenses, antes os elogia pelo desprendimento. Ele destaca, fazendo um contraponto, que eles foram de encontro com a necessidade dele, mas que Deus iria de encontra a todas as suas necessidades, que Ele havia contribuído mesmo na pobreza, mas que Deus supriria as suas necessidades em Suas riquezas em glória (Fp. 4.18,19). É importante destacar que Deus não promete suprir todas as nossas “ganâncias”, mas todas as nossas "necessidades". Muitas pessoas não conseguem vivem contentes porque se deixam levar pelas supostas necessidades criadas pela mídia, movida pela sociedade de consumo, que não permite que se encontre plena satisfação.

CONCLUSÃO
Precisamos aprender, como Paulo, a viver contentes, a encontrar plena satisfação em Cristo. Muitos pedem, declaram, até citam Jo. 14.13, achando que receberão qualquer coisa que pedirem, mas não relativizam, que muitos pedem, mas não recebem, porque pedem mal, para esbanjar em seus deleites carnais (Tg. 4.2,3). Somente aqueles que aprenderam na escola de Cristo a estarem satisfeitos nEle, podem dizer, com o Apóstolo, que: “tudo podem naquele que me fortalece”.

BIBLIOGRAFIA
LOPES, H. D. Filipenses. São Paulo: Hagnos, 2007.
MARTIN, R. P. Filipenses: introdução e comentário. São Paulo: Vida Nova, 1986.

 

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