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terça-feira, 8 de outubro de 2013

LIÇÃO - 2 ADVERTÊNCIAS CONTRA O ADULTÉRIO

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Prof Fabio Segantin






Filho meu, atende a minha sabedoria; à minha inteligência inclina os ouvidos; para que conserves a discrição,e os teus lábios guardem o conhecimento; porque os lábios da mulher adúltera destilam favos de mel, e as suas palavras são mais suaves do que o azeite; mas o fim dela é amargoso como o absinto,  Os seus pés descem à morte; os seus passos conduzem-na ao inferno. Ela não pondera a vereda da vida; anda errante nos seus caminhos e não o sabe.


O sexo se tornou o deus desta era! Escândalos sexuais envolvendo pastores, padres ou líderes religiosos sempre aconteceram na história das religiões. Isso, portanto, não é nenhuma novidade nem tampouco motivo para admiração. Todavia não podemos negar que relatos em que são denunciados O envolvimento de religiosos, inclusive pastores, em práticas sexuais ilícitas, têm aumentado em escala geométrica. As cifras já alcançam proporções assustadoras. Agora mesmo quando escrevo este capítulo um famoso blogueiro está expondo na sua página a prisão de um pastor acusado de pedofilia. 

Ele faz questão de mostrar que se trata de um “pastor da Assembleia de Deus”. Isso é uma observação desnecessária, bairrista e tola, pois batistas, presbiterianos, metodistas e todos os ramos do protestantismo e também do catolicismo, inclusive da confissão de fé desse blogueiro, tem experimentado o gosto amargo advindo com a queda de seus clérigos.
Depois que escrevi em 2006 o livro: Por que Caem os Valentes?, tenho recebido dezenas de e-mails de crentes, muitos deles pastores, contando suas tentações ou narrando alguma aventura sexual que tiveram. Não estou aqui me referindo a uma simples tentação sexual, pois acredito que todos nós estamos sujeitos a ser tentados. Refiro-me a algumas práticas que são chocantes e que de tão sórdidas que são, fica difícil de acreditar que os envolvidos nesses relatos sejam de fato crentes nascidos de novo. As histórias incluem desde a existência de um “simples caso” até mesmo a prática de pedofilia. Em uma delas, o amado irmão que me escreveu detalhou a sua odisseia. Narrou que logo após seu casamento envolveu-se com uma antiga namorada e também com a esposa de um parente próximo. Chegou ao fundo do poço quando se deu conta de que estava assediando uma menina de onze anos. Arrependeu-se, mas as suas palavras demonstram que continua com feridas profundas na alma!

O que então está havendo de errado com a sexualidade dos evangélicos hoje? De início podemos afirmar, sem medo de errar, que é muito mais fácil pecar hoje do que ontem. É mais fácil cometer algum pecado sexual hoje do que há vinte anos. Quando me converti ao evangelho, por exemplo, no início dos anos oitenta, o acesso a uma revista masculina era muito mais difícil para quem era menor de idade. Além da embalagem plástica que protegia o periódico, havia também uma tarjeta onde se lia: proibido para menores de dezoito anos! Com o advento da Internet esse fraco muro de proteção foi implodido e o acesso ao caudaloso rio da pornografia está à disposição de crianças, adultos e velhos. Evidentemente que as mídias sociais — Orkut, Facebook, e outros — potencializaram em muito a possibilidade de alguém se prender nas teias da tentação sexual. Não é mais novidade alguma que a Internet se tornou a grande confidente de homens e mulheres que estão vivendo alguma desilusão nos seus casamentos. A porta está escancarada para uma aventura sexual.

Foi isso que ouvi de um colega pastor quando preguei em sua igreja, só para citar um dos casos, pois ouvi algo incrivelmente semelhante em outros lugares. Contou-me que acabara de ver um lar sendo desfeito por conta de um caso extraconjugal envolvendo membros de sua igreja. Segundo me disse, o esposo o procurou para relatar o que havia descoberto no histórico das redes sociais visitadas por sua esposa. Desconfiado do comportamento dela, aquele irmão contratou um hacker para instalar um programa espião em seu computador e assim acompanhar as páginas que a sua esposa visitava na Internet. Foi aí que descobriu que a ela havia se envolvido com um homem, inclusive se despindo em frente à sua webcam para o seu amante virtual. O amante virtual se tornou real e o casamento, que começou como um ideal, desabou!

No excelente livro Seu Casamento e a Internet, os escritores Thomas Whiteman e Randy Petersen observam:
“Os computadores não passam de máquinas, e não fazem qualquer tipo de juízo de valores. A Internet é uma ferramenta que pode ser utilizada tanto para o bem quanto para o mal, dependendo de quem faz uso dela. Não iremos amaldiçoá-la como um todo por causa dos possíveis descaminhos no seu uso. Não culpamos Gutemberg pelas revistas pornográficas. Será que os automóveis também são uma invenção ruim porque algumas pessoas provocam acidentes?
Entretanto, já vimos uma grande quantidade de casamentos destruídos pela Internet, em função do fácil acesso proporcionado à pornografia e à tentação oferecida em salas de bate-papo. E claro que, talvez, não possamos colocar toda a culpa por esses rompimentos na Internet. Afinal de contas, a rede não passa de um instrumento. As pessoas envolvidas precisam arcar com a responsabilidade pelas suas ações. Contudo, a Internet tem desempenhado um papel-chave no fracasso de muitos casamentos. Mas por que isso acontece? Haveria alguma coisa na natureza da rede que a tornaria especialmente tentadora? Sim. Há diversos fatores que contribuem para uma sedução vinda da Internet que poderia ser potencialmente devastadora para os casamentos.”1

No final deste capítulo destaco alguns cuidados que devem ser tomados para evitar a pornografia virtual e consequentemente as suas danosas consequências nos relacionamentos. Aqui cabe destacar os elementos facilitadores da traição virtual. Primeiramente há uma falsa privacidade e um falso anonimato que todo navegante do universo virtual pensa dispor. De fato um computador em uma sala de escritório ou em um quarto de uma residência parece favorecer esse “clima” privado e anônimo. Mas o fato é que toda privacidade virtual se tornará pública com o tempo e todo anonimato receberá uma identidade. As estatísticas mostram que por trás de uma grande quantidade de pedófilos, estupradores ou até mesmo clérigos envolvidos em escândalos sexuais, e que tiveram suas vidas expostas na mídia, havia a prática de sexo virtual supostamente secreto. Por que o privado se tornou público e o anônimo foi identificado?
Isso acontece porque nenhuma prática sexual exercida de forma ilegítima produz satisfação plena. Quem se envolve com pornografia vive sempre a busca de mais satisfação sexual. É um desejo que nunca se satisfaz. A porta para os desvios da sexualidade e para a prática de perversões sexuais fica escancarada. É aí que muitos tentam viver essa “adrenalina” provocada pela concupiscência de uma forma ilegítima. Devemos sempre lembrar de que aquilo que a Escritura considera como pecado jamais vai ter aprovação divina. Não adianta racionalizar.

Evitando a Concupiscência e a Luxúria

Infelizmente há até mesmo crentes que descem nessa enxurrada e acabam por macular seus leitos. Por diversas vezes fui indagado sobre o que eu achava de casais crentes frequentarem um motel. A minha resposta tem sido sempre a mesma — “Motel” é um nome moderno para as antigas casas de prostituição. Quais são as consequências espirituais para um casal crente frequentar uma casa dedicada à prostituição? Não tenho dúvidas de que esses locais estão impregnados de demônios. Não há oração no mundo que santifique um ambiente desses pela simples razão de que o Senhor não santifica o pecado! O meu conselho é que se fuja de ambientes assim.

Por outro lado, como bem observou o psiquiatra cristão John White em seu livro O Eros Redimido, há também forças espirituais do mal por trás de todo sexo virtual. Satanás e seus demônios não estão interessados em manter o escravo do vício sexual no anonimato. O alvo é conduzi-lo cada vez mais a diversas formas de perversão sexual até que estas se transformem em alguma forma de crime, quer seja pedofilia, estupro ou adultério. Depois que isso se tornou uma prática dominante, então o alvo dos anjos caídos é levá-lo à escravidão e posteriormente à exposição pública. É por isso que o livro de Provérbios nos exorta a exercermos a nossa sexualidade dentro dos parâmetros do casamento (Pv 5.18-20).
Ao escrever sobre a natureza da concupiscência, John White afirmou: “O desejo legítimo dado por Deus se transforma em luxúria no momento em que fizermos dele um deus. Adorar a comida é luxúria. A preocupação neurótica em dormir também. A escravidão às sensações eróticas representa a luxúria sexual”.2

Ainda segundo White, “o sexo pode ser um anseio quando o amor e o desejo sexual estão separados. Faz pouca diferença a forma da atividade — sexo heterossexual dentro do casamento, ou qualquer outro prazer erótico. Quando amor e desejo sexual não estão juntos (situação extremamente comum), o erotismo assemelha-se ao manjar turco mágico de Edmundo. Ao final, o anseio leva a formas de sexo ilícitas ou patológicas. O mal atinge seu objetivo. Caímos em desejos que nos deixam viciados em pornografia, masturbação, necessidade excessiva de relações sexuais (hétero ou homossexuais), molestamento de crianças e todas as formas de perversão. Ponto comum em tudo isso é uma fome que nunca se aplaca, que deixa o indivíduo mais vazio do que antes”.3

Lidando com a Carência no Casamento

Como já observei, o Sábio nos aconselha a vivermos a nossa sexualidade com intensidade, mas sempre dentro dos parâmetros do casamento: “Bebe a água da tua própria cisterna e das correntes do teu poço. Derramar-se-iam por fora as tuas fontes, e, pelas praças, os ribeiros de águas? Sejam para ti somente e não para os estranhos contigo” (Pv 5.15-17).
Esse texto toca em um ponto nevrálgico dos relacionamentos: a carência. Muitos casamentos fracassam porque são carentes de afeto e amor. O escritor Harry W. Schaumburg, observa que o sexo sem amor, além de gerar um vício sexual, acaba por criar uma falsa intimidade: 'Isso é essencialmente uma ilusão criada pela própria pessoa para ajudá-la a evitar a dor inerente à intimidade real. A falsa intimidade pode ser tão superficial quanto um marido olhar a esposa e imaginá-la como tendo longos e lindos cabelos castanhos. Algo muito mais profundo encontra-se refletido em sua imaginação. Simplificando, ele deseja mais do que tem e demonstra perceber a falta de algo. A falsa intimidade está sempre presente no vício sexual. A pessoa que é sexualmente revoltada tem um estilo próprio de aversão sexual. O sexo, para ela, é consumidor, pois precisa ser evitado a todo custo. A pessoa que é sexualmente obcecada, por outro lado, vive para o prazer sexual. O sexo também aqui é consumidor, pois precisa ser obtido de qualquer modo”.4
A intimidade sexual permite que os cônjuges vivam um relacionamento sadio, conforme o plano idealizado por Deus para eles. “Esta é intimidade sexual e relacional que dois cônjuges compartilham dentro de seu matrimônio comprometido e amoroso. As dúvidas sobre si mesmos existem, mas o casal se comunica e se deleita um no outro relacional e sexualmente. Considerando a realidade de um mundo de relacionamentos imperfeitos, ambos os cônjuges enfrentam decepções. Dentro do gozo da intimidade real, experimentam o temor de se exporem, o medo de abandono, o medo da perda de controle e o medo de seus respectivos desejos sexuais. Em sua expressão sexual, ambos são dependentes do que o outro cônjuge fará e ficam abertos a isso.”5

Impondo Limites

Vejamos novamente o texto de Provérbios 6.20-24 para falarmos sobre os cuidados que devem ser tomados por quem navega na rede virtual:
Filho meu, guarda o mandamento de teu pai e não deixes a instrução de tua mãe; ata-os perpetuamente ao teu coração, pendura-os ao pescoço. Quando caminhares, isso te guiará; quando te deitares, te guardará; quando acordares, falará contigo. Porque o mandamento é lâmpada, e a instrução, luz; e as repreensões da disciplina são o caminho da vida; para te guardarem da vil mulher e das lisonjas da mulher alheia (Pv 6.20-24).6

Visando um maior controle sobre o uso das mídias eletrônicas, aconselho:

• Antes de navegar seja sincero diante de Deus e diante de si mesmo. Reconheça que você é homem, tem desejos de homens e vai morrer como eles. A resposta à tentação virtual não é negar quem você é, mas assumir que você depende do Senhor para vencê-las (1 Co 10.13). Nossa natureza adâmica e pecaminosa gosta de “prostituição, impureza e lascívia” (G1 5.19). Não adianta fazer de conta que isso não é verdade! Se a carne deseja o impuro, o imundo, imagine quando ela é estimulada por imagens ou por palavras que provoquem isso. Por que então não fazer uma oração antes de navegar na rede? Ore reconhecendo que é possuidor de uma natureza pecaminosa e que precisa da ajuda do Senhor para não pecar contra Ele.

• Evite acessar o computador quando estiver sozinho. O ideal é que o limite do cristão seja interior e não exterior (G1 5.16). Todavia essa prática é importante até que o domínio próprio se torne um hábito (1 Co 6.12). Quando o cristão aprende a andar no Espírito, então ele terá o domínio necessário para navegar na rede tanto na presença de alguém como na ausência (Rm 8.13). Mesmo que você seja um crente que aprendeu a depender do Senhor, mas se você se envolveu com pornografia, é preciso que evite a “aleatoriedade”. Navegue com propósito! Evite cair no erro de Davi que em um momento de ociosidade viu uma mulher tomando banho. Seja sincero consigo mesmo e se pergunte: o que vou fazer agora ao ligar esse computador? O que vou procurar? Evite os truques e subterfúgios que empurram você rumo ao pecado.

• Evite programas de auditório ou reality shows onde é explorada a sensualidade. Parece um excesso de zelo, mas não é. Se você não se prevenir, essa sensualidade legal acabará por levá-lo para o pecado sexual.
Lembre-se de que na TV brasileira há uma sensualidade “legal”, mas nem por isso deixa de ser imoral. Nem tudo o que é legal é moral. Programas de auditórios são sempre realizados com a presença de dezenas de modelos seminuas. E considerado legal para a sociedade e até mesmo para o Estado, mas é imoral diante de Deus. Fuja!

• Eugene Getz aconselha a cancelar a sua TV por assinatura! Eu já fiz isso quando descobri que naquela prestadora de serviços havia canais, que mesmo não sendo “adultos”, faziam publicidade erótica para aqueles que eram de fato considerados sexy hot. Posteriormente contratei os serviços de uma TV por assinatura com programação voltada mais para a família.

• Evite bancas de revistas e locadoras de vídeos destinados à promoção desse tipo de material.

• Renove a sua mente diariamente pela leitura da Palavra de Deus.

• Desenvolva o hábito da oração. Lembre-se de que essa é uma guerra espiritual e por trás desses vícios há demônios querendo escravizá-lo.

• Desenvolva relacionamentos fortes com quem pode ajudá-lo na intercessão. Peça ajuda a um amigo ou amiga que você sabe que é alguém com um ministério de intercessão.

• Evite salas de bate-bapo com pessoas desconhecidas. E quando se tratar de amigos ou amigas evite criar um vínculo
emocional em que as garras da tentação sexual possam ser fincadas em você. Nesse tipo de conversa deixe bem claro que você é uma pessoal fiel a Deus.

Cuidados também devem ser tomados com as mensagens enviadas por celular ou e-mail. Já vi muitos casamentos desabarem por conta de uma “simples” mensagem enviada via celular para uma outra pessoa. Tudo começa com um certo “ar” de inocência e como quem não quer nada, mas com o desenrolar da conversa isso evolui para um entrelaçamento emocional onde as partes envolvidas não tem mais como sair. A consequência é a traição! No meu ministério evito aconselhar casais via celular ou e-mail, mas em dois ou três casos em que a situação exigiu essa prática, tratei de me cercar de todos os cuidados necessários informando aos envolvidos as condições nas quais isso aconteceria. Sem o estabelecimento de limites, a queda é inevitável.

• Tenha cuidado quando se hospedar em algum hotel. Geralmente esses hotéis possuem TV a cabo com dezenas de canais disponíveis. É possível que dentre um deles você encontre algum que promova a impureza sexual. Um grande amigo meu e um dos maiores pregadores do Brasil, disse- me que quando está hospedado em um hotel e se depara com um desses canais que fazem promoção do sexo, ele simplesmente passa imediatamente para um outro ou desliga a TV. Uma demora aqui costuma ser fatal.

• Vigie o seu celular e Ipad. O acesso ao mundo virtual por meio dessas máquinas pode se tornar um tropeço para você.

• Arrependa-se se você se expôs à pornografia. Vigie e não permita que isso se torne um hábito. Exponha diante do Senhor toda atitude, pensamentos ou práticas que demonstrem inclinação para a impureza sexual. Não deixe esse tipo de entulho acumular em sua mente.

• Vigie o seu vocabulário, inclusive piadas quentes. Muitas vezes as palavras revelam o que está por dentro do indivíduo.

• Lembre-se: “Não vos sobreveio tentação que não fosse humana; mas Deus é fiel e não permitirá que sejais tentados além das vossas forças; pelo contrário, juntamente com a tentação, vos proverá livramento, de sorte que a possais suportar” (1 Co 10.13).

• Ande no Espírito e você jamais irá satisfazer os desejos impuros da carne (G1 5.16).

• Vimos que a fidelidade conjugal é o que Deus idealizou para seus filhos. A realidade da tentação somados à natureza adâmica que herdamos, faz com que a possibilidade de não vivermos esse ideal seja algo bem real. Todavia o Senhor nos deixou a sua Palavra com dezenas de conselhos a fim de que nos prevenir não cairmos nesse abismo.

Notas

1 WHITEMAN, Thomas & PETERSEN, Randy. Seu Casamento e a Internet — as ameaças do mundo virtual em seu mundo real. Rio de Janeiro: CPAD, 2013.
2 WHITE, Jonh. O Eros Redimido. ABU: Rio de Janeiro, 2004.
3 WHITE, John. Idem. P.99.
4 SCHAUMBURG, Harry W. Falsa Intimidade — vencendo a luta contra o vício sexual. São Paulo: Mundo Cristão, 1995.
Re s g u a r d a n d o - n o s d o A d u lté rio 51
5 SCHUMBURG, Harry W. Falsa Intimidade — vencendo a luta contra o vício sexual. São Paulo: Mundo Cristão, 1995.


quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

TUDO POSSO NAQUELE QUE ME FORTALECE

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TUDO POSSO NAQUELE QUE ME FORTALECE
Texto Áureo: Fp. 4.13 – Leitura Bíblica: Fp. 4.10-19

Pb. José Roberto A. Barbosa
Twitter: @subsidioEBD

INTRODUÇÃO
Um dos principais problemas da Teologia da Ganância está na ausência de princípios sólidos para a interpretação da Escritura. Seus adeptos utilizam textos isolados e descontextualizados para justificar pontos de vistas antibíblicos. Filipenses 4.13 é um exemplo desse tipo de equívoco, não poucos citam esse texto para argumentar que podem fazer qualquer coisa. Na lição de hoje, estudaremos essa passagem atentando para o contexto, que nos conduzirá a uma percepção mais madura da fé, que nos orienta a confiar em Deus, independentemente das circunstâncias.

1. PRESO, MAS ALEGRE E CONFIANTE
A Epístola ao Filipenses foi escrita por Paulo, por volta de 63 d. C., pouco tempo depois desse mesmo Apóstolo ter plantado uma igreja naquela cidade, situada na Macedônia oriental, a 16 km do Mar Egeu (At. 16.9-40). Ao longo da Epístola, percebemos o forte laço de amizade entre os irmãos filipenses e Paulo, tendo esses enviado ajuda financeira ao Apóstolo várias vezes (II Co. 11.9; Fp. 4.15,16). Ao que tudo indica, Paulo teria visitado essa igreja duas vezes durante sua terceira viagem missionária (At. 20.1-6). A Epístola ao Filipenses é uma daquelas Cartas da Prisão (Fp. 1.7, 13, 14), quando o Apóstolo estava encarcerado em Roma (At. 28.16-31). Um dos objetivos dessa Epístola é agradecer a generosidade dos irmãos, em razão da oferta providenciada por eles (Fp. 4.14-19). Mesmo preso em Roma, Paulo revela sua confiança em Deus, e roga aos irmãos para que não fiquem desanimados por causa da sua condição (Fp. 1.12-26). Ele aproveita a oportunidade para orientar os crentes para que estejam alegres – uma palavra chave na Epístola aos Filipenses, chara em grego – em todas as circunstâncias da vida (Fp. 1.4, 12; 2.17,18; 4.4, 11-13). Ao contrário do que defendem os adeptos do pseudopentecostalismo, propondo um modelo triunfalista de cristianismo, Paulo instiga à humildade e ao serviço cristão, ressaltando o exemplo de Cristo, que mesmo sendo Deus, tomou forma humana, como servo (Fp. 2.1-16).

2. TUDO PODEMOS, INDEPENDENTEMENTE DAS CIRCUNSTÂNCIAS
A vida cristã não é orientada pelas circunstâncias, tendo em vista que somos desafiados, a todo o momento, a vivermos acima delas. Paulo nos ensina, nessa Epístola, a vivermos contentes, a não nos deixarmos solapar pelas vicissitudes existenciais. Mas o contentamento não é algo que se consegue do dia para a noite, é resultado do fruto do Espírito (Gl. 5.22), trata-se de uma alegria que não se deixa abalar, mesmo quando tudo parece não se ajustar ao nossos bem estar. A esse respeito diz o Apóstolo: “Não digo isto por causa de necessidade, porque já aprendi a contentar-me com as circunstâncias em que me encontre” (Fp. 4.11). O contentamento é resultado de aprendizado, e muitas vezes, com provas difíceis, e certamente, com notas baixas. Às vezes, é preciso perder bastante para aprender que é “grande fonte de lucro a piedade com o contentamento” (I Tm. 6.6). A palavra contentamento em grego é autarkes e diz respeito à suficiência, a convicção de ter o que é preciso, a certeza de que o Senhor é o nosso Pastor e de que nada nos fará falta (Sl. 23.1). É a certeza de que Deus providencia o que necessitamos, uma satisfação por ter as carências básicas supridas pelo Senhor (I Tm. 6.8; Hb. 13.5). A declaração de Paulo “tudo posso” precisa ser compreendia nesse contexto, não como uma palavra mágica que pode ser utilizada para fazer coisas que estão além da vontade soberana de Deus. O Apóstolo sabia estar diante de Deus em toda e qualquer situação, tal como José que demonstrou ser fiel tanto na fartura quanto na necessidade (Gn. 45.5; 50.20). Algumas pessoas não sabem passar por necessidades, outras não conseguem lidar com a fartura, mas o cristão maduro, pode, independentemente das circunstâncias, viver para Deus (II Co. 6.16-18).

3. NAQUELE QUE FORTALECE
A prosperidade material, amplamente almejada nesses dias, tem causado mais malefícios do que bênçãos. Muitas igrejas estão esquecendo de buscar ao Senhor, investiram demasiadamente em construções, mas deixaram de dar o o devido valor à edificação espiritual (Ap. 3.17). Cristo é o Mestre que nos ensina a não vivermos ansiosos, a não estamos demasiadamente preocupados com as necessidades da vida e a não depositar a nossa confiança nas riquezas (Mt. 6.25-34). A fonte da qual recebemos contentamento, satisfação plena, é Cristo, pois sem Ele nada podemos fazer (Jo. 15.5). Paulo não estava desprezando a oferta generosa dos irmãos filipenses, antes os elogia pelo desprendimento. Ele destaca, fazendo um contraponto, que eles foram de encontro com a necessidade dele, mas que Deus iria de encontra a todas as suas necessidades, que Ele havia contribuído mesmo na pobreza, mas que Deus supriria as suas necessidades em Suas riquezas em glória (Fp. 4.18,19). É importante destacar que Deus não promete suprir todas as nossas “ganâncias”, mas todas as nossas "necessidades". Muitas pessoas não conseguem vivem contentes porque se deixam levar pelas supostas necessidades criadas pela mídia, movida pela sociedade de consumo, que não permite que se encontre plena satisfação.

CONCLUSÃO
Precisamos aprender, como Paulo, a viver contentes, a encontrar plena satisfação em Cristo. Muitos pedem, declaram, até citam Jo. 14.13, achando que receberão qualquer coisa que pedirem, mas não relativizam, que muitos pedem, mas não recebem, porque pedem mal, para esbanjar em seus deleites carnais (Tg. 4.2,3). Somente aqueles que aprenderam na escola de Cristo a estarem satisfeitos nEle, podem dizer, com o Apóstolo, que: “tudo podem naquele que me fortalece”.

BIBLIOGRAFIA
LOPES, H. D. Filipenses. São Paulo: Hagnos, 2007.
MARTIN, R. P. Filipenses: introdução e comentário. São Paulo: Vida Nova, 1986.

terça-feira, 16 de junho de 2009

HISTÓRIA DA EBD

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História – O Inicio da EBD

Surgiu nos Estados Unidos da América, com o propósito de evangelizar crianças que ficavam sem atividade durante os serviços de domingo. Atualmente, esta atividade envolve os membros da Congregação, em todas as faixas etárias e acontece em horário diverso ao serviço religioso. No Brasil, a maioria das comunidades adota a EBD matinal e os serviços religiosos vespertinos, mas algumas realizam a EBD horas antes do início dos cultos. Em países como EUA e na Inglaterra, todas as atividades dominicais acontecem durante a manhã.
Robert Raikes (14/09/1735-05/04/1811), filho de Robert e Mary Raikes, foi quem originou o Movimento de Escola Dominical. Tendo um profundo amor pelas crianças, Raikes resolveu estabelecer uma escola gratuita para esses meninos de rua. Então, Raikes contratou uma equipe de quatro mulheres no bairro para lecionar, recebendo um xelim e seis pence, cada uma. Com a ajuda do Rev. Thomas Stock, Ministro Anglicano, Raikes pôde logo associar cem crianças, de seis aos doze ou quatorze anos, nestas escolas dominicais. A primeira foi instalada na Rua Saint Catherine. Seu objetivo principal não era ensinar a Bíblia, mas alfabetizar os alunos e ministrar aulas de religião com o propósito de reformar a sociedade. O objetivo último era modificar-lhes o caráter usando os ensinamentos bíblicos.
Assim, a Escola Dominical nasceu como um instituto bíblico infantil, operando de forma independente das igrejas, alfabetizando e ensinando Bíblia às crianças carentes. Algumas crianças, a princípio, relutaram em vir para as escolas porque as suas roupas estavam tão rotas, mas Raikes providenciou tudo de que eles precisavam, inclusive banho e cabelos penteados.
As aulas começavam às 10 horas da manhã e iam até as duas da tarde, com lições de matemática, história e inglês, com um intervalo de uma hora para o almoço. Eles eram levados então à igreja para serem instruídos no catecismo até as 17:30 h. Recebiam pequenas recompensas, como livros, canetas, jogos, aqueles que tivessem dominado a lição ou aqueles cujo comportamento tivessem mostrado uma melhoria notável. Entrementes, recebiam castigo corporal aqueles de mau comportamento, como era do costume pedagógico da época.
Em 1784, eram 250 mil alunos matriculados. A taxa de criminalidade de Gloucester caiu, com o advento das escolas dominicais de Raikes, de forma que em 1792 não houve um só caso julgado pela comarca de Gloucester.
A Escola Dominical no Brasil

A Igreja Metodista trouxe a Escola Dominical para o Brasil. Em 1836, o Rev. Justin Spaulding organizou no Rio de Janeiro, entre estrangeiros, uma Congregação com cerca de 40 pessoas e em junho abriu uma Escola Dominical com 30 alunos, dos quais alguns eram brasileiros, ensinados na sua casa. Mas o espírito de Raikes, em criar um “instituto bíblico infantil”, somente surgiu dezenove anos mais tarde, através do casal de missionários escoceses independentes, Robert e Sarah Kalley. Eles são considerados os fundadores da Escola Dominical no Brasil. Em 19 de agosto de 1855, na cidade imperial de Petrópolis, no Rio de Janeiro, eles dirigiram aquela que é considerada a primeira Escola Dominical em terras brasileiras. Sua audiência não foi grande: apenas cinco crianças assistiram àquela aula. Mas foi suficiente para que seu trabalho florescesse e alcançasse os lugares mais retirados de nosso país. Essa mesma Escola Dominical deu origem à Igreja Evangélica Fluminense, marco da Igrejas Evangélicas no Brasil.
Características da Escola Dominical
A Escola Dominical, de certo modo, é uma sociedade doméstica da Igreja, mas com diferenças óbvias, pois integra todas as faixas etárias, os sexos e as várias categorias sociais e intelectuais da igreja, sendo um prolongamento da igreja.
A Escola Dominical se assemelha à escola secular pois ambas preparam para a vida em sociedade e empregam textos com materiais didáticos. Porém, a diferença é que a Escola Dominical só funciona aos Domingos (1 hora por semana versus 20 horas por semana). Ela não forma alunos, pois é para a vida toda. Seus “oficiais” (Superintendente, Vice e Secretários), professores e alunos se empenham pela obtenção de novos alunos (Evangelização e Discipulado).
E o objetivo dominante é espiritual: salvação, edificação e santificação. Portanto, nem todas as recomendações didático-pedagógicas se aplicam à Escola Dominical.
Objetivos da Escola Dominical

Evangelização - Reunir pessoas e levá-las a decidir-se por Cristo.
Santificação - Levar os crentes a estudarem a Bíblia, orarem mais e viverem em comuni-dade.
O ensino teórico e prático da Escola Dominical deve levar a um despertamento e um adestramento para o serviço cristão para honra e glória do Deus Triúno.
Comunhão – Deve levar os alunos a aprenderem a conviver entre si, levando em conta a harmonia, a amizade e a interação entre os irmaos.

A RESPONSABILIDADE DO SUPERINTENDENTE

* O Superintendente, bem como seu Vice, devem ter sido, por bom tempo de experiência, professores e diretores de departamento. Devem manter boa relação com o Pastor, que é o Docente por excelência, e com o ministério (Conselho, Sessão, Junta Administrativa, etc.).
* Deve sabiamente escolher quais serão os professores para cada classe e quais pessoas dirigirão os departamentos.
* Deve incentivá-los e manter contato constante com eles. Deve possuir substitutos à altura para seus nomeados. Deve ser responsável pelo preparo e aperfeiçoamento do corpo docente.
O QUE É A ESCOLA BÍBLICA DOMINICAL (EBD)?

É o método de ensino da Bíblia, semanalmente, visando levar o aluno a:
1) Aceitar Jesus como Único Senhor e Salvador.
2) Crescer na fé e no conhecimento bíblico.
3) Por em prática os ensinos bíblicos.

O QUE A EBD NÃO É:
· Um grupo de estudiosos e literatos (doutos, instruídos) da Bíblia.
· Uma forma de passar o tempo, no domingo pela manhã.
· Uma organização paralela á Igreja, com seus próprios objetivos.
· Um clube para piqueniques, passeios, esportes, etc.

RECURSOS DA EBD:

1) Professores motivados e bem treinados.
2) Um currículo bíblico.
3) Materiais adequados (mapas, quadros, apostilas, etc.)
4) Uma biblioteca.
5) Salas de aulas para divisão das classes por faixas etárias.

TODO PROFESSOR DE EBD PRECISA TER EM SEU CURRICULUM:

ENTUSIASMO: para enxergar o potencial dos alunos e professores da EBD.
AMOR: para preencher nossa insuficiência e nos animar sempre.
PERDÃO: para oferecer, quando nem sempre tudo dá certo.
FÉ: para crer no poder do Espírito Santo, agindo através da EBD.
HUMILDADE: para mudar e aprender, ouvir sugestões e partilhar desafios.

TÉCNICAS DO BOM LÍDER:

1. COMUNICAR: informar de maneira clara, direta e simples. Transmitir a visão da necessidade de conseguir o objetivo.
2. DELEGAR: acionar os recursos dos seus liderados ("dons") na direção do objetivo. Organizar tarefas e funções. Formar equipes.
3. INOVAR: aceitar mudanças e novas idéias. A única coisa que o bom líder não cede é quanto ao objetivo. No caso do líder cristão, não cede quanto á doutrina bíblica.
4. MOTIVAR: incentivar novas lideranças. Elogiar. Estimular a participação dos liderados nos processos que levam ao objetivo final. Ser exemplo de conduta.
5. PLANEJAR: ter uma visão de longo prazo, definindo prioridades. Treinar as lideranças. Adotar metodologias compatíveis com os objetivos.
EXEMPLO DE LIDERANÇA: JESUS

Seu objetivo: salvar os homens do pecado, do mal e da morte.

1. Comunicou: Sua mensagem de amor e nova vida, na linguagem do povo da época (parábolas). Pregou em aramaico (língua corrente da Palestina).

2. Delegou: A missão de espalhar a mensagem de salvação a todo o mundo.

3. Inovou: Rompeu com as arcaicas tradições religiosas da época. Ensinou ao ar livre, concedeu perdão a prostitutas e cobradores de impostos, curou no sábado.

4. Motivou: Enviou Seu Espírito para que seus discípulos saíssem das casas-esconderijos. Foi exemplo de conduta em todas as áreas humanas.

5. Planejou: Deu ordens específicas ("amai-vos uns aos outros..." etc.) e escolheu 12 homens para a liderança, treinando-os durante 3 anos.

Sete aspectos fundamentais na vida dos líderes que os fazem se destacar:
Caráter, Relações, Conhecimento, Intuição, Experiência, Êxitos passados e Capacidade.
LIDERANÇA - BARREIRAS E ERROS!

Barreiras à Delegação do Poder:

1. Desejo de segurança e "status"
2. Resistência à mudança.
3. Falta de auto-estima.
4. Só os líderes seguros são capazes de doar.
5. Achar que não tem ninguém que possa substituí-lo.
Sete Qualidades de um Bom Estilo de Comunicação:

1. DIRETO: Procura falar frases simples, indo direto ao assunto (não fica “enrolando”).
2. DESEMBARAÇADO: É “leve”, sem palavras “difíceis” ou “gírias”.
3. EQUILIBRADO: Procura ouvir tanto quanto falar e não interrompe a conversa dos outros.
4. ADEQUADO: Procura não agredir os sentimentos ou opiniões divergentes.
5. CALMO: Ritmo de voz pausado e volume médio.
6. RECEPTIVO: Aceita objeções, procurando descobrir quais os motivos para tais.
7. POSITIVO: Expressa algo que beneficia o receptor da mensagem (ouvinte), elogia.

EXEMPLOS DE ATIVIDADES INOVADORAS (são só exemplos, esta lista não esgota as sugestões de inovar):

1) "Trocar os professores" uma vez a cada trimestre, entre as classes.
2) Fazer a aula ao ar livre, embaixo de uma árvore.
3) Convidar um aluno para dar a aula.
4) Convidar 2 alunos de outra classe para assistir a aula e dar suas opiniões.
5) Ensinar "em silêncio".
6) Usar uma bíblia com linguagem moderna (Bíblia viva, por exemplo).
7) Ler o texto bíblico comparando com várias traduções.
8) Convidar um professor de outra EBD/Igreja para dar uma aula especial.
9) Eleger o "aluno destaque" da EBD, a cada mês.
10) Mini apresentação teatral do tema da lição.


MARCAS DE UM BOM PROFESSOR

1) Horário: tem horário para iniciar e terminar.
2) Seja exemplo para os alunos chegando na hora certa na EBD, pois isso pode influenciar na vida dos alunos.
3) Tópicos: Tenha uma seqüência de tópicos e não saia delas.
4) Peça aos seus alunos que sempre tragam por escrito idéias e sugestões.
5) Não "cobre": visitas não é cobrança. Se há algum membro de sua EBD que está falho, vá inquiri-lo pessoal e reservadamente!
6) Não debata assuntos polêmicos. Isto só cria desgaste.
7) Utiliza Dicionários Bíblicos, Concordância Bíblica e outros materiais.
8) Não fica preso na revista.

“JESUS COMO CONSTRUTOR DE EQUIPES”:

1. DESIGNOU 70 e formou "mini-equipes" de 2 (Lc 10.1).
2. SELECIONOU 12, após passar a noite orando (Lc 6.13).
3. ESCOLHEU 3 para a cúpula de liderança (Mt 17.1, 26.37).
4. AMOU a todos (Jo 13.1).

Escolha um dos tópicos acima e comente-o.

RECURSOS MÍNIMOS INDICADOS PARA O BOM FUNCIONAMENTO DE UMA EBD

Realize um planejamento visando obter os seguintes materiais ou condições mínimas:

* 1 quadro branco (pequeno) para cada classe.
* 1 Flip Charp (com folhas). Servirá também como flanelógrafo.
* 1 Biblioteca.
* Retropojetor ou Data Show.
* Revistas para todos os alunos.

terça-feira, 19 de maio de 2009

HISTÓRIA DA ESCOLA DOMINICAL-

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PEQUENA HISTÓRIA DA ESCOLA DOMINICAL


Alderi Souza de Matos


A escola dominical é uma das instituições mais úteis, benéficas e duradouras da história do protestantismo. Ela se insere no contexto mais amplo da educação religiosa ou educação cristã, que sempre tem sido uma preocupação da Igreja, desde os tempos apostólicos. O interesse em instruir, educar e capacitar o povo de Deus foi muito importante no Antigo Testamento, no contexto da família e da vida religiosa de Israel. No período interbíblico surgiu uma importante agência educativa judaica que foi a sinagoga. O ensino recebeu enorme ênfase no ministério de Jesus, que foi mestre e reuniu em torno de si os seus discípulos. Na igreja primitiva, as atividades didáticas foram fundamentais para a propagação e consolidação do novo movimento, como se pode verificar amplamente nos livros do Novo Testamento.


1. Um notável pioneiro
A moderna instituição conhecida como “escola dominical” teve como seu principal fundador o jornalista inglês Robert Raikes (1735-1811). Ele era natural da cidade de Gloucester e em 1757, aos vinte e dois anos, sucedeu o pai como editor do Gloucester Journal, um periódico voltado para a reforma das prisões. Nessa época, estava ocorrendo na Inglaterra o extraordinário avivamento evangélico, com sua forte ênfase social. Inspirado por outras pessoas, Raikes iniciou uma escola em sua paróquia em 1780. Ele ensinava crianças pobres de 6 a 14 anos a ler e escrever e dava-lhes instrução bíblica.


A idéia de Raikes rapidamente se alastrou pelo país. Apenas cinco anos mais tarde, em 1785, foi organizada em Londres uma sociedade voltada para a criação de escolas dominicais. Um ano depois, cerca de 200.000 crianças estavam sendo ensinadas em todo a Inglaterra. No princípio os professores eram pagos, mas depois passaram a ser voluntários. Da Inglaterra a instituição foi para o País de Gales, Escócia, Irlanda e Estados Unidos.


2. Difusão nos Estados Unidos
No fim do século 18, quando ocorreu a independência dos Estados Unidos, muitas crianças, especialmente pobres, não tinham acesso à educação. As escolas dominicais vieram suprir essa carência, além de unir o ensino religioso ao ensino geral. A primeira escola dominical americana surgiu numa residência da Virgínia em 1785. Na década seguinte, foram criadas escolas em Boston, Nova York, Filadélfia, Rhode Island e Nova Jersey. Destinavam-se a crianças que careciam de educação, muitas das quais trabalhavam em indústrias. Na cidade de Pawtucket, Estado de Rhode Island, foi iniciada uma escola na primeira usina de algodão dos Estados Unidos. Os primeiros dirigentes em geral eram leigos e líderes comunitários; o texto usado era a Bíblia e as matérias incluíam leitura, redação e valores cívicos e morais. Essas escolas dominicais prepararam o caminho para a criação de escolas públicas.


3. A organização do movimento
A partir de 1800, os propósitos das escolas dominicais americanas passaram a ser instrução e evangelismo; elas transmitiam valores cristãos e o espírito democrático da nova nação. Era um trabalho não-denominacional ou, como se dizia na época, uma “associação voluntária”, reunindo pessoas de diferentes igrejas. Em 1824 foi fundada a União Nacional de Escolas Dominicais, que organizou os líderes, publicou literatura e criou milhares de escolas no interior do país. Na mesma época, muitas denominações começaram a criar as suas próprias uniões de escolas dominicais.


Até a década de 1870, existiram dois tipos de escolas dominicais: (a) missionárias, que evangelizavam crianças em áreas rurais e bairros pobres das grandes cidades; (b) eclesiásticas, que educavam os filhos dos membros das igrejas. Em 1869 reuniu-se a primeira Convenção Nacional de Escolas Dominicais (passou a denominar-se Convenção Internacional em 1875). Uma comissão passou a preparar um currículo de lições padronizadas para uso geral (Lições Internacionais). Surgiram normas para o uso do tempo e do espaço nas igrejas e o sistema foi levado para os campos missionários no exterior.


No final do século dezenove, 80% dos novos membros ingressavam nas igrejas através das escolas dominicais. Em 1905, foi criada a Associação Internacional de Escolas Dominicais, que passou a promover convenções em muitos países, algumas das quais tiveram a presença de brasileiros.


4. A Escola Dominical no Brasil
A escola dominical chegou ao Brasil como as primeiras missões protestantes. A primeira escola dominical permanente foi fundada pelo casal Robert e Sarah Kalley em Petrópolis, no dia 19 de agosto de 1855. Sarah Kalley havia sido grande entusiasta desse movimento na sua pátria, a Inglaterra. A primeira escola dominical presbiteriana foi iniciada pelo Rev. Ashbel Green Simonton em maio de 1861, no Rio de Janeiro. Reunia-se nos domingos à tarde, na rua Nova do Ouvidor. Essa escola aparentemente foi organizada de modo mais formal em maio de 1867. Um evento comum em muitas igrejas presbiterianas brasileiras nas primeiras décadas do século 20 era o “Dia do rumo à escola dominical”, quando se fazia um esforço especial para trazer um grande número de visitantes.


Um destacado incentivador das escolas dominicais foi o Dr. Eliézer dos Santos Saraiva (1879-1944), presbítero da Igreja Presbiteriana Unida de São Paulo, que promoveu as primeiras convenções de escolas dominicais do Brasil, bem como encontros de confraternização e piqueniques. Outro grande incentivador foi o Rev. Erasmo de Carvalho Braga (1877-1932), que traduziu, adaptou e escreveu por vários anos as Lições Internacionais (Livro do Professor, 1921-1929), um valioso material para crianças, jovens e adultos. No início do século vinte surgiu a União Brasileira das Escolas Dominicais, depois Conselho Nacional de Educação Religiosa, cujo trabalho foi continuado pela Confederação Evangélica do Brasil.


http://www.mackenzie.br/6980.html

 

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