quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

DAVI E SEU SUCESSOR

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Texto Bíblico: 1 Crônicas 28.4-8

Um dos momentos-chave para o entendimento da Aliança Davídica é o do biênio em que ocorreu a “corregência” de Salomão no reinado davídico (1 Cr 23.1). Antes mesmo de esse filho de Davi nascer, Deus falou por intermédio do profeta Natã — que momentos antes havia incentivado Davi a dar consecução a um projeto de construir o Templo (1 Sm 7.1-3), mas precisou voltar com o anúncio de um oráculo totalmente distinto de sua opinião pessoal[i]: “Quando teus dias forem completos, e vieres a dormir com teus pais, então, farei levantar depois de ti a tua semente, que procederá de ti, e estabelecerei o seu reino. Este edificará uma casa ao meu nome, e confirmarei o trono do seu reino para sempre. Eu lhe serei por pai, e ele me será por filho; e, se vier a transgredir, castigá-lo-ei com vara de homens e com açoites de filhos de homens. Mas a minha benignidade se não apartará dele, como a tirei de Saul, a quem tirei de diante de ti” (2 Sm 7.12-15). 
Se a mensagem veio a Davi em forma de consolação por Deus o haver tolhido de consolidar o seu projeto, ela acabou sendo considerada uma verdadeira revolução em termos de Aliança do Eterno com a humanidade, pois, como poderá ser visto adiante, novamente o homem se depara com a possibilidade real de que o futuro será melhor que hoje.
Até pouco antes de assumir a corregência de Israel, Salomão não sabia nada acerca de tal assunto até que Davi o revelou em 1 Crônicas 22.9,10: “Eis que o filho que te nascer será homem de repouso; porque repouso lhe hei de dar de todos os seus inimigos em redor; portanto, Salomão [que é paz] será o seu nome, e paz e descanso darei a Israel nos seus dias. Este edificará casa ao meu nome; ele me será por filho, e eu a ele por pai; e confirmarei o trono de seu reino sobre Israel para sempre”. É oportuno notar que a mensagem original não continha o anúncio explícito de que seria Salomão, mas é preciso entender que Davi agora já tinha diante de si o “quadro geral” da revelação de Deus, algo muito diferente do que ouvira há aproximadamente vinte anos. Portanto, não se trata de acréscimo ou adição ao oráculo divino, mas interpretação lógica de Davi acerca do que Deus havia falado por intermédio de Natã em duas ocasiões (2 Sm 7.12-15 e 12.24,25), bastando apenas vê-las juntas.
Analisando a questão do ponto de vista político — pois se antes Israel “exigiu” de Deus um rei, por essa época a dinastia já não era mais vista com bons olhos por muitos israelitas[ii] —, Eugene Merril afirma que para “garantir que Israel obedeceria e aceitaria seu filho, Davi fez dele um co-regente em seu reino (1 Cr 23.1). Juntos, designaram os sacerdotes e levitas que serviriam no templo como cantores, porteiros e tesoureiros”.[iii] Em nota, o mesmo autor acrescenta que é importante ver 1 Reis 1.32-40 para uma descrição da unção de Salomão. A narrativa de 1 Reis 1 indica que a conspiração de Adonias para impedir a ascensão de Salomão ao trono (vv. 5-10) chegou ao clímax exatamente antes da cerimônia de coroação. Isso foi cerca de dois anos depois que Salomão tinha sido nomeado co-regente (1 Cr 23.1). Existem vários fatores que corroboram nossa teoria dos acontecimentos, que incluem um período de co-regência e uma clara ligação entre 1 Crônicas 29.22b com 1 Reis 1.32-40: (1) quando Salomão foi ungido, foi reconhecido como rei “pela segunda vez” (1 Cr 29.22b); (2) A unção de Salomão é mencionada apenas em 1 Crônicas 29.22b e 1 Reis 1.39, uma referência que surge exatamente depois da rebelião de Adonias; (3) ambos os relatos da coroação mencionam Zadoque. 
Embora não estivesse ligado a qualquer uma das cerimônias de unção, o próprio sacerdote Zadoque é ungido na ocasião quando Salomão foi ungido (1 Cr 29.22b). De fato, 1 Reis descreve que Zadoque se torna o chefe dos sacerdotes segundo o mandato de Salomão, depois da morte de Davi (2.35).[iv] 
Acerca de alegações que visam negar a existência de um intervalo de tempo entre 1 Crônicas 29.22b, é imprescindível lembrar-se, como já foi abordado no capítulo 4, que a intenção de tais textos não é oferecer uma cronologia dos fatos, antes a questão teológica é o que pesa muito mais, e que jamais podemos ver os textos escriturísticos assim como as prosas modernas e lineares que conhecemos atualmente. A importância desse saber é que dele depende a correta interpretação e exegese bíblicas.



NOTAS

[i] Isso atesta e comprova mais uma vez a verdade escrita em 1 Pedro 1.19-21, de que muitas vezes a própria opinião do profeta ou hagiógrafo era até mesmo contrária à mensagem que Deus colocava em sua boca ou pena. 
[ii] Ibid., p. 304. Eugene Merril afirma que a “impressão comunicada pelo cronista é que a transferência de poder de Davi para Salomão ocorreu tranquilamente e sem qualquer oposição. Mas este não foi o caso, como o escritor de 1 Reis esclarece. O cronista normalmente estava interessado em resultados básicos, não nas circunstâncias ou ações pelos quais se concretizavam. Isso é verdadeiro especialmente em relação à área política, pois o cronista preocupava-se primariamente com as questões do templo e do culto” (p. 296).
[iii] Ibid., p. 261.
[iv] Ibid., p. 261, 262.
CARVALHO, César Moisés. Davi. As vitórias e as derrotas de um homem de Deus. 1.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2009, pp.212-14.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

DAVI E A RESTAURAÇÃO DO CULTO A JEOVA

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13 de dezembro de 2009
(Dia da Bíblia)

Por Francisco A. Barbosa

TEXTO ÁUREO
"Dai ao SENHOR a glória de seu nome; trazei presentes e vinde perante ele; adorai ao SENHOR na beleza da sua santidade" - 1 Cr 16.29 (O culto bíblico é a devida resposta racional ao Criador, honrando-O e glorificando-O, agradecendo-Lhe por todas as dádivas; por Sua revelação e graça a nós concedida; o genuíno louvor envolve glória a Deus).

VERDADE PRÁTICA
A essência do verdadeiro culto a Deus é a adoração, portanto, Ele procura adoradores que o adorem em espírito e em verdade. O verdadeiro servo adora quando louva-O pelo o que Ele é, agradece a Ele aquilo que Ele tem realizado, deseja que Ele aumente Sua glória, confia inteiramente nEle através da oração.

INTERAÇÃO
Respeito, reverência e obediência aos mandamentos de Deus, foram incontestes neste translado do objeto que representava a presença do Senhor em meio ao seu povo. O exercicio da análise dessa perícope biblica me ensina que a verdadeira adoração envolve perimptoricamente, reverência, total rendição, gratidão e exaltação ao Senhor, isto é, o verdadeiro culto racional.

OBJETIVOS
Após esta aula, o aluno deverá estar apto a:
- Definir adoração.
- Explicar o propósito e os elementos do culto
- Estabelecer a diferença entre a liturgia da Velha e da Nova Aliança.

Palavra Chave: Adoração: O sentido original sugere o ato de inclinar-se perante alguém, a fim de reverenciar, venerar ou adorá-lo. O Dicionário Vine define a palavra hebraica ‘sãhãh’ por ‘adorar, prostrar-se, curvar-se’, e o grego ’proskuneõ’ por fazer mesura, fazer reverencia a (formado de pros, ‘para’, e kuneõ, ‘beijar’), são os termos mais frequentes significando ‘adorar’ (Dicionário VINE, CPAD,1ª edição, 2002, pág 31,374).

INTRODUÇÃO
Davi trouxe a Arca para Jerusalém, estando ainda, o tabernáculo em Gibeon (ou Gabaon; ou Gibeão), com o intuito de reunir tanto a Arca quanto o Tabernáculo em um único templo na novisssíma capital do reino e em breve, o centro cultual de Israel. Não coube a Davi a honra de construir uma casa para o Senhor, e nesse intervalo, Israel contou com dois lugares de adoração e dois sumo-sacerdotes, um em Gibeon e outro na capital (1Cr 15.11). O cronista toma em consideração essa situação e justifica dizendo que a Tenda do Deserto tinha ficado erguida lá (21.29; 2Cr 1.3), em consequencia, ele reparte o efetivo levitico entre o santuário de Gibeon e o novo santuário da Arca, em Jerusalém.
O traslado foi marcado pela beleza ritual, pela separação (santificação) de um efetivo de 862 sacerdotes e levitas. Davi revigora nesse ato o que a nação esqueceu ou desprezou. É com Davi que observamos os primeiros passos rumo ao retorno da verdadeira adoração a Jeová.

I. O CULTO E O SEU PROPÓSITO

1. Adoração.
O que entendemos por adoração? Musica? O Serviço Cristão, que chamamos de culto, tem por essência a adoração ao Senhor. Seu ápice acontece quando nos prostramos em deferência diante do Senhor, dando-Lhe toda honra e toda glória, fazendo-Lhe mesura, em espírito e em verdade; adorar é prostrar-se diante de Deus em reconhecimento à sua divindade.
Quando Davi se prontificou a trazer a Arca da Aliança (que se encontrava na casa de Obede-Edom) para Jerusalém, veio adorando a Deus durante todo o caminho percorrido. Ao dançar diante da Arca, Davi tirou suas vestes externas e em lugar delas trajou apenas uma estola sacerdotal (algum tipo de roupa curta usada sob a túnica), inteerpretando ele essa situação como uma forma de humilhação diante do Senhor – e não diante das servas, como acusou-lhe Mical – isso é o que deferimos da perícope seguinte, v 22; Davi estava decidido a rebaixar-se o máximo a fim de que o Senhor recebesse a honra que lhe era devida numa atitude de um verdadeiro adorador – descobrir-se não significa que Davi ficou nu, mas na linguagem real, significa que Davi tirou as vestes reais e vestiu-se como um escravo, com algo parecido com uma tanga (2 Sm 6.16). O hebraico não deixa margem para as danças que vemos hoje em alguns lugares; karar significa também "girar", pular de alegria, e nesse caso, tomado pelo Espírito Santo, Davi saltava e rodopeava jubilosamente diante do Senhor.
2. Comunhão. Do grego Koinonia, termo mais conhecido por nós, significando coisa comum, sociedade, companheirismo, isto é, participação, companheirismo desfrutado entre os cristãos. Paulo faz uso do adjetivo koinonos – tendo em comum – em 1Co 10.18 empregando-o para descrever os cristãos como participantes do altar/demonios, isto é, estar asssociado com. O sentido é compartilhar.
Comunhão é indispensável ao verdadeiro culto a Deus. Sem koinonia – tanto com o Senhor quanto com os irmãos, não é possível adorar verdadeiramente.
Davi "repartiu a todo o povo e a toda a multidão de Israel, desde os homens até às mulheres, a cada um, um bolo de pão, um bom pedaço de carne, e um frasco de vinho; então, foi-se todo o povo, cada um para sua casa" (2 Sm 6.19), isto denota a preocupação daquele rei com o seu povo e aponta para Jesus, o Pão da Vida, quando da multiplicação dos pães e peixes. O propósito do culto é adorar ao Senhor e estar em comunhão com Deus e com o próximo; é o vinculo de unidade fraterna, mantido pelo Espirito Santo, que leva os cristãos a se sentirem um só corpo em Cristo Jesus – o verdadeiro significado de reino dos céus (2Co 13.13; 1Jo 1.3).

II. O CULTO
1. O altar do holocausto e do incenso. A finalidade do culto prestado ao Senhor é de que ele seja glorificado e reverenciado como um Deus amoroso e misericordioso, o único dino de reber adoração. “Mas a hora vem, e agora é, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade; porque o Pai procura a tais que assim o adorem.” (Jo 4.23). O culto constitui-se em maneira única e particular de adoração constituído com seus elementos ritualísticos e cerimoniais. O serviço (ou liturgia; ou culto) é o clímax de uma religião. Davi desejou construir uma casa para que o Senhor fosse adorado e também foi responsável por grandes transformações sociais, políticas e religiosas.
Ele foi o responsável por resgatar o altar mais conhecido do Velho Testamento: o altar do holocausto, isto é, destinado à realização dos sacrifícios. Quando o Israelita se aproximava do tabernáculo com o seu sacrifício e atravessava aquele portão de entrada ele encontrava entre ele e o tabernáculo um altar com um sacerdote ao lado. O altar de forma quadrada. Sua largura e comprimento era exatamente igual à altura da cerca de linho branco ao redor do átrio com 5 cúbitos (2,25 metros). Sua altura era de 3 cúbitos (1,35 metros) e feito de madeira de acácia revestida com bronze com chifres em cada canto (Ex 27.1-5). Este era o altar no qual os sacrifícios eram feitos conforme descreve Lv 1.9, como um doce sabor para o Senhor. Era onde o sangue era derramado e o pecador era perdoado. Não importa quão boa pessoa fosse, sem o derramamento de sangue não havia nenhum perdão (Lv 17.11). Fora do altar de bronze não havia outro modo de se aproximar de Deus. A aliança com Yahweh, era uma aliança de sangue e então o animal inocente representava o pecador, e tomava o lugar dele no altar. É por isso que se colocava as mãos na vítima inocente, a seguir o violento corte na garganta. Uma imagem que faria sua pele se arrepiar, que trazia uma incrível consciência do pecado, e do seu salário que é a morte. Só então ele seria aceito e declarado limpo. O sangue do animal cobriria até o próprio Deus (O Cordeiro de Deus) que levaria o pecado de uma vez por todas. O sacerdote então pegaria o sangue em uma bacia, e despejava o sangue ao pé do altar, e fazia o sacrifício, e o pecador iria para casa perdoado até o próximo pecado. Eram feitos sacrifícios ao longo do ano, mas o sacrifício anual era feito pelo sumo sacerdote no Dia da Expiação (Yom Kippur), uma vez por ano .para expiar os pecados da nação.
2. A arca. A Arca da Aliança, Arca de Deus ou Arca do Pacto (hebraico:ארון הברית aróhn hab·beríth; grego: ki·bo·tós tes di·a·thé·kes") era a urna mandada construir pelo próprio Deus, que representa sua presença no meio do seu povo, bem como, servia de ‘veículo de comunicação’ entre Deus e seu povo escolhido. Continha em seu interior as tábuas da Lei, a Vara de Arão que floresceu (que não só floresceu mais que também brotou améndoas) e o pote de maná escondido foram repousadas no seu interior, a Arca é tratada como o objeto mais sagrado, como a própria representação de Deus na Terra. A Bíblia relata complexos rituais para se estar em sua presença dentro do Tabernáculo. A manifestação divina dava-se como uma fumaça, conhecida como Sua shekiná (Presença) entre os querubins que tinham asas de anjos, corpo de homem e rosto de bebê, e que estavam ligados em baixo pelos joelhos em cima do propciatório e ligados em cima pelas asas que sendo assim formava um circulo entre eles (simbolizando tudo que é ligado na terra Também será ligado no céu) e era justamente onde estava a shekiná e era ali que DEUS falava com Moises. Tocá-la era um ato tolo, pois quem a tocasse era logo morto pela ira de DEUS, razão pela qual existiam varas para seu transporte. Infelizmente, nos dias de Samuel os israelitas haviam transformado a arca em uma espécie de amuleto, e tentavam usá-la como um fetiche (1 Sm 4.3). De nada adianta barulho sem poder, de nada vale um utensílio sagrado se não há obediência por parte de quem o conduz (1 Sm 4.5,10). Davi queria que a arca adquirisse nos seus dias a sua verdadeira simbologia.

III. O CULTO E SUA LITURGIA
1. A liturgia na Velha Aliança. A liturgia judaica era complexa e inflexível. O que é liturgia? A história do termo começa com uma palavra composta: ‘Leitourgia’ de ‘ergón’ (obra) e ‘leitos’ (adjetivo derivado de ‘leos’ ou ‘laos’ - povo). Este termo significava ou indicava nas democracias gregas (segundo o grego clássico e helênico): ‘a prestação de um serviço por parte dos cidadãos de classe média no benefício da coletividade’. A Septuaginta emprega o termo ‘leitourgía’ e seus derivados para designar o serviço do templo por parte dos sacerdotes e levitas, enquanto que os termos correspondentes em hebraico são usados também para serviços que não sejam de culto. Segundo um enfoque puramente semântico, literalmente pode significar festa, celebração, e ainda culto (Latreia). No Antigo Testamento, o equivalente para liturgia é festa (‘Hag’: dança e ‘Saret’: serviço) e ‘Aboda’ (obra, serviço) que também se usa para atos litúrgicos.
Na maioria dos casos a liturgia se interpreta como “forma de culto” e é obvio que a forma em si não assegura a realidade espiritual do culto, mas a falta de forma tampouco. A forma deveria servir como ajuda aos fiéis na adoração a Deus.
De forma geral, quando pensamos em nossa relação com o culto, fazemo-lo em termos de receber, de obter algo. Mas da perspectiva da liturgia, o culto tem muito mais a ver com dar e oferecer do que com receber ou obter. Liturgia é o que podemos oferecer a Deus no culto aceitável, genuinamente autêntico e que expressa nossa submissão, dependência e serviço a Ele.
2. A liturgia na Nova Aliança. A liturgia da Igreja Primitiva, ao contrário do culto veterotestamentário, é extremamente simples: a leitura da Bíblia e sua explanação, a oração, a recitação de Salmos, cânticos e expressões carismáticas do Espírito Santo. Nosso culto racional deve ser composto de comunhão, adoração irrestrita e consciencia de que o serviço é prestado ao Criador, não a nós. O serviço é oferecido à Cristo. De fato, é o que podemos observar quando lemos o livro de Atos dos Apóstolos: "E, servindo eles ao Senhor" (At 13.2). Nesse contexto a palavra "servindo" é a tradução do grego leitourgeo, que no português é "liturgia".

CONCLUSÃO
A base de nosso culto é a aliança pela qual Deus se tem ligado àqueles a quem ele Salvou. Isso era verdadeiro no Antigo testamento tanto quanto o é agora, no tempo da graça. Nosso serviço à Cristo se reveste de reverencia, alegria, confissão de pecado e necessidade da presença dele em nós. Esse culto que agora prestamos ao senhor deve ser central em nossa vida pois ele será o cerne na glória que nos está proposta. Aprendemos, pois como Davi organizou o culto a YAWEH, resgatando os elementos da Lei Mosaica, dando forma ao culto que o povo da antiga aliança deviam prestar. Nesse modelo há todos os elementos do verdadeiro culto. Sob a nova aliança, não há mais espaço para os tipos, agora temos os atítipos e o sacerdócio de Cristo supera todos os ritos mosaicos. Essas mudanças são inumeras mas o essencial continua o mesmo. O culto ao Senhor deve ser realizado e oferecido com decência e ordem (1 Co 14.40),reverência, pureza e sinceridade devem nortear ainda hoje o nosso culto.

Subsídio Teológico
"Na segunda tentativa de trazer a arca para Jerusalém, Davi preparou-se com os levitas, que eram servos escolhidos por Deus para cuidar da arca. Eles deveriam se preparar, como Deus tinha ordenado, para realizar uma tarefa sagrada. Uzá estava morto, não porque Deus quisesse a arca em Jerusalém, mas porque ele não era um levita e tinha tocado a arca com suas mãos não santificadas.
A arca era a evidência da presença de Deus com seu povo (cf. Êx 25.10-22, 1 Cr 13.6). A omissão de Saul em indagar de Deus através dela revela seu menosprezo total ao significado do relacionamento com Deus. Davi, entretanto, teve o cuidado de trazê-la para Jerusalém, o centro político e geográfico de Israel. Para Davi, o relacionamento com Deus era de importância central, o coração vivo da nação. A advertência do cronista é tanto para os judeus pós-exilados em Judá como para nós. Ele é o foco e o centro de nossas vidas.
A Lei do Antigo Testamento é explícita. A arca deve ser levada em travessões, carregada somente por levitas (Nm 4.15). É bom estar ansioso por estar perto de Deus, mas devemos ser cuidadosos em nos aproximarmos dEle da maneira como Ele ordenou. O mais profundo significado da arca encontra-se na sua cobertura. Feita de puro ouro e representando modelos de dois dos anjos que guardam a santidade de Deus, a cobertura era o trono simbólico de Deus" (Adaptado de o Guia do Leitor da Bíblia. Rio de Janeiro: CPAD, 2005, pp.268-9).

APLICAÇÃO PESSOAL
"Você deseja ser um adorador? Anseia por estar na presença de Deus? Aspira ver a face do Pai?
Vós adorais o que não conheceis, nós adoramos o que conhecemos... (Jo 4.22) Jesus colocou, de forma inquestionável, a possibilidade de uma falsa adoração: adorar a Deus sem conhecê-lo. O pressuposto inequívoco da verdadeira adoração é o conhecimento do verdadeiro Deus. Para João Calvino, a base da adoração espiritual e pura dos gentios é a vinda deles para a verdadeira fé e para um conhecimento sadio da Palavra de Deus. A verdadeira adoração deve ser baseada no verdadeiro conhecimento de Deus. Calvino afirma ainda: E é necessário sempre começar com este princípio — conhecer a Deus a quem adoramos (Hughes Oliphant Old, op. cit. p. 239). O verdadeiro conhecimento de Deus, portanto, é básico para a verdadeira adoração, devemos ter sempre em mente que Deus não pode ser corretamente adorado a menos que Ele seja conhecido. No dizer de Paulo: ‘Passando e observando os objetos do vosso culto, encontrei também um altar no qual está escrito: AO DEUS DESCONHECIDO. Pois esse que adorais sem conhecer , é precisamente aquele que eu vos anuncio.’ (At 17.23). Paulo foi astuto para levar as boas novas aos gregos pois que, eles não estavam adorando verdadeiramente a Deus, na realidade queriam mesmo era agradar a qualquer Deus que existisse.
Paulo aproveitou essa ‘brecha’ e começou a explicar aos varões atenienses algumas coisas sobre quem era o Deus verdadeiro e o Senhor fez o mesmo com respeito aos samaritanos.
Novamente, Paulo prorrompe numa forma de profunda adoração, dizendo: ‘ Ó profundidade da riqueza, tanto da sabedoria, como do conhecimento de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos e quão inescrutáveis os seus caminhos! Quem, pois, conheceu a mente do Senhor? ou quem foi o seu conselheiro? Ou quem primeiro lhe deu a ele para que lhe venha a ser restituído? Porque dele e por meio dele e para ele são todas as coisas. A ele, pois, a glória eternamente.’ (Rm 11.33-36).
Nosso desejo sincero é que jamais venhamos a ouvir o mesmo que o Senhor disse à mulher Samaritana: ‘Vós adorais o que não conheceis...’ Não se pode adorar a Deus sem a certeza da salvação. Não se pode louvá-Lo sem o perdão dos pecados. Não podemos nos aproximar do Pai, a não ser através de Jesus Cristo. Somente confessando-o como Senhor e Salvador das nossas vidas podemos alcançar o Pai.
Não permita que nada o impeça de adorar ao Senhor.
N’Ele,
Francisco de Assis Barbosa, [ton frère dans Le sauvateur Jésus Christ]
Professor da EBD na IEAD Ministério do Belém em São Caetano do Sul, SP

BIBLIOGRAFIA PESQUISADA
- Bíblia de Estudo DAKE, CPAD-Ed Atos
- Bíblia de Estudo Genebra, Ed Cultura Cristã – SBB;
- Bíblia de Jerusalém – Nova Edição, Revista e Ampliada – Paulus;
- Dicionário Vine – CPAD
- http://pt.wikipedia.org/wiki/Arca_da_Alian%C3%A7a

DAVI E A RESTAURAÇÃO DO CULTO A JEOVA

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IGREJA EVANGÉLICA ASSEMBLÉIA DE DEUS EM ENGENHOCA – NITERÓI - RJ
ESCOLA BÍBLICA DOMINICAL
LIÇÃO 11 - DIA 13/12/2009
TÍTULO: “DAVI E A RESTAURAÇÃO DO CULTO A JEOVÁ”
TEXTO ÁUREO – I Cr 16:5
LEITURA BÍBLICA EM CLASSE: I Cr 16:7-14
PASTOR GERALDO CARNEIRO FILHO
e.mail: geluew@yahoo.com.br



I – INTRODUÇÃO:

• Quem se assenta num banco de Igreja aparenta ser um adorador. Mas, muitas vezes não o é! Quantas refeições têm sido planejadas na hora solene do culto!? Quantos negócios têm sido planejados, rascunhados e contratos fechados nas mentes daqueles que lotam os bancos da casa do Senhor, aparentando serem adoradores!? Tenhamos cuidado, pois A ADORAÇÃO A DEUS É UMA ORDEM!: I Cr 16:29; Sl 95:6; 99:5


II – DEFINIÇÃO DE ADORAÇÃO:

- Há duas palavras no A. T. significando ADORAÇÃO:


- (A) - Uma delas, em certos lugares, tem o sentido de “FAZER REVERÊNCIA”, “INCLINAR-SE”. Daí, ADORAÇÃO significa “RESPEITO E HONRA PRESTADOS A UMA PESSOA DE DISTINÇÃO” (Dn 2:46, 3:5).


- (B) - A outra, usa-se a respeito do culto ao Senhor, bem como a culto prestado a outros deuses ou objetos de reverência. Neste sentido, ADORAÇÃO significa “CULTO OU VENERAÇÃO QUE SE PRESTA À DIVINDADE OU OBJETOS DE REVERÊNCIA” (Gn 24:26; Ex 34:14; Dt 4:19; Is 44:15, 17, 19; 46:5-7).




- No N. T. a palavra ADORAÇÃO significa, na sua origem, “BEIJAR A MÃO DE ALGUÉM, COMO SINAL DE CONSIDERAÇÃO, FAZENDO-SE UMA INCLINAÇÃO RESPEITOSA”. Por exemplo, temos as seguintes passagens bíblicas: ADORAÇÃO A DEUS (Mt 4:8-10); REVERÊNCIA PARA COM JESUS CRISTO (Lc 8:26-28); e CULTO IDÓLATRA (At 7:42-43 cf Apc 9:20; 14:9-10; 22:8-9)


- Com estes dois significados, temos o conceito essencial de ADORAÇÃO: “SERVIÇO ou TRABALHO EFETUADO PELOS ESCRAVOS OU EMPREGADOS”. A fim de prestar adoração a Deus, os Seus servos devem prostrar-se, em sinal de temor reverente, admiração, respeito e honra, que são atitudes próprias de um verdadeiro adorador.


III – O LUGAR DO CULTO:

• De início, o culto se fazia em todo lugar onde fosse levantado um altar ao Senhor. Mais tarde, o culto ficou restrito ao lugar determinado por Deus:


• (1) – O TABERNÁCULO – Entre os israelitas, o Tabernáculo funcionava como um santuário portátil, onde se realizava o culto público, durante a peregrinação no deserto, até o reinado de Salomão; representava o templo de Deus e o lugar de Sua habitação – Ex 35:11-19; 40:34 cf Hb 8:2; 9:11.


• (2) – O PRIMEIRO TEMPLO – O próprio Deus mandou que fosse construído para o Seu encontro com o povo (I Cr 17:4-12); no entanto, somente no reinado de Salomão foi que Deus permitiu a construção (I Cr 21:28-30 cf I Cr 22:1); a planta geral era idêntica a do Tabernáculo, mas as medidas eram em dobro e as ornamentações mais ricas (II Cr 3; 4). Este templo foi dedicado por Salomão para o culto a Deus (I Rs 8:12-66); sofreu vários estragos e foi reduzido a cinzas pelos babilônios (II Rs 25:9-17);


• (3) – O SEGUNDO TEMPLO - foi reconstruído no tempo de Zorobabel, sendo completado e dedicado a Deus no ano 516 a. C., permanecendo durante 500 anos. (Ed 6:3, 12, 15-18). Nesta época, a Arca do Concerto desapareceu e o Santo dos Santos estava vazio de tudo que era visível; estava ocupado somente pela presença do Deus invisível. Porém, o culto foi restabelecido.


• (4) – O TERCEIRO TEMPLO – Foi construído por Herodes, o Grande, no ano 67 a. C. com a finalidade de tão-somente agradar os seus súditos e ganhar popularidade. Este templo foi destruído no ano 70 de nossa era pelos exércitos do general Tito; seus tesouros foram levados triunfalmente para Roma. No seu lugar atualmente, está edificada a célebre Mesquita de Omar, sobre a rocha sagrada do Monte Moriá. Em Ezequiel, capítulos 40 a 48, está registrada a visão do novo templo do Senhor que será construído para a restauração da glória de Deus no meio do Seu povo.


IV – AS DIVERSAS PARTES DO CULTO NO ANTIGO TESTAMENTO:

• O desejo de Deus é que o Seu povo seja santo e mantenha comunhão com Ele, que é um Deus Santo. Deste modo, era necessário que o povo realizasse certas cerimônias que implicavam em purificação, consagração e separação, tendo como objetivo a Santidade. Portanto, o culto na Antiga Aliança consistia de OFERTAS e FESTAS SAGRADAS. Vejamos:


• (1) – CHAMAMENTO – O povo era chamado a comparecer perante um Deus Santo (Ex 35:1);


• (2) – CONVITE À SANTIFICAÇÃO – O povo era convidado a se santificar pelo oferecimento de ofertas, quais sejam: ofertas queimadas (holocausto); oferta de manjares; ofertas de paz ou de graça; ofertas pelos pecados e ofertas pelas ofensas e transgressões. (Lv 1; 2; 3; 4; 5:1-6; 7)


• (3) – SANTIFICAÇÃO E CONSAGRAÇÃO – O povo era convidado a tomar uma atitude de santificação e consagração através das “santas convocações” ou festas sagradas, que eram as seguintes: Sábado Semanal (Lv 23:3; 25:3-7); Pães Asmos ou Festa dos Tabernáculos (Lv 23:4-8); Pentecostes (Lv 23:15-25) e Comemoração do Ano do Jubileu (Lv 25:8-18)


• Logo, por meio de todo esse ritualismo podemos vislumbrar os propósitos do culto:


• (A) – Visão da santidade de Deus;


• (B) – Visão do pecado do homem e da sua necessidade de perdão;


• (C) – Sentimento de gratidão diante de um Deus gracioso e misericordioso;


• (D) – A visão da mensagem de Deus;


• (E) – Dedicação ao Deus soberano.


• Foram exatamente as mesmas experiências registradas no encontro de Isaías com Deus no templo e de Pedro e os outros discípulos com o Senhor Jesus – Is 6:1-8 cf Lc 5:1-11.


V – O CULTO NO NOVO TESTAMENTO:

• Leiamos I Cor 14:26; Ef 5:18-21; Cl 3:16-17


• SALMOS – Hinos do Antigo Testamento cantados ao som de instrumento de cordas, como a harpa.


• DOUTRINAS – Exposição sistemática e lógica das verdades extraídas da Bíblia, visando o aperfeiçoamento espiritual do crente.


• REVELAÇÃO – Manifestação sobrenatural de uma verdade que se achava oculta.


• LÍNGUAS – Capacidade de se falar de maneira sobrenatural concedida pelo Espírito Santo, visando a consolação, exortação e edificação dos santos.


• INTERPRETAÇÃO – Exposição, explicação e esclarecimento de um determinado texto das Sagradas Escrituras.


• DOM DE INTERPRETAÇÃO DE LÍNGUAS – Dom sobrenatural concedido pelo Espírito Santo, cujo principal objetivo é transformar as línguas estranhas numa mensagem de edificação, exortação ou consolação à Igreja.


• HINOS – Cânticos de louvor a Deus.


• CÂNTICOS ESPIRITUAIS – Hinos cantados em línguas estranhas que, quando interpretados, continham palavras de exortação. A partir da interpretação, a Igreja Primitiva usava-os nos cultos.




VI – OS PRINCIPAIS ELEMENTOS DO CULTO NO N.T.:

- Estes elementos são os meios usados pelo adorador para expressar o culto ao Senhor.


1) A BÍBLIA SAGRADA - Ela é a Palavra de Deus. Ela é o elemento mais importante do culto cristão, pois TODOS OS ATOS DE ADORAÇÃO DEVEM ESTAR BASEADOS NA PALAVRA DE DEUS. As verdades bíblicas devem modelar o ato de culto, bem como as idéias e o comportamento do adorador (I Sm 15:22-23; Mt 15:9). A bíblia aparece no culto sob diversas formas. As principais são:


A) A LEITURA (INDIVIDUAL, CONJUNTA ou ALTERNADA) - I Tm 4:13; I Ts 5:27; Apc 1:3


B) A PREGAÇÃO - Lc 4:16-30


C) O CÂNTICO (CONGREGACIONAL, CORAL, CONJUNTOS, SOLOS) - Cl 3:16


D) AS SAUDAÇÕES - II Cor 1:-6; e


E) AS BÊNÇÃOS PASTORAIS - II Cor 13:13




2) A ORAÇÃO - Orar é cumprir uma ordem do Senhor (Lc 18:1; I Ts 5:17). A oração é indispensável ao cristão, que deve praticá-la individualmente e coletivamente (Mt 6:5-8; At 12:12 cf Rm 8:15; Gl 4:6). A Bíblia ensina que a oração faz parte do culto particular e público.


3) A MÚSICA - Também se destaca como um elemento indispensável ao culto. A Igreja sempre usou hinos e cânticos na expressão do seu culto (Rm 15:9; I Cr 14:15; Ef 5:19; Cl 3:16; Tg 5:13; Apc 5:9; 14:3; Mt 26:30)


4) OS SACRAMENTOS - Os sacramentos são santos sinais e selos do pacto da graça, imediatamente instituídos por Deus, para representar Cristo e os seus benefícios e confirmar o nosso interesse nele, bem como para fazer uma diferença visível entre os que pertencem à Igreja e o resto do mundo, e, solenemente, obrigá-los ao serviço de Deus em Cristo, segundo a Sua palavra. HÁ SOMENTE DOIS SACRAMENTOS INSTITUÍDOS POR JESUS:


A) O BATISMO - Mt 28:19; e


B) A SANTA CEIA - Mt 26:26-30.




5) OFERTAS e DÍZIMOS - Os atos de ofertar e dizimar fazem parte do culto; são partes de nossa devoção a Deus, de nosso compromisso com a pregação do Evangelho; integram e são inseparáveis da nossa adoração; ofertar sempre foi um elemento integrante da adoração a Deus e uma expressão de fidelidade (Dt 12:4-7; Ml 3:10; Mc 12:41-44; II Cr 8:12-18; Hb 13:16).


VII – CONSIDERAÇÕES FINAIS:

• O fim principal do homem é glorificar a Deus e fazer o que Ele manda. Este é também o propósito da Igreja no culto que oferece ao Senhor. Esse propósito se constitui do seguinte:


• (1) – Louvar a Deus – Sl 84:4;


• (2) – Edificar a Igreja pela Palavra e pela oração – Sl 84:1-12; I Cor 14:4-26;


• (3) – Fazer discípulos por meio da proclamação da Palavra e pelo ensinamento das doutrinas do Senhor – Mt 28:19-20;


• (4) – Expressar a unidade do povo de Deus – At 2:13-14, 46






FONTE DE CONSULTA:

• Revista Educação Cristã – Vol. IX – SOCEP – Sociedade Cristã Evangélica de Publicações Ltda
• Idem - volume I

DAVI E A RESTAURAÇÃO DO CULTO A JEOVA

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Igreja Evangélica Assembléia de Deus - Recife / PE
Superintendência das Escolas Bíblicas Dominicais
Pastor Presidente: Aílton José Alves
Av. Cruz Cabugá, 29 - Santo Amaro - CEP. 50040 - 000 Fone: 3084 1524

LIÇÃO 11 - DAVI E A RESTAURAÇÃO DO CULTO A JEOVÁ

INTRODUÇÃO
Durante o seu reinado Davi precisou restaurar o culto ao Senhor, através dos elementos de adoração diante do seu ministério. Davi era um verdadeiro adorador e durante o seu ministério o louvor era prestado a Deus. “Porque já nos dias de Davi e Asafe, desde a antiguidade, havia chefes dos cantores, e dos cânticos de louvores e de ação de graças a Deus.” (Ne 12:46) Cerca de 73 salmos foram escritos por Davi. Observaremos onde eles realizavam o culto e de que forma adoravam a Deus.
I - RESTAURAÇÃO DO CULTO A JEOVÁ
Davi restaurou o culto a Deus por seu temor ao Senhor e pela sua liderança . Esse crescimento se deu pelo teocentrismo ao Deus de Israel e de uma independência tribal para um governo centralizado; da liderança dos juizes para uma monarquia; de uma adoração descentralizada a uma adoração centralizada em Jerusalém. Davi considerava os interesses de Deus como mais importantes que os seus próprios interesses. Embora Davi tenha sido o mais justo de todos os reis de Israel, ainda assim era imperfeito. Seu senso de justiça oferecia a esperança de um um reino celestial, ideal. Ele manteve a unidade de Israel. ( II Sm 7:1 29)
  • CONCEITOS
A adoração é a veneração elevada que se presta a Deus, reconhecendo-lhe a soberania sobre o universo, o governo moral, a força de seus decretos e o seu redentivo amor através de Jesus Cristo. Os Judeus do tempo de Isaías não sabiam fazer tal distinção. Por isso foram severamente repreendidos por Deus: ” De que me serve a mim a multidão de vossos sacrifícios? Diz o Senhor. Estou farto dos holocaustos de carneiros, e da gordura de animais cevados, e não me agrado de sangue de novilhos, nem de cordeiro, nem de bodes.” ( Is 1:11) A verdadeira adoração acha-se intimamente ligada ao amor que devotamos ao Senhor. É um ato permanente na vida do filho de Deus; não pode ser, sob hipótese alguma, uma atitude de adoração. Temos que mostrar ao mundo que somos uma comunidade de adoradores. A adoração não é apenas contemplação; é, acima de tudo, serviço que se presta ao Rei dos reis e Senhor dos senhores.
  • ADORAR - Significa “prostrar-se”, “curvar-se”, “se por de joelhos” deriva-se do grego “Phroskyneõ”. Esta palavra é encontrada no hebraico moderno“Sãhãh” no sentido de “curvar-se” ou ” inclinar-se” mas não no sentido geral de “adorar”. O fato de que ocorre mais de 170 vezes na Bíblia hebraica e mostra algo do seu significado cultural.
  • ADORAÇÃO - É um ato de rendição, reverência, dedicação ao Senhor. (Sl 95:6; II Cr 29:30; Hb 12:28-29).
II - QUAL É O PROPÓSITO DO CULTO?
O propósito do culto ao Senhor é de que ele seja glorificado e reverenciado como um Deus de amor, caridade e respeito. “Mas a hora vem, e agora é, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade; porque o Pai procura a tais que assim o adorem.” (Jo 4:23). Os cultos são sistemas particulares de adoração religiosa com referências especiais a rituais e cerimônias. O culto é o ponto central de uma religião e eventualmente assume formas e símbolos que revelam mais claramente o caráter distintivo da religião. Davi teve o desejo de construir para o templo para que o Senhor fosse adorado e também foi responsável por grandes transformações sociais, políticas e religiosas. Dois fatores importantes do Culto a Deus: 2.1 - ADORAR A DEUS: É a forma de prestarmos culto ao nosso Deus, portanto existem alguns propósitos no culto prestados. No Antigo Testamento observa-se a maneira de adorar : ( Êx 4:31; 34:8; Lv 10:3; I Cr 16:29; II Cr 7:3; Ne 8:6; Ec 5:1).
2.2 - TER COMUNHÃO: É o vinculo de unidade fraterna, mantido pelo Espirito Santo, que leva os cristãos a se sentirem um só corpo em Cristo Jesus (II Co 13:13; I Jo 1:3). Do grego “Koinonia”, lat. “Comunicare”, significa “comunicar.” Comunhão também significa cooperação.
Exemplos de adoração:
  • Jacó - “Pela fé Jacó, próximo da morte, abençoou cada um dos filhos de José, e adorou encostado à ponta do seu bordão.”(Hb 11:21)
  • Josué - ” E disse ele: Não, mas venho agora como príncipe do exército do SENHOR. Então Josué se prostrou com o seu rosto em terra e o adorou, e disse-lhe: Que diz meu senhor ao seu servo? ( Js 5:14 )
  • Elcana - “Subia, pois, este homem, da sua cidade, de ano em ano, a adorar e a sacrificar ao SENHOR dos Exércitos em Siló; e estavam ali os sacerdotes do Senhor, Hofni e Finéias, os dois filhos de Eli.” (I Sm 1:3)
  • O menino Samuel - “Por isso também ao Senhor eu o entreguei, por todos os dias que viver, pois ao Senhor foi pedido. E adorou ali ao Senhor. (I Sm 1:28)
  • Saul - “Então, voltando Samuel, seguiu a Saul; e Saul adorou ao Senhor.”(I Sm 15:31)
  • Davi - ” Então Davi se levantou da terra, e se lavou, e se ungiu, e mudou de roupas, e entrou na casa do Senhor, e adorou. Então foi à sua casa, e pediu pão; e lhe puseram pão, e comeu.” (II Sm 12:20)
  • Jeosafá - ” Então Jeosafá se prostrou com o rosto em terra, e todo o Judá e os moradores de Jerusalém se lançaram perante o Senhor, adorando-o.”(II Cr 20:18)
  • Jó - “Então Jó se levantou, e rasgou o seu manto, e rapou a sua cabeça, e se lançou em terra, e adorou.” (Jó 1:20).
III - QUAIS OS ELEMENTOS DO CULTO E ONDE REALIZAVAM A ADORAÇÃO?
Sabemos que os elementos para a adoração estavam centrados na oração, no louvor, confissão de pecados, confissão da fé, leitura bíblica, pregação, Ceia do Senhor e coletas. A adoração eram realizadas:
  • No tabernáculo - A adoração pública de Israel começou por ocasião da observância da páscoa, no Egito. Essa adoração girava em torno do tabernáculo ou da tenda da congregação. Durante as marchas pelo deserto, uma tenda era única estrutura que podia ser usada de maneira prática pelos israelitas, embora esteja envolvido também um importante principio, a saber, o fato de que Deus vivo por assim dizer não está limitado a alguma estrutura permanente. (Êx 3:4; Dt. 16:13; At. 7)
  • Nas festividades religiosas - A adoração a Deus, por parte de Israel, concentravam-se quase toda em torno das grandes festas religiosas da Páscoa, do Pentecostes e dos Tabernáculos. A Páscoa era a festa da libertação, representando simbolicamente a nossa salvação em Cristo; o Pentecoste era a festa da constante provisão de Deus, que se cumpre na experiência cristã com o Espirito de Deus; e a festa dos Tabernáculos era a festa da orientação divina ao povo que peregrinava pelo deserto. (Lv 3:1-44)
  • Nos sacrifícios - Desde o começo os holocaustos faziam parte da adoração bíblica. Quando da revelação dada no Sinai, eles receberam uma forma organizacional de âmbito nacional. As ofertas foram divididas em Levítico em várias categorias, a saber: os holocaustos ou ofertas queimadas; as ofertas de manjares; as ofertas pelo pecado; e as ofertas pela culpa. (Lv 16: 15-34). Essa verdade é particularmente expressa no grande ritual anual do dia da expiação, quando o santuário, os sacerdotes e o povo eram todos purificados. (Lv. 16:1-32)
  • No templo - Quando os israelitas entraram na terra prometida, houve a localização da adoração, a princípio em Siló, e mais tarde em Jerusalém. (At. 2:43) A adoração no templo de Jerusalém seguia as diretrizes básicas da adoração na tenda, porém, melhor organizada, especialmente no tocante ao sacerdócio. A grande contribuição da adoração no templo foi o desenvolvimento do lado musical e poético. (II Sm 6:5 e I Cr 25)
  • Na Sinagoga - A destruição do templo de Jerusalém, por ocasião do exílio, criou uma nova situação; o aparecimento das sinagogas. As sinagogas tiveram prosseguimento em Israel e nas terras da dispersão. Visto que a adoração sob a forma de sacrifícios só podia ter lugar em Jerusalém, foi mister a criação de uma nova forma de adoração, nas sinagogas. Essa palavra, que vem do grego, significa “ajuntamento”, “congregação”. (Mt 4:33; Mc 3:1; Lc 4:38; Jo 18:20)
IV - A LITURGIA DO CULTO NO ANTIGO TESTAMENTO
No Antigo Testamento a liturgia do culto era complexa e inflexível. Porém há princípios básicos para a adoração no Antigo Testamento. ( Jr 7:2; Ez 46:9; Dn 3:7) As raízes da adoração bíblica devem ser procuradas não nas emoções humanas, mas no relacionamento divinamente estabelecido entre Deus e o homem. A base da adoração é teológica e não antropológica. A comum indagação que pergunta se a origem da adoração deve-se encontrar em emoções como o temor, o respeito e a veneração aos antepassados, torna-se indagação fora de lugar, do ponto de vista bíblico. A adoração é controlada pelo seu objeto, que também é o sujeito. (Is 6: 1-7).
V - A LITURGIA DO CULTO NO NOVO TESTAMENTO
Os Evangelhos pressupõem as formas de adoração nativas ao judaísmo da palestina, no começo do século I d. C. Isso significa que o templo continuava ocupando o lugar na adoração primitiva do Novo Testamento (Jo 4:21). Zacarias pai de João Batista, era sacerdote, e a revelação divina lhe foi dada quando ele estava cumprindo o ritual do ministério no templo. (Lc 1:5) José e Maria tiveram cuidado de observar a lei da circuncisão e a lei da purificação (Lc 2:21). Quando Jesus criticava a adoração que se efetuava no templo, fazia-o contra os abusos daqueles que corrompiam e contaminavam essa adoração propriamente dita. Por isso que ele expulsou do templo os cambistas e negociantes (Jo 2:17). A Igreja primitiva também tinha uma liturgia de adoração a Deus (At. 2:38-47)
“O CULTO A DEUS”
ANTIGA ALIANÇA
NOVA ALIANÇA
  • Adoração com base na letra (Js 1:7-8)
  • Sacerdote local (tribo de Levi)-(Nm 18:2; Js 13:33)
  • Unção do Espirito Santo sobre os Reis, Profetas e Sacerdotes (Is. 6:1-9)
  • Reservado no Templo (Sl 11:4; Ed 5:15)
  • O Espirito Santo estava sobre os crentes ( Êx 35:31; II Cr 15:1)
  • No Espírito (Jo 4:24)
  • Sacerdócio Universal (IIPe 2:9-10; Ap 1: 6 )
  • É derramado sobre toda a Carne (At. 2:1-8 )
  • Cada crente um santuário (I Cor 6:19; II Tm 1:14)
  • O Espírito Santo está no Crente (Lc 12:12; Jo 20:22; At 8:17)


Publicado no site da Rede Brasil de Comunicação

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

DAVI E O PREÇO DA NEGLIGÊNCIA NA FAMÍLIA

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Aula 10
DAVI E O PREÇO DA NEGLIGÊNCIA NA FAMÍLIA
Leitura Bíblica: 2 Samuel 13.2,5,10-12,14,15
06 de dezembro de 2009
 
"Que governe bem a sua própria casa, tendo seus filhos em sujeição, com toda a modéstia" (1 Tm 3.4)
 

INTRODUÇÃO

Nenhum sucesso na vida compensa o fracasso no lar, na família. Davi foi cuidadoso em construir um reino, trabalhou arduamente para isso. Como líder e administrador da monarquia, ele se saiu muito bem, todavia, quase nada vemos ser feito dentro de casa. Havia um dualismo reino-família que mutuamente pareciam ser excludentes. Os maiores inimigos de Davi não foram as nações vizinhas, mas uma anarquia generalizada que se instaurou dentro de sua própria casa: Amnon estupra sua irmã; Absalão mata seu irmão; as concubinas do rei são possuídas sexualmente pelo seu próprio filho; Adonias usurpa o trono, etc. São todos fatos de certa forma ligados à vida familiar. Uma família desestruturada assemelha-se a um trem que descarrilou. É uma tragédia. O que podemos dizer com segurança é que Davi se saiu muito bem como rei, mas o mesmo não pode ser dito como pai. Davi estruturou o seu reino, mas deixou sua casa ruir. Não adianta ganhar tudo e perder a família. Já ouvi alguém dizer acertadamente que nenhum sucesso justifica o fracasso da família.
O apóstolo Paulo bem disse em 1Corintios 16:19, quando se refere a um casal de crentes da Igreja Primitiva: “... muito vos saúdam Áquila e Priscila e, bem assim, a Igreja que está na casa deles”. A nossa casa deve ser uma extensão do Reino de Deus e o Reino de Deus precisa estar dentro de nossa casa. Um não pode existir sem o outro. Mas, infelizmente, nem sempre a nossa casa tem sido um reflexo da igreja. Quantas famílias estão caindo como a de Davi porque não tem trazido para dentro de casa os padrões ideais do Reino de Deus? As estatísticas atestam que o número de divórcios entre os cristãos já é o mesmo praticado pelo mundo incrédulo. Muitos marginais, alguns de alta periculosidade, saíram de lares cristãos. Não seria este o momento de não apenas estudarmos acerca dos erros de Davi, mas de extrairmos lições que nos ajudem na formação de nossos familiares?

I. DAVI FRACASSA NA FORMAÇÃO CULTURAL DOS FILHOS

1. Os valores dos filhos do mundo. Nos dias de Davi, a nação hebraica sofreu uma enorme influência da cultura cananéia, e isso se refletiu dentro da célula mater da sociedade – a família. Não foi por causa de advertência que isso aconteceu, pois Deus foi bastante incisivo e contundente ao dizer: “E não andeis nos estatutos da gente que eu lanço de diante da vossa face, porque fizeram todas estas coisas; portanto, fui enfadado deles" (Lv 20:23). Não há como negar que o relativismo ético-moral reinante nos dias de Davi possuiu um efeito corrosivo não apenas no seu reino, mas, sobretudo, na sua família. A cultura judaica-cristã apregoa a existência de valores absolutos. Eles valem para todos os povos, em todas as épocas e em todos os lugares. Quando esse princípio não é levado em conta, fatalmente as conseqüências negativas logo aparecem. É na família que elas se maximizam.
Quando observamos a forma como se conduzia o rei Davi e como administrava seu relacionamento familiar, ficamos chocados. Ficamos chocados com um Davi que possuía um harém de mulheres, mesmo havendo, na lei de Moisés, mandamentos contra essa prática. Culturalmente não havia nenhum problema nisso, mas essa prática não tinha apoio moral na Palavra de Deus, e Davi sabia muito bem disso(cf Dt 17:17). Até mesmo a queda espiritual de Davi quando se envolveu sexualmente com Bate-Seba reflete uma acomodação aos costumes da sua época. Infelizmente, a absorção desse costume pagão foi a causa principal da derrocada de Israel nos anos seguintes. No período dos reis, devido ao afrouxamento na observação dos princípios divinos, esse perigo se tornou mais ameaçador (2 Rs 17:19).
O segredo da felicidade no relacionamento familiar está em ter uma conduta conforme a Bíblia Sagrada. Como a família foi criada por Deus, é Ele quem deve estabelecer as regras, as normas ao homem, a quem cabe, simplesmente, obedecer. A família não é nossa criação, nem pode ser estruturada segundo os nossos conceitos ou a nossa vontade. Existem princípios que devem ser seguidos.
Muito se fala, hoje, a respeito da diversidade de culturas, dos diferentes modos de vida das várias raças, tribos e nações em volta do mundo, mas isto não é suficiente para que consideremos que os princípios estabelecidos por Deus não devam ser observados por todos os homens. Os homens, envolvidos em seus delitos e pecados, acabam distorcendo os princípios estabelecidos por Deus e cabe à igreja, como defensora destes princípios, imergir nas culturas dos povos de modo a que tais culturas sejam transformadas e voltem aos princípios estatuídos pelo Senhor. Observemos que, entre os próprios judeus, a dureza de coração foi responsável pela existência de normas jurídicas sobre a família que estavam em desacordo com os princípios estabelecidos por Deus, como denunciou o próprio Senhor Jesus ao ser indagado sobre a norma do repúdio que vigorava, na época, em Israel (Mt.19:3-8).
2. Os valores dos filhos do rei. Uma das funções principais da família é a transmissão de valores aos seus membros. Não apenas valores morais, mas, acima de tudo, espirituais. A forma como se comportaram os filhos do rei Davi diante das circunstâncias da vida demonstra que o filho de Jessé negligenciou esse princípio. Davi foi um excelente governador, mas não um bom educador. A conduta sórdida de Amnom e a violência de Absalão são relatadas imediatamente após o terrível pecado de Davi, evocando duas questões: em que medida o pecado do pai contribuiu para as transgressões dos filhos e em que extensão o episódio se deveu à tolerância e à falta de disciplina de Davi.
A função de um pai de família é acima de tudo pedagógica. A ele cabe a transmissão dos valores. Dizem alguns estudiosos que no início da história de Israel, os pais eram os mestres de seus filhos. E, ao que parece, eles levavam muito a sério sua tarefa de transmitir-lhes os ensinamentos básicos de sua fé, bem como os rudimentos de seu ofício. E para muitos pais isso era um ponto de honra, pois se sentiriam ultrajados se eles crescessem ignorantes. Parece que Davi não foi zeloso com esse principio basilar. Não é difícil imaginar que em um lar onde existiam muitas mulheres e diversos filhos competindo pela atenção de um único homem, houvesse disponibilidade necessária para oferecer uma educação dentro dos padrões estabelecidos. Na época em que cometeu adultério com Bate-Seba, Davi já tinha seis esposas. Um péssimo exemplo, e o desprezo da Palavra de Deus, que advertia que o rei não podia possuir muitas esposas(Dt 17:17). Certamente que as mulheres e as atividades corriqueiras não permitiam um relacionamento mais comunicativo entre ele e seus filhos. Eles foram criados quase que “à vontade”. A maioria viveu no anonimato. Eles deveriam ter obedecido: Honra a teu pai e a tua mãe(Êx 20: 12).
Pode parecer estranho, mas o homem segundo o coração de Deus, que se lembrava de Deus em meio às lutas, guerras, perseguições e momentos alegres e vitoriosos, esqueceu-se de orientar e corrigir seus filhos, permitindo que eles vivessem como queriam. O resultado de tudo isso: a má formação do caráter deles. Além de tudo, eles foram, moral e espiritualmente, de forma vergonhosa, desvalorizados diante da nação de Israel.

II. DAVI FRACASSA AO NÃO IMPOR LIMITES

Impor limites tem muito a ver com disciplina. Através da disciplina no lar, o filho aprende a estabelecer os limites da sua liberdade. Se Davi tivesse dado disciplina aos seus filhos, certamente, não ultrapassaria os limites dos padrões morais; enxergariam a linha divisória entre o certo e o errado. Os propósitos da disciplina são: desenvolver o senso de respeito à autoridade; estabelecer a prática da obediência; formar bons hábitos; corrigir maus hábitos.
1. Davi não corrigiu o mau comportamento dos seus filhos. Observando com cuidado o texto sagrado onde é relatado a vida de Davi, seus feitos como líder do povo de Israel, e sua atuação na administração de sua família, nota-se que ele era um rei bastante zeloso e dedicado, porém um pai omisso. Ele falhou terrivelmente:
a) Com sua filha Tamar, depois do estupro dela. Ela foi acolhida e cuidada por seu irmão, Absalão, não pelo seu pai (2Sm 13:20-22).
b) Com seu filho Amnom depois de ele estuprar a sua meia-irmã, Tamar. Davi “ficou indignado” com Amnom (2 Sm 13:21), e isso é perfeitamente compreensível. Todavia, que medidas ele tomou depois que as coisas esfriaram? Nenhuma.
c) Com seu filho Absalão que matou o Amnom.  Outros sabiam do ódio do Absalão e seus planos de matar Amnom, mas Davi ignorou ou ficou ignorante quanto a isso até que era tarde demais. Davi chorou muito; “pranteava por seu filho todos os dias” (2Sm 13.36-37), mas novamente, não fez nada. Absalão acabou voltando após um período de exílio e conspirando contra Davi. Davi fugiu. Absalão teve relações com as concubinas que Davi deixou no palácio, fazendo isso de forma pública para que todo o país soubesse que assim Absalão se tornaria repugnante para Davi. Quando finalmente Absalão morre, Davi se perde em sua dor, luto, choro e gritos. Joabe teve que confrontá-lo de forma dura, dizendo : “Amas os que te odeiam e odeias os que te amam”.  Só assim conseguiu tirar Davi de seu desequilíbrio emocional, que fez o exército sentir-se perdedores ao invés de vencedores (2Sm 18:33-19:1-8).
d) Com seu filho Adonias que quis declarar-se rei, de forma rebelde, quando Davi estava velho, doente e próxima à morte. O texto sagrado diz que “seu pai [Davi] nunca o havia contrariado; nunca lhe perguntava: ‘Por que você age assim?” (1Rs 1:6).
e) Com seu filho Salomão que Davi declara seu sucessor.  À luz da rebelião do Adonias, Davi chama Bate-Seba e jura para ela que Salomão será seu sucessor. Depois chama o sacerdote Zadoque, o profeta Natã e Benaia, responsável pelos guardas do palácio, instruindo-os em que fazer. Então eles “fizeram Salomão montar a mula do rei Davi” e o levavam para ser coroado.  Nisso tudo, Salomão não é companheiro de seu pai, não tem voz, não é incluído nos planos e decisões. Ele parece ser apenas um objeto colocado no lugar certo para cumprir os propósitos de Davi (1Rs 1:28-40). 
Desta forma, Davi mostrava a fragilidade na relação familiar ocasionada por sua falta de disciplina com os filhos e na própria vida sexual. No saldo da falta de ação de Davi, houve uma filha estuprada, dois filhos mortos e outras mulheres violentadas, e na frente do povo(2Sm 7:23). " É obrigação solene dos pais dar aos filhos a instrução e a disciplina condizente com a formação cristã. Os pais devem ser exemplos de vida e conduta cristãs, e se importar mais com a salvação dos filhos do que com seu emprego, profissão, trabalho na igreja ou posição social (cf. Sl.127.3).…"(BÍBLIA DE ESTUDO PENTECOSTAL. Pais e filhos. P.1839).
2. Davi não ensinou os valores hierárquicos. “Então, Adonias, filho de Hagite, se levantou, dizendo: Eu reinarei. E preparou carros, e cavalheiros, e cinqüenta homens que corressem adiante dele”(1Rs 1:5). Os papéis precisam ser bem definidos em um lar. Pai é pai, filho é filho, esposa é esposa. Quando o filho, por exemplo, quer tomar o lugar do pai, como fez Adonias, alguma coisa gravíssima está errada. Não há como eximir Davi dessa responsabilidade.Ele falhou em não passar para os filhos a noção de hierarquia. Como conviver no mesmo teto se não se respeita a autoridade do pai ou da mãe?
3) Ausência de limites. Veja o que a Bíblia diz em Provérbios 22:15: ”A estultícia está ligada ao coração do menino, mas a vara da correção a afugentará dele”. Impor limites é necessário, mas com sabedoria. Saber dizer sim no tempo certo é tão importante quanto o saber dizer não. Veja o que diz a Bíblia: “Aquele que poupa a vara aborrece a seu filho; mas quem o ama, a seu tempo o castiga”(Pv 13:24 – ARC); ” O homem se alegra em responder bem, e quão boa é a palavra dita a seu tempo!”(Pv 15:23 – AFC); ” O homem alegra-se em dar uma resposta adequada; e a palavra a seu tempo quão boa é!”(Pv 15:23 – ARC). “Como maçãs de ouro em salvas de prata, assim é a palavra dita a seu tempo”(Pv 25:11 – ARC).
Voltando ao Provérbio 22:15. A estultícia é estupidez, astúcia. Pelo que vemos neste versículo isso faz parte da natureza da criança, “está ligada” ao coração dela. Por esse motivo, a criança normal se porta de modo astucioso, ora querendo enganar os pais, ora fugindo aos deveres; inventando estórias fantasiosas para justificar seus atos e, até mentindo. Os pais devem compreender que isso é normal, antes mesmo de tentar corrigir. A própria Bíblia admite esse aspecto. Não se deve ver numa criança a ação do demônio, por qualquer travessura ou desobediência.
O mesmo versículo fala da “vara da correção”. É preciso entender o significado amplo da expressão “vara da correção”. Ela é muito mais significativa do que se poderia pensar reduzindo-a a um mero pedaço de pau, ou de corda. Quando procuramos corrigir um filho, de modo firme e severo, estamos usando a “vara da correção”; quando corrigimos um filho através de um conselho amigo, porém com firmeza, estamos usando a “vara da correção”. Esta sim, é que afugenta a estultícia da criança. Existem várias maneiras de se usar esse instrumento.

III. DAVI FRACASSA COMO PAI

1. Um pai ausente. Não se deve desprezar a família, pois na escala de prioridade da vida do cristão ela está em segundo lugar. A Bíblia mostra-nos Davi como sendo um pai ausente durante toda a sua vida. Sua ausência e seu distanciamento para com os seus filhos foi a brecha para que houvesse tantas tragédias na família real.
Amnom, o primogênito de Davi, era um jovem mimado, que se deixou levar pela paixão pela sua meia-irmã Tamar e o levou a cometer a loucura de violentá-la(2Sm 13:1-22). Davi nada fez para reprovar a conduta de seu primogênito e Absalão acabou por assassinar o próprio meio-irmão(2Sm 13:23-36). A distância com que Davi tratou o caso e como se comportou com relação a Absalão, mesmo depois de permitir a sua volta para Israel, foi a brecha utilizada para que Absalão costurasse a sua rebelião, tendo-o feito à porta do palácio do pai, a demonstrar quão distante era Davi de seus filhos(2Sm 15:1-6). Aliás, o fato de Absalão ter abusado publicamente das concubinas de seu pai é um exemplo de quanto era abominado pelos filhos de Davi a sua conduta “apaixonada” em relação às mulheres.
Esta mesma distância é demonstrada no que toca a Adonias, um filho a quem jamais Davi disse não, ou seja, um filho criado sem qualquer disciplina (I Rs 1:6).
O próprio Salomão somente desfrutou de uma intimidade maior com seu pai nos instantes finais de vida de Davi, pois até sua entronização necessitou de uma intervenção de Bate-Seba, que, pelo que se verifica do texto sagrado, também já vivia num certo distanciamento do rei (I Rs 1). Aliás, Salomão foi criado pelo profeta Natã(2Sm 12:25).
Outro fator que caracteriza a ausência de Davi no aspecto disciplinar dos seus filhos é o fato de Amnom possuir más companhias. Foi por causa do conselho de um “amigo”, chamado Jonadabe, que esse jovem destruiu a reputação do seu Pai, estuprando a sua própria irmã(2Sm 13:2-5). Jonadabe, que demonstra ser um mau caráter, atua como uma espécie de "pedagogo" para Amnom. Um bom pai acompanha seus filhos de perto, orientando-os inclusive em relação às suas companhias.
As más companhias têm corrompido a vida espiritual dos servos do Senhor, quando induzidos, partem para a prática de atos que não condizem com o procedimento que deve ser observado e vivido.
Há uma advertência séria no Salmo primeiro sobre o convívio com pessoas indignas: “... não anda no conselho do ímpio, não se detém no caminho dos pecadores, nem se assenta na roda dos escarnecedores.” (Sl 1:1). Em Provérbios diz: “Filho meu, se os pecadores querem seduzir-te, não o consintas.” (Pv 1:10).  “O homem violento alicia o seu vizinho, e guia-o por um caminho que não é bom “(Pv  16:29).  Paulo alertou com propriedade aos crentes da Galácia da seguinte forma: “Um pouco de fermento leveda toda a massa”(Gl 5:9). Isso quer dizer que basta apenas uma única pessoa errada para infectar todas as outras.
2. Um pai sem afetividade. Não adiante ser muito racional quando se é pouco afetivo. No convívio familiar, a afetividade é algo crucial. Às vezes ficamos tão racionais que acabamos perdendo a afetividade. A forma como Davi tratou Absalão, após este ter assassinado Amnom, é uma prova de seu frio relacionamento com os seus filhos. Depois de cometer o crime, Absalão fugiu para Gesur (2Sm 13:38) e só volta ao palácio depois de três anos, graças a intercessão de Joabe. Quando Absalão retorna para Davi, este o recebe de forma fria. Davi, como gesto de perdão e admissão do filho, até o beijou, mas tal ato foi insuficiente para reparar os danos causados pela falta de afetividade do passado (2Sm 14:33). Absalão ficou “dois anos inteiros em Jerusalém e não viu a face do rei”(2Sm 14:28). A falta do relacionamento entre Davi e seu filho Absalão foi catastrófico: este armou um golpe de Estado e acabou morto(2Sm 18:9-15). Depois, não adiantou chorar o “leite derramado”.
A afetividade faz parte da nossa subjetividade, não podemos viver sem ela. Devemos ser afetivos com todos, especialmente com os membros da nossa família. Dizer para a esposa, por exemplo, que a amamos é uma ação simples que solidifica os relacionamentos.

CONCLUSÃO

“A família é o nosso primeiro rebanho, o lugar em que Deus deseja que possamos atuar em nome dEle. De nada adianta nos “dedicarmos” às coisas de Deus, se a família que Ele nos dá de forma graciosa é desprezada. Nada é mais espiritual que cuidar de nossa família, e se ela é descuidada por nossa culpa, que exemplo temos para dar diante do rebanho? Paulo diz: “Mas, se alguém não tem cuidado dos seus e principalmente dos da sua família, negou a fé e é pior do que o infiel”(1Tm 5:8). É dessa forma que Deus aufere quem milita em Sua obra e esquece de zelar pela sua própria casa”(Revista Ensinador Cristão).
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Elaboração: Luciano de Paula Lourenço – Prof. EBD – Assembléia de Deus – Ministério Bela Vista. E-Mail: luloure@yahoo.com.br. Disponível no site: www.adbelavista.com.br
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Fonte de Pesquisa: Bíblia de Estudo-Aplicação Pessoal. Bíblia de Estudo Pentecostal. Bíblia de estudo DAKE. O novo dicionário da Bíblia. Revista o Ensinador Cristão. Guia do leitor da bíblia – 1º e 2º Samuel. Davi – vitórias e as derrotas de um homem de Deus – CPAD/2009. O cuidado com o pecado – Hernandes Dias Lopes. Quando o coração fala mais alto que a razão - Pr Josias Moura De Menezes. Como Viver Bem Com Os Filhos - Íris de Castro Lima. O relacionamento com os filhos – Caramuru Afonso Francisco.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

A ESCOLA DOMINICAL ERA DAS CRIANÇAS!!!!

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DAVI E O PREÇO DA NEGLIGÊNCIA NA FAMÍLIA

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DAVI E O PREÇO DA NEGLIGÊNCIA NA FAMILIA
TEXTO ÁUREO - “Cria em mim, 6 Deus, um coração puro, e renova em mim um espírito reto” (SI 51,10).
VERDADE PRÁTICA - A infidelidade conjugal sempre traz terríveis conseqüências espirituais, morais e sociais àqueles que a praticam.
LEITURA BIBLICA – 2 Sm 12; 5 – 13
INTRODUÇÃO
Davi foi um exemplo de heroísmo, tanto pela sua bravura, como pela sua fé e confiança em Deus. O Senhor testificou dele, ao dizer. “Achei a Davi ,meu servo; com o meu santo óleo o ungi” (SI 89.20). Entretanto, este homem não foi fiel; deixou-se levar pelo sentimento e pela paixão do coração, sendo derrotado pela intemperança, que trouxe grandes prejuízos, não somente a ele,mas a todo Israel. O descuido e a falta de oração e vigilância, com o trabalho do Senhor, têm levado muitos crentes, fiéis servos de Deus, à derrota. Nesta lição, estudaremos, antes de tudo,como confiar no Senhor e não em nossas forças, ou em nossa posição social, política e eclesiástica. Devemos pôr a nossa confiança no Senhor, para não sermos derrotados, como Davi, rei de Israel.
1. O Sacerdócio no Lar
A Bíblia ensina que Jesus Cristo nos comprou com seu sangue para fazer de nós reis e sacerdotes (Ap 5.9,10), o que nos faz compreender a visão do sacerdócio universal do crente. Diferente da idéia pintada pela igreja há séculos, não temos duas categorias distintas na Igreja: o clero e os leigos. Todos são sacerdotes e deveriam funcionar como tal. A Bíblia distingue posições de governo dentro da Igreja Local, mas não limita o sacerdócio a uns poucos cristãos. Todo crente deve ‘funcionar’ em seu lugar no Corpo de Cristo, e todos têm a responsabilidade de ministrar ao Senhor, bem como aos homens, em nome d’Ele.

Esta visão tem sido resgatada em nossos dias, e somos gratos a Deus por isso. Contudo, mesmo para aqueles cujo coração já se encontra aberto a esta verdade, ainda vemos muitos com uma dificuldade: a de não enxergarem o sacerdócio do lar como algo fundamental.

2. O sacerdócio começa no lar

Antes de ser sacerdote na igreja, o homem tem que ser sacerdote na sua própria casa: É necessário, portanto, que o bispo seja irrepreensível, esposo de uma só mulher [...] e que governe bem a própria casa, criando os filhos sob disciplina, com todo o respeito (pois, se alguém não sabe governar a própria casa, como governará a Igreja de Deus? (1Tm 3:2a, 4-5.)

Não é porque vai governar a igreja que o bispo tem que ter um bom lar, mas justamente o contrário. O homem tem que ser o pastor do seu lar; isto é requisito não só para quem ingressa no ministério de tempo integral, mas é um exemplo de vida cristã. E se a pessoa não cumpre um requisito básico da vida cristã, então não tem autoridade para ser um ministro à frente da Igreja.

Portanto, o mandamento de ser sacerdote no lar é para todo cristão. E isto envolve uma excelente conduta familiar, que depois será cobrada do líder como exemplo para o restante do rebanho: Por esta causa te deixei em Creta, para que pusesses em ordem as coisas restantes, bem como, em cada cidade, constituísse presbíteros, conforme te prescrevi: alguém que seja irrepreensível, marido de uma só mulher, que tenha filhos crentes que não são acusados de dissolução, nem são insubordinados. (Tt 1.5-6.)

O homem, além de ser fiel à sua esposa, deve conduzir seus filhos no caminho do Senhor e numa vida de santidade, o que exigirá dele não só conselhos casuais, mas todo um acompanhamento, investimento e ministração na vida espiritual de seus familiares. O posicionamento de um homem de Deus sempre deve envolver sua casa. Este foi o exemplo dado por Josué: Mas se vos parece mal servir ao Senhor, escolhei hoje a quem sirvais, se aos deuses a quem serviram vossos pais, que estavam dalém do Rio, ou aos deuses dos amorreus, em cuja terra habitais. Porém eu e a minha casa serviremos ao Senhor. (Js 24.15.) O texto acima reflete a responsabilidade de Josué de não apenas buscar ao Senhor, mas servi-lo com toda a sua família. Quando se trata de família, não existe a história de “cada um por si”. Embora a responsabilidade de cada um diante de Deus seja individual, precisamos aprender a lutar por nossos familiares, especialmente aqueles que possuem a incumbência de exercer o sacerdócio do lar.

O plano de Deus não é apenas para o homem sozinho, mas para toda a sua família. Quando o Senhor decidiu julgar e destruir a humanidade nos dias de Noé, não proveu salvação para ele sozinho, mas para toda a sua família (Gn 6.18). Vemos também que Deus prometeu a Abraão que nele seriam abençoadas todas as famílias da Terra (Gn 12.3).

Ao tirar Ló de Sodoma, o anjo do Senhor fez com que ele saísse com toda a família (Gn 19.12). No Novo Testamento encontramos um anjo visitando Cornélio e dizendo que deveria chamar a Pedro, o qual te dirá palavras mediante as quais será salvo, tu e toda a tua casa (At 11.14). E além de todas estas porções bíblicas, encontramos a clássica declaração do apóstolo Paulo ao carcereiro de Filipos:Crê no Senhor Jesus, e serás salvo, tu e toda a tua casa. (At 16.31.) Deus tem um plano para toda a família. Não quer dizer que porque um se converteu, todos irão converter-se por causa deste texto. Não creio que ele seja uma promessa a todo crente, mas sim que revele uma intenção de Deus quanto às famílias de uma forma geral. Vale lembrar que Paulo declarou isto ao carcereiro num momento em que este homem ia se matar.
Paulo não podia vê-lo, pois além de estar dentro de sua cela, a Bíblia diz que eles estavam no escuro. O apóstolo Paulo teve uma revelação do Espírito Santo para uma pessoa específica, num momento específico. Não posso dizer: “Ei, Deus! Você prometeu que se eu cresse iria salvar todo mundo lá em casa!”. Mas posso muito bem orar pelos meus familiares crendo que há um plano divino para a família. Cada familiar meu tem o direito de escolha, se dirão sim ou não a Jesus Cristo, é responsabilidade pessoal de cada um deles. Mas farei de tudo para convencê-los, ensiná-los, cobri-los de oração intercessória e tudo o mais que for possível. No caso deste carcereiro filipense, o Senhor mostrou de antemão toda a família salva. Mas para cada um de nós, mesmo se não diga de antemão o que irá acontecer, Deus já revelou seu plano em sua Palavra para toda a família. E o sacerdote do lar tem uma grande responsabilidade de afetar o destino dos seus entes queridos.

3. O cabeça é o responsável

Na condição de cabeça do lar, o homem é o responsável de quem Deus cobrará o exercício do sacerdócio. É óbvio que a mulher deve participar exercendo o sacerdócio juntamente com seu marido, mas a responsabilidade maior não está sobre os seus ombros. Muitos maridos se acomodam por ver sua esposa fazendo bem o seu papel, mas não deveriam agir assim. Por melhor que seja a ajuda da mulher, o homem tem que fazer a sua parte! No caso da mulher cujo marido não é convertido, entendemos que ela deve assumir a posição de sacerdotisa sobre os filhos, porém não sobre seu marido. Parece-nos ter sido exatamente o que aconteceu na casa de Timóteo, discípulo do apóstolo Paulo.

A Bíblia menciona apenas a mãe dele como sendo convertida: Chegou também a Derbe e a Listra. Havia ali um discípulo chamado Timóteo, filho de uma judia crente, mas de pai grego; dele davam bom testemunho os irmãos em Listra e Icônio. (At 16.1-2.)

E além da Bíblia não falar nada sobre o pai de Timóteo sendo convertido, ainda mostra que a cadeia de ensino e discipulado foi sendo transmitida por meio da avó e depois da mãe dele: Lembrado das tuas lágrimas, estou ansioso por ver-te, para que eu transborde de alegria pela recordação de tua fé sem fingimento, a mesma que, primeiramente, habitou em tua avó Lóide e em tua mãe Eunice, e estou certo de que também, em ti. (2Tm 1.4-5.)

Portanto, na falta do homem como sacerdote, ou na incapacidade dele de exercê-lo por não ser convertido, por exemplo a mãe assume este papel, porém sempre em relação aos filhos, nunca em relação ao marido: E não permito que a mulher ensine, nem exerça autoridade sobre o marido. (1Tm 2.12.)

Os pais cristãos devem entender a sua responsabilidade de suprir não só as necessidades materiais e emocionais de seus filhos, como também as espirituais. A Palavra de Deus declara que Herança do Senhor são os filhos; o fruto do ventre, seu galardão (Sl 127.3).

Os filhos não nos pertencem, são propriedade de Deus. Ele apenas nos confiou seus cuidados, e um dia teremos que responder perante Ele por isso. Daremos conta da forma como criamos nossos filhos, e isto deve trazer temor ao nosso coração, especialmente no que diz respeito à formação espiritual deles. Não podemos brincar com esta questão! Deus está chamando os pais a assumirem um compromisso maior com Ele de ministrar a vida espiritual de seus filhos. É preciso ministrar-lhes o coração. Desde os dias da Velha Aliança o Senhor já esperava isto: Não te esqueças do dia em que estiveste perante o Senhor, teu Deus, em Horebe, quando o Senhor me disse: Reúne este povo, e os farei ouvir as minhas palavras, a fim de que aprenda a temer-me todos os dias que na terra viver e as ensinará aos seus filhos. (Dt 4.10.)


No versículo anterior a este, Deus já havia dito: ...e as farás saber aos teus filhos e aos filhos de teus filhos (Dt 4.9), precisamos ministrar a Palavra de Deus aos nossos filhos! Nosso ensino – ou a falta dele – tem o poder de afetar o resto da vida deles; foi Deus mesmo quem declarou isto: Ensina a criança no caminho em que deve andar, a ainda quando for velho, não se desviará dele. (Pv 22.6.) Não se trata apenas de dar uma boa educação, mas sim a verdadeira educação. Ensinar-lhes a andar nas veredas da justiça, nos caminhos bíblicos. Isto também é um mandamento claro e expresso da Nova Aliança: E vós, pais, não provoqueis vossos filhos à ira, mas criai-os na disciplina e admoestação do Senhor. (Ef 6.4.)

4. Cobertura de oração

Também vemos na Bíblia que o sacerdote do lar deve cobrir os seus com oração. A Palavra de Deus nos mostra que Isaque orava a Deus para que abrisse a madre de Rebeca, sua mulher. E Deus ouviu suas orações (Gn 25.21). As Escrituras ainda nos falam acerca de Jó, que periodicamente chamava seus filhos para um culto e sacrificava ao Senhor em favor deles, com medo de terem pecado contra Deus (Jó 1.5). O homem e mulher de Deus precisam ter um coração e uma vida de oração voltados para cobrir e proteger a sua família. Vemos este exemplo na vida de Esdras: Então, apregoei ali um jejum junto ao Rio Aava, para nos humilharmos perante o nosso Deus, para lhe pedirmos jornada feliz para nós, para nossos filhos, e para tudo o que era nosso. (Ed 8.21.)

Em 1Sm 30 lemos acerca de Davi e seus homens saindo para a batalha e deixando suas mulheres e crianças desprotegidas em Ziclague. Enquanto eles estavam fora, os amalequitas incendiaram a cidade e levaram suas mulheres e filhos em cativeiro. Três dias depois, eles chegaram e se desesperaram pelo ocorrido. Finalmente, se fortaleceram no Senhor e foram atrás dos seus, conseguindo resgatá-los. Aprendemos duas lições aqui. Primeiro que precisamos proteger os nossos familiares, cobrindo-os em oração e não permanecendo distantes deles. Segundo, que algumas vezes nos tornamos descuidados, e o inimigo pode se aproveitar de nosso descuido. Mas também aprendemos que Deus é fiel, e mesmo quando falhamos, sua misericórdia nos ajuda a consertar naquilo em que erramos.

O Sacerdócio envolve proteção. Deus nos mostrou isto em sua Palavra desde o início, com o que ordenou a Adão, no Jardim do Éden: Tomou, pois, o Senhor Deus ao homem e o colocou no jardim do Éden para o cultivar e guardar. (Gn 2.15.) Note que além de cultivar o jardim, o homem deveria também guardá-lo, protegê-lo. Mas guardar de quem, se nem mesmo Eva ainda havia sido criada? Penso que Deus já estava indicando a Adão que Satanás, o inimigo de nossas almas, tentaria destruir o que o Senhor estava colocando nas mãos do homem.

Se Adão tivesse protegido a Eva, em vigilância, bem como ministrando-a sobre a importância da obediência ao Senhor, provavelmente aquilo não teria acontecido. Também nós precisamos guardar e proteger nossas famílias, e isto envolve oração e vigilância, bem como a ministração da Palavra de Deus em nossos lares. Muita gente fala da forma maravilhosa como Deus visitou a casa de Cornélio (At 10) com salvação e enchimento do Espírito Santo. Mas isto não aconteceu de graça. Este homem orava continuamente a Deus. E onde há uma semeadura de oração, sempre haverá uma colheita da manifestação do poder de Deus! Se cobrirmos nossa casa de oração, veremos feitos grandiosos acontecendo em nosso favor, pois o Senhor SEMPRE age num ambiente de muitas orações.

5. Orando juntos

Penso que além de cobrir os familiares com oração, o sacerdote do lar deve proporcionar um ambiente de oração onde os seus não só recebam oração em seu favor, mas também aprendam a orar. Orar juntos, em família, como muitas vezes acontecia também com os irmãos da igreja em seu início: Passados aqueles dias, tendo-nos retirado, prosseguimos viagem, acompanhados por todos, cada um com sua mulher e filhos, até fora da cidade; ajoelhados na praia, oramos. (At 21.5.) Exercer o sacerdócio não é só declarar a Palavra de Deus dentro de casa, mas primeiramente vivê-la. Porém, além de se dispor para ministrar aos filhos, e também um ao outro, o casal cristão deve aprender a prática de orar juntos. Não quero dizer orar juntos o tempo todo, mas isto deve também acontecer em suas vidas.

Quando o casal ora junto, goza de princípios operando em seu favor que orando sozinho não se experimentaria. Ainda vos digo mais: Se dois de vós na terra concordarem acerca de qualquer coisa que pedirem, isso lhes será feito por meu Pai, que está nos céus. Pois onde se acham dois ou três reunidos em meu nome, aí estou eu no meio deles. (Mt 18.19-20.) Ao orar junto, o casal aumenta seu “poder de fogo” contra o inimigo, pois no reino de Deus, quando dois se unem, o efeito não é de soma, mas de multiplicação. É sinérgico! Moisés contou acerca deste princípio ao mencionar o que Deus fizera acerca do exército de Israel: Como poderia um só perseguir mil, e dois fazer fugir dez mil, se a sua rocha lhos não vendera, e o Senhor não lhos entregara? (Dt 32:30.)

A Bíblia mostra que deve haver sintonia natural e espiritual entre o casal. Desentendimentos vão roubar deles o poder de unidade nas orações, que por sua vez serão impedidas: Igualmente vós, maridos, vivei com elas com entendimento, dando honra à mulher, como vaso mais frágil, e como sendo elas herdeiras convosco da graça da vida, para que não sejam impedidas as vossas orações. (IPe 3.7.) A “correria” é um dos maiores inimigos deste tempo de oração que o casal deve ter juntos. E cada um deve aprender a “driblar” suas dificuldades e conseguir praticar este princípio de alguma forma. Não deve haver vergonha ou críticas quanto à forma de cada um orar. A intimidade no que diz respeito à vida espiritual precisa ser desenvolvida da mesma forma que a física e emocional.

6. O culto doméstico

Exercer o sacerdócio no lar não requer um horário específico ou dia marcado, é atividade a ser exercida sempre, em diferentes situações. Mas a prática de um culto em família auxilia muito. Devemos desenvolver o hábito de cultuar a Deus em família, o que envolve o ir juntos à Casa do Senhor, como vemos acontecendo desde os dias do Velho Testamento: Todo o Judá estava em pé diante do Senhor, como também as suas crianças, as suas mulheres e os seus filhos. (2Cr 20.3.)

No mesmo dia, ofereceram grandes sacrifícios e se alegraram; pois Deus os alegrara com grande alegria; também as mulheres e os meninos se alegraram, de modo que o júbilo de Jerusalém se ouviu até de longe. (Ne 12.43.)

Elcana subia com toda a sua família para adorar ao Senhor (1Sm 1.1-5). Acredito que pais cristãos devem levar seus filhos à igreja. Mesmo que ela não seja perfeita (e não é, porque não existe igreja perfeita!), é melhor que eles cresçam num ambiente que exalta ao Senhor e sua Palavra do que num ambiente mundano que exalta o pecado e os prazeres da carne.

Lemos no Evangelho de Lucas que os pais de Jesus o levaram ao templo para consagrarem-no ao Senhor (Lc 2.22-24), depois há registros de que o fizeram por ocasião da Festa da Páscoa quando ele estava com 12 anos (Lc 2.41-43), mas a maior evidência de que Jesus cresceu exposto ao ensino da Lei na Sinagoga era o conhecimento que ele trazia (como homem) das Escrituras. Cultuar ao Senhor em família não envolve somente o ir à igreja, mas também pode abranger um culto familiar na própria casa. Foi exatamente isto que aconteceu na casa de Cornélio (At 10.33). A reunião familiar também não precisa acontecer apenas dentro de casa.
Além dos cultos na igreja, podemos nos reunir em algum outro lugar (e até mesmo com outras famílias) para buscar ao Senhor (At 21.5).
7. A negligência trará conseqüências

Quais as conseqüências de se negligenciar o sacerdócio no lar? Juízo divino para o sacerdote, além da evidente rebeldia dos filhos. A primeira palavra profética que Samuel proferiu foi contra alguém que ele certamente amava: o sacerdote Eli, que o criava no templo. E o que Deus disse envolvia a casa dele e sua negligência no sacerdócio familiar: Naquele dia, suscitarei contra Eli tudo quanto tenho falado com respeito à sua casa; começarei e o cumprirei. Porque já lhe disse que julgarei sua casa para sempre, pela iniqüidade que ele bem conhecia, porque seus filhos se fizeram execráveis, e ele não os repreendeu. (1Sm 3.13.)

O Senhor trouxe advertências anteriores, mas Eli não deu ouvidos. Deus está falando de negligência aqui. Diz que embora conhecesse bem o pecado dos filhos, Eli não os repreendeu. Toda omissão no sacerdócio do lar sempre trará conseqüências sérias.

Davi teve problemas com vários de seus filhos, e se você estudar com calma a história dele, perceberá o quanto ele era negligente em relação a seus filhos. Adonias, assim como Absalão, se exaltou, querendo usurpar o trono. Mas por trás desta atitude de rebelião, a Bíblia mostra a negligência de Davi como sacerdote em sua casa: Jamais seu pai o contrariou, dizendo: Por que procedes assim? (1Rs 1.6.) Se não quisermos sérios problemas futuros com os nossos filhos, e muito menos ver a qualidade do relacionamento deles com Deus sendo comprometida, então precisamos ser sacerdotes dedicados em ministrar e cobrir suas vidas.
8. O início dos problemas familiares de Davi
Foi depois de todas as vitórias no exterior, de acordo com 2 Samuel, que a família de Davi passou a ser um foco de problemas incluindo um estupro e um assassinato que quase custou a Davi sua coroa e comprometeu a sucessão de Salomão. Os problemas surgiram depois do nascimento de Salomão, filho de Davi e Bate-Seba, cujo adultério foi a principal causa do tumulto (2 Sm 12.10-14). Já foi sugerido que Salomão tinha vinte anos quando começou a reinar, de forma que deve ter nascido em cerca de 991. Depois desta data começaram os problemas familiares de Davi. Uma implicação de tudo isso é que, se a primeira metade do reinado de Davi foi caracterizada pela bênção e sucesso, a segunda foi marcada pelas dores de cabeça e derrota.
9. A violação de Tamar
A primeira evidência de que a espada não se apartaria da casa de Davi (2 Sm 12.10) foi, sem dúvida, a violação cometida por Aninom contra sua meia- irmã Tamar. Nascido de Ainoã, a jezreelita, Amnom era o filho mais velho de Davi (2 Sm 3.2). Visto que nascera em Hebrom, era um jovem de aproximadamente vinte anos quando forçou a irmã de Absalão e tirou-lhe a virgindade. Ela, aparentemente, nasceu em Jerusalém (1 Cr 3.4-9).
Portanto, era muitos anos mais nova que Amnom. Depois de satisfazer a cobiça, a paixão desmedida pela jovem tornou-se em desprezo, e Amnom recusou-se a tomá-la como esposa, conforme a lei exigia em tais circunstâncias. Humilhada, Tamar buscou refúgio e consolo em seu irmão mais velho, Absalão.
10. A vingança de Absalão
Absalão estava furioso e desejoso de vingança, mas percebeu que a situação precisava ser resolvida com incomum diplomacia. Não seria nada bom, certamente ponderou, levar o problema a Davi, pois seu pai já havia comprometido a própria integridade por ocasião do adultério com BateSeba e do assassinato de Urias e, portanto, não faria nada. Além disso, Amnom era o herdeiro do trono, um fator que o deixava imune a processo ou punições. Sendo assim, Absalão deixou a situação arrefecer até que pudesse divisar uma ocasião oportuna para vingar-se. Nessa época, o desejo de tomar o trono de Israel surgia em Absalão. Destruir a vida de Amnom não apenas vingaria a honra de sua irmã, mas também abriria um espaço para que ele sucedesse ao pai no trono.
Davi tomou conhecimento do crime de Amnom e, embora enraivecido, mostrou-se paralisado em tomar alguma atitude. Talvez tenha imaginado que seria hipocrisia punir o filho por um pecado semelhante ao seu. Em todo caso, Absalão por dois anos elaborou um plano que consistia em um convite a seu pai Davi para uma festa em Baal-Hazor (Tel ‘Asúr), que ficava entre Betel e Siló. Quando Davi disse não poder comparecer, Absalão insistiu para que enviasse o sucessor em seu lugar. Após Amnom se embriagar nas festividades, os assassinos contratados por Absalão o mataram. Depois, Absalão fugiu para seu avô Talmai, rei de Gesur, com quem encontrou apoio e proteção por três anos.
Já foi defendida aqui uma data próxima a 987 para a violação de Tamar, 985 para o assassinato de Amnom e 985-982 para o exílio de Absalão em Gesur. Quando Absalão voltou para Jerusalém, uma engenhosa estratégia de Joabe, permaneceu por mais dois anos (982-980) sem sequer ver o rosto de seu pai.
Foi durante esse tempo que o jovem e belo filho de Davi tornou-se pai de quatro filhos, incluindo uma filha a quem ele deu o nome de Tamar, começando assim a dar uma boa impressão ao povo de Israel. Por fim, Joabe conseguiu fazer com que Absalão e Davi se encontrassem, e houve reconciliação, pelo menos aparentemente. Porém, o espírito de rebelião já estava entranhado no coração de Absalão e, dentro de quatro anos, acenderia as chamas da revolução.
11. A INTEMPERANÇA LEVA O CRENTE A PECAR
l. Era tempo de sair (25m 11.1,2). Diz o texto que Davi “ficou em casa”; “se pôs a dormir à hora da tarde”;’“levantou-se do seu leito”. Antes ele dizia: “De madrugada te buscarei” (Sl 63.1),
Agora, quando devia orar, vigiar e procurar saber como estavam seus soldados no campo de batalha, foi “dormir” e, depois, ”passeai”no”terraço real de sua casa”. Enquanto “passeava”, viu uma mulher se banhando, e esta era formosa à vista (2 Sm 11 .2). Este passeio custou muito caro ao soberano de Israel. Levou-o à tentação, à cobiça da mulher do próximo e, por fim, ao adultério. Davi perdeu o autodomínio, que é a temperança. Deus disse a Caim: “Senão fizeres bem, o pecado jaz à porta, e para ti será o seu desejo, e sobre ele dominarás” (Gn 4.7). A Palavra do Senhor tanto é proveitosa para nos advertir... como para nos corrigir (2 Tm 3.16). Atentemos para os ensinos das Escrituras e saibamos discernir as circunstâncias para fugirmos das tentações.
2. Um passeio fora de tempo(25m 11.2). O pecado da cobiça leva o homem ou a mulher a perder o domínio e a ficar sob o desejo da carne, O “passeio de Davi”, mesmo em seu palácio, levou-o à intemperança e à cobiça da mulher de Urias (2 Sm 11.2). Quando estamos na vontade de Deus, temos poder (At 5.32); quando perdemos a graça, a preguiça dá lugar à tentação. O pecado oferece prazer, mas traz aflição (Rm 2.9). Davi chegou a confessar: “Enquanto eu me calei, envelheceram os meus ossos pelo meu bramido em todo o dia” ( Sl 32.3).
3. Uma pessoa pode levar outra a pecar (2 Sm 11.2-4). Bateseba, que fora tomar banho, não no lugar apropriado para esse fim, contribuiu para a queda de Davi. O exibicionismo nudista da mulher de Urias, ao tentar o servo do Senhor, levou-o a quebrar um dos maiores preceitos de Deus (Lv 18.20). O cristão deve ter cuidado com seu modo de vestir e de andar diante do sexo oposto. O (a) irmão(a) faz parte daqueles que vivem nos balneários, nas praias, onde se propaga o nudismo?
I2. A PARÁBOLA PROFERIDA POR NATA
Deus não faz acepção de pessoas, e não tem o culpado por inocente (Dt 10.17;- Na 1.3; - At 10.34). O homem mais santo é capaz de pecar, de transgredir. Nossos corações se não são iguais, são semelhantes. A medida em que andarmos em Espírito, venceremos as concupiscências da carne (Gl 5.16).
1. A tentação bate à porta (2 Sm 12.4). “Havia numa cidade dois homens; um rico e outro pobre”. Na casa do primeiro chegou um “viajante”. Este era a “tentação”, que bateu à porta de Davi. Tenhamos cuidado, meus irmãos, com este”viajor perigoso”,que bate em todas as portas: do rico, do pobre, do pastor, do presbítero, do diácono, do solteiro, do casado, do jovem e de todos os crentes, O “rico tinha muitíssimas ovelhas e vacas” (2 Sm 12.2), e o pobre nada possuía, senão uma cordeira que ele comprara e criara. Aquele tomou a ovelha deste, matou-a, preparou-a e banqueteou-se com o amigo.
2. Julgamento precipitado (2 Sm 12.5,6). O furor de Davi se acendeu contra aquele homem. Ele não notou que a mensagem era para si próprio; por isso condenou à morte o que tomara a única ovelha do pobre, dizendo:
“Digno de morte é o homem que fez isso” (2 Sm 12.5). Aquele que vive a pecar, não suporta as faltas. Presenciamos este fato dentro da igreja, onde alguns crentes em pecado estão sempre a acusar os outros.
3. O pecado endurece o coração (Pv 4.14-17). A transgressão desta lei levou o rei Salomão à queda. a manchar sua vida moral e espiritual, e perverter seu coração (Ne 13.26), fazendo-o esquecer a misericórdia de Deus.
Leia e anote as quatro dádivas de Deus concedidas a Davi:
l)”Eu te ungi rei sobre Israel;
2) Eu te livrei das mãos de Saul;
3)Eu te dei a casa de teu Senhor;
4) Eu te dei a casa de Israel e de Judá” (2 Sm 12.7,8).
“Tu feriste a Urias e a ele mataste com a espada dos filhos de Amom”(2 Sm 12.9).
Ninguém pode afirmar que a tentação vem de Deus (Tg 1.13,14). Às vezes, Ele consente,a título de provação, para convencer o homem de seus erros e trazê-lo para mais perto dele. Aconteceu assim com Davi, sendo necessário o envio de um profeta para levar-lhe uma mensagem de arrependimento.
I3. AS CONSEQUÊNCIAS DA INFIDELIDADE CONJUGAL
1. A infidelidade conjugal de Davi (2 Sm 12.10-12). Davi, depois de cometer o pecado de infidelidade conjugal, foi repreendido por Deus, e, através do profeta Natã, ouviu a sentença, por sua transgressão: “Não se apartará jamais a espada da Lua casa (família)...; o que fizeste em oculto, eu farei perante todo Israel e perante o sol”.
2. O pecado produz inquietação. Davi havia perdido toda a alegria, inclusive a da sua salvação (SI 51.12). No entanto, o Espírito Santo, embora triste (Ef 4.30), continuava ao seu lado ( Sl 51.11)0 pecado afasta o homem de Deus. Ninguém pode ter comunhão com o Senhor, sem que abandone o pecado.
Tem muita gente por aí conformada com essa situação. Davi clamou: “Não me lances fora”. Ele sabia que se não fosse perdoado, seria afastado de Deus, assim como Adão e Eva (Gn 3.23); Coré, Datã e Abirã (Nm 16.32,33); Acã, Minam e Arão (Js 7. 24,26; - Nm 12).
3. O perdão de Deus reabilita o homem (SI 32.1,2). Davi, ao confessar o seu pecado, recebeu o consolo através do profeta Natã: “Deus perdoou o teu
pecado”(2 Sm l2.13; - Sl32.5). O pecado perdoado pelo Senhor é totalmente esquecido por Ele (Mq 7.19). Perdão e gozo andam juntos. Este é fruto do Espírito Santo (Gl 5.22), e o possuir é mandamento do Espírito (Ef 4.4). Todos nós estamos sujeitos à queda, mas Deus é grandioso em perdoar os nossos pecados (Is 55.7), e jamais se lembra deles (Hb 8.12), pois os lança no “mar do esquecimento”.
Davi, apesar de perdoado, colheu o fruto de seu pecado:
1) morreu seu primeiro filho com a mulher de Urias (2 Sm 12.14-18);
2)sua filha, Tamar, desonrada por Amnom, também seu filho (2 Sm 13.12-14);
3) a revolta de Absalão (2 Sm 15.10-14) e o seu vergonhoso comportamento (2 Sm 16.20-23).
4. Confissão e perdão produzem gozo (2 Sm 12.13; - 1 Jo 1.9). A confissão é do homem, o perdão, de Deus.
Cada falta cometida deve ser confessada. A confissão deve ser: com palavras, não com gestos ou intenção (Rm 10.10); feita a Deus, que é perdoador, e a Jesus Cristo, nosso Sacerdote; e diante da igreja, a critério do pastor (Mt 18.15- 17).
Davi humilhou-se diante das palavras do profeta Natã. Após ouvir o que Deus mandara lhe dizer, arrependeu-se e recebeu o perdão. Ele pediu a purificação do seu pecado (SI 5 1.2): “Purifica-me com hissope”. Foi com este instrumento que levaram vinagre à boca de Jesus (Jo 19.29). Davi pediu que seu pecado fosse apagado. Isto mostra que a dor moral da nossa infidelidade não se “purifica” de qualquer forma.
“[...] Escolham hoje a quem irão servir [...]. Eu e a minha família serviremos ao Senhor” (Js 24.15). A Bíblia é a maior defensora da família: “Se alguém não cuida de seus parentes, e especialmente dos de sua própria família, negou a fé e é pior que um descrente” (1 Tm 5.8). Deus instituiu a família. Como projeto de Deus ela é a base da sociedade. Nos dias da igreja primitiva havia quem ensinasse contra o casamento (1 Tm 4.3). Em nossos dias isso tem se agravado. Existem movimentos intencionais contra a família.

Deus disse: “Por essa razão, o homem deixará pai e mãe e se unirá à sua mulher, e eles se tornarão uma só carne” (Gn 2.24). E mais: “Assim, eles já não são dois, mas sim uma só carne. Portanto, o que Deus uniu, ninguém separe” (Mt 19.6). O casamento é mais que um contrato legal, é uma aliança feita diante de Deus. Na verdade, Deus é testemunha entre o homem e a mulher no casamento (Pv 2.17; Ml 2.14). “Os filhos são herança do Senhor, uma recompensa que ele dá” (Sl 127.3).

As palavras de Rute para sua sogra, ilustram o que cada casal deve pensar sobre a permanência do casamento: “Não insistas comigo que te deixe e que não mais te acompanhe. Aonde fores irei, onde ficares ficarei! O teu povo será o meu povo e o teu Deus será o meu Deus! Onde morreres morrerei, e ali serei sepultada. Que o SENHOR me castigue com todo o rigor, se outra coisa que não a morte me separar de ti!” (Rt 1.16-17).

Estas palavras deixam claro que a família deve seguir junta sempre. Devemos descartar qualquer argumento sobre a possibilidade de termos nossa família separada, desintegrada. Mas não podemos esquecer jamais que ela deve ser construída cada dia, de forma proposital e consciente. Nenhuma família vive bem automaticamente. Deus instituiu a família para que ela seja uma unidade permanente na terra.
A destruição de um povo começa com a família. A expressão antiga deve ser sempre lembrada: a família é a célula-mãe da sociedade. Deus estabeleceu um padrão para a estrutura funcional da família. Se esse padrão for ignorado, a sociedade começa a sentir para pior, os efeitos diretos dessa mudança. Os que criticam os princípios bíblicos, dizem que o padrão familiar conforme a Bíblia orienta, já caducou. Aquela era uma visão primitiva de sociedade. Hoje, vivemos novos tempo de pós-modernidade onde tudo mudou e a evolução do pensamento humano já não permite a visão ultrapassada apresentada nas Escrituras Sagradas. É uma pena que os modernos formadores de opinião, alheios ao padrão de Deus, não apresentem algo melhor do que a Bíblia apresenta. Hoje vivemos uma total inversão de valores. Quero fazer menção de uma passagem bíblica que orienta cada membro da família sobre seu papel e conduta em casa. Refiro-me a Colossenses 3.18-21.
1. Mulheres submissas (v. 18). “Mulheres, sujeite-se cada uma a seu marido, como convém a quem está no Senhor”. A mulher deve ser submissa ao seu marido e tratá-lo com todo respeito (Ef 5.33). Ser submissa não é ser capacho, mas ter uma missão sob a missão do marido (sub-missão). Os ultra modernos são contra a liderança do marido.

2. Maridos que amam (v. 19). “Maridos, ame cada um a sua mulher e não a tratem com amargura”. O marido deve amar a sua esposa como Cristo amou a igreja (Ef 5.25). O marido não deve usar de grosseria com sua esposa. Ela deve ser tratada com honra. Quem não sabe tratar bem sua esposa, não sabe falar com Deus (1 Pe 3.7).

3. Filhos obedientes (v. 20). “Filhos, obedeçam a seus pais em tudo, pois isso agrada ao Senhor”. Aos filhos que honram seus pais Deus promete uma vida bem sucedida e longa (Ef 6.1-2). Os filhos devem reconhecer a autoridade de seus pais e obedecê-los em tudo que lhe dizem conforme a orientação da Palavra de Deus.

4. Pais coerentes (v. 21). “Pais, não irritem seus filhos, para que eles não desanimem”. Os pais devem ser justos com seus filhos. Não devem abusar da autoridade que têm sobre eles para darem vazão aos seus caprichos ou descontarem seus problemas neles. Os filhos não devem ser desanimados por seus pais.

Se Deus não for o construtor da família será inútil todo empenho nesse sentido. Deus compensa os que contam com ele (Sl 127.1-3). Deus criou a família e a Bíblia é o manual do fabricante para um lar abençoado. Não devemos abrir mão dos fundamentos antigos. Eles são o firme alicerce para a permanência da família.

16. COMO RESOLVER PROBLEMAS EM FAMILIA
Disse mais Davi a Abisai e a todos os seus servos: Eis que meu próprio filho procura tirar-me a vida, quanto mais ainda este benjamita? Deixai-o; que amaldiçoe, pois o Senhor lhe ordenou. Talvez o Senhor olhará para a minha aflição e o Senhor me pagará com bem a sua maldição deste dia. Prosseguiam, pois, o seu caminho, Davi e os seus homens; também Simei ia ao longo do monte, ao lado dele, caminhando e amaldiçoando, e atirava pedras e terra contra ele. (2 Samuel 16:11–13).
2 Samuel 15 a 18. Mais de sessenta capítulos da Bíblia são dedicados à história de Davi. Porque a Bíblia registra a vida de Davi com tantos detalhes, somos capazes de examinar seu desenvolvimento espiritual desde o tempo em que ele era um menino pastor até a sua velhice. Em seus últimos dias de vida, Davi foi auxiliado e enriquecido por algumas das lições espirituais que Deus lhe ensinou através dos anos. Não devemos nos desanimar ao saber que leva muitos anos para desenvolvermos a maturidade espiritual. Certa vez, um homem levou seu filho até James A. Garfield, diretor de uma conceituada escola. E perguntou-lhe quanto tempo levaria para o seu filho se formar. O diretor lhe disse: “pelo menos doze anos até o ensino médio”. “Você não pode fazer isto mais rápido?”, perguntou o homem.
“Claro”, respondeu Garfield. “O tempo que levar vai depender do que você quer. Leva só dez semanas para se cultivar uma abóbora, mas leva cem anos para um carvalho crescer”. A odisséia espiritual de Davi foi longa e difícil. Em seu conflito com Absalão, porém, ele mostrou que havia aprendido algumas lições importantes sobre espiritualidade. A profecia de Natã — “a espada não se apartará da tua casa” definiu o resto da vida de Davi (2 Samuel 12:10). Após pecar com Bate-Seba, Davi nunca mais teve paz como antes. Seu filho Absalão tornou-se seu maior inimigo.
Num ato de vingança, Absalão apresentou uma boa razão para sua atitude. Amom estuprara violentamente Tamar, irmã de Absalão, e depois a rejeitara cruelmente (2 Samuel 13:1–17). Absalão esperou dois anos e então mandou seus servos matarem Amom quando este estava embriagado (2 Samuel 13:18–28). Após a morte de Amom, Absalão fugiu exilando-se em Gesur por três anos. No final desse período, Davi permitiu que ele voltasse. Dois anos depois, Davi devolveu-lhe a posição de antes (2 Samuel 13:38; 14:28). No furor da juventude, Absalão não se contentou em esperar pela morte de Davi para se tornar rei.
Através de bajulação e conspiração, Absalão conquistou os corações do povo de Israel. Num momento oportuno, ele pediu que seus seguidores o ajudassem a usurpar o trono de Davi. Tendo iniciado uma revolução, Absalão persuadiu Aitofel, um dos conselheiros mais confiáveis de Davi, a unir-se a ele. Pronto para tomar o trono, Absalão fez soar a trombeta da rebelião e reuniu seu exército em Hebrom.
17. COMO RESOLVER PROBLEMAS EM 1 e 2 SAMUEL
Quando soube que Absalão estava vindo para a cidade, Davi e a maior parte da sua família evacuaram Jerusalém. Chorando e com os pés descalços, Davi atravessou o vale de Cedrom subindo a encosta do monte das Oliveiras. Zadoque e Abiatar, os sacerdotes, ofereceram-se para levar a arca da aliança e seguir Davi. Mas Davi mandou os dois de volta a Jerusalém como espias. Husai, arquita do rei, solidarizou-se com a tristeza de Davi e ofereceu-se para ir com ele.
Mas Davi o mandou de volta para dissuadir Aitofel. Ziba, mordomo de Mefibosete, mostrou-se leal somente a si mesmo. Ele encontrou Davi e mentiu acusando seu senhor, Mefibosete, de esperar em Jerusalém por Absalão. Num ato de precipitação, Davi deu a Ziba todas as propriedades de Mefibosete. Simei, um parente de Saul, amaldiçoou Davi e atirou pedras e terra nele. Davi, porém, conteve Abisai, um dos seus três homens valentes e não o deixou matar Simei pela sua difamação.
Em Jerusalém, Husai conseguiu frustrar o conselho de Aitofel e retardou os planos de Absalão de sair em perseguição a Davi. Quando os dois exércitos finalmente se encontraram, Absalão estava entre os mortos. Com o exército amotinado derrotado, Davi foi restaurado ao seu trono. Quando vemos Davi passando por essas tribulações, ficamos impressionados com sua grande força espiritual. Essa força permitiu que ele resistisse, superasse e vencesse essas dificuldades. Se conseguirmos ter semelhante força, poderemos partilhar do mesmo triunfo espiritual.
18. DAVI APRENDEU A IMPORTÂNCIA DA SUBMISSÃO À VONTADE DE DEUS
O momento em que Davi foi obrigado a sair de Jerusalém deve ter sido um dos mais deprimentes de sua vida. Aquele que antes havia matado “seus dez milhares” estava agora fugindo vergonhosamente de um exército que avançava cada vez mais. O senso comum dizia a Davi que a vontade de Deus era melhor atendida se ele não se opusesse a Absalão naquela ocasião. Esta lição de submissão, que ele aprendera da maneira mais difícil, provou ser a lição mais importante de sua vida. Muitas vezes no passado, Davi poderia ter questionado a sabedoria de Deus. Ele fora tratado injustamente. Saul recusou-se a lhe dar as recompensas prometidas a quem matasse Golias.
De fato, Saul fez muitas tentativas para matar Davi. Além disso, ele tomou a esposa de Davi, Mical, e a deu em casamento para outro homem. Posteriormente, o general de confiança de Davi, Joabe, agiu contra os interesses de Davi (2 Samuel 3:27, 28).
Enquanto Davi fugia de Jerusalém, sua fé estava sendo provada mais uma vez. Ele foi traído por aqueles em quem ele mais confiava. Homens inferiores a ele amaldiçoaram e injuriaram Davi. Mesmo passando por essa e por outras lutas,
Davi nunca perdeu a fé em Deus. Como precisamos aprender a ter a mesma confiança! Nem tudo o que nos acontece como cristãos é bom, mas podemos encontrar forças nas preciosas promessas de Deus. “Sabemos que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito” (Romanos 8:28).
Como cristãos, temos consolação em toda situação. Deus operará em todas as circunstâncias para nos ajudar a encontrar a Sua vontade e a fazer o que é melhor para nós. O que acontece pode não ser bom, ou pode não parecer o melhor de acordo com a nossa sabedoria. Apesar disso, podemos ter certeza de que Deus agirá pelo que é melhor para nós. Em amor Ele reverterá a situação para o nosso bem e para a Sua glória. Examinemos o que Romanos 8:28 não diz. Não diz que todas as coisas darão certo. Diz que se amamos e servimos a Deus, podemos esperar que a Sua mão providencial e encaminhadora conduza e governe as nossas vidas. Nossa resposta a essa maravilhosa promessa deve ser como a de Jó: “Embora ele me mate, ainda assim esperarei nele…” (Jó 13:15a; NVI).
19. DAVI APRENDEU O VALOR DO ARREPENDIMENTO
Entristecido, Davi saiu de Jerusalém, mas sua maior tristeza não foi perder a sua cidade. De fato, Davi parecia confiante de que voltaria, deixando ali até alguns membros da família (2 Samuel 15:16, 25). Devemos concluir que Davi, provavelmente, estava lamentando pelos seus próprios pecados (Mateus 5:4; Lucas 6:21). Davi errou ao negligenciar sua posição de rei (2 Samuel 15:2, 3).
Encontramos ampla evidência da omissão de Davi em instruir e disciplinar os seus filhos (1 Reis 1:6). Pouco se duvida que a rebelião de Absalão não tenha sido resultado da negligência e do pecado de Davi. Davi aprendeu bem a dura lição do arrependimento. Uma vez, ele adiou o arrependimento por um ano, e isto lhe custou muito (2 Samuel 11:26, 27).
Desta vez seu arrependimento seria imediato. Talvez Davi tenha repetido as palavras encontradas em seus salmos: Compadece-te de mim, ó Deus, segundo a tua benignidade; e, segundo a multidão das tuas misericórdias, apaga as minhas transgressões (Salmos 51:1). Responde-me quando clamo, ó Deus da minha justiça; na angústia, me tens aliviado; tem misericórdia de mim e ouve a minha oração (Salmos 4:1). Responde-me, Senhor, pois compassiva é a tua graça; volta-te para mim segundo a riqueza das tuas misericórdias (Salmos 69:16).
Quanta atenção deveríamos dar aos nossos pecados? Já que desfrutamos de perdão total, há algum benefício em recordar transgressões do passado? Temos de resolver o problema da culpa e não permitir que ela permaneça nas nossas vidas. Essa conscientização do pecado não deve ser um peso enorme para nós nem impedir que olhemos para a cruz em busca de misericórdia. Por outro lado, se a alegria de receber o perdão nos deixar impunes e não tivermos nenhum senso de desmerecimento, seremos culpados de uma falta semelhante. Deus se esquece do passado, mas esse esquecimento divino deve produzir em nós um profundo senso de humildade e desmerecimento da Sua graça. O arrependimento libera o poder de Deus! Quando nos dispomos a lamentar, nos arrepender e buscar o perdão dos nossos pecados, Deus libera o Seu poder através do perdão, da aceitação, da paz e da reconciliação. Ele dá aos Seus filhos arrependidos graça sem medida. A misericórdia e o amor do pai do filho pródigo não se revelaram enquanto o filho estava longe, mas somente quando ele voltou para casa.
20. DAVI SE LEMBROU DO VALOR DA CONFIANÇA NO SENHOR
Não podemos duvidar da existência da fé de Davi! Com o mundo ruindo ao redor de si, Davi não vacilou na fé. Quando Abisai pediu permissão para tirar a cabeça de Simei do seu corpo, Davi o deteve, dizendo: Que tenho eu convosco, filhos de Zeruia? Ora, deixai-o amaldiçoar; pois, se o Senhor lhe disse: Amaldiçoa a Davi, quem diria: Por que assim fizeste?… Talvez o Senhor olhará para a minha aflição e o Senhor me pagará com bem a sua maldição deste dia (2 Samuel 16:10–12).
Confiar é mais do que aceitar passivamente. Davi reconheceu que mesmo com todo o poder de Deus, ele era responsável por fazer o que estivesse ao seu alcance para amenizar a sua própria situação. Ele orou para que Deus anulasse o conselho de Aitofel e também neutralizou os planos e obras de Absalão encarregando Husai disso. Busquei o Senhor, e ele me acolheu; livrou-me de todos os meus temores (Salmos 34:4).
Confiar é uma faca de dois gumes. Significa depender totalmente do poder e da vontade de Deus. “Entregar [o problema] nas mãos do Senhor” não significa que estamos isentos de qualquer esforço; mas exige que empreguemos toda a nossa capacidade e recursos para encontrar a vontade de Deus. A serenidade que provém dessa confiança faz parte da maturidade espiritual. Paulo expressou esse tipo de maturidade em Filipenses 4:12 e 13: Tanto sei estar humilhado como também ser honrado; de tudo e em todas as circunstâncias, já tenho experiência, tanto de fartura como de fome; assim de abundância como de escassez; tudo posso naquele que me fortalece. A paz que provém da confiança em Deus é algo que podemos aprender. É o resultado da provação da nossa fé seguida de vitória. Davi mostrou que ele aprendeu isso quando orou a Deus, falando de sua situação: Senhor, como tem crescido o número dos meus adversários!
São numerosos os que se levantam contra mim. São muitos os que dizem de mim: Não há em Deus salvação para ele. Porém tu, Senhor, és o meu escudo, és a minha glória e o que exaltas a minha cabeça. Com a minha voz clamo ao Senhor, e ele do seu santo monte me responde. Deito-me e pego no sono; acordo, porque o Senhor me sustenta. Não tenho medo de milhares do povo que tomam posição contra mim de todos os lados (Salmos 3:1–6).
CONCLUSÃO
Quando tudo acabou, do que Davi se lembrou? Ele experimentou muito sofrimento e tristeza nesse episódio. Sua dignidade foi reduzida a pó. Sua nação sofreu desordem e dissensão. Ele, pessoalmente, sofreu perda e humilhação. Uma vitória não seria suficiente para unir uma nação que, mais tarde, se dividiria para sempre. A consolação e esperança de Davi é a mesma que a nossa. Deus sabe, Deus cuida. Está é a nossa única certeza. Eu me alegrarei e regozijarei na tua benignidade, pois tens visto a minha aflição, conheceste as angústias de minha alma e não me entregaste nas mãos do inimigo; firmaste os meus pés em lugar espaçoso (Salmos 31:7, 8). Não importa quão escura esteja a noite ou quão violenta, a tempestade, Deus está no céu assistindo a tudo.

Elaboração pelo:- Evangelista Isaias Silva de Jesus (auxiliar)
Igreja Evangélica Assembléia de Deus Ministério Belém Em Dourados – MS
Historia de Israel do AT. De Eugene H. Nerrill - CPAD
Lições bíblicas CPAD 1993
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