sábado, 24 de dezembro de 2011
1º Trimestre de 2012 = "A verdadeira prosperidade, vida cristã abundante".
quarta-feira, 22 de julho de 2009
HERMENÊUTICA BÍBLICA
SEGUNDA PARTE DO ESTUDO SOBRE HERMENÊUTICA BÍBLICA
A Lei da Revelação
A correta interpretação da Bíblia deve começar com a verdade básica de que Deus deu uma revelação de Si mesmo e Sua vontade. Sem isso, o homem estaria no mar sem estrelas ou sem bússola, e todos os seus pensamentos do que é a vontade de Deus não seriam nada senão a imaginação de seu próprio coração e mente depravados. Pela natureza ninguém entende a verdade de Deus, pois ela está numa esfera estranha ao pensamento do homem. Assim lemos em 1 Coríntios
Os primeiros versículos da Bíblia, Gênesis 1.1-6, sugerem essa revelação que Deus fez de Si mesmo, pois embora os versículos 3-5 estejam relacionados à luz literal, é certo porém que há um simbolismo aí que é explicado mais tarde como tendo a ver com iluminação espiritual, 2 Coríntios 4.3-6. Observe aqui o versículo 6 em particular: "Porque Deus, que disse que das trevas resplandecesse a luz, [referindo-se a Gênesis 1.3-5] é quem resplandeceu em nossos corações, para iluminação do conhecimento da glória de Deus, na face de Jesus Cristo." Aqui está a revelação de Deus de Si mesmo, e essa revelação foi feita com a maior plenitude e conclusão com a vinda do Filho de Deus numa natureza humana, conforme lemos em João 1.18: "Deus nunca foi visto por alguém. O Filho unigênito, que está no seio do Pai, este o fez conhecer". Muitas vezes as Escrituras mostram que as coisas literais têm um sentido simbólico e típico que não é evidente à primeira vista.
Essa primeira e importantíssima Lei de Interpretação da Bíblia " A Lei da Revelação " é tal que se não formos sólidos nela, não poderemos ser sólidos em nada mais, por mais sinceros ou zelosos ou instruídos que possamos fora disso ser. É isso o que mostra Isaías 8.20. "À lei e ao testemunho" Se eles não falarem segundo esta palavra, é porque não há nenhuma luz neles". Isso é suficientemente claro, não é" Toda luz espiritual = verdade " corresponderá à Lei e ao Testemunho de Deus.
Essa Lei é que Deus revelou tudo o que alguém precisa saber sobre todas as coisas espirituais. Ele não falou extensivamente nas esferas da ciência, matemática, genética e muitas outras esferas, mas onde Ele falou nessas áreas Ele falou em verdade. Lemos em Deuteronômio 29.29 acerca do dever humano com relação à revelação de Deus dos assuntos espirituais. "As coisas encobertas são para o SENHOR, nosso Deus; porém as reveladas são para nós e para nossos filhos, para sempre, para cumprirmos todas as palavras desta lei". Deus reservou muitas coisas secretas para Si, e o homem não tem nem a capacidade de conhecê-las nem lhe compete sondá-las, mas ele está sob a obrigação de saber e fazer o que foi revelado. E ele está pela natureza sob maldição por negligenciar saber e fazer o que foi revelado, Gálatas 3.10.
Essa Lei da Revelação terá relação com quatro verdades básicas, a primeira sendo A Revelação do próprio Deus, da qual já falamos brevemente. Embora a própria criação testifique da existência de Deus, e o Salmo 19.1-4 deixe toda a humanidade sem desculpa por não se submeter a Ele, Romanos 1.18-20, contudo há muitas coisas sobre Deus que o homem não poderia saber se não fosse pelo fato de que Ele as revelou nas Escrituras.
O primeiro versículo da Bíblia é um testemunho da natureza triúna da Divindade, pois a palavra "Deus" traduz o substantivo hebraico Elohim. A palavra raiz "Eloh" significa literalmente "o Forte", e isso é evidenciado em que esse Forte criou o mundo, e tudo o que está nele, de modo que todos pertencem a Ele por direito de criação, 1 Coríntios 10.26. Essa verdade acusa todo ser humano que não está vivendo em submissão à vontade de Deus. A terminação "-im" é a terminação plural das palavras hebraicas. E aqui é necessária uma explicação. Em português temos substantivos no singular, referindo-se a um, e no plural, referindo-se a dois ou mais. Mas a língua hebraica é diferente, pois tem três números: singular " um; dual " dois; e plural " três ou mais. Daí, a terminação plural desse substantivo se refere a Deus " o Forte " como um Ser uniplural consistindo de três ou mais Personalidades. O restante das Escrituras limita essa pluralidade só a três Pessoas, o Pai, o Filho e o Espírito. Mas ao contrário dos tão chamados unitaristas (os trinitaristas são mais verdadeiramente unitaristas, pois cremos na Unidade de Deus, que não é incoerente com o Trinitarianismo, que sustentamos), as Escrituras começam com um testemunho da doutrina da Trindade, que é explicada posteriormente na Bíblia.
Imediatamente no começo das Escrituras vemos a soberania de Deus, Sua personalidade triúna, Seu direito de posse e Senhorio de toda a criação, Sua benevolência, e muitas outras coisas. Mais tarde Elohim é revelado como Jeová, que é Seu nome pessoal, e esse nome significa que Ele é o Deus que guarda alianças e se preocupa com Seu povo.
Todas as atitudes subseqüentes de Deus para com os homens manifestam Sua santidade imaculada, e conseqüentemente Sua justiça incontestável que deve e punirá todas as violações de Sua santa vontade. "Porque tu não és um Deus que tenha prazer na iniqüidade, nem contigo habitará o mal. Os loucos não pararão à tua vista; odeias a todos os que praticam a maldade. Destruirás aqueles que falam a mentira [quer dizer os que falem contrário à Sua revelação]; o SENHOR aborrecerá o homem sanguinário e fraudulento". (Salmos 5.4-6)
A revelação que Deus faz de Si mesmo não só revela que Ele é Criador e Senhor, e que portanto todos os homens devem fidelidade e adoração a Ele, mas também revela Sua direção providencial de todas as coisas para o bem da criatura quando ela se submete à vontade de Deus. A falha do homem em fazer isso é o que constitui a depravação humana, e conseqüentemente a condição perdida do homem, e assegura a todos os que assim agem que um dia eles serão julgados e condenados. Nenhum texto revela melhor as operações providenciais de Deus para o bem de sua criatura mais elevada do que Romanos 8.28: "E sabemos que todas as coisas contribuem juntamente para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados por seu decreto".
Mesmo que não houvesse outros fatores, só esse bastaria para condenar o homem à perdição eterna, não houvesse uma redenção feita para ele, pois sua descrença é apesar da " e contrária à " contínua bondade de Deus para com ele. Uma das principais, se não a principal, ênfase das Escrituras é que o Deus Triúno que guarda a aliança que Ele fez com o Seu povo realizou uma redenção por eles. A primeira comunicação disso foi dada enquanto o homem caído estava ainda no Jardim do Éden quando Deus predisse que a Semente da mulher derrotaria a semente da serpente, Gênesis 3.15. Esse foi o propósito declarado da encarnação do Filho de Deus. "E dará à luz um filho, e chamarás o nome de JESUS [do hebraico Jehoshua significando Jeová é Salvador], porque ele salvará o seu povo dos seus pecados". (Mateus 1.21) "Bem como o Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e para dar a sua vida em resgate de muitos". (Mateus 20.28)
Todas as coisas revelam a personalidade graciosa de Deus, e devem ser reconhecidas como a revelação que Deus faz de Si mesmo, de outra maneira não podemos interpretar corretamente a Palavra de Deus. Mas há ainda outra coisa que é parte da revelação que Deus deu, e que é, segundo, a revelação da impiedade, ou depravação humana. Esse é o ensino claro das Escrituras acerca do estado natural do homem desde o momento do nascimento. O primeiro homem, que representava todos os que descenderiam dele, pecou, e assim trouxe um estado natural de pecaminosidade sobre todos, Romanos 5.12. Daí, a verdade de Romanos 3.23: "Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus". Isso é inegável, pois todos provam isso continuamente, como o salmista foi movido a escrever no Salmo 10.4-11. O versículo 4 dessa passagem explica a aversão universal do homem a Deus até que ele tenha graciosamente se convertido: "Por causa do seu orgulho, o ímpio não investiga; todas as suas cogitações são: Não há Deus". Aqui está, incidentalmente, a definição de Deus para a maldade. Não necessariamente a imoralidade, mas simplesmente uma aversão inata que move o homem natural a ter tão pouco a ver com Deus quanto possível. Portanto, ninguém pode com justiça interpretar as Escrituras enquanto nega a depravação total do homem.
Embora o homem continuamente negue sua impiedade, e tente justificá-la, sua vida porém é uma prova viva dessa impiedade. Um leigo cristão certa vez disse que as pessoas que afirmarem não crer na depravação total, com certeza a praticam abertamente. Mas quer o homem a reconheça ou não, as Escrituras continuamente revelam a pecaminosidade do homem. O homem natural ama o que Deus odeia, e odeia o que Deus ama, e não quer nada a ver com Deus, e isso é devido em grande parte ao fato de que Deus revela o que o homem não quer, em seu total egocentrismo, reconhecer " sua impiedade inata. Tragicamente, muitos professores aprovam os pecados dos pecadores quando tentam remover a doutrina da depravação total mediante suas interpretações da Bíblia.
Uma das verdades mais fundamentais é que a impiedade humana consiste na recusa do homem de conformar-se à Verdade de Deus. 1 João 3.4s declara que o "pecado é iniquidade"[1]. A Lei de Deus " que abrange muito mais do que os Dez Mandamentos, pois realmente inclui todas as Escrituras " é o padrão de tudo o que é certo e errado. As declarações de Romanos 4.15s deixam claro a abrangência dessa Lei: "Onde não há lei também não há transgressão". E Romanos 5.13s: "O pecado não é imputado não havendo lei". Isso está bem claro. O pecado é só imputado ou declarado contra uma pessoa se ela violou a Lei Divina e se ela não a violou, não importa o que mais ela tenha feito, nenhum pecado é declarado contra ela. O padrão para o que é certo e o que é errado é a Palavra de Deus, um padrão objetivo (fora do homem), e não as próprias idéias de uma pessoa do que é certo e errado, um padrão subjetivo (dentro do homem), como tantos falsamente o interpretam hoje. O pecado é pecado quer o pecador pense que é pecado ou não. E o que os pecadores pensam que é bom não é bom a menos que esteja à altura das exigências de Deus conforme mostram as Escrituras. Essa é uma verdade tremendamente libertadora, pois elimina toda a falsa culpa, e uma verdade que honra maravilhosamente a Deus, pois revela a necessidade de um total conhecimento, e obediência, das Escrituras como o único fator determinante nesse assunto.
Muitos pregadores falsos violam Romanos 4.15 e 5.13 colocando falsa culpa, mediante pregações legalistas, sobre as pessoas às quais eles ministram. Isto é, eles formulam leis eclesiásticas para controlar os membros quanto o que podem crer e fazer quando essas leis não têm base na Palavra de Deus. Esse tipo de pregação é bem popular entre pregadores e até mesmo entre o povo comum, pois agrada à soberba da vida em nos fazer pensar que temos guardado certas leis religiosas, e por isso merecemos a aprovação de Deus. Mas é baseado em princípios errados de interpretação da Bíblia. E essa pregação legalista geralmente ignora o ensino de que somos aceitos totalmente pela graça, ou então o interpreta de modo incorreto. Mas isso é totalmente contrário ao sistema da graça que ensina que se não somos aceitos totalmente pela graça, não somos então de modo algum aceitos diante de Deus.
E, em seqüência, em terceiro lugar, a revelação de Deus é pela graça sendo o único princípio sobre o qual o pecador se achega a Deus sem ser condenado. É somente nessa base que o homem tem alguma esperança, pois sem a graça de Deus o homem está sem esperança e destinado à perdição eterna. As Escrituras revelam o seguinte sobre a graça: (1) Ela vem só de Deus, 1 Pedro 5.10. (2) Ela é totalmente aparte das obras humanas, Romanos 11.6. Não se pode misturar um com o outro, e a confiança num dos dois automaticamente elimina o outro. (3) Ela foi trazida ao homem através da encarnação do Senhor, João 1.14. (4) Ela começou na eternidade, tendo sido depositada em Cristo Jesus para todos os eleitos, 2 Timóteo 1.9-10; Efésios 1.3-6, e a sua aplicação é suficiente para sempre. (5) Ela tanto salva quanto santifica, Tito 2.11-12, de modo que a partir do momento em que Deus começa a aplicá-la, aquele que a recebe jamais fica fora de seu poder que a tudo supera, Romanos 5.20-21. (6) Ela realmente entra em toda área da vida humana, 2 Coríntios 9.8, com exceção do juízo final. Não haverá graça ali, mas só pura justiça condenatória. Precisamos observar, e louvar a graça que é evidente em toda parte em nossas vidas. (7) As vitórias da graça triunfante terão um replay por toda a eternidade à medida que o estilo de vida de cada santo for mostrado a todos os outros para o louvor da gloriosa graça de Deus, Efésios 2.7; 1.3-6. Ninguém pode ser um obreiro aprovado e manejar bem a interpretação da Palavra de Deus sem manejar bem a graça de Deus.
Vemos Deus revelando a graça no fato de que Ele fez da fé o único meio de agradar a Ele, Hebreus 11.6, mas a fé é sempre uma manifestação da graça operacional, conforme nos diz Romanos 4.16. Onde há a fé genuína, vemos uma evidência da graça, pois só cremos pela graça, Atos 18.27s. As Escrituras declaram que a fé não é uma capacidade natural de alguém, mas em vez disso é obtida de Deus, Efésios 2.8-9, sendo uma das muitas coisas que fazem parte da vida e piedade que Deus deu a Seu povo, 2 Pedro 1.1-4. Em todo lugar em que o novo nascimento e a fé são mencionados juntos, os tempos dos verbos gregos mostram que o novo nascimento, que é obra exclusiva de Deus, vem antes da fé, e é realmente a causa dela, João 1.12-13; 1 Pedro 1.21-23; 1 João 5.1, e outros. E isso é lógico bem como bíblico, pois logicamente a vida vem antes das atividades da vida. Um homem morto, quer morto física ou espiritualmente, só consegue fazer uma coisa, que é se decompor mais.
Pelo fato de que a graça não existe na natureza no homem, mas é um dom divino, Deus deve revelá-la ao homem antes que ele a veja e entenda. Sendo a graça de Deus um favor que não é merecido e é imerecido, é uma verdade que é diametralmente oposta ao orgulho e auto-suficiência inatos do homem, e por esse motivo ele resistirá a essa verdade até que a graça crucifique a carne. As Escrituras muitas vezes mostram que a redenção graciosa de Deus não deixa espaço para glorificar a carne, Romanos 3.27; Efésios 2.9, mas dá toda glória a Deus, Efésios 1.6-7.
Portanto, ninguém pode com justiça interpretar a Palavra de Deus a menos que ele entenda o princípio da graça sobre o qual se baseia toda a bondade de Deus ao homem. Em vez disso, ele enganará aqueles sobre os quais ele tem alguma influência espiritual, e esse é o motivo por que é tão importante entender e interpretar com justiça a graça de Deus.
E isso nos leva ainda a outra revelação que Deus deu, que é a quarta, a revelação da bondade de Deus aos homens. Todas as atitudes de Deus para com o homem " até que o homem as rejeite mediante rebelião " são caracterizadas por bondade. Toda a criação foi estabelecida para manifestar bondade para a humanidade, e só experimentamos coisas ruins porque o homem faz muitas invenções nas obras de Deus. Nada de ruim vem de Deus, exceto aquilo que a pecaminosidade e a rebelião humana compelem Deus a enviar.
A evidência mais inicial da bondade spiritual de Deus para com o homem será totalmente mal compreendida, por causa da cegueira espiritual do homem que o pecado operou nele. "A benignidade de Deus te leva ao arrependimento". (Romanos 2.4) Mas o homem interpreta mal isso como tentativa de Deus de tirar os prazeres da vida, e torná-lo infeliz. Quando o homem rejeita a bondade de Deus, então a ira de Deus é revelada contra toda impiedade, versículos 4-6, pois é uma cegueira proposital às evidências universais da bondade de Deus, Romanos 1.18-20.
As Escrituras muitas vezes enfatizam a bondade de Deus que nos cerca completamente, Salmo 33.5: "A terra está cheia da bondade do SENHOR". Salmo 52.1: "A bondade de Deus permanece continuamente". Nem é toda essa bondade apresentada como algo que é frustrantemente fora de nosso alcance, ou proibida para o nosso gozo, pois Deus "nos dá todas as coisas para delas gozarmos". (1 Timóteo 6.17) É uma paródia diabólica fazer de Deus um grande estraga-prazeres cósmico que está fazendo tudo em Seu poder para tornar o homem tão infeliz quanto possível. Sim, às vezes pregadores ignorantes mediante sua pregação legalista dão a mesma impressão. Nada poderia ser mais longe da verdade. Não há nada verdadeiramente bom que o mundo goze que Deus não tenha permitido a Seu povo também gozar, contanto que eles o façam dentro dos limites de segurança que Ele colocou ao redor deles. Deus só proíbe aquilo que é espiritualmente mortal, que só um imbecil completo poderia desejar.
Deus revelou Sua bondade para Sua criação de modo que pudéssemos ver o valor que Ele dá ao nosso amor, adoração e louvor. Ai de nós" Somos muitas vezes como animais vorazes que rosnam contra seus donos até mesmo enquanto comem daquilo que os seus donos lhes dão. Ao mesmo tempo em que Deus derrama Sua bondade com tal abundância, muitas pessoas, inclusive santos professos, rosnam contra Ele, e O criticam dizendo que não têm mais e melhores coisas. A ingratidão é uma evidência de depravação, Romanos 1.21-22: "Porquanto, tendo conhecido a Deus, não o glorificaram como Deus, nem lhe deram graças; antes, em seus discursos se desvaneceram, e o seu coração insensato se obscureceu. Dizendo-se sábios, tornaram-se loucos".
Deus revelou muitas coisas em Sua Palavra, e essas foram reveladas "para que cumpramos todas as palavras desta lei". (Deuteronômio 29.29) Então a Palavra de Deus é lei, não uma mera opinião ou sugestão, e ninguém pode manejar bem a interpretação das Escrituras se não começar reconhecendo e se submetendo à Palavra de Deus que é tanto completa quanto inerrante.
[1] Condição de ser sem lei -- #458, Strong"s Exhaustive Concordance
Autor: Davis W. Huckabee
Tradução: Júlio Severo
Revisão e Edição: Joy E Gardner e Calvin G Gardner
INTRODUÇÃO A HERMENÊUTICA
COM A INTENÇÃO DE CONTRIBUIR DE ALGUMA MANEIRA COM OS PROFESSORES E AMANTES DA ESCOLA BÍBLICA DOMINICAL, SEGUE UMA BREVE INTRODUÇÃO SOBRE REGRAS DE INTERPRETAÇÃO BÍBLICA ESPERO QUE SEJA PROVEITOSO AOS AMIGOS LEITORES DESTE BLOG.
Estudos em Hermenêutica Bíblica
Ou, Leis Básicas de Interpretação da Bíblia
Pr. Davis W. Huckabee
Define-se hermenêutica como "a ciência da interpretação; principalmente, o ramo da teologia que trata dos princípios da exegese", Novo Dicionário Mundial Webster[1]. Ter o método correto de interpretação da Palavra de Deus significa a diferença entre sua correta compreensão, e heresias nas crenças e comportamento. Em assuntos espirituais, é de grande importância que tenhamos princípios sólidos de interpretação da Bíblia, ou então nos desencaminharemos mediante uma compreensão pervertida da Revelação de Deus à humanidade. Toda heresia que já causou destruição na raça humana ocorreu porque alguém interpretou a Palavra de Deus de modo errado em algum ponto, ou então, como é menos comum, agiu em consciente oposição à Verdade.
Vê-se a importância da correta interpretação da Bíblia na exortação de 2 Timóteo 2.15: "Procura apresentar-te a Deus aprovado, como obreiro que não tem de que se envergonhar, que maneja bem a palavra da verdade." "Procura" no português moderno é mais restrito do que o significado antigo em português e a palavra grega (spoudazo), que das onzes vezes em que aparece é traduzida "com diligência; esforçar-se, procurar". Essa palavra, embora inclua o processo mental de estudar (no sentido moderno), inclui muito mais. Não só isso, mas o grego para "maneja bem" (orthotomos) era usado na antiga Grécia para fazer uma linha reta ou arar um sulco reto de arado.
"Theodoret explica que essa palavra significa arar um sulco reto de arado. Parry argumenta que a metáfora é o pedreiro cortando pedras retas, já que assim são usadas as palavras temno e orthos. Considerando que Paulo era um fazedor de tendas e sabia como cortar reto o áspero material de pelo de camelo, por que não deixar que isso seja a metáfora" Certamente, já há muita exegese torta o suficiente (estilos de patchwork[2]) para que se invoque a necessidade de um corte cuidadoso para ajustá-la". " A. T. Robertson, Word Pictures In The New Testament (Ilustrações da Palavra no Novo Testamento), Vol. IV, pp. 619-620.
É uma verdade trágica " tão conhecida que é inegável " que boa parte das interpretações forçadas das Escrituras é um tipo de patchwork, e muitas pessoas são culpadas de interpretar as Escrituras numa linha ziguezague a fim de harmonizá-las com seus preconceitos pessoais. Mas se quisermos ser aceitos pelo Senhor quando permanecermos diante dEle no juízo, então vamos ter de interpretar a Palavra de Deus em linha reta do começo ao fim, mesmo quando seu corte cruza diretamente nossas teorias e convicções prediletas. É uma incoerência suprema interpretar as Escrituras de um jeito quando estamos argumentando uma coisa, então darmos meia volta e interpretarmos de outro jeito quando estamos discutindo outro argumento, apenas para podermos manter nossa própria teoria. A Palavra é comparada a uma afiada espada de dois gumes, Hebreus 4.12, e uma parte dessa comparação é que a Palavra corta de duas direções. Se a usarmos para derrubar a interpretação de um oponente, não nos esqueçamos de que a Palavra tem o outro lado apontado para nossa direção para derrubar também nosso método de interpretação se for contrário às Escrituras.
Coerência em nosso método de interpretação da Bíblia é uma jóia preciosa que todo cristão deve almejar com todas as forças " não só os pregadores, embora os pregadores causarão danos muito maiores se tiverem um método ziguezague de interpretação da Bíblia. B. H. Carroll tem observações tão excelentes sobre 2 Timóteo 2.15 que o melhor que podemos fazer é citá-las para benefício dos leitores. Ele diz:
"A idéia é a de um fazendeiro arando um sulco reto de arado, não torto, curvado ou ziguezague. Já vi num grande campo homens arando uma linha reta por uma milha " reta como uma flecha. Assim, quando chegamos ao debate acerca da verdade, devemos arar um sulco reto, dividi-lo em linha reta, maneja-lo bem. Não devemos fazer ziguezague entre as palavras como se estivéssemos tentando entusiasmar algo repentinamente, mas ir direto ao alvo, talhar rente à linha e se fomos testados como ministros de Deus podemos fazer isso. Aqui está um jeito pelo qual podemos saber que estamos arando um sulco reto: Se aplicarmos uma interpretação a alguma passagem que no livro seguinte irá diretamente contra, ou dar sombra de dúvida, esse sulco não será aprovado conforme à Bíblia e nós temos a idéia errada acerca da interpretação. Se temos a idéia certa, o sulco será um sulco reto de Gênesis até Apocalipse. Ficará de acordo com o cânon, ou regra da verdade". " An Interpretation of the English Bible (Uma Interpretação da Bíblia em Inglês), Vol. 16, p. 143ff.
Todo cristão deve ser uma pessoa do Livro, e os batistas em particular têm há muito sido conhecidos como "povo do Livro", que é o que todo cristão deve ser. Mas todos precisam dar atenção ao jeito como lêem e interpretam as Escrituras, pois até mesmo os agnósticos e infiéis lêem e interpretam as Escrituras, mas eles fazem isso com o propósito de desprezar e derrubar as afirmações e ensinos das Escrituras. Assim, é óbvio que ler e interpretar as Escrituras não significa nada, a menos que princípios certos sejam empregados na sua leitura e interpretação.
Já foram escritos muitos livros sobre hermenêutica bíblica, porém este escritor não teve o privilégio de ler a maioria deles. Contudo, em seus quarenta anos de ministério ele observou que as seguintes coisas são leis básicas para a interpretação correta das Escrituras. E ele espera que o uso dessas leis ajudará outros a serem melhores estudantes da Bíblia. Se fossem usadas por todos, essas "Leis" ajudariam todos os estudantes da Bíblia a ter uma opinião em grande parte harmoniosa das doutrinas bíblicas.
[1] hermenêutica " [F. subst. de hermenêutico.] S. f. 1. Interpretação do sentido das palavras. 2. Interpretação dos textos sagrados: 3. Arte de interpretar leis: Dicionário Aurélio Eletrônico
[2] Patchwork " [Ingl.] Adj. 2 g. 1. Diz-se do tecido feito com retalhos retangulares de tecidos de cores ou estampados diferentes, cosidos entre si, ou do tecido com estampado que repete o motivo acima. [O desenho deles é o mesmo de certos panos de crochê ou de retalhos feitos com pedaços retangulares de material de cores diversas.] Dicionário Aurélio Eletrônico
Autor: Davis W. Huckabee
Tradução: Júlio Severo
Revisão e Edição: Joy E Gardner e Calvin G Gardner


