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terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

O MINISTÉRIO DA RECONCILIAÇÃO

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TEXTO ÁUREO

"E tudo isso provém de Deus, que nos reconciliou consigo mesmo por Jesus Cristo e nos deu o ministério da reconciliação" (2 Co 5.18). O trato de Deus com o homem exibe uma inter-relação de sua majestade onde sua vontade soberana, sua atividade soberana e sua glória soberana são aqui ricamente exibidas O plano inteiro da salvação e a história da redenção centralizam-se em Deus. Paulo percebe que tudo vem do Senhor, é por meio dele e para sua glória (Rm 11.36).


VERDADE PRÁTICA

O ministério da reconciliação consiste, fundamentalmente, na proclamação da obra expiatória do Senhor Jesus Cristo.

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE
2 Coríntios 5.14,15,17-21

OBJETIVOS
Após esta aula, o aluno deverá estar apto a:
- Conscientizar-se de que o ministério da reconciliação consiste na proclamação da obra expiatória do Senhor Jesus Cristo
- Compreender que a grande motivação do ministério de Paulo era o amor de Cristo.
- Saber que o amor de Cristo nos constrange e transforma.
PALAVRA CHAVE
Reconciliar : -Do grego katallassō, sugere a ideia de trocar, mudar (neste caso específico, a inimizade com Deus está sendo trocada por relações pacíficas); v. tr.
1. Restabelecer o acordo entre pessoas que se tinham malquistado.
2. Congraçar, fazer perder a má ideia que se tinha de alguém ou de alguma coisa.
3. Conciliar (coisas aparentemente opostas).
4. Restituir à graça de Deus.
5. Benzer e consagrar um templo profanado.
6. Absolver (o penitente ou herege arrependido).
v. pron.
7. Fazer as pazes com.
(http://www.priberam.pt).


INTRODUÇÃO
"18-Tudo isso é obra de Deus, que nos reconciliou consigo mesmo, através daquilo que Cristo fez por nós e nos confiou a missão de anunciar essa mesma reconciliação” (2Co 5.18). O ministério da reconciliação engloba coisas mais profundas do que o perdão dos nossos pecados e vida eterna em Cristo. É necessário entendermos que esta reconciliação é antes de tudo, com o plano divino para o homem; “Dois irmãos que moravam em fazendas vizinhas, separadas apenas por um riacho, entraram em conflito. Foi a primeira grande desavença em toda uma vida de trabalho lado a lado. Mas agora tudo havia mudado. O que começou com um pequeno mal entendido, finalmente explodiu numa troca de palavras ríspidas, seguidas por semanas de total silêncio. Numa manhã, o irmão mais velho ouviu baterem à sua porta.
- Estou procurando trabalho, disse ele. Talvez você tenha algum serviço para mim.
- Sim, disse o fazendeiro. Claro! Vê aquela fazenda ali, além do riacho? É do meu vizinho. Na realidade é do meu irmão mais novo. Nós brigamos e não posso mais suportá-lo.
- Vê aquela pilha de madeira ali no celeiro? Pois use para construir uma cerca bem alta.
- Acho que entendo a situação, disse o carpinteiro.
- Mostre-me onde estão a pá e os pregos.
O irmão mais velho entregou o material e foi para a cidade. O homem ficou ali cortando, medindo, trabalhando o dia inteiro.
Quando o fazendeiro retornou, não acreditou no que viu, em vez de uma cerca, o carpinteiro construiu uma pequena ponte ligando as duas margens do riacho.
O fazendeiro ficou enfurecido e falou:
- Seu velho atrevido... não foi isso que mandei você construir!
Mas, ao olhar novamente para a ponte viu o seu irmão se aproximando de braços abertos:
- Você realmente é mais que um irmão... é um amigo muito especial... construindo esta ponte mesmo depois de todas as tolices que eu lhe disse!
Num só impulso, o irmão mais velho correu na direção do outro e abraçaram-se, chorando no meio da ponte.” (Autor desconhecido).
O tema de hoje, como todos do trimestre é muito relevante, pois vamos estudar de modo direto e enfático a respeito da nossa reconciliação com Deus mediante o sacrifício na cruz. O carpinteiro da estória acima é Jesus, nosso Salvador, que reconciliou-nos com Deus de maneira eficiente, através da sua morte vicária. Por meio desta reconciliação recebemos muitas bênçãos, e a maior delas é a garantia da presença do Todo-Poderoso em nós agora e no porvir - "Deus não só nos declara inocentes como nos conduz para perto dEle." (Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal).

I. A VIDA PRESENTE E A FUTURA (5.1-10)
1. A confiança doutrinária de Paulo (v.1). Esta perícope atesta o grau da fé que possuía aquele apóstolo: Se seu frágil corpo físico não suportasse os sofrimentos e estes o conduzissem até à morte, tinha a plena convicção de algo superior aguardando por ele. Paulo tinha uma segurança absoluta acerca das revelações doutrinárias que havia recebido - "Ora, a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam". De igual modo, temos que ter essa mesma firmeza, embora gemendo, suspirando frustrados diante das limitações desta vida, mas como aquele apóstolo, devemos anelar por receber o corpo ressurreto, livre das fraquezas e das imperfeições dessa vida, por isso, começa o texto, dizendo: "Porque sabemos". O conhecimento que a revelação divina produz em nosso coração nos dá certeza do lar eterno, tira o temor dessa vida e nos impulsiona a levarmos essa verdade a outras pessoas.
2. O anelo de Paulo pela vida além-túmulo (vv.1-5). A nova vida celestial porvir substituirá a nossa existência presente. A garantia que temos dessa transformação é o penhor do Espírito Santo operando em nós efetuando uma renovação diária e nos fortalecendo. Isso é uma ‘amostra’ e nossa garantia do término futuro dessa obra, que culminará em corpos ressurretos e em uma santificação completa.
3. O Tribunal de Cristo para todos os crentes (vv.7-10). No versículo 7, o texto diz que "andamos por fé e não por vista" - "Sem fé é impossível agradar-lhe: pois é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que Ele existe e que é galardoador dos que O buscam" (Hb 11.6); mais uma vez Paulo especifica um contraste entre o invisível reino espiritual da presença e atividade de Deus e o atual mundo visível. No versículo 9, Paulo ensina que devemos ter como alvo principal "agradar ao Senhor"; tudo o que fazemos ou dizemos, nossos relacionamentos, o uso que fazemos dos dons e oportunidades concedidas pelo Senhor e até mesmo a maneira como suportamos as aflições, devem glorificar e louvar a Deus pela sua sabedoria e bondade.
No versículo 10, o apóstolo apresenta uma doutrina importantíssima da Igreja sobre o comparecimento dos crentes no Tribunal de Cristo. Esta perícope nos ensina que haverá diferentes graus de galardões; todos compareceremos diante de Cristo. Este julgamento incluirá o desvendamento e a avaliação dos motivos de nossos corações, nada escapará à luz perscrutadora de Deus. “O Tribunal de Cristo não é o Juízo Final. Trata-se de um julgamento de realizações em prol da obra de Deus, o qual acontecerá nos ares e envolverá todos os cristãos salvos, após o arrebatamento dos vivos e ressurreição dos mortos em Cristo”. (SINOPSE DO TÓPICO (1))

II. O AMOR DE CRISTO CONSTRANGE E TRANSFORMA (5.11-17)
1. A força da persuasão à fé em Cristo (v.11). Paulo inicia o texto destacando o "temor do Senhor" como um modo de convencer as pessoas acerca da fé recebida. Temor não implica em terror da condenação eterna, mas um saudável e reverente receio de desagradar ao Senhor pelas escolhas feitas. Na verdade, tal temor deveria gerar escrúpulo - inquietação do espírito que hesita em realizar algo receando que o ato não seja lícito - para aqueles crentes de Corinto que estavam causando perturbações e poderia mesmo ter corrigido as vidas de muitos crentes descuidados através da história cristã. Persuadir os homens por causa do temor a Deus não significa intimidá-los, mas levar o convencimento ao ânimo de alguém através da mensagem do Evangelho. Por meio de Cristo Jesus, nosso passado foi perdoado e nosso futuro está garantido. Max Lucado
2. A grande motivação do ministério de Paulo: o amor de Cristo (vv.12,13). Comparando os falsos obreiros infiltrados na igreja – quer do tempo de Paulo, quer da atualidade – aplicam um método mundano de avaliação, orgulhando-se em sua aparência externa, dependendo de si mesmos, amando o dinheiro, o poder e o prestígio; quão diferente era Paulo, o qual suportava as aflições por enfocar a sua atenção sobre o que era invisível e eterno. Paulo vivia para Deus e para o próximo, seus oponentes não podiam reivindicar o mesmo para si tal coisa.
3. Um amor que nos constrange a viver integralmente para Cristo (vv.14-17). Paulo faz menção do amor de Cristo por nós. Nossa experiência com o amor de Cristo nos constrange a medir nosso próximo não conforme os padrões mundanos mas devemos ver do mesmo modo como o Pai viu ao enviar a Jesus para morrer em nosso lugar e nos deu uma nova criação e a reconciliação com Deus. Este amor nos constrange a viver integralmente para Ele. A grande motivação do ministério de Paulo era o amor de Cristo. (SINOPSE DO TÓPICO (2))

III. O MINISTÉRIO DA RECONCILIAÇÃO (5.18-21)
1. Reconciliação, palavra-chave da nova criação (vv.18,19). Na introdução temos uma estória de reconciliação, esta expressão diz respeito ao reajuntamento das pessoas que estavam separadas, é restabelecer o acordo entre pessoas que se tinham malquistado. O carpinteiro de nossa história é o Cristo de Deus o qual realizou a expiação necessária para remover os elementos que impediam a restauração do relacionamento entre Deus e o homem (Rm 5.10,11).
2. O ministério da reconciliação. Isto é, justificação pela graça, mediante a fé. Em lugar de ficar aquém da glória de Deus por motivo de pecado, agora há esperança de glória, há alegria mesmo em tribulações por causa daquilo que Deus produz através delas. Assim, a mensagem de reconciliação deve apresentar o perdão em seu sentido mais amplo e restaurar a relação da humanidade com Deus, de forma que esta seja amistosa e correta (Rm 5.1).
3. Embaixadores de Deus (vv.20,21). Nós, a exemplo de Paulo, somos representantes do reino celestial neste mundo, acumulamos ainda, a função de mensageiros dessa pátria celeste para dirigirmos um apelo ao mundo inteiro. Esta é a mensagem que carregamos: Deus imputou nossos pecados a Cristo, atribuindo-lhe a responsabilidade pelos nossos delitos, tornando-O nosso substituto, bem como, imputou a perfeita justiça de Cristo a nós, como se fosse nossa. A mensagem de reconciliação deve apresentar o perdão em seu sentido mais amplo, o qual é restaurar a relação da humanidade com Deus, de forma que ela seja amistosa e correta. (SINOPSE DO TÓPICO (3))

CONCLUSÃO
A expiação é uma reconciliação de partes alienadas entre si, a restauração de um relacionamento rompido. Na morte de Cristo, fomos reconciliados com Deus. A cruz aplacou Deus, aplacou sua ira contra nós, expiando nossos pecados e removendo-os de diante de seus olhos. A mensagem da reconciliação não prega o juízo, mas o perdão do Senhor. Dessa maneira, Deus, por intermédio da obra de justiça que seu Filho Jesus Cristo realizou no Calvário, concedeu ao pecador uma anistia total (Rm 3.24-26).
Entendemos que o pecador que crê nessa mensagem torna-se justo, pois a justiça de Cristo agora é imputada ao crente.

APLICAÇÃO PESSOAL
A redenção é uma liberdade obtida por meio de pagamento de um preço. Nosso livramento da escravidão do pecado deu-se pelo sacrifício de Cristo no calvário que satisfez o julgamento divino contra a humanidade, produzindo perdão e justificação. A reconciliação é necessária para por fim à inimizade existente. O ministério da reconciliação consiste, fundamentalmente, na proclamação da obra expiatória do Senhor Jesus Cristo. Como destacado no texto, somos agora embaixadores do reino celestial e nos foi incumbida a missão de propagar pelo mundo inteiro essa boa nova: o ministério da reconciliação, e é o "temor do Senhor" que nos impulsiona a instigar os homens a crer também nessa mensagem. Tal temor deve gerar em nós uma inquietação do espírito que hesita em realizar algo receando que o ato não seja lícito, e assim, vamos ajudar inclusive, a muitos irmãos descuidados. Persuadir os homens não significa intimidá-los nem confrontá-los, mas levar o convencimento ao ânimo de alguém através da mensagem do Evangelho que enfatiza que por meio de Cristo Jesus, nosso passado foi perdoado e nosso futuro está garantido.
Paulo advertia a igreja contra um falso evangelho. Um evangelho incompleto. Hoje há um evangelho centrado no homem, ou na vontade do homem. Um evangelho contemporâneo, fraco, ralo, sem doutrina, onde o que vale é a bênção, a cura, a unção, experiências místicas, o retété. Vivemos num tempo onde parece que tudo está se movendo para o homem e não para Cristo.
No Ministério da Reconciliação entendemos que se obtém a posse da salvação e da vida eterna, não nos faltando bem algum. Quando somos acolhidos sob a proteção do Senhor, ele testifica o amor que nos tem. “Mostre ele sua face”, diz o Profeta, “e seremos salvos” (Sl 80.3,7,19). Do quê as Escrituras formulam esta síntese de nossa salvação: que, uma vez abolidas todas as inimizades, ele nos recebeu em sua graça (Ef 2.14,15). Uma vez que Deus esteja reconciliado conosco, as demais coisas nos sucedam bem. Portanto, a fé, entendendo o ministério da reconciliação, tem as promessas da vida presente e da vida futura (1 Tm 4.8), bem como a convicção de todas as coisas boas, a qual, porém, pode ser depreender da Palavra.
A aula de hoje deve levar-nos a refletir sobre a suficiência da cruz e a necessidade de rechaçarmos as heresias e modismos que teimam em se infiltrar na igreja. Esse é o papel da escola bíblica dominical, esse é o fardo que nós, professores, devemos carregar felizes, sabendo que o nosso trabalho não é vão no Senhor! Sola Scriptura, Sola Christus, Sola Gratia, Sola Fide, Soli Deo Gloria

N’Ele,que por sua misericórdia, me concede salvação,
Francisco A Barbosa
assis.barbosa@bol.com.br

BIBLIOGRAFIA PESQUISADA


- MATTHEW, Henry. Comentário Bíblico do Novo Testamento. 1. ed. Rio de Janeiro, CPAD, 2008.
- Biblia da Mulher, SBB, pág1466;
- Dicionário VINE, CPAD;
- Bíblia de Estudo Pentecostal, Rio de Janeiro, CPAD.


Boa Aula!


Leia mais: http://auxilioebd.blogspot.com/#ixzz0eO7YekqC
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O MINISTÉRIO DA RECONCILIAÇÃO

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Pb. José Roberto A. Barbosa

Objetivo: Mostrar que o ministério consiste, fundamentalmente, na proclamação da obra expiatória do Senhor Jesus Cristo.

INTRODUÇÃO
Na lição de hoje estudaremos sobre o ministério da reconciliação em Cristo Jesus. Inicialmente, meditaremos a respeito da habitação celestial dos crentes. Em seguida, sobre a atuação do amor de Cristo que nos constrange e nos transforma. Ao final, trataremos a respeito do ministério da reconciliação propriamente dito, concretizado na obra expiatória do Senhor Jesus Cristo.

1. A HABITAÇÃO CELESTIAL DOS CRENTES
Nossa leve e momentânea tribulação não pode ser comparada com a glória que em nós haverá de ser revelada. Paulo tem essa certeza porque sabe que quando essa casa terrestre deste tabernáculo se desfizer, receberá, da parte de Deus, um edifício, casa não feita por mãos humanas, perenes, mas eternas, nos céus (II Co. 5.1; Jo. 2.21,22). Em Rm. 8.18-24 o Apóstolo reafirma essa verdade, dizendo que os crentes terão, no futuro, a redenção do corpo, o edifício prometido para os que crêem. Enquanto estamos neste corpo, gememos, na expectativa da redenção, quando seremos revestidos da nova habilitação celestial (II Co. 5.2). Ainda que as adversidades nos causem opressão, podemos ter a convicção de que Deus cumprirá o que prometeu, a vida eterna (Jo. 3.16). A concretização plena dessa vida se dará por ocasião da ressurreição. Os gregos menosprezavam o corpo, mas Paulo, com base na revelação cristã, ensina que essa é uma realidade (I Co. 15.53,54). Quando isso acontecer, receberemos, de Cristo, um corpo de glória (Fp. 3.2), incorruptível (I Co. 15.42-49). A transformação do corpo será repentina, momento em que seremos revestidos de uma roupagem de glória (II Co. 5.3,4). Esse evento se dará por ocasião da volta de Cristo para arrebatar a Sua igreja (I Ts. 4.13-18). Por causa dessa promessa, podemos viver na bendita esperança, e sempre ter bom ânimo, mas esse fundamento não está no que vemos, mas na fé, na convicção da Palavra de Deus, pois a fé vem pelo ouvir (Rm. 10.17; II Co. 5.5; Hb. 11.1). O Espírito Santo é penhor, o pagamento antecipado, que garante Sua propriedade sobre nós, de sorte que agora temos plena confiança (II Co. 5.7,8). Por amor a obra de Deus Paulo prefere ficar no corpo, mas reconhece que partir e estar com Cristo é incomparavelmente melhor (II Co. 5.6; Fp. 1.23). Quer na vida ou na morte, o Apóstolo decidiu agradar ao Senhor e fazer disso o objetivo da sua vida (II Co. 5.9), pois chegará o dia no qual todos comparecerão perante o tribunal de Cristo (Rm. 14.10). Naquele dia cada um receberá segundo o bem ou o mal que tiverem feito por meio do corpo, em tal ocasião os ministérios serão julgados pelo Senhor (II Co. 5.10).

2. O AMOR DE CRISTO NOS CONTRANGE
Por isso, com base no temor do Senhor, Paulo persuade aos homens para que reconheçam a integridade do seu ministério (II Co. 5.11). Essa persuasão é feita com bastante sutileza, pois o Apóstolo espera que os crentes de coríntios respondam às acusações dos ofensores (II Co. 5.12). Diferentemente desses, Paulo não se gloria na aparência e não depende de artifícios externos para causar convencimento. Mais importante que tais exterioridades é o estado espiritual do coração, esse sim é mais relevante para Deus. Mas tal opção pode ser percebida, para aqueles que valorizam o exterior, como loucura (Mc. 3.21; At. 26.22-25). Mesmo assim, essa é uma loucura necessária, pois aprouve a Deus salvar os pecadores pela loucura da pregação da cruz de Cristo (II Co. 5.13). É o amor de Cristo que o constrange para que esse dedique a sua vida a Ele, com zelo e fidelidade (II Co. 5.14; Rm. 5.5; Jo. 3.16). Com base nessa verdade, o Apóstolo admite que, por causa da morte de Cristo, os que vivem não mais podem viver para si, mas para Aquele que por eles morreu e ressuscitou (II Co. 5.15; Gl. 2.20; 6.14). A partir desse fundamento, Paulo não se eximiu da responsabilidade de buscar a reconciliação com os irmãos de coríntios. O amor do Apóstolo pela obra de Cristo o conduziu a tomar iniciativa em prol da comunhão. Ele, porém, não pode se gloriar disso, pois não age segundo a opinião humana, mas segundo o espírito (Fp. 3.4-8; II Co. 5.16). Como resultado dessa comunhão, do crente com Cristo, e entre os próprios crentes, um novo relacionamento é construído, de modo que os que estão em Cristo são novas criaturas, as coisas velhas ficaram para trás, tudo se fez novo (II Co. 5.17; Rm. 8.21; I Co. 6.9-11; Rm. 8.19-23).

3. O MINISTÉRIO DA RECONCILIAÇÃO
Essa novidade de vida tem início com Deus, que nos reconciliou consigo mesmo. A iniciativa é do Senhor que executa a reconciliação por meio do sacrifício vicário de Cristo, que soluciona o problema da ira de Deus, revelada desde os céus contra toda iniqüidade humana (II Co. 5.18; Rm. 1.18; 5.9-11). Deus estava com Cristo reconciliando consigo mesmo o mundo, não imputando aos homens as suas transgressões (II Co. 5.19). Em Rm. 4.8, tratando do mesmo tema, Paulo cita Sl. 32.2, dizendo: “bem-aventurado o homem a quem o Senhor não atribui iniqüidade”. Esse “todos”, no versículo 19, é um recurso estilístico, pois Paulo, em outra passagens, deixa implícito que os pecados dos incrédulos lhes serão imputados (Rm. 1.18-32; 2.5-11; Ef. 5.3-6; Cl. 3.5-6). Agora, reconciliados com Deus em Cristo, somos embaixadores em nome de Cristo, isto é, emissários de Deus em prol da reconciliação dos pecadores. Por esse motivo, rogamos a esses que se reconciliem com Deus (II Co. 5.20). O fundamento da reconciliação é a Pessoa de Cristo, que não conheceu pecado, mas se fez pecado por nós (Jô. 8.46; I Co. 5.21; Hb. 4.15; I Pe. 1.19; 2.22). Nele fomos feitos justiça de Deus, pois Jesus morreu em nosso lugar, portanto, a nós não mais é imputado pecado (Rm. 3.21-26; Fp. 3.7-9). Jesus se tornou maldição por nós (Dt. 21.23; Gl. 3.13), pagando inteiramente o preço da redenção (Cl. 2.14).

CONCLUSÃODeus estava em Cristo reconciliando o mundo (II Co. 5.19). Essa é uma das mais sublimes mensagens bíblicas. A obra de Cristo na cruz do calvário é a manifestação do supremo amor de Deus (Jo. 3.16). O salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna em Cristo (Rm. 3.13; 6.23). Essa verdade nos impulsiona a cantar: “Rude cruz se erigiu, dela o dia fugiu, como emblema de vergonha e dor; mas contemplo esta cruz, porque nela Jesus, deu a vida por mim, pecador. Sim, eu amo a mensagem da cruz, te morrer eu a vou proclamar; levarei eu também minha cruz, te por uma cora trocar” (HP. 291).

BIBLIOGRAFIA
KRUSE, C. II Coríntios: introdução e comentário. São Paulo: Vida Nova, 1999.
HORTON, S. I e II Coríntios. Rio de Janeiro: CPAD, 2003.

O MINISTÉRIO DA RECONCILIAÇÃO

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ESCOLA BÍBLICA DOMINICAL DA 
IGREJA EVANGÉLICA ASSEMBLEIA DE DEUS EM ENGENHOCA 
NITERÓI – RJ
LIÇÃO Nº 06 – DIA 07/02/2010
TÍTULO - “O MINISTÉRIO DA RECONCILIAÇÃO”
TEXTO ÁUREO – II Cor 5:18
LEITURA BÍBLICA EM CLASSE – II Cor 5:14-15, 17-21
PASTOR GERALDO CARNEIRO FILHO
e.mail: geluew@yahoo.com.br


· Por estar mais adequado ao tema da lição, procuramos focalizar, apenas, um dos objetivos indicados pelo comentarista: – “Conscientizar-se que o ministério da reconciliação consiste na proclamação da obra expiatória do Senhor Jesus Cristo” – Pág. 43 (Revista do Professor).
I – INTRODUÇÃO:
. EXPIAÇÃO é o ato pelo qual Deus restaura o relacionamento de harmonia e unidade entre Ele e os seres humanos. Através da graça expiatória de Deus e de Seu perdão, restaura-se nosso relacionamento com Ele, apesar de nosso pecado; é o processo da reunião de duas partes que antes estavam alienadas, para que formem uma unidade.  
II – EXPIAÇÃO NO A. T.:
· Visto que a morte de Jesus é descrita em linguagem que lembra os sacrifícios do A. T., um conhecimento dos termos sacrificiais ajuda grandemente na sua interpretação. Assim, vejamos a TIPOLOGIA DE JESUS NOS SACRIFÍCIOS DO A.T.  
· II.1 - PRIMEIRO SACRIFÍCIO - HOLOCAUSTO ou OFERTA QUEIMADA:
· Lv 1:1-17; 6:8-13; 7:8; 8:18-21; 16:24;
·  Toda oferta deveria ser queimada.

· ELEMENTOS:
· Bode;
· Carneiro ou Cordeiro;
· Ave do sexo masculino (rola ou pombinho para o pobre) – As posses do indivíduo determinavam o tipo de oferta;
· Boi
· Tudo sem defeito

· PROPÓSITOS:
· Ato voluntário de adoração;
· Expiação pelos pecados involuntários em geral;
· Expressão de devoção;
· Compromisso e Completa entrega (submissão) a Deus;
· Obtenção do favor divino;
· Consagração pessoal para a obra de Deus.

· TIPOLOGIA:
· Cristo, nosso sacrifício perfeito, que Se entregou voluntariamente e Se ofereceu imaculado a Deus para fazer Seu inteiro agrado (Hb 9:14; Fp 2:6-8)
· A perfeita obediência de Cristo (Mt 27:35-36; Ef 5:2; Hb 7:26; I Jo 2:6);

· II.2 - SEGUNDO SACRIFÍCIO - OFERTAS DE MANJARES ou OBLAÇÃO:
·  Lv 2:1-16; 6:14-23; Sl 16
· Uma oferta de homenagem que significava uma promessa de leal obediência a Deus. 

· ELEMENTOS:
· Grão;
· Flor de farinha;
· Azeite de oliveira;
· Incenso;
· Bolos asmos assados, ou fritos, ou cozidos;
· Sal;
· Sem fermento e sem mel

· PROPÓSITOS:
· Ato voluntário de adoração ou ações de graça;
· Reconhecimento e obtenção da bondade e das provisões de Deus;
· Devoção a Deus;
· Consagração dos bens;
· Dádiva de gratidão a Deus

· TIPOLOGIA:
· Destaca-se a perfeita humanidade de Cristo, ressaltando-se a entrega de Sua vida por todos nós (I Jo 2:6; I Tm 2:5; Jo 13:1)
· II.3 - TERCEIRO SACRIFÍCIO - SACRIFÍCIOS PACÍFICOS ou OFERTAS PACÍFICAS:
·  Lv 3:1-17; 7:11-34; 22:18-30; Sl 85;
· Fala da inteira dedicação da parte do ofertante e da paz com Deus usufruída por aquela que oferecia tal oferta. 

· ELEMENTOS:
· Novilho ou cordeiro ou cabra (macho ou fêmea), sem defeito, tomado do rebanho, conforme as posses do indivíduo;
· Variedade de bolos  

· PROPÓSITOS:
· Ato voluntário de adoração;
· Ação de graças e comunhão ou júbilo público, posto que incluía uma refeição de toda a comunidade;
· Gratidão a Deus;
· Comunhão com Deus;
· Desobrigação de votos;
· Reconciliação

· TIPOLOGIA:
· Cristo, mediante a cruz, restaurou a comunhão do crente com Deus; Ele é a nossa Paz, pois fez cessar a guerra (Ef 2:14; Cl 1:20; Fp 4:6-7; I Pe 3:11)
· II.4 - QUARTO SACRIFÍCIO - OFERTA PELO PECADO:
·  Lv 4:1-25; 5:1-13; 6:24-30; Sl 22
· Este tipo de sacrifício era necessário para expiar pecados específicos.
· O grau da culpa e a qualidade da oferta variavam de acordo com a posição e a esponsabilidade do pecador.
·  O pecado do sumo-sacerdote era o mais grave, porque era ele quem representava a nação inteira diante de Deus. 

· ELEMENTOS:
· Para o sumo-sacerdote e a congregação: Um bezerro ou novilho;
· Para os líderes ou príncipes: Um bode;
· Para qualquer pessoa do povo: Uma cabra ou um cordeiro;
· Para os pobres: Uma rola ou dois pombinhos;
· Para os muito pobres: A décima parte de uma efa de flor de farinha

· PROPÓSITOS:
· Para expiação de pecado específico e involuntário;
· Confissão de pecado;
· Perdão de pecado;
· Limpeza da imundícia;

· TIPOLOGIA:
· Prefigura a crucificação de Cristo fora da cidade de Jerusalém (Hb 13:10-13); Ele se fez pecado por nós  (Is 41:24; At 3:17; I Cor 2:8 cf II Cor 5:21)
· II.5 - QUINTO SACRIFÍCIO - OFERTA DE CULPA ou SACRIFÍCIO PELO SACRILÉGIO ou SACRIFÍCIO DE RESTITUIÇÃO:
· (Lv 5:14-16; 6:7; 7:1-7)
· Este sacrifício indica ao homem a sua culpabilidade e a sua necessidade de ser salvo do julgamento.

· ELEMENTO:
· Somente carneiro sem mácula.
· PROPÓSITOS:
· Para expiação de pecados involuntários que requeriam restituição;
· Culpa por tirar das coisas sagradas ou por alguma perda ao santuário;
· Limpeza da imundícia;
· Fazer restituição, acrescida de 20% ou a quinta parte ("o quinto") - Lv 6:5.

· TIPOLOGIA:
· Cristo, mediante Seu sacrifício, pagou a culpa dos pecados dos crentes (Rm 3:24-26; 5:20; Gl 3:13; Hb 9:22) cf (Is 53:7; Jo 1:29; Apc 5:6) cf (Sl 69:9, 20-21, 31).

. Assim, todos os sacrifícios não somente eram proféticos em relação a Cristo, mas também serviam para preparar o povo de Deus para a dispensação melhor, que seria introduzida quando o Verbo de Deus se fizesse carne. 
 
III – A EXPIAÇÃO NO N.T.:
· Após a ressurreição e a ascensão de Jesus, os discípulos sempre afirmaram que a morte de Cristo fora divinamente ordenada como o meio da expiação. Assim, A MORTE DE CRISTO É:

· (A) – EXPIAÇÃO – Expiar o pecado significa levá-lo embora, de modo que ele é afastado do transgressor – Hb 2:17, 9:14, 26, 28; 10:12-14;

· (B) – PROPICIAÇÃO – Propiciar é aplacar a ira de um Deus santo pela oferenda de um sacrifício expiatório. Cristo é descrito como sendo essa propiciação – Rm 3:25; I Jo 2:4; 4:10.

· (C) – SUBSTITUIÇÃO – Os sacrifícios do A.T. eram substitutos por natureza. O altar representava o pecado; a vítima era o substituto do israelita para ser aceita em seu favor. Cristo, sendo O Filho de Deus, pode oferecer um sacrifício de valor eterno e infinito. Havendo assumido a natureza humana, identificou-se com o gênero humano e, assim, sofreu o castigo que era nosso, a fim de que pudéssemos escapar – II Cor 5:21; I Pe 2:24

· (D) – REDENÇÃO – Tanto no A.T. quanto no N. T., a palavra redimir significa tornar a comprar por um preço; livrar da servidão por preço; comprar no mercado; retirar do mercado. O fato da redenção destaca o alto preço da salvação. O Senhor Jesus é um Redentor e Sua obra expiatória é descrita como uma redenção – Mt 20:28; Gl 3:13; 4:5; Tt 2:14; I Pe 1:18; Apc 5:9; 14:3.

· (E) – RECONCILIAÇÃO – Por meio das Escrituras, vemos que é Deus (A PARTE OFENDIDA), quem tomou a iniciativa em prover expiação pelo homem. Ainda que Sua Majestade tenha sido ofendida pelo pecado do homem, Sua santidade, naturalmente, deve reagir contra o pecado. Contudo, Ele não deseja que o pecador pereça – Ez 33:11. Paulo não disse que Deus foi reconciliado com o homem, mas, sim, que Deus fez algo a fim de reconciliar consigo o homem – Rm 5:10; II Cor 5:18-19; Cl 1:21

IV – A EFICÁCIA DA EXPIAÇÃO:
· Vejamos os efeitos que a obra expiatória de Cristo tem para o homem:
 

· (A) – PERDÃO DA TRANSGRESSÃO – Jesus pagou a dívida que nós não podíamos saldar e assegurou a remissão dos pecados – Jo 1:29; 5:24; Ef 1:7; Hb 9:22-28; Apc 1:5.

· (B) – LIVRAMENTO DO PECADO – O crente é liberto não somente da culpa dos pecados, mas também pode ser liberto do poder do pecado. Havendo morrido para a antiga vida de pecado, a pessoa nasce de novo, para uma nova vida: nasce da água (experimentando a purificação) e nasce do Espírito (recebendo a vida divina) – Jo 3:5; Tt 3:5-7.

· (C) – LIBERTAÇÃO DA MORTE – Hb 9:2 – Cristo morreu por nossos pecados, submetendo-se não somente à morte física, mas também à morte que significa a pena do pecado. Isso explica a exclamação: -“DEUS MEU, DEUS MEU, POR QUE ME DESAMPARASTE?”. Essas são palavras de Um que efetuou um ato que implica separação divina; esse ato consumou-se quando Ele levou os nossos pecados – II Cor 5:21.

· (D) – O DOM DA VIDA ETERNA – Rm 6:23; Jo 3:14-16 – Isso significa vida no favor de Deus e comunhão com Ele. Morto em transgressões e pecados, o homem está fora do favor de Deus; pelo sacrifício de Cristo, o pecado é expiado e o homem é restaurado à plena comunhão com Senhor – Rm 6:22; Tt 1:2; Apc 22:4.

· (E) – A VIDA VITORIOSA – Lc 10:17-20; Jo 12:31-32; 14:30; Cl 2:15; Hb 2:14-15; Apc 12:11 – Cristo venceu satanás por nós! Da mesma forma, os crentes tem a vida vitoriosa enquanto tiverem em suas vidas Aquele que venceu o diabo!

V – CONSIDERAÇÕES FINAIS:
· O ato de reconciliação é uma obra consumada e realizada em benefício dos homens. À vista de Deus, o mundo inteiro está reconciliado. Essa, em essência, é a mensagem do Evangelho. Cabe a nós, servos de Deus, que temos O Ministério da Reconciliação, proclamarmos que a morte de Cristo foi uma obra consumada de reconciliação de todo o gênero humano com Deus e efetuada independente de nós, a um custo inestimável - Sl 49:6-8.
FONTES DE CONSULTA:
· Conhecendo as Doutrinas da Bíblia - Editora Vida - Myer Pearlman
. O Novo Dicionário da Bíblia - Editora Vida
. Levítico Introdução e Comentário - Editora Mundo Cristão - R. K. Harrison
.  BEP - CPAD

 

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