sábado, 12 de fevereiro de 2011

Assistência social, um importante negócio

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TEXTO ÁUREO = “Bem-aventurado é aquele que atende ao pobre; o Senhor o livrará no dia do mal” (SI 41.1).
VERDADE PRÁTICA = Fé e obras se complementam inseparavelmente na vida daquele que vive para Jesus.
INTRODUÇÃO
Atender ao pobre em suas necessidades é um preceito bíblico (Lv 23. 22; Dt 15. 11; Sl 41.1; 82. 3; At 11. 28-30; GI 2. 10). A missão assistencial da Igreja no mundo é a continuação da obra iniciada por Jesus. Assim como o Senhor jamais se esqueceu dos pobres, a Igreja não deve desprezá-los (Lc 4. 18,19). O imperativo da Grande Comissão inclui, na essência da mensagem do evangelho, o atendimento às pessoas necessitadas. Ver Mt 25. 35-40; Jo 13. 14,15. Nesta lição, estudaremos a responsabilidade social da Igreja.
FUNDAMENTOS DA RESPONSABILIDADE SOCIAL DA IGREJA
1. No Antigo Testamento (Dt 15. 10,11). Esta é uma das muitas referências do Antigo Testamento sobre o nosso dever de ajudar, assistir e socorrer os necessitados. Devemos atender ao pedinte (Dt 1 5.7-10) e ao carente de víveres para a sua subsistência (SI 132. 15). Ver Lv 19.10; 23.22; Êx 23. 11. A justiça social ordenada por Deus determinava que os ricos não desprezassem os pobres (Dt 15. 7-11), e que o estrangeiro, a viúva e o órfão fossem atendidos em suas necessidades (Ex 22. 22; Dt 10. 18; 14. 29).
2. No Novo Testamento (Mt 26. 11; GI 2. 10). Aqui estão incluídos os pobres, enfermos, deficientes físicos, crianças, idosos, desamparados, desabrigados, encarcerados, bem como os incapazes de retribuir quaisquer favores recebidos (Lc 14. 13,14). Quando Cristo veio ao mundo, a Palestina passava por graves problemas sócio-econômicos, de sorte que muitos o buscavam apenas para saciar a fome (Jo 6.26). É justamente nesse contexto que devemos estudar a ação social da igreja primitiva. Ler At 2. 43-46; 6. 1; Rm 15. 25-27; I Co 16. 1-4; II Co 8; 9; GI 2. 9; Fp 4. 18,19, etc.
A RESPONSABILIDADE SOCIAL DA IGREJA PRIMITIVA
Após o derramamento do Espírito Santo no Dia de Pentecostes em Jerusalém, e a conversão de quase três mil almas a Cristo, houve um grande despertamento espiritual entre os primeiros crentes. A despeito de os apóstolos jamais deixarem arrefecer a principal missão da Igreja na Terra, que compreende: a pregação do evangelho, a doutrina, a comunhão, a fraternidade e a oração (At 2. 42; 4. 31; 5. 42), o Espírito Santo também inspirou e guiou aqueles servos de Deus rumo ao cumprimento da missão social da igreja. Vejamos:
1 Doutrina. “E perseveravam na doutrina dos apóstolos”.
A doutrina cristã, ensinada por Jesus durante seu ministério terreno, continuou no coração e na mente dos apóstolos. Agora, o Espírito Santo vivificava e consolidava em suas mentes tudo quanto o Senhor ensinara como Jesus havia predito (Jo 14. 26; 15.26; 16. 13, 13). A primeira coisa que cuidaram na igreja nascente foi à doutrina, que é essencial à fé cristã.
2. Comunhão. ‘“E perseveravam na comunhão”. Comunhão quer dizer “aquilo que é comum a todos”; “fraternidade”; “compartilhar de um interesse comum”. Portanto, é relacionamento íntimo e fraternal entre os irmãos. Na igreja primitiva, era uma prática que fortalecia o relacionamento social e despertava a sensibilidade dos crentes pelas necessidades uns dos outros (At 2. 44-46; 4. 32-36).
3. Solidariedade. “E perseveravam no partir do pão”. Em Atos 2.42, pode referir-se tanto às refeições comuns quanto à Ceia do Senhor. Era costume, entre os judeus, representar a comunhão entre as pessoas, segurando com as mãos o pão e partindo-o em pedaços, ao invés de cortá-lo (Lc 22. 19; I Co 11. 24). Era um ato de fraternidade e solidariedade entre os irmãos. Essa prática sugere a necessidade de a Igreja partilhar, por meio do serviço social, o pão material com os necessitados.
4. Oração. “E perseveravam nas orações”. O sentido plural da palavra oração indica a diversidade dos propósitos pelos quais oramos, bem como as diferentes formas de oração. A oração foi à força motriz do grande avivamento no dia de Pentecostes (At 1. 14; 2. 1; 3. 1). Havia uma assídua participação nas reuniões de oração da igreja primitiva, porque os crentes estavam sempre unidos em um mesmo Espírito, fé e amor.
UM PROFUNDO SENSO DE RESPONSABILIDADE SOCIAL
(vv. 44,45)
Ao invés de a igreja primitiva discutir se era ou não de sua responsabilidade suprir as necessidades dos cristãos pobres, realizava esse serviço movido de amor e compaixão de Deus. O bem-estar social de cada irmão em Cristo tinha sua base nos valores espirituais e morais da igreja nascente.
1. A igreja era caridosa (At 2. 45). Os versículos 43 e 44 indicam três qualidades da igreja cristã: temor, fervor pentecostal e unidade. No original, os verbos dos vv. 43,44 descrevem uma ação repetida e contínua – os discípulos continuavam sendo cheios de temor e vendendo seus bens à medida que as necessidades individuais surgiam: “repartiam com todos, segundo cada um tinha necessidade” (v.45). O temor dos crentes não era medo, mas um profundo reconhecimento de que tudo o que estava acontecendo com eles procedia de Deus.
A igreja era pentecostal, no sentido bíblico da palavra, e unida: “tinham tudo em comum”.A consciência dos crentes foi despertada para sair da neutralidade e da omissão social.
2. Consciência das necessidades materiais dos cristãos (At 11. 27-30). A Bíblia registra a profecia concernente à grande fome e empobrecimento que atingiu o mundo de então. Esse fato ocorreu no governo de Cláudio César, imperador de Roma, entre 45-54 d.C. Josefo, historiador judeu, registra uma grande fome na Judéia em 46 d.C. Foi nesse período de extrema necessidade que os cristãos de Antioquia enviaram suprimentos à igreja de Jerusalém. A igreja missionária em Antioquia se preocupava com o estado dos demais cristãos no mundo, especialmente com a igreja-mãe em Jerusalém. Os cristãos foram estimulados a contribuírem conforme suas posses, enviando as ofertas por meio de Barnabé e Paulo, e assim socorreram os irmãos da Judéia.
3. A igreja primitiva cumpria sua missão social (II Co 8. 3,4; 9. 13). A igreja não apenas pregava o evangelho, mas também atendia àqueles que necessitavam de socorro físico e material (Gl 2. 9,10).
Os seguintes princípios devem nortear o serviço social da igreja:
a) Mutualidade – isto é, ser generoso, recíproco, solidário.
b) Responsabilidade-trata-se de privilégio e não obrigação (II Co 8. 4; 9. 7);
c) Proporcionalidade – contribuição de acordo com as possibilidades individuais (II Co 9. 6,7).
EXEMPLOS DE AÇÕES GENEROSAS ( Co 8.1-6,9; 9.1,2)
1. O exemplo dos macedônios (8.1-6). O princípio da generosidade está fundamentado na idéia de doar e não de ter (II Co 8.12). A prova vem das igrejas macedônias que eram gentias e, apesar de suas dificuldades e pobreza, foram capazes, por causa do amor a Deus, de ofertar o pouco que tinham para socorrer os pobres de Jerusalém. Paulo cita-lhes o exemplo e passa a exortar os coríntios a que observem a mesma prática em termos de contribuição. O apóstolo apela para os cristãos de Corinto ser abundantes na generosidade para com os irmãos necessitados, especialmente, os de Jerusalém, a Igreja-mãe, pois foi onde tudo começou.
2. O exemplo de Jesus Cristo (8.9). Segundo o Dicionário Houaiss, generosidade é a “virtude daquele que se dispõe a sacrificar os próprios interesses em benefício de outrem”. Esta acepção encaixa- se perfeitamente no que Paulo afirmou acerca do Filho de Deus, dizendo que Ele “sendo rico, por amor de vós se fez pobre” (v.9). Para o apóstolo dos gentios, o sacrifício de Jesus não começou no Calvário, nem sequer com sua humilhação fazendo-se homem e nascendo de mulher.
O sacrifício de nosso Senhor teve início rio Céu, quando se despojou de sua glória para vir a Terra e der a sua vida em resgate da humanidade. Seu exemplo de generosidade vai além de qualquer outro. Paulo diz que Jesus se fez “pobre”, para que, pela sua “pobreza”, nós, cristãos fôssemos enriquecidos (v.9; I Co 1 .5). O sentimento que dominou o ministério de Jesus é o que deve permear o coração dos crentes, tendo disposição de vontade para fazer o melhor pelo Reino de Deus, inclusive, contribuir com amor fraterno para os necessitados (Fp 2.5).
3. O exemplo da igreja coríntia (9.1,2). O apóstolo é amável e felicita os coríntios pela abundância de bênçãos espirituais que têm experimentado.
Em termos de caridade, os coríntios já haviam- na manifestados a Paulo e aos seus companheiros (II Co 8.7). A fim de defender a importância de tal contribuição, ele afirma que Tito fora sido recebido carinhosamente em Corinto e começado o levantamento de ofertas (8.6-1 2). Paulo reconhece esse primeiro esforço, entretanto, recorda-lhes que não devem ficar apenas com esse ato inicial, mas que concretizem o propósito de enviar a oferta que prometeram (8.11).
EXORTAÇÃO AO ESPÍRITO GENEROSO PARA CONTRIBUIR (Co 8.7-15)
1. A igreja de Corinto foi encorajada a repartir generosamente com os necessitados (8.11).
Paulo motiva a igreja lembrando suas virtudes positivas e declara que os coríntios têm sido abundantes na fé, no entanto, apela a que sobejem, também, na graça da generosidade (II Co 8.7). Para não parecer que está exercendo sua autoridade apostólica com atitude interesseira, Paulo apenas dá o seu parecer sobre o assunto. Ele não impõe à igreja qualquer encargo, mas recorre ao espírito generoso dos irmãos quanto à contribuição financeira em favor dos crentes de Jerusalém (v.8).
2. A responsabilidade social da Igreja. Atender ao pobre em suas necessidades é um preceito bíblico (Lv 23.22; Dt 15.11; SI 82.3; At 11.28-30; Cl 2.10; Tg 2.15,16). A missão assistencial da Igreja no mundo é a continuação da obra iniciada por Jesus. Assim como o Senhor jamais se esqueceu dos pobres, a Igreja não deve desprezá-los (Lc 4.1 8,1 9), pois na essência da mensagem do Evangelho está também o atendimento às pessoas necessitadas. A Igreja Primitiva deu ênfase à assistência generosa para com os seus pobres.
A Bíblia afirma que os Cristãos primitivos “repartiam com todos, segundo cada um tinha necessidade” (At 2.44,45).
3. A generosidade cristã requer reciprocidade mútua dos recursos. O sentimento comunitário é um dos sinais do cristianismo autêntico.
Todos são iguais perante o Senhor, e seus direitos são os mesmos, O princípio da igualdade refuta as diferenças sociais quando é possível que algo seja feito.
A reciprocidade mútua entre os crentes supre as necessidades dos irmãos que fazem parte da mesma fé. Não pode haver espaço para a fome e a nudez no meio do povo de Deus. A base desse sentimento constitui o critério da generosidade que deve permear a vida cristã.
OS PRINCÍPIOS DA GENEROSIDADE ( Co 9.6-15)
1. O valor da liberalidade na contribuição. No Antigo Testamento, a entrega do dízimo obedecia a uma lei. Todo israelita tinha a obrigação de entregar o seu dízimo na Casa do Senhor (Dt 14.22).
O dízimo, mais que uma regra a ser obedecida, é um princípio de gratidão, fé e obediência. O doador o faz porque reconhece o senhorio de Deus sobre suas finanças. Na igreja, o cristão obedece ao princípio da fé e do reconhecimento do Senhorio de Cristo. Assim, do ponto de vista bíblico, a contribuição não se restringe aos 10% (o valor mínimo que o crente deve trazer à casa do tesouro); o princípio que a rege é o da liberalidade. Portanto, não há limite para a contribuição (II Co 9.10). A pessoa oferta o que coração; o que vale é o seu princípio (o dar com liberalidade), não a regra.
Ninguém o faz por força de uma lei ou preceito, mas sim por gratidão ao Senhor, por fidelidade e reconhecimento. As ofertas devem ser espontâneas, de coração aberto, e sem avareza (9.5). Deus se com praz em abençoar a igreja, dando- lhe bênçãos espirituais e materiais. Assim como Ele abençoa seus filhos, espera que seus filhos abençoem generosamente seus irmãos na fé. Este princípio orienta que devemos dar com alegria, não com tristeza ou por necessidade (II Co 9.7).
2. A igreja deve socorrer os necessitados obedecendo a três princípios que norteiam o serviço social. A igreja não apenas prega o Evangelho. Ela deve atender os seus necessitados em termos físicos e materiais (GI 2.9,10). Três princípios são fundamentais neste exercício: a) Mutualidade: Este princípio se manifesta em generosidade, reciprocidade e solidariedade (At 2.44,45); b) Responsabilidade: Com a obra de Deus e com seus irmãos necessitados (2 Co 8.4; 9.7); c) Proporcionalidade: Nesta perspectiva, o cristão contribui de acordo com as suas possibilidades (II Co 8.12).
3. A graça de contribuir. A generosidade requerida por Paulo não se constituía de atitudes vazias ou meras formalidades sociais. As igrejas que ajudam às suas coirmãs, ou investem na obra de evangelização e missões, são abençoadas copiosamente; ofertar é um ato de adoração e louvor a Deus (Fp 4.1 8). Além do mais, a graça de contribuir está fundamentada no princípio de que mais “bem-aventurada coisa é dar do que receber” (At 20.35).
OS CRISTÃOS POBRES DE JERUSALÉM:
Leiamos Rm 15:25-29.
1. O papel da Igreja na socieciedade – O objetivo principal da Igreja é glorificar a Deus (I Cor 10:31). Alguém pode perguntar: “A tarefa principal da Igreja não é a evangelização?” A resposta é afirmativa. Isso, porém, é conseqüência do glorificar a Deus. A atividade da Igreja se direciona em dois sentidos: vertical — adoração, autoridades espirituais; horizontal — servir ao próximo, atividades filantrópicas e sociais. Por isso Deus eseleceu ministérios na Igreja.
2. O reconhecimento dos gentio – (v.27). Os gentios deviam se sentir endividados espiritualmente com os judeus; afinal Jerusalém era a igreja-mãe. Como nós, no Brasil, conhecemos os nossos pioneiros suecos, e temos uma admiração profunda pela Suécia, a nossa mãe, que nos enviou os primeiros missionários. Assim também, os gentios tinham apreço especial pelos irmãos judeus de Jerusalém.
3. Jerusalém e suas necessidades – Agora, a igreja de Jerusalém padecia necessidades. O apóstolo Paulo era um homem muito cuidadoso. Tudo o que fazia, o fazia com dedicação e empenho (Ec 9.10). Seu cuidado com as igrejas não se restringia apenas ao plano espiritual. Paulo, sabendo dessa necessidade, levantou ofertas na Macedônia, na Acaia (v.26; 2 Co 8.1), em Corinto e na Galácia (l Co 16.1-3; 2 Co 8.6-11; 9.1-5), para suprir as necessidades dos irmãos pobres de Jerusalém.
4. Objetivo de Paulo – O apóstolo Paulo via a necessidade de unir as igrejas gentias com a de Jerusalém. Os gentios ainda eram vistos com suspeitas por causa dos costumes judaicos. Essa oferta era um gesto espontâneo baseado no amor fraternal, e com isso levava os gentios a reconhecerem sua dívida espiritual com Jerusalém. Não era uma inovação, pois, cerca de 11 anos antes, juntamente com Barnabé, Paulo levou uma oferta para os necessitados de Jerusalém (At 11.30).
A NECESSIDADE ATUAL:
1. “Ministrar aos santos” (v.25). Essa expressão diz respeito ao serviço social prestado pelo apóstolo aos irmãos pobres de Jerusalém. Ministério significa serviço. Deus incluiu entre os ministérios dados à Igreja, o serviço social (Rm 12.8); depois, dons de curar, socorros, governos, variedades de línguas (l Co 12.28).
2. Mazelas sociais – Mc 14.7 – Hoje se fala dos meninos e meninas de ruas juntamente com os idosos abandonados, da prostituição infantil, das freqüentes invasões de terra, do desemprego e de outras mazelas. O que a Igreja tem feito para aliviar o sofrimento dessa gente?
É bom lembrar que desde o princípio do mundo que os trabalhos filantrópicos estiveram sempre ligados à religião (Tg l .27).
3. Pão para quem tem fome – Não podemos ficar alheios ao sofrimento do próximo (l Jo 3.17). Con­vém lembrar que uma cesta básica não resolve o problema do pobre. O problema é resolvido à medida que essas pessoas forem absorvidas no mercado de trabalho, ganhando seu pão com o suor do seu rosto. A cesta básica é um paliativo até que essas pessoas consigam emprego. O que não se deve é despedir sem nada o necessitado. Tiago chama esse procedimento de fé morta (Tg 2.14-17).
A FILANTROPIA NA BÍBLIA
1. Esta palavra significa “humanitário, amigo da humanidade”, e vem do grego filós, “amigo” e anthropos, “homem”. Ora, se os que não têm esperança estão sempre dispostos a ajudar a seu próximo, por que não nós, que somos filhos da luz? O cristão tem inclinação para ajudar os pobres e necessitados, porque ele é “participante da natureza divina” (2 Pe 1.4).
2. Desde Moisés. O assunto da filantropia vem desde Moisés e perpassa toda a Bíblia. Jesus deu o exemplo de filantropia numa época em que não havia infra-estrutura e nem organização estatal. Quando falamos de trabalhos sociais e filantrópicos queremos mostrar as várias maneiras pelas quais a Igreja procura socorrer os pobres nas suas necessidades. Como o pecado é a causa primária dessa miséria, enquanto o mundo subsistir, estas coisas estarão presentes.
3. No Cristianismo. Não demorou muito para que os serviços sociais surgissem na Igreja. Os apóstolos delegaram esses trabalhos aos irmãos vocacionados, de boa reputação, cheio do Espírito Santo e de sabedoria. Os apóstolos deram assim importância a essa atividade, não fi­cando alheios aos problemas dos necessitados. Isso está muito claro em Atos 6.1-6, quando houve a separação de crentes para o diaconato, a fim de servirem nesse ministério.
V. AS BÊNÇÃOS DE DEUS:
1. Comunicar e comunicação – O apóstolo Paulo costuma usar o verbo “comunicar” ou o substantivo “comunicação” com referência ao ato de o cristão compartilhar o que tem com os demais (2 Co 8.4; Fp 4.15). A Versão Almeida Atualizada usa o verbo “associar”. Isso diz respeito à ajuda aos necessitados (Hb 13.16) e também à ofertas ou ao sustento missionário (Fp 4.15).
2. Deus promete retribuir – Quem ajuda ao necessitado, Deus o abençoa (2 Co 9.8-12). Temos a promessa de Deus de uma boa colheita – salário abençoado. Por isso, Jesus disse que é melhor dar do que receber (At 20.35). Jesus garantiu que quem assim faz, de maneira nenhuma perderá o seu galardão (Mt 10:42).
3. A omissão dessa responsabilidade é pecado. Deus abençoa, tanto no sentido espiritual como no material aos que ajudam os necessitados. Ele aumenta os bens materiais para que também aumente as condições de ajuda aos necessitados. Quem dá ao pobre empresta a Deus (Pv 19.17). Qualquer omissão diante desta responsabilidade espiritual, pesa sobre a Igreja, pode resultar em graves conseqüências. A Bíblia diz que o “que retém o trigo, o povo o amaldiçoa” (Pv 11.26).
4. A caridade fraternal. Infelizmente ainda há igrejas que continuam insensíveis às necessidades do pobre e aos serviços sociais. Dão muita ênfase à guerra espiritual, ao mundo invisível, mas não se importam com o mundo visível. Não devemos nos esquecer da hospitalidade, dos presos e dos maltratados Hb 13.1-3.
O MINISTÉRIO SOCIAL E O CRESCIMENTO DA IGREJA
No segundo capítulo, falamos da missão da Igreja. Vimos como o mandato evangelístico tem prioridade e como podemos desenvolver um ministério eficiente, ocupando-nos em “edificar Sua Igreja” e em cuidar de todas as responsabilidades do crente, nas quais está incluído o ministério social de que queremos falar neste capítulo.
O Movimento de Crescimento da Igreja tem sido acusado de não dar uma ênfase no ministério social da Igreja. Certo é que, no passado, esta ênfase não foi expressamente articulada e hoje, mais que nunca, temos livros e escritos que demonstram que Crescimento da Igreja está levando em conta todo o evangelho, do qual o ministério social é uma parte. Indubitavelmente, será muito difícil satisfazer a todo o mundo, mas, à medida em que as bases do Crescimento da Igreja forem mais estudadas, maior será o conhecimento e o reconhecimento que receberão. Não podemos polarizar o mandato cultural e nem o evangelístico, mas devemos reconhecer as diferenças entre um e outro.
Conforme já dissemos: “Quanto mais igrejas tivermos, quanto mais crentes formos, não somente teremos uma evangelização mais agressiva e um reconhecimento maior das igrejas, como também poderemos participar mais ativamente nas necessidades físicas e políticas deste mundo. Quando falarmos de libertação, justiça e paz, seremos ouvidos.
Dividiremos nosso estudo em duas partes maiores:
1) o Serviço Social; 2) a Ação Social.
Estes temas estarão sendo considerados em profundidade em conferências internacionais. Quando este livro estiver sendo impresso, estará se reunindo uma delas em Grand Rapids, Michigan, E.U.A., promovida pelo Comitê Para a Evangelização Mundial de Lausane e pela Confraternização Mundial Evangélica.
Isto me faz pensar que os leitores interessados terão muito mais para ler daqui em diante. Espera-se que, nesta conferência, analise-se a história e as Escrituras, à luz de experiências e estudos contemporâneos, conforme diz Leighton Ford: “Os patrocinadores têm a esperança de que a conferência contribua grandemente para esclarecer a visão evangélica desta relação crucial entre a evangelização e a responsabilidade social”. Faremos nossa parte neste capítulo para apresentar o pensamento c Crescimento da Igreja.
O Serviço Social
Este é um tipo de ministério que satisfaz às necessidades tanto de indivíduos como de grupos ou pessoas de uma forma direta e imediata. Isto não é nada novo para a Igreja e o temos feito em uma medida ou outra. Já mencionei que quando nasci meus pais pertenciam ao Exército de Salvação. Ali conheci muito de perto o que isto queria dizer: “fazer serviço social”. Aprendi a solicitar ajuda de alimentos, abrigos e até mesmo dinheiro. Lembro-me quando falava com comerciantes, chefes de casas de cereais e autoridades municipais, etc. Voltava sempre carregado com as “cooperações” que esta gente dava. Pergunto-me hoje, como me escutavam, como me davam coisas. O certo é que o faziam. Hoje, minha surpresa maior é quando me lembro que não tinha mais de 9 anos de idade. Quando eu tinha esta idade, nós nos mudamos de lugar e começamos a freqüentar a Igreja dos Irmãos, com a qual trabalho até o presente.
Certamente, o serviço social não está limitado ao que eu podia fazer como criança. E muito máis do que providenciar comida ao necessitado e agasalho ao que tem frio. Há tempo de fome, quando se deve providenciar alimentos. Terremotos e outros fenômenos naturais requerem a ação da Igreja. Quando surgem epidemias, a Igreja pode prover medicamentos e cuidados médicos. Muito do evangelho conhecido hoje na América Latina e a implantação de muitas igrejas têm ocorrido através de escolas, orfanatos e postos de saúde que foram abertos em nossos países. Primeiro, a evangelização de presença 1 -P semeou de modo que, quando o evangelho 2-P foi pregado, as pessoas escutaram e o aceitaram para, em seguida, serem incorporadas às igrejas como membros responsáveis e reprodutivos 3-P.
Não somente os países desenvolvidos têm agências e organizações para realizar este serviço social; pois elas também existem nos países latino-americanos. Vemos isso também dentro das igrejas, onde se está tratando de suprir a necessidade do ser humano.
Temos organizações como a Visão Mundial, que trabalham especificamente para suprir esta necessidade. Muitas destas organizações trabalham com duas metas. A primeira, é a de “auxílio de emergência” aos povos e indivíduos, quando os males já aconteceram.
A segunda, é ajudar o desenvolvimento, onde, por meio do ensino e prática, pode-se preparar pessoas desta ou daquela região para que saibam como ter melhores colheitas, água, alimento, etc. Como tais, estas organizações são muito produtivas ainda que às vezes sejam mal interpretadas. A maioria dos crentes está envolvida no serviço social de uma forma ou de outra. Em nossa igreja, há irmãos que, sem fazer alarde ou muitas perguntas, são vistos chegando aos cultos com uma cesta de alimentos ou roupas. Ao terminar o culto, outra pessoa sai com a mesma cesta. Trata-se de alguém que soube de algum necessitado e supriu-lhe as necessidades.
As vezes, alguns chegam e me dizem: “Pastor, o que o senhor acha se alguns de nós, ou da tesouraria da igreja, ajudássemos fulano ou ciclano?”. Sem convocar a uma sessão plenária ou esperar semanas para resolver, a comissão responsável se reúne e decide. Não sei de nenhum caso legítimo que se tenha negado ajuda.
Ainda podemos encontrar situações em que o mandato cultural terá prioridade sobre o evangelístico. O Dr. McGravan considera isto e ensina: “… em algumas circunstâncias e, sem dúvida, por tempo limitado, algum aspecto de ordem social, poderá cristianizar-se e será necessário dar prioridade a este aspecto do que à evangelização” Um exemplo clássico é do Bom Samaritano. Ali, a prioridade era auxiliar o necessitado e curar suas feridas. As condições deste homem não pareciam muito favoráveis para que se lhe apresentasse uma mensagem evangelística. Wagner diz: “Se um edifício estiver se incendiando, não será apropriado fazer uma reunião ao ar livre. O mais importante será ajudar a apagar o fogo e atender às vítimas” Nossa própria lógica nos ajudará a tomarmos resoluções nesses casos.
Deixem-me repetir o que disse antes: quanto maior formos em número, maior será a nossa eficácia. O impacto será maior. Quanto maior o número de membros de uma igreja, haverá mais pessoas para realizar o trabalho. Além disso, em uma igreja “suficientemente grande ”, haverá quem tenha dons específicos para o serviço social. Isto permitirá também que, embora alguns estejam ocupados no aspecto do Mandato Evangelístico, outros poderão desenvolver e usar seus dons espirituais no cumprimento do Mandato Cultural. McGravan tem dito também que, nas causas sociais: “nós, os crentes, não triunfaremos, a menos que sejamos um grande número” Não precisamos ser eruditos para perceber isto. O bispo Stephen Neil está convencido de que: “a ordem de prioridade deve ser sempre a conversão primeiro, depois, a mudança social”.
Há três anos atrás, na igreja que pastoreamos quando começamos com zero de assistência, o que podíamos fazer em serviço social era muito limitado, mas, hoje, podemos realizar muito mais. Pregamos o evangelho e ensinamos a nossa congregação tanto quanto o tempo e as energias nos permitem. Estamos recrutando ajuda de outras pessoas que possam constituir uma equipe de trabalho pastoral. O Senhor está acrescentando a cada dia os que hão de ser salvos. Creio que estamos cumprindo a prioridade do Mandato Evangelístico.
Todavia, minha esposa, que é minha mão direita em todo meu trabalho, acaba de preparar um projeto de “serviço social”, que complementa tudo o que se tem feito até aqui. Logo, apresentaremos isto à igreja para sua aprovação e implementação.
No sul da Califórnia, temos alguns problemas sociais muito especiais e particulares. A invasão de pessoas de todos os países latino- americanos cria uma situação complexa e a igreja precisa considerá-la. Talvez seja muito diferente da que você tem no lugar onde está, mas onde nós estamos, consideramos estas “necessidades reais” de nossa comunidade e estas necessidades são as que estamos tratando de suprir.
Quanto mais nossa igreja cresce, seja em número ou espiritualmente, cremos que tanto mais fácil será alcançarmos a realização destes programas, e a congregação estará estruturada para um maior esforço e resultado. Cremos que os programas de serviço social nos ajudarão a crescer, além de satisfazer às necessidades humanas. J. Edwin Orr disse: “O derramamento do Espírito Santo, ao avivar as igrejas e despertar as massas, promove não somente a evangelização e o ensino da Palavra, como também acelera a ação social.” Isto pode se tornar um círculo construtivo.
A Ação Social
Trata-se de uma classe de ministério relacionada com o conceito de mudar as estruturas sociais. Esta entra no aspecto das mudanças sócio-políticas. Não é que isto tenha necessariamente que acabar sempre em revolução, violência ou desobediência civil. Na América Latina (e ao redor do mundo), temos governos que se aproveitam, tiram vantagens e cometem toda sorte de injustiças sociais. Qual será ou qual deve ser a atitude da Igreja nestas situações? Entendemos que a meta da ação social é a de modificar ou substituir as estruturas políticas que agem assim. E a Igreja?
Uma pergunta que cada um deverá responder pessoalmente e o que eu não pretendo fazer neste livro é a seguinte: quando a Igreja se envolve em ação social, está evangelizando e pode trazer salvação no sentido bíblico? Wagner diz: A ação social é tão complexa que poucos estão capacitados para tomarem uma decisão inteligente no assunto. Como se isto fosse pouco, em nossos países surgem constantemente problemas sociais que demandam sabedoria do alto. “Cada nova estruturação social que surge em nossos países, em transformação, necessita de novas unções do Espírito para cumprir novas tarefas.”
Os problemas sociais são difíceis e complexos até mesmo para os especialistas, quanto mais para a maioria das pessoas de nossas igrejas. Muitas das pessoas que pretenderam ser líderes e os entendidos nestes assuntos não conseguiram fazer nada muito substancial. Até ousaria a dizer que, pelos resultados, pioraram as coisas.
Pelo menos confundiram as pessoas mais novas na fé e se houvessem empregado seu tempo e energia em cumprir com o mandato evangelístico teriam sido mais produtivos e muito mais crentes apoiariam suas intenções de mudanças sociais. Precisamos ter cuidado; lembremos que a ação social pode ser um obstáculo para o nosso crescimento. Wagner nos dá seis razões sobre este assunto. Podemos resumi-Ias assim:
1. O perigo das seleções. Os líderes das congregações ou denominações perdem o contato com o básico, com as pessoas que sinceramente querem servir a Deus, e cujas convicções sobre o envolvimento nos assuntos sociais são negativas frente às atitudes e ações dos líderes.
2. O perigo das divisões. A ação social é controvertida. Certamente deixará cair sementes de divisão nas igrejas, a menos que a congregação se convença que o assunto discutido é claramente bíblico.
3. O perigo da desumanização. Nem sempre percebemos que, ao usar a congregação como instrumento de poder político, alguns membros da mesma podem ser oprimidos. Eles se uniram à igreja por razões espirituais e descobrem que seu dinheiro é usado para fins políticos. Quando uma congregação ou denominação toma uma plataforma política, ela o faz em nome de seus membros, quer estejam de acordo ou não. Isto pode desumanizar estes membros.
4. O perigo da impotência social. As igrejas evangélicas são conservadoras em sua natureza social básica. Isto não é do agrado dos pregoeiros da ação social que desejariam usar as congregações para levarem adiante seus interesses próprios. Por isso, os que se envolvem nestes assuntos tão controvertidos terminam perdendo as forças. Dean Kelley disse: “não devemos esperar que as congregações sejam quartéis onde tropas reformistas militantes estejam prontas para agir nas mudanças sociais”. O próprio Papa, falando sobre a Teologia da Libertação na América Latina, disse aos sacerdotes que pregassem o evangelho e cuidassem dos pobres, e que não se metessem em política”.
5. O perigo da imperfeição. Isto é, no final, não seremos nem uma coisa nem outra. A experiência e os resultados de igrejas envolvidas em ação social não têm sido muito impressionantes. Isto ocorre pelo fato de os pronunciamentos da igreja nesta matéria não terem sido levados muito a sério. Poucas vezes os líderes eclesiásticos têm a perícia tão necessária no campo da ação social.
6. O perigo de “Constantinismo”. (refere-se ao imperador Constantino). Suponhamos que a estrutura congregacional tome uma postura política e ganhe o poder. A meta da Igreja é controlar a política ou a sociedade? Os que têm lido a história não aceitarão esta opção. Não é uma meta recomendável. Quando a Igreja controla o mundo tende a perder o poder profético.
Um dos problemas mais graves que nós enfrentamos na América Latina é o de ter que aceitar ou decidir sobre opções políticas. Cada país é diferente do outro. Em muitos lugares, a igreja tem se dividido por causa de questões políticas que são complexas e difíceis. A justiça social, por exemplo, tem várias faces. Os direitos humanos podem ser interpretados conforme os interesses de cada um.
Admito que, desde minha infância, fui ensinado em minha igreja e por meus pais que a política não era para os evangélicos. Em minha cidade natal, um pastor que até esteve preso, por estar envolvido com um partido político e por falar publicamente contra outros partidos, tornou-se a “ovelha negra” entre os pastores. Muito querido, muito solicitado para reuniões especiais, etc., mas, quanto à política, nem convém falar. Por estas razões e outras experiências é que devo admitir minha subjetividade no assunto. Sinto-me muito à vontade diante do mandato evangelístico com o aspecto do serviço social, mas tenho problemas com a ação social. Não desejo julgar o leitor, prefiro que cada um faça o que Deus puser em seu coração depois de analisar este capítulo.
Lembremos que, de qualquer maneira, é nas urnas que podemos e devemos definir nossa posição. Se não participamos de uma eleição de qualquer tipo, não estamos exercendo o direito e poder de voto. Logicamente, aqui tudo permanece no segredo da cabine eleitoral; alguns preferem a política fora das urnas, onde possam falar publica- mente e serem conhecidos por todos, passando a ser parte do espetáculo. Isto pode nos levar a formar um novo partido ou começar uma união para a revolução. Como elegeremos? Qual é a ordem divina? Quais são as nossas prioridades como crentes em Cristo Jesus, nosso Salvador? Este é um problema para o qual nunca encontrei uma resposta definitiva.
Em todo pleito político existem crentes de ambos os lados. Que fazer? Vivi isto em minha pátria, vendo várias igrejas onde a congregação estava dividida; onde as igrejas da mesma denominação, na mesma cidade, estavam algumas a favor de um partido, outras, de outro partido. Existem três situações: a favor, contra e neutro. Permanecer neutro será a resposta? Que influência terá isto na igreja local? Corresponde à Grande Comissão?
Uma coisa muito importante considerarmos é que a maioria de nossas igrejas tem mais capacidade e conhecimento para desenvolver um programa de serviço social do que para desenvolver um programa de ação social. Tivemos mais êxito com serviço social, tanto a nível de igreja local, como denominacional e mesmo interdenominacionalmente, do que com ação social. A razão é muito simples:
Poucas igrejas têm os recursos humanos, financeiros e estrutura apropriada para tal ministério. Um fenômeno reconhecido que temos encontrado em nossas pesquisas é que, ainda que cumpramos o mandato cultural, não alcançamos maior média no crescimento da igreja; mas, há um princípio de Crescimento da Igreja: “quando as igrejas se envolvem em serviço social (ajudando nas necessidades humanas), tendem a atrair mais membros novos do que as igrejas que se especializam na ação social (ou seja, mudando as estruturas sociais)”.
Necessitamos de sabedoria divina. Esperemos que os próximos congressos sobre evangelização e princípios sociais nos ajudem. O dilema, todavia, permanece. Nas palavras de Leighton Ford: “Esperar que somente a evangelização mude a sociedade pode ser muito ingênuo. Esperar mudar a sociedade sem mudar as pessoas por intermédio do evangelho será em vão”.
Um representante da América Latina disse ao Dr. Pedro Wagner que “a igreja a qual ele representa quer unicamente missionários que estejam dispostos a participar na mudança das estruturas sociais na América Latina e na libertação do homem latino-americano. Ela quer revolucionários sociais e não evangelistas”.18 Será esta a solução?
Que Deus nos ajude a distinguir entre libertação sócio-política e salvação. O pacto de Lausane diz: “reconciliação com o homem não é reconciliação com Deus, nem ação social é evangelização e nem libertação política é salvação” (Artigo 5).
Minha preocupação é sobre o mal que pode ser trazido para a obra de Deus se não usarmos de sabedoria divina. Poderemos chegar a um acordo e entendimento que nos ajude a cumprir os dois: o mandato evangelístico e o mandato cultural?
“Filhinhos, não amemos de palavra, nem de língua, mas de fato e de verdade”(1 João 3.18)
CONCLUSÃO
A missão da igreja inclui não apenas a proclamação do evangelho, mas também a assistência aos pobres, a cura dos enfermos e a libertação dos oprimidos pelo diabo (Mc 16. 15-1 8). Filantropia sem generosidade não tem valor. A boa filantropia é aquela que baseia suas obras no princípio do amor, que supera todas as deficiências e nos torna úteis ao Reino de Deus. Gratidão e disposição para servir uns aos outros anulam a avareza e abrem as despensas de Deus com bênçãos espirituais e materiais (Ml 3.10).
A generosidade cristã não deve restringir apenas aos trabalhos filatrópicos. Deve ser extensivo ao trabalho de Deus, nos dízimos e nas ofertas, para a expansão do reino de Deus. O ex-primeiro ministro de Israel, Ben Gurion, disse certa vez que Israel vive dos missim e nissim, jogo de palavras hebraicas que significa: “impostos e milagres”. A obra de Deus se faz com recursos financeiros – dízimos e ofertas -, e com os milagres. A igreja de Filipos tinha essa visão e não se esqueceu do apóstolo Paulo. O apóstolo ficou deveras agradecido aos filipenses pela lembrança e pela ajuda (Fp 4.14-19).
Elaboração pelo:- Evangelista Isaias Silva de Jesus
Igreja Evangélica Assembléia de Deus Ministério Belém Em Dourados – MS
BIBLIOGRAFIA
Lições bíblicas CPAD 1998
Lições bíblicas CPAD 2007
Lições bíblicas CPAD 2010
Manual de Crescimento da Igreja. Dr. Juan Carlos Miranda

sábado, 5 de fevereiro de 2011

A importância da disciplina na igreja

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A IMPORTÂNCIA DA DISCIPLINA NA IGREJA
Texto Áureo: Hb. 12.11 – Leitura Bíblica em Classe: At. 5.1-11
Pb. José Roberto A. Barbosa
Twitter: @EBD_ADMossoro

Objetivo: Mostrar aos alunos que a essência da disciplina é o ensino e o seu objetivo é levar-nos a andar de acordo com a boa, perfeita e agradável vontade de Deus.

INTRODUÇÃO
Há quem defenda que a disciplina não é mais necessária na igreja dos dias atuais. O Deus que disciplina em amor, conforme revelado na Bíblia, não é mais considerado. Em contraponto a essa abordagem, estudaremos, na lição de hoje, a respeito da importância da disciplina na igreja: definição no Antigo e Novo Testamento, o caso Ananias e Safira e as condições para a disciplina na igreja.

1. A DEFINIÇÃO BÍBLICA DE DISCIPLINA
No Antigo Testamento, a palavra hebraica para disciplina é musar e significa, prioritariamente, “instrução”. Isso porque na Lei Judaica a disciplina tem a ver com a instrução por meio de recompensas e punições a fim de orientar a conduta do comportamento. É nesse sentido que, em Dt. 11.2, é destacada a disciplina do Senhor. A Lei Mosaica opera por meio de um complexo sistema de punições a fim de reforçar os Mandamentos de Deus (Lv. 25.23; Dt. 4.36; Ex. 20.20). Por esse motivo, o ímpio, ou seja, aquele que não observa a Torah, odeia a disciplina (Sl. 50.17). O genuíno filho de Deus, por sua vez, ama a disciplina (Pv. 3.11), pois nesta repousa a sua vida (Pv. 5.12) e o seu próprio bem (Pv. 19.18). No Novo Testamento, a palavra grega é paidia que tanto se refere à instrução ou orientação quanto ao treinamento. Esse termo, em sentido amplo, diz respeito ao ato de “criar, educar, instruir”. O fundamento da disciplina, conforme exposta no Novo Testamento, é o amor (Hb. 12.6-11). A disciplina aplicada com ódio não passa de vingança, nada tem a ver com a disciplina de Jesus (Mt. 11.29).

2. A CONDENAÇÃO DE ANANIAS E SAFIRA
No capítulo 5 de Atos, estudamos a respeito da condenação de Deus sobre Ananias e Safira. Barnabé, um cristão recém-convertido, e de posses, vendeu tudo o que possuía e depositou aos pés dos apóstolos. Sua generosidade chamou a atenção da igreja, levando Ananias e Safira a querem imitar tal ato, a fim de serem honrados pelos irmãos. Para tanto, venderam uma propriedade e combinaram em reter parte do valor recebido. Em seguida, depositaram-no aos pés dos apóstolos, dizendo ser aquela a quantia total da venda. Através daquele ato, Satanás quis instaurar a hipocrisia no seio da igreja primitiva. Eles demonstraram, por meio dessa atitude, ser vangloriosos e cobiçosos em relação ao dinheiro (I Tm. 6.10). Eles poderiam permanecer com o dinheiro que receberam pela venda da herdade, mas não precisariam mentir, em busca de fama. Mas Pedro, pelo Espírito Santo, discerniu que aqueles corações estavam tomados pela hipocrisia: “por que encheu Satanás o teu coração?” (At. 5.3), eis a origem do pecado (Jo. 13.2; Tg. 4.7). Não se tratava de um pecado somente aos homens, pois, conforme argumentou Pedro, “Não mentiste aos homens, mas a Deus” (At. 5.4). Eles foram disciplinados imediatamente, com o objetivo específico, para servir de instrução aos demais “houve um grande temor em toda a igreja e em todos os que ouviram estas coisas” (At. 5.11). Em virtude da igreja está em seus momentos iniciais, Deus antecipou o castigo de Ananias e Safira, e ainda pode fazer o mesmo nos dias atuais, ainda que, em geral, continue dando oportunidade para o arrependimento (Ap. 2.5; 3.19).

3. A DISCIPLINA NA IGREJA
Jesus declarou que a igreja, na terra, tem a responsabilidade árdua, mas necessária de disciplinar (Mt. 18.18-20), mas essa deve fazê-lo de acordo com a Palavra, em oração, na dependência do Espírito Santo, e sobretudo, em amor (I Pe. 4.8). Existem algumas falhas que podem dispensar a disciplina, a esse respeito tratam os seguintes textos: Rm. 15.1; Fp. 4.5; I Pe. 4.8). Nos casos de transgressões que não sejam passíveis de comprovação, o melhor é orar pela pessoa, confiando que Deus trabalhará na sua vida, conduzindo-a ao arrependimento (Mt. 18.16). Nos casos de ofensas pessoais, isto é, que envolvam membros da igreja, é recomendável que a pessoa ofendida busque a pessoa culpada em busca de reconciliação (Mt. 18.15). Caso a pessoa permaneça impenitente em relação ao pecado, deva-se levar à igreja, através da liderança, a fim de que o caso seja avaliado (Mt. 18.17). A pessoa que está sendo objeto da acusação deva ter amplo direito à defesa e somente ser disciplinada após a comprovação dos fatos, o que acarretará, se for o caso, em exclusão (Mt. 18.17). Nos casos de pecados públicos, a disciplina é necessária a fim de: 1) proteger a integridade da igreja (At. 20.28-31; Hb. 12.14-16); e 2) restaurar o transgressor à igreja, conduzindo-o ao arrependimento (Gl. 6.1; Tg. 5.19,20). Não saudável viver a procura de casos de pecados na igreja, mas, por outro lado, não se pode deixar de atentar para os casos dignos de disciplina (Mt. 13.28-30). A disciplina preventiva, por meio do ensino da Palavra, é a melhor maneira de evitar medidas mais amargas posteriormente (II Tm. 2.24-26; Tt. 1.9).

CONCLUSÃO
A disciplina é necessária na igreja, mas essa deva sempre ser conduzida em amor, dando aos ofensores, a ampla oportunidade de defesa, e quando identificada a culpa, este deva, se possível, ser conduzido ao arrependimento (I Co. 1.10,11; Fp. 4.2,3). Ananias e Safira receberam a punição pelos seus pecados porque se negaram a reconhecê-lo, mentiram ao Espírito Santo, e esse, verdadeiramente, é o pecado imperdoável (Mt. 12.32), a hipocrisia do pecador que não dá lugar ao arrependimento, ao convencimento do Espírito (Jo 16.8-10). No caso da igreja, a disciplina deva ser dada, ao pecador arrependido, com amor e humildade, almejando sempre sua restauração (Gl. 6.1-2).

BIBLIOGRAFIA
ELLIFF, J., WINGERD, D. Disciplina na igreja. São José dos Campos: Fiel, 2006.
PEARLMAN, M. Atos: e a igreja se fez missões. Rio de Janeiro: CPAD, 2010.

A importância da disciplina na igreja

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(I. INTRODUÇÃO)
Trataremos neste domingo acerca de um tema em risco de extinção no atual vocabulário cristão. Desde que os princípios do pós-modernismo encontraram lugar no seio da igreja, qualquer conceito que venha ameaçar o individualismo e a liberdade de escolha quanto ao estilo de vida, comportamento, etc., é logo taxado de arcaico. A dicotomia prática de muitos cristãos gera a ilusão de que a igreja não tem nada a ver com o procedimento ‘secular’ de seus membros. Nessa ‘nova era’ antropocêntrica, a igreja é vista como uma organização altamente dependente do indivíduo, e que precisa conservá-lo ao custo de várias exceções. O medo da impopularidade leva muitos líderes à cumplicidade e pecados são justificados em nome de uma atitude mais ‘humana’. Por outro lado, o que dizer daqueles que, em nome do zelo pela disciplina, cometeram injustiças e causaram mais males que bens? Quantas almas pereceram por causa de uma aplicabilidade incoerente da disciplina que iguala usos e costumes à doutrina? Porém, o que acontece com uma igreja sem disciplina? O objetivo desta lição é delinear alguns fatores da importância da disciplina eclesiástica entre os membros do corpo de Cristo. Temos plena consciência de que um artigo como este não coloca um ponto final no diálogo sobre o assunto. O exercício da disciplina na igreja é algo tão importante que o reformador João Calvino a considerou, ao lado da proclamação da Palavra e da administração dos sacramentos, uma das marcas que distinguem a igreja verdadeira da falsa. Ou seja, na igreja falsa não somente está ausente a pregação das inspiradas Escrituras e os sacramentos [*](batismo e Ceia do senhor) são antibíblicos, ou incorretamente administrados, mas ela é negligente, também, na preservação de sua pureza moral e doutrinária. Boa aula!
[*] Na maioria das Igrejas protestantes, são apenas dois os sacramentos, que são o Batismo e a Eucaristia (Santa Ceia). Martinho Lutero definiu sacramento como um elemento, uma coisa material, que através da palavra de Deus, vira uma coisa diferente. Não no sentido material, pois água continua a ser água e pão continua pão, mas pela promessa divina é atribuido um poder vinculado a essa matéria. Muitos protestantes vêem os sacramentos apenas “como sinais que estimulam a fé“. Na maioria das igrejas evangélicas os dois sacramentos são: batismo e a santa ceia. As igrejas anglicanas tem normalmente sete sacramentos, mas consideram a Santa Ceia e o Batismo como os principais. Há ainda algumas denominações protestantes como os Quakers que negam qualquer instituição de sacramentos por Jesus Cristo. Várias igrejas evitam a palavra sacramento, porque ela está associada a prática sacerdotal católica.
(II. DESENVOLVIMENTO)
I. A DISCIPLINA E SUA NECESSIDADE
1. Definindo a disciplina. Antes de definir o significado de ‘disciplina’, é sumariamente necessário esclarecer que ela não deve ser confundida com ‘castigo’. Essas duas palavras necessitam de uma definição cuidadosa. ‘Castigo’ provém do latimcastus (puro, casto), e está relacionado com castidade. O castigo é corretivo e seu propósito envolve misericórdia. Seu significado está claramente descrito em Hebreus 12.5-11. O castigo se apresenta ali como evidência do amor e interesse do Pai por seus filhos ao corrigi-los. Castigo sem disciplina é ineficaz. ‘Disciplina’ – do Latim discipulus, ‘aquele que aprende’, do verbo discere, ‘aprender’. De discipulus veio disciplina, ‘instrução, conhecimento, matéria a ser ensinada’. Gradualmente se agregou um novo significado, o de ‘manutenção da ordem’, que é necessária para fornecer instrução. É instrução e direção para um estilo de vida ordenado que chega a se tornar uma segunda natureza para a pessoa envolvida [como sou militar, nesta minha área, por exemplo, a disciplina é considerada uma qualidade a ser perseguida pelos soldados, com o objetivo de torná-los aptos a não se desviarem de uma conduta padrão, desejável para o bem comum da tropa, mesmo em situações de pressão extrema].Segundo a Palavra de Deus, a disciplina é para purificação. Há ainda, uma outra definição para o termo que vem da palavra grega que quer dizer ‘uma mente sã’. Assim ‘disciplinar’ é ‘consertar os pensamentos’ da pessoa que não está pensando certo de forma a corrigir a sua atitude e colocá-la no caminho correto. Deus quer que seus filhos pensem e ajam conforme a Sua ordem. Deve ser claro que o elemento principal na disciplina não é o castigo. Geralmente este processo traz tristeza e dor, mas depois, quando a lição é entendida, traz alegria e ‘fruto de justiça’ (Hb 12.11). Podemos usá-lo para referir-nos a uma área de ensino, ao exercício da ordem, ao exercício da piedade ou a medidas corretivas no seio da igreja. A disciplina do Senhor tem dois propósitos:
- que não sejamos, por fim, condenados com o mundo (1Co 11.31,32), e
- que compartilhemos da santidade de Deus e continuemos a viver uma vida santificada, sem a qual nunca veremos o Senhor (1Pe 1.15,16).
2. A disciplina no Antigo Testamento. Desde Gênesis até Apocalipse vemos que o nosso Deus é Deus de ordem. Seja com o Seu povo Israel ou com a sua Igreja na terra, Ele tem revelado um padrão para o comportamento do Seu povo. Este padrão é para o nosso bem e para o bem da Sua obra na terra e se um de seus filhos desviar-se desta ordem, Deus o corrige (Eis que bem-aventurado é o homem a quem Deus castiga; não desprezes, pois, o castigo do Todo-Poderoso. Jó 5.17). Nesta exortação que Elifaz dirige a Jó, ele inicia um com um correto pensamento, mas na sua conclusão seu pensamento está direcionado à conclusão de que se Deus repreende uma pessoa e ela corresponde devidamente, Deus a livrará de todos os seus males e aflições. O autor de Hebreus refuta essa idéia enganosa, ao declarar que alguns dos maiores heróis da fé, do Antigo Testamento, foram perseguidos, despojados de todos os seus bens, afligidos, maltratados e até mesmo mortos. Esses justos nunca experimentaram total livramento nesta vida (Hb 11.36-39). Note que não há na Bíblia ensinamento que Deus eliminará da nossa vida todas as aflições e sofrimentos. Os santos nem sempre são poupados de sofrimentos nesta vida. Note que, pela fé, alguns ‘escaparam do fio da espada’ e, também pela fé, alguns foram ‘mortos a fio de espada’ (Hb 11.34, 37). Na contra-mão de Elifaz, Salomão afirma que ‘o que aborrece a repreensão é um bruto’(Pv 12.1). Há ocasiões no decorrer de toda a nossa existência em que precisamos de repreensão e de correção. O orgulhoso detesta ser advertido, mas o humilde acolherá com naturalidade a crítica, e dela tirará proveito; o reverente temor do poder, majestade e santidade de Deus produzirá em nosso homem interior um santo temor em não transgredir a sua vontade revelada. Uma tal reverência é essencial para se obter um coração sábio. No Novo Testamento aprendemos que o sincero temor do Senhor em nosso coração será acompanhado pelo consolo do Espírito Santo.
3. A disciplina no Novo Testamento. É notável que na primeira referência no Novo Testamento sobre a Igreja local (Mt 18:15-17), e também na última (Ap 3:19), o assunto é sobre a necessidade de disciplina na Igreja local. Mesmo quando os apóstolos estavam na terra havia necessidade de disciplina nas igrejas, e esta foi muito severa, como quando Ananias e Safira morreram em Jerusalém por causa da sua mentira (At 5.1-11). Deus não tolera pecado na igreja. Também nas cartas de Paulo há muito escrito sobre este assunto. Mesmo Tessalônica, que foi chamada de ‘modelo para todos os crentes da Macedônia e da Acaia’ (1Ts 1.7) tinha problemas também (1Ts 5.14 e 2Ts 3.6). A severidade como Deus tratou com Ananias e Safira levou a um aumento de humildade, reverência e temor do povo para com um Deus santo. Sem o devido temor do Deus santo e da sua ira contra o pecado, o povo de Deus voltará, em pouco tempo, aos caminhos ímpios do mundo, cessará de experimentar o derramamento do Espírito e a presença milagrosa de Deus e então lhe será cortado o fluxo da graça divina. Este é um elemento essencial da fé neotestamentária e do cristianismo bíblico hoje em dia. Muitos leitores da Bíblia ficam perplexos com esse juízo tão duro, vindo da parte de Deus. Alguns expositores têm procurado atenuar a narrativa com interpretações inconsistentes, considerando este registro um exagero por parte do ‘historiador’ Lucas, mas o fato acontece como está relatado. Lembremos que a narrativa de Atos não está encerrada e Deus não muda, ainda que o juízo de Deus nem sempre se manifesta dessa maneira, e por isso mesmo ainda não levamos a sério a obra do Senhor. Muitos estão a praticar coisas até mais graves, no entanto, Deus ainda está dando a oportunidade para a reconciliação.
SINÓPSE DO TÓPICO (1)
Tanto no Antigo como no Novo Testamento a disciplina orienta e evita que o erro torne-se repetitivo.
II. A OFERTA DE ANANIAS E SAFIRA
Em Atos 2.47 e 4.34, ficamos sabendo que ‘todos os que possuíam herdades ou casas, vendendo-as, traziam o preço do que fora vendido, e o depositavam aos pés dos apóstolos’. Dentre eles, destacou-se Barnabé, o único citado nominalmente, exceto Ananias e Safira, por causa de sua hipocrisia. O casal fez um voto, não o cumpriu, mas queria que a Igreja pensasse que o mesmo fora concretizado. A generosidade de Barnabé repercutiu entre os irmãos. Ninguém era obrigado a vender suas propriedades. A mãe de João Marcos, o sobrinho de Barnabé (Cl 4.16), possuía uma casa em Jerusalém (At 12.12) que servia como lugar de culto e reunião de oração. O texto afirma que eles venderam uma propriedade. Não diz qual o seu tipo e nem o seu valor. Também não deixa explícita a atitude estranha desse casal. É comum a interpretação de que aquele casal queria gozar do mesmo prestígio de Barnabé.
1. O pecado contra o Espírito Santo e a Igreja. A fim de obterem prestígio e reconhecimento, Ananias e Safira mentiram diante da igreja a respeito das suas contribuições. Deus considerou um delito grave essas mentiras contra o Espírito Santo. As mortes de Ananias e Safira ficaram como exemplos perpétuos da atitude de Deus para com qualquer coração enganoso entre aqueles que professam ser cristãos. Note, também, que mentir ao Espírito Santo é a mesma coisa que mentir a Deus, logo, o Espírito Santo também é Deus (vv. 3,4; ver Ap 22.15) [1]. É fundamental o temor a Deus, reconhecer a sua santidade, justiça e retidão como complemento do seu amor e misericórdia, isto é, conhecê-lo e compreender plenamente quem Ele é (Pv 2.5). Andrew Murray afirma que ‘O orgulho, ou a perda dessa humildade, então, é a raiz de todo pecado e mal. Foi quando os anjos agora caídos começaram a olhar para si mesmos com autocomplacência que foram levados à desobediência, e foram expulsos da luz do céu para as trevas exteriores. E também foi quando a serpente exalou o veneno do seu orgulho, o desejo de ser como Deus, no coração de nossos primeiros pais, que eles também caíram da sua posição elevada para toda a desgraça na qual o homem está, agora, afundado. No céu e na terra, orgulho — auto-exaltação — é a porta, o nascimento e a maldição do inferno[2]. Deus feriu com severidade a Ananias e Safira para que se manifestasse sua aversão a todo engano, mentira e desonestidade no reino de Deus. Um dos pecados mais abomináveis na igreja é enganar o povo de Deus no tocante ao nosso relacionamento com Cristo, trabalho para Ele, e a dimensão do nosso ministério. Entregar-se a esse tipo de hipocrisia significa usar o sangue derramado de Cristo para exaltar e glorificar o próprio eu diante dos outros. Esse pecado desconsidera o propósito dos sofrimentos e da morte de Cristo (Ef 1.4; Hb 13.12), e revela ausência de temor do Senhor e de respeito e honra ao Espírito Santo, e merece o justo juízo de Deus.
2. Uma oferta como a de Caim. O Senhor aceitou a oferta de Abel, porque este compareceu diante dEle com fé genuína e consagração (Hb 11.4; 1Jo 3.12; Jo 4.23,24). A oferta de Caim foi rejeitada porque ele estava destituído de fé sincera e obediente, e porque as suas obras eram más (Gn 4. 6,7; 1 Jo 3.12). Caim e Abel eram filhos de um mesmo casal, receberam a mesma instrução religiosa e foram criados no mesmo ambiente, não obstante isso, um temia ao Senhor e outro não. Muitas vezes ouvimos sermões onde afirma-se que Deus recusara a oferta de Caim por constituir-se de cereais e a de Abel era perfeita por ser figura do sacrifício do Messias prometido. Mas na verdade não foi por isso, ainda mais que, esses rituai só foram prescritos muitos anos depois, por Moisés (Nm 15.4-9). Deus tem prazer em nossas ofertas e ações de graça tão somente quando nos esforçamos para viver uma vida reta, de conformidade com a sua vontade (Dt 6.5). O Pr Esequias Soares afirma que “A aparente generosidade de Ananias e Safira não foi um ato de fé. Além disso, parece que ele não fez negócio ilícito, pelo que se conclui do verbo grego nosphizomai (traduzido por reter), nos versículos 2 e 3, o qual no Novo Testamento, só aparece aqui e em Tito 2.10 (traduzido por defraudar). ‘Reter’ é no sentido de ‘subtrair’. O mesmo verbo aparece em Josué 7.1, na Septuaginta, quando declara que Acã ‘tomou do anátema [3].
SINÓPSE DO TÓPICO (2)
Deus observa o coração do ofertante, isto é, a sua verdadeira intenção e não o valor da oferta.
III. O EXTREMO DA DISCIPLINA
A igreja é o povo santo de Deus, foi comprada pelo sangue precioso de Cristo e santificada pelo Espírito Santo. No entanto, Cristo ainda não apresentou diante do trono sua noiva sem manchas nem rugas. O Senhor não tem prazer na morte de alguém, pois Deus é amor. No entanto, foi necessário que Ele agisse assim, ceifando a vida de Ananias e Safira, para preservar a noiva sem mancha e também para suscitar temor na nova comunidade.
1. A sentença de morte. Muitos pregadores anunciam que Ananias e sua mulher Safira morreram porque retiveram a parte designada para o dízimo. É conveniente lembrar que em nenhum momento se pronunciou dízimo ou oferta neste texto. Ananias e Safira foram julgados por sua hipocrisia e mentira a Deus, não pela decisão de ficar com parte da sua propriedade pessoal. A severidade da punição para uma ofensa tão pequena parece intolerante e sem misericórdia, mas era necessário estabelecer autoridade apostólica naquela igreja como também garantir sua pureza. Voto é uma forma de promessa solene diante de Deus, que deve ser cumprida. É melhor deixar de fazer um voto, do que fazer e não cumpri-lo. O crente quando participa da Ceia do Senhor está também fazendo um voto de viver em santidade e dedicado a Deus. Logo, devemos temer, pois, buscar os prazeres do pecado depois de fazer tal voto a Deus, atrai a si ira e juízo, pois significa que aquele voto era realmente mentiroso. Mentir a Deus pode resultar em castigo severo como no exemplar caso de Ananias e Safira [4]: ‘Quando a Deus fizeres algum voto, não tardes em cumpri-lo; porque não se agrada de tolos; o que votares, paga-o’ (Ec 5.4). O Pr Esequias Soares discorre: “Se as orações públicas eram às nove da manhã, ao meio dia e às três da tarde, como se conclui de Salmo 55.17, Daniel 6.10 e Atos 3.1, três horas depois, a ‘piedosa’ e ‘devotada’ senhora vinha oferecer seu ‘sacrifício’, esperando ser honrada como uma irmã generosa, que deu espontaneamente tudo o que tinha para a obra de Deus. é um cenário de causar espanto. Isso mostra quão seriamente devemos levar a obra de Deus.” [3]. Deus feriu com severidade a Ananias e Safira (vv. 5,10), para que se manifestasse sua aversão a todo engano, mentira e desonestidade no reino de Deus. Um dos pecados mais abomináveis na igreja é enganar o povo de Deus no tocante ao nosso relacionamento com Cristo, trabalho para Ele, e a dimensão do nosso ministério.
2. A maldição é retirada do arraial dos santos. Entregar-se a esse tipo de hipocrisia significa usar o sangue derramado de Cristo para exaltar e glorificar o próprio eu diante dos outros. Esse pecado desconsidera o propósito dos sofrimentos e da morte de Cristo (Ef 1.4; Hb 13.12), e revela ausência de temor do Senhor e de respeito e honra ao Espírito Santo, e merece o justo juízo de Deus. Por que não falaram a verdade? Aquele que ordena a disciplina na igreja é o mesmo que estabelece o padrão a ser seguido no exercício da mesma. Esse padrão consiste primeiramente em amor paternal (Hb 12.4-13). É certo que o mundo vê a disciplina como expressão de ira e hostilidade, mas as Escrituras mostram que a disciplina de Deus é um exercício do seu amor por seus filhos. Amor e disciplina possuem conexão vital (Ap 3.19). Além do mais, disciplina envolve relacionamento familiar (Hb. 12.7-9), e quando os cristãos recebem disciplina divina, o Pai celestial está apenas tratando-os como seus filhos. Deus não disciplina bastardos, ou seja, filhos ilegítimos. O padrão de disciplina divina revela também maravilhosos benefícios. A disciplina que vem do Senhor ‘é para o nosso bem (v. 10).’ Ainda que seja inicialmente doloroso receber disciplina, a mesma produz paz e retidão. O propósito de Deus em disciplinar não é o de incapacitar permanentemente o pecador, mas antes de restaurá-lo à saúde espiritual. O julgamento divino contra o pecado de Ananias e Safira levou a um aumento de humildade, reverência e temor do povo para com um Deus santo. Sem o devido temor do Deus santo e da sua ira contra o pecado, o povo de Deus voltará, em pouco tempo, aos caminhos ímpios do mundo, cessará de experimentar o derramamento do Espírito e a presença milagrosa de Deus e então lhe será cortado o fluxo da graça divina. Este é um elemento essencial da fé neotestamentária e do cristianismo bíblico hoje em dia.
SINÓPSE DO TÓPICO (3)
Deus julga e condena o pecado e o remove do meio dos santos.
(III. CONCLUSÃO)
A correção é fonte de esperança para os que a aplicam e vida para aqueles que a recebem corretamente (Pv 19.18 e 4.13). A correta disciplina deve ser sempre aplicada com amor e não com ira (Pv 13.24). Segundo as Escrituras, a disciplina na igreja está fundamentada não apenas no exercício do bom senso, mas principalmente nos imperativos do Senhor. O mandato bíblico referente à disciplina é encontrado especialmente no ensino de Jesus (Mt 18.15-17) e nos escritos de Paulo (1Co 5.1-13). Também, há clara referência bíblica de que a igreja que negligencia o exercício desse mandato compromete não apenas sua eficiência espiritual, mas sua própria existência. A igreja sem disciplina é uma igreja sem pureza (Ef 5.25-27) e sem poder (Js 7.11-12). A igreja de Tiatira foi repreendida devido à sua flexibilidade moral (Ap 2.20-24). John Stott escreve: “A igreja tem dois estados em relação com a santidade; um é atual e o outro potencial. Por um lado, os cristãos já são santos, no sentido de ter sido separado para Deus. Por outro lado, são chamados para ser santos, a desenvolver uma vida de santidade. Neste sentido, a igreja se parece muito ao antigo povo de Israel. No Antigo Testamento, uma e outra vez se nomeia Israel como nação santa. Era a nação escolhida por Deus. No entanto, não era uma nação de pessoas santas senão mais bem ao contrário. Por isso, Deus constantemente os instava a voltar-se a Ele e a serem santos. A igreja hoje tem a mesma ambigüidade: já é santa e, ao mesmo tempo, Deus a chama para ser santa” [5]. Não é por acaso que na primeira referência no Novo Testamento sobre a Igreja local (Mt 18:15-17), e também na última (Ap 3:19), o assunto é sobre a necessidade de disciplina na Igreja para a ‘manutenção’ da santidade (Ef 5.27).
APLICAÇÃO PESSOAL
A Reforma Protestante do século XVI considerou importantíssima para a teologia cristã a seguinte questão: Como distinguir entre a igreja verdadeira e a falsa? Em outras palavras, quais são as marcas da verdadeira igreja cristã? Para o reformador João Calvino, tais marcas consistem da proclamação da Palavra, da administração dos sacramentos (ordenanças) e do exercício da disciplina eclesiástica. Segundo ele, “aqueles que pensam que a igreja pode sobreviver por longo tempo sem disciplina estão enganados; a menos que pensemos que podemos omitir um recurso que o Senhor considerou necessário para nós.” Nesse sentido, “a disciplina eclesiástica é tão necessária quanto os ligamentos do corpo humano, ou como a disciplina em família.” Sendo que Cristo deseja sua igreja “sem mácula, nem ruga, nem coisa semelhante, porém santa e sem defeito” (Ef 5.27), a disciplina eclesiástica é altamente relevante, pois é um meio instituído por Deus para manter pura a sua igreja. O servo de Deus sempre deve almejar a pureza da noiva do Cordeiro (2 Co 11.1-3), mesmo diante da possibilidade da sua contaminação pelo mundo. A Bíblia diz que o Senhor nos disciplina porque nos ama (Hb 12:6). O homem quando ama, é tolerante. Mas Deus quando ama, disciplina. Quando o homem ama, ele é negligente. Mas quando Deus ama, Ele é sério. O amor disciplinador de Deus é semelhante ao Seu amor salvador, o qual fez com que Ele enviasse Seu Filho para morrer por nós na cruz. Em João 15:2 o Senhor diz: “Todo ramo em Mim que não dá fruto, Ele o corta; e todo o que dá fruto, Ele o limpa, para que produza mais fruto”. O limpar aqui é uma purificação. Deus poda os elementos desnecessários, supérfluos e obstáculos, para que os ramos produzam mais fruto. Isso é a disciplina de Deus. Portanto, o propósito da disciplina de Deus não é destruir-nos, mas aperfeiçoar-nos a fim de que nos tornemos mais dignos da glória de Deus, da santidade de Deus, e da justiça que é posta diante de nós. Laney adverte para o fato de que “a disciplina é como um medicamento muito forte: pode trazer a cura ou causar maior dano.”[5]. Nenhum profissional médico, porém, se recusa a aplicar um medicamento que pode curar o seu paciente apenas porque o mesmo é forte. Também, nenhum doente faz opção pela morte ou pela continuidade da doença se a vida e a cura podem estar tão próximas. Dallas Willard citando o brilhante G. K. Chesterton em seu livro O Espírito das Disciplinas: “O cristianismo não foi testado e reprovado; na verdade, foi considerado difícil e abandonado, sem ao menos ser experimentado”[6]. Não se sabe se ele estava certo, mas há uma crença quase universal na imensa dificuldade de ser um cristão autêntico. Constantemente ouvimos falar no enorme e inflexível “preço do discipulado”. A observação de Chesterton pode pelo menos ser tomada como reflexo de uma atitude assumida por muitas pessoas sérias em relação ao Caminho de Cristo. Deus requer que o seu povo caminhe de conformidade com a Sua Palavra. Se errarmos, Ele certamente virá com o açoite… se não houver açoite, o fluxo da graça divina já foi cortado. Pense nisto.
N’Ele, que me garante: “Pela graça sois salvos, por meio da fé, e isto não vem de vós, é dom de Deus” (Ef 2.8),
Francisco A Barbosa
NOTAS BIBLIOGRAFICAS
- Lições Bíblicas 1º Trim 2011 – Livro do Mestre, CPAD, Atos dos Apóstolos – Até aos confins da terra;
[1]. Adaptado de STAMPS, Donald. Bíblia de Estudo Pentecostal, CPAD; nota textual de At 5.3;
[2]. MURRAY, Andrew: Humildade, A Beleza da Santidade, © 2000 CCC Edições;
[3]. Lições Bíblicas 3º Trim 1996 – Jovens e Adultos: Atos – O padrão para a Igreja da última hora, Lição 6, p. 41;
[4]. Adaptado de STAMPS, Donald. Bíblia de Estudo Pentecostal, CPAD; nota textual de Ec5.4;
[5]. LANEY J. Carl, “The Biblical Practice of Church Discipline,” Bibliotheca Sacra, p. 363;
[6]. WILLARD Dallas, O Espírito das Disciplinas, Editora Danprewan, p. 8;

A importância da disciplina na igreja

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TEXTO ÁUREO = “Toda disciplina, com efeito, no momento não parece ser motivo de alegria, mas de tristeza; ao depois, entretanto, produz fruto pacífico aos que têm sido por ela exercitados, fruto de justiça”. Hb 12.11

VERDADE APLICADA = A disciplina praticada na igreja treina o cristão na santidade e o desafia a permanecer na presença do Senhor, a autêntica doutrina bíblica auxilia o crente a ter uma vida espiritual abundante, habilitando-o a ser uma poderosa testemunha de Cristo.

LEITURA BIBLICA= I Co 5: 1 – 2 e 5:-11-13

INTRODUÇÃO
Qual o segredo do avanço irresistível da Igreja Primitiva? Já nos capítulos iniciais dos Atos dos Apóstolos, constatamos algo de sumo importância.
Mesmo não possuindo uma fórmula mágica de administração, a Igreja precisou de apenas três décadas para chegar aos pontos mais distantes do Império Romano. Consolidados no ensino da Palavra de Deus mantinham-se os cristãos firmes na comunhão, no partir do pão e nas orações. Em cada alma havia temor e reverência.
E muitas eram as maravilhas que o Senhor operava por intermédio deles. Ao contrário do que pensam alguns estudiosos, a Igreja do Pentecostes não era piegas nem emocional; era bíblica e teologicamente cristocéntrica.A fim de nos alicerçarmos no ensino dos apóstolos e dos profetas, entraremos a estudar, a partir deste domingo, as doutrinas fundamentais de nossa fé. E a cada lição constataremos: sem a instrução da Palavra de Deus, o avivamento é impossível.
Uma série de escândalos havia desencadeado sobre a igreja de Corinto, e, possivelmente, o mais vergonhoso de todos eles tenha sido envolvimento íntimo de um de membros com a mulher do seu próprio pai. Como não bastasse, havia ainda outro pecado que se cometia. Não era pecado do membro infrator, mas da congregação. Os cristãos eram tolerantes com o pecado praticado e a liderança da igreja seus não tomara nenhuma medida disciplinar ( I Co 5.2).

1. O PERIGO DA INDIFERENÇA CONTRA O PECADO
O pecado de envolvimento do cristão com a sua madrasta foi tão abominável quanto o da indiferença da igreja pelo pecado. Paulo, porém, ao tomar consciência dos fatos, agiu de modo firme e contundente, a fim de que tais práticas não destruíssem o testemunho acerca de Cristo e sua Palavra (ICo 5.3). Ele, contudo, disciplina o pecador visando recuperá-lo, e não destruí-lo (2Co 13.10).
a) A disciplina visa educar e mudar. A disciplina destinada a mudar e educar o autor do erro é recuperativa. Quando os pais disciplina o filho como “punição” por sua desobediência, a ação é “punitiva’. Quando, porém, pelo fato de amarem o filho, desejam ensiná-lo a não repetir o ato, e após a disciplina, o aconselham e mostram o amor que lhe devotam, e se forem cristãos, oram com ele, a ação é “recuperativa’.
b) A disciplina visa sempre à recuperação — Paulo denominou o pecado de incesto de “pornéia”, ou seja, imoralidade sexual. Sob a lei levítica, a punição seria a morte por apedrejamento (Lv 18.7,8). A lei romana também considerava esse relacionamento ilegal. Esta primeira situação, portanto, não só era errado, como era também um escândalo público. O castigo previsto para tal situação era restrita- mente punitivo, Paulo, entretanto, estabelece um castigo recuperativo. Sua esperança era que, muito embora o castigo fosse severo e humilhante para o homem, isso o levaria ao arrependimento de sorte que seu espírito pudesse ser salvo ( I Co 5.4,5).
c) A falta de disciplina promove destruição — Paulo repreende a igreja de Corinto por tolerar o pecado: “Não sabeis que um pouco de fermento leveda toda a massa?” ( I Co 5.6). Em outras palavras, a presença do homem na congregação, sem ser repreendido e disciplinado, levaria outros membros a considerar o pecado levianamente. Alguém até podia seguir o exemplo do homem. A única forma de salvar o corpo, se um pé infeccionado ameaça destruí-lo, é amputar o pé. Melhor é perder o pé do que destruir a vida de todo o corpo: “Lançai fora o velho fermento”, disse Paulo, “para que sejais uma nova massa” ( I Co 5.7).

2. A IGREJA DEVE ASSUMIR POSIÇÃO FIRME CONTRA O PECADO
Para que os coríntios permanecessem puros, a igreja deveria assumir uma posição firme contra o pecado. O apóstolo Paulo os aconselha a andar na companhia de pessoas retas, como meio preventivo contra o pecado: “Já por carta vos escrevi que não vos associeis com os impuros” ( I Co 5.9).
a) O crente iníquo faz o mundo desprezar a igreja — O pecado de um cristão pode prejudicar a congregação inteira, como acontece no corpo humano: “De maneira que, se um membro sofre, todos sofrem com ele; e, se um deles é honrado, com ele todos se regozijam” ( I Co 12.26). Daí, Paulo dizer que o culpado, não podia continuar como membro da igreja, pois toda a congregação estava sendo prejudicada. O infrator deveria ser excluído até arrepender-se de seu pecado, para mais tarde, ser restituído novamente à comunhão (2Co 2.5-11).
b) O pecado corrompe a vida espiritual do cristão — Paulo compara o fermento ao processo pelo qual o pecado se propaga numa igreja, corrompendo assim a vida espiritual de muitos: “Pelo que façamos festa, não com o fermento velho, nem com o fermento da maldade e da malícia…” ( I Co 5.8).
Qualquer igreja que não toma medidas severas contra a imoralidade sexual entre seus membros descobrirá que a influência maligna desse mal se alastrará pela congregação e contaminará várias pessoas. O pecado deve ser rigorosamente removido; de outro modo, o Espírito Santo não terá lugar nesta igreja (Ap 2.3).
c) A disciplina é necessária para o bem da comunidade — Um pecador persistente, que continua sendo aceito sem disciplina dentro da comunidade cristã, mancha todo o corpo. Notemos que Paulo se refere às práticas pecaminosas deliberadamente repetidas dentro da comunidade. Todos nós cometemos pecados e precisamos de purificação; mas todos nós temos a obrigação de ser implacável com qualquer coisa que enfraqueça a nossa vocação ou contamine a nossa comunhão com Cristo. Paulo não está esperando santidade perfeita ou pureza absoluta; ele apela para que haja sinceridade e compromisso com a verdade (l Co 5.8).

3. O CRISTÃO RESTAURADO HONRA A CRISTO
Quando a igreja disciplina o cristão, deve fazê-lo como ato redentor. Nunca devemos sentir prazer em punir as pessoas. Devemos, antes, lamentar, porque o cristão que peca traz vergonha sobre a igreja e o nome de Cristo. Quando o cristão, porém, é restaurado à comunhão da Igreja, tal ato traz glória a Deus e salva um “irmão” da perdição (Tg 5.19,20).
a) A reconciliação é alcançada mediante a restauração — A restauração dos caídos se verifica quando eles são trazidos de volta à retidão (2Co 5.17-20). Eles se arrependem, reconhecem a sua pecaminosidade e passam a ter uma vida santa ( I Pe 1.15,16). Os disciplinados percebem sua insensatez e maldade, abandonando seu estado de decadência espiritual. Eles compreendem a sua situação pecaminosa, levantam-se e deixam a velha vida (Jr 15.19).
b) A pureza da igreja relaciona-se com a retidão — Para que a comunhão seja restabelecida entre irmãos, através da reconciliação, a igreja precisa ser pura. Assim, o cristão que passou pela disciplina torna-se companheiro de todos novamente e assume seus compromissos como membro integrante de uma comunidade sadia. Deste modo, a pessoa é reconduzida à santidade, tornando-se mais experiente, mais sábia e mais forte (Sl 119.67).
c) A disciplina não é necessariamente permanente — Antes de se tornar uma medida corretiva, a igreja deve seguir o princípio estabelecido por Jesus de marcar uma consulta pessoal com o irmão infrator, para persuadi-lo a seguir pelo caminho certo (Gl 6.1). Uma parte importante do trabalho pastoral consiste em aconselhar os membros problemáticos da congregação, orar com eles e por eles. Mas o que fazer quando o referido cristão se recusa a abandonar o pecado? Nesse caso, a igreja tem de agir com base em Mateus 18.15-20.

4. OS PECADOS DEVEM SER ENCARADOS COM SERIEDADE
Após tratar sobre o pecado de fornicação, Paulo aborda sobre cinco outros tipos de pecados: avareza, idolatria, maledicência, bebedices e violência. Tais pecados agridem os padrões cristãos e devem ser tratados com muita severidade ( I Co 5.10-12).
a) A avareza é contrária à fé cristã — A palavra grega “pleonexia”, normalmente é traduzida por “avareza” ou “ganância” e traz a seguinte conotação: “ajuntar cada vez mais, nunca se satisfazendo plenamente com o que já se tem”. A Bíblia identifica a busca insaciável pelas riquezas como idolatria, a qual é demoníaca ( I Co 10.19,20; Cl 3.5). A avareza é, na perspectiva de Cristo, um obstáculo tanto à salvação como ao discipulado (Mt 19.24; 13.22).
b) A idolatria é um insulto contra Deus — A idolatria é uma prática dificilmente reconhecida pelos cristãos. Hoje em dia, por exemplo, os ídolos que escravizam os homens são os da sociedade de consumo. O Novo Testamento declara que a cobiça é uma forma de idolatria. A conexão é óbvia, pois os demônios são capazes de proporcionar benefícios materiais (Lc 13.16). Uma pessoa insatisfeita com aquilo que tem e que sempre cobiça mais, não hesitará em obedecer aos princípios e vontade desses seres sobrenaturais. Embora não adore ídolos de madeira e de pedra, entretanto, adora os demônios que estão por trás da cobiça e dos desejos maus (l Co 10.21; Mt 6.24).
e) A maledicência revela falta de amor — O maledicente é uma pessoa injuriosa que aprecia falar da vida alheia. Jesus disse que, “quem proferir um insulto a seu irmão estará sujeito a julgamento do tribunal; e quem lhe chamar tolo, estará sujeito ao inferno de fogo” (Mt 5.22). O vocábulo grego tem o significado particular de injuriar os que estão na liderança. Trata-se principalmente de um ato de violência praticado com a língua por parte daqueles que criticam e desprezam a tudo e a todos (2Tm 4.14,15). Os tais terão que prestar contas a Deus (Pv 6.14-19).

5. CAPÍTULO 5 = vv.1-11: A morte de Ananias e Safira;
Vv. 1-11. O pecado de Ananias e Safira foi que as pessoas pensassem que eles eram discípulos eminentes, quando não eram discípulos verdadeiros. Os hipócritas podem negar-se a si mesmos, e deixar suas vantagens mundanas em um determinado caso se tiverem a perspectiva de alcançar benefícios em outro. Ambicionavam a riqueza do mundo e não confiavam em Deus, nem em sua providência. Pensavam que podiam servir a Deus e a Mamom, e poderiam enganar os apóstolos. O Espírito de Deus em Pedro viu o princípio de incredulidade que reinava no coração de Ananias.
Qualquer que tenha sido a insinuação de Satanás, este não poderia ter enchido o coração de Ananias com esta maldade, se ele não houvesse consentido. A falsidade dele foi o intento de enganar o Espírito de Verdade, que falava e agia tão manifestamente por meio dos apóstolos. O delito de Ananias não foi reter parte do preço do terreno; poderia ter ficado com tudo se quisesse; seu delito foi tentar impor-se sobre os apóstolos com uma mentira espantosa unida à cobiça, com o desejo de ser visto.
Se pensamos que podemos enganar a Deus, fatalmente enganaremos a nossa própria alma. Como é triste ver as relações que deveriam estimular-se mutuamente às boas obras, endurecerem-se mutuamente no que é mau! Este castigo, na realidade foi uma misericórdia para muitas pessoas. Ele faria as pessoas examinarem a si mesmas rigorosamente, com oração e terror da hipocrisia, cobiça e vanglória, e a continuarem agindo assim. Impediria o aumento dos falsos crentes. Aprendamos com isto quão odiosa a falsidade é para o Deus da verdade, e não somente evitar a mentira direta, mas todas as vantagens obtidas com o uso de expressões duvidosas e de significado duplo em nosso falar.
Vv. 12-16. A separação dos hipócritas por meio dos juízos discriminatórios deve fazer com que os sinceros se apeguem mais estritamente uns aos outros e ao ministério do Evangelho. Tudo o que tenda à pureza e à boa reputação da Igreja promove o seu crescimento; porém, somente aquele poder que realizava tais milagres por meio dos apóstolos pode resgatar os pecadores do poder do pecado e de Satanás, e agregar novos crentes à companhia de seus adoradores. Cristo opera por meio de todos os seus servos fiéis, e todo aquele que recorrer a Ele será curado.
Vv. 17-25. Não há cárcere tão escuro nem tão seguro em que Deus não possa entrar e visitar os seus, e se lhe agrada, tirá-los dali. A recuperação das enfermidades e a libertação dos problemas nos são concedidos, não para que desfrutemos das consolações da vida, mas para que Deus seja honrado com os serviços de nossa vida. Não é próprio que os pregadores do Evangelho de Cristo se escondam em lugares distantes quando têm a oportunidade de pregar a uma grande congregação. Devem pregar aos mais vis, cujas almas são tão preciosas para Cristo quanto às almas dos mais nobres.
Falai a todos, porque todos estão incluídos. Falai como aqueles que decidem defender, viver e morrer por algo. Dizei todas as palavras desta divina vida celestial, comparada à qual, esta vida atual terrena não merece o nome de vida. Falai as palavras de vida que o Espírito Santo coloca em vossas bocas. As palavras do Evangelho são palavras de vida; palavras pelas quais podemos ser salvos. Quão infelizes são aqueles que se sentem angustiados pelo êxito do Evangelho! Não podem deixar de ver que a Palavra e o poder do Senhor estão contra eles, e tremendo pelas conseqüências, mesmo assim seguem adiante!
Vv. 26-33. Muitos fazem ousadamente, algo mal, e mais tarde não suportam ouvir sobre este fato, ou que lhes acusem de tê-lo cometido. Não podemos esperar ser redimidos e curados por Cristo se não nos entregamos para ser governados por Ele. A fé nos faz aceitar ao Salvador em todos os seus ofícios, porque Ele veio não para nos salvar em nossos pecados, mas para nos salvar de nossos pecados. Se Cristo tivesse sido enaltecido para dar domínio a Israel, os principais sacerdotes teriam lhe dado as boas-vindas. Contudo, o arrependimento e a remissão dos pecados são bênçãos que eles não valorizavam nem perceberam que necessitavam; portanto, não reconheceram sua doutrina em absoluto. Onde o arrependimento opera, a remissão é outorgada sem falta.
Ninguém se livra da culpa e do castigo, senão aqueles que são libertos do poder e do domínio do pecado, aqueles que se apartam do pecado e voltam-se contra ele. Cristo concede arrependimento por seu Espírito, que opera através da Palavra para despertar a consciência, para dar sentimento de tristeza pelo pecado e uma eficaz mudança no coração e na vida. Dar o Espírito Santo é uma prova evidente de que a vontade de Deus é que Cristo seja obedecido. Com toda certeza Ele destruirá aqueles que não querem que reine sobre eles.
Vv. 34-42. O Senhor ainda tem todos os corações em suas mãos, e às vezes dirige a prudência do sábio do mundo para refrear os perseguidores. O bom senso nos ensina a ser prudentes, uma vez que a experiência e a observação indicam que o êxito das fraudes em matéria de religião tem sido muito breve. Ser reprovados pelo mundo por amor a Cristo deve ser a nossa verdadeira preferência, porque faz com que nos coloquemos mais de acordo com Ele e sirvamos os seus interesses. Eles se regozijaram nisto. Se sofrermos o mal por fazermos o bem, desde que o soframos fazendo o bem, como é o nosso dever, devemos nos regozijar nessa graça que nos capacitou para agir assim.
Os apóstolos não pregavam a si mesmos, mas a Cristo. Esta era a pregação que mais ofendia aos sacerdotes. Pregar a Cristo deve ser a atividade constante dos ministros do Evangelho; a Cristo crucificado, a Cristo glorificado; nada fora disto, a não ser o que se refere a isto. Qualquer que seja a nossa situação ou nível social nesta vida, devemos procurar conhecê-lo e glorificar o seu nome.

6.O QUE É DOUTRINA BÍBLICA
Ao contrário da filosofia, a doutrina cristã não se perde em especulações. Se por um lado, conduz- nos a conhecer mais intimamente a Deus; por outro, constrange-nos a ter uma vida santa e irrepreensível. Andrew Bonar, ao destacar-lhe a importância em nosso cotidiano, foi enfático: “Doutrina é coisa prática, visto que desperta o coração”.
1. Definição. A doutrina é um conjunto de princípios que, tendo como base as Sagradas Escrituras, orienta o nosso relacionamento com Deus, com a Igreja e com os nossos semelhantes. Ela pode ser definida, ainda, como ensino da Bíblia.
Este, contudo, tem de ser persistente, sistemático e ordenado, induzindo os santos a se inteirarem de todo o conselho de Deus (At 20.27).
2. Objetivos. O principal objetivo da doutrina bíblica é aprofundar o nosso conhecimento de Deus (Os 6.3). Se não o conhecermos experimental e redentivamente, como haveremos de colocar-nos a seu serviço? (I Sm 3.7).
O Israel do Antigo Testamento caiu na apostasia por não conhecer a Jeová.
Através de Oséias, lamenta o amoroso Senhor: “O meu povo foi destruído, porque lhe faltou o conhecimento” (Os 4.6). De igual modo, visa a doutrina bíblica à perfeição moral e espiritual do ser humano. Escrevendo ao jovem pastor Timóteo, o apóstolo
Paulo é mais do que claro; é incisivo: “Para que o homem de Deus seja perfeito, e perfeitamente instruído para toda a boa obra” (II Tm 3.17). Ideal inatingível?
Se contarmos apenas com as nossas próprias forças, jamais atingiremos semelhante padrão. No entanto, se nos entregarmos à graça de Nosso Senhor, nossa vereda refulgirá de tal forma que viremos a resplandecer como os astros no firmamento (Pv 4.18; Dn 12.3).
3. Doutrina e costumes. Doutrina não são costumes. Todos já ouvimos essa frase. No entanto, a boa doutrina, quando corretamente interpretada, gera costumes bons e sadios. Conseqüentemente, um povo que ignora as verdades bíblicas com facilidade assimilará os costumes do Egito e de Canaã (Lv 18.3).
Foi o que ocorreu com os israelitas: durante a peregrinação no deserto, imitaram os egípcios; na Terra Prometida, os cananeus. Eis porque somos instados a não amar o mundo (I Jo 2.15). Por conseguinte, quanto mais doutrinados forem os crentes, mais os seus costumes conformar-se-ão à Palavra de Deus.
Ai Martin é positivo: “A finalidade para a qual Deus instrui a mente é para que Ele possa transformar a vida”.
No Salmo 119, pergunta Davi: “Como purificará o jovem o seu caminho?”
Responde o salmista: “Observando-o conforme a tua palavra” (Sl 119.9).
Não podemos, portanto, dissociar os bons costumes da doutrina. Como aqueles dependem desta, logo: a boa doutrina gera, necessariamente, os bons costumes.

7. A NECESSIDADE DA DOUTRINA
Há cristãos que, menosprezando a doutrina bíblica, alegam: “O importante não é a teoria; e, sim: a prática”. Entretanto, quem disse que a doutrina bíblica é meramente teórica? Ela é a vontade de Deus. E, como tal, deve ser posta em prática. Aos filhos de Israel, ordena o Senhor: “E estas palavras, que hoje te ordeno, estarão no teu coração; e as intimarás a teus filhos, e delas falarás assentado em tua casa, e andando pelo caminho, e deitando- te e levantando-te.
Também as atarás por sinal na tua mão e te serão por testeiras entre os teus olhos. E as escreverás nos umbrais de tua casa, e nas tuas portas” (Dt 6.6-9). Vejamos por que a doutrina bíblica é necessária.
1. A doutrina bíblica proporciona-nos a salvação em Cristo. Paulo instrui ao seu jovem filho na fé: “Tem cuidado de ti mesmo e da doutrina: persevera nestas coisas; porque, fazendo isto, te salvarás, tanto a ti mesmo como aos que te ouvem” (I Tm 4.16).
2. A doutrina bíblica santifica-nos. Em sua oração sacerdotal, refere-se o Cristo ao poder santificador da Palavra de Deus: “Dei-lhes a tua palavra, e o mundo os aborreceu, porque não são do mundo, assim como eu não sou do mundo. Não peço que os tires do mundo, mas que os livres do mal. Não são do mundo, como eu do mundo não sou. Santifica-os na verdade: a tua palavra é a verdade” (Jo 17.14-17).
3. A doutrina bíblica torna-nos sábios. Timóteo, instruído por sua mãe, Eunice, e por sua avó, Lóide, veio a tornar-se um dos maiores obreiros do Novo Testamento. Jovem ainda veio ele a ser considerado um sábio, conforme lhe escreve Paulo:
“E que desde a tua meninice sabes as sagradas letras, que podem fazer-te sábio para a salvação, pela fé que há em Cristo Jesus” (II Tm 3.15). Enfim, é a doutrina bíblica imprescindível para o nosso crescimento na vida cristã. Sua necessidade pode ser constatada tanto coletiva quanto individualmente.
William S. Plumer analisa a eficácia da doutrina bíblica na vida cristã: “Doutrinas fracas não são páreo para tentações fortes”.

8. A DOUTRINA BÍBLICA E O SERVIÇO CRISTÃO
Infelizmente, há obreiros que, no ímpeto de evangelizar, não se aplicam a aprender a doutrina bíblica. Acham que o ensino sistemático das Sagradas Escrituras é perda de tempo. Deveriam eles atentar a esta recomendação de Charles Spurgeon: “Os homens, para serem verdadeiramente ganhos, precisam ser ganhos pela verdade”. Vejamos por que a doutrina bíblica é importante ao serviço cristão.
1. Na evangelização. Na divulgação do Evangelho, acha-se implícito o ensino da doutrina bíblica, conforme podemos inferir da Grande Comissão que nos confiou o Senhor Jesus: “Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-os a guardar todas as coisas que vos tenho ordenado. E eis que estou convosco todos os dias até à consumação do século” (Mt 28.19,20 -ARA). A evangelização pressupõe, essencialmente, a presença da doutrina bíblica.
2. Na instrução dos santos. Paulo jamais se mostrou remisso quanto à doutrinação da Igreja de Cristo. Em Trôade, ministrou aos irmãos até altas horas:
“No primeiro dia da semana, estando nós reunidos com o fim de partir o pão, Paulo, que devia seguir viagem no dia imediato, exortava-os e prolongou o discurso até a meia-noite” (At 20.7,8 -ARA). Nem o incidente com o jovem êutico lhe arrefeceu o ardor doutrinário: “Subindo de novo, partiu o pão, e comeu, e ainda lhes falou largamente até ao romper da alva” (At 20.11-ARA).
3. Na defesa da santíssima fé. Somente poderemos defender a santíssima fé se nos dedicarmos com afinco ao estudo da doutrina bíblica: “Antes, santificai a Cristo, como Senhor, em vosso coração; e estai sempre preparados para responder com mansidão e temor a qualquer que vos pedir a razão da esperança que há em vós” (I Pe 3.15). Está você preparado para defender a sua fé e a apresentar as razões da esperança que temos em Cristo?

CONCLUSÃO
Outros pecados mencionados por Paulo foram bebedices e violência, que também se traduz no original grego por “harpax”, roubador. Os que incorrem nesses tipos de pecados devem igualmente sofrer ações disciplinares por parte da igreja, a fim de que o testemunho da comunidade seja preservado e os tais devidamente restaurados para a glória de Deus. Enfatizando a importância das doutrinas bíblicas, afirmou Joseph Irons: “Abracemos toda a verdade ou renunciemos totalmente ao cristianismo”. O que isto significa? Não podemos acreditar em algumas doutrinas, e desacreditar em outras. Haveremos de receber toda a verdade conforme no-la confiou o Senhor em sua Palavra: integralmente. Sem doutrina, a vida espiritual é impossível.

Elaboração pelo:- Evangelista Isaias Silva de Jesus
Igreja Evangélica Assembléia de Deus Ministério Belém Em Dourados – MS

BIBLIOGRAFIA
Comentário Bíblico Mathew Henry
Lições bíblicas BETEL 2004
Lições bíblicas CPAD 2006

 

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